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O problema é outro

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.04.15

"Nunca ouvi nenhuma organização patronal queixar-se dos encargos com o pessoal. Estamos num país onde é possível contratar um engenheiro por 500 euros. Não me venham dizer que são os encargos com o pessoal que estão a estrangular as empresas."

 

Nem nenhuma organização patronal, nem nenhum empresário capaz que não dependa da mama do Estado, dos partidos políticos, dos lobbies e dos contratos por ajuste directo.

Estamos todos de acordo que as empresas têm encargos excessivos, mas não é destruindo o que resta do sistema de segurança social que se vai melhorar alguma coisa. O que o primeiro-ministro devia fazer, se não quiser transformar Portugal numas Honduras, é comparar as empresas produtivas e de sucesso que cumprem os respectivos encargos a tempo e horas, dão emprego e geram riqueza, sem passarem a vida a pedinchar e a queixarem-se, com as empresas dos seus "amigos" que estão permanentemente "à rasca" enquanto os patrões engordam e financiam campanhas políticas. Basta olhar para o BES ou para a PT. Foi por causa dos encargos que estas empresas se afundaram? Não, foi por causa das vigarices, da incompetência e dos "esquemas". E porque razão há quem progrida apesar das condições adversas? Que fazem estes que os outros não consigam ou não saibam fazer? 

 

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20 comentários

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De António Cabral a 17.04.2015 às 08:09

Muito bom dia. Salvo melhor opinião, é exactamente isso.
Cumprimentos.
António Cabral
(Chapéus há muitos)
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De Luís Naves a 17.04.2015 às 10:19

Discordo. Uma visita a um centro de emprego daria uma perspectiva bem diferente.
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De M. S. a 17.04.2015 às 10:28

Caro Luís Naves:
Fiquei sem saber do que discorda.
E do que a visita ao centro de emprego nos mostra que esteja relacionado com o que se diz no post.
Um pouco mais de clareza e tornaria redundante o meu comentário.
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De Luís Naves a 17.04.2015 às 11:49

Não critiquei o comentário, mas o texto. O maior problema do país e o desemprego. uma medida de redução dos custos do trabalho pode contribuir para criar emprego, sem afectar a segurança social, que paga os subsídios de desemprego. mas este tema será certamente discutido em mais posts.
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De M. S. a 17.04.2015 às 12:14

Ó Luís:
Uma pessoa com o seu nível de informação devia ser suficientemente precavida para não embarcar na demagogia eleitoral.
Quer esmagar os custos com o trabalho (com a colaboração, segundo o neologismo neoliberal) até quanto?
E se voltássemos ao tempo da escravatura as empresas deixavam de ter custos com o trabalho.
Aí é que ganhávamos competitividade.
Quanto custa o trabalho? 21% em média.
Logo, os outros custos representam 79%.
E quanto custa a energia?
Aí o governo promete acabar com a sobretaxa recentemente criada, pudera, quem manda são os monopólios dos bens vendidos em mercado protegido.
E a tal baixa da TSU para baixar os custos do trabalho aplica-se a todos os sectores?
Se sim, quem mais vai ganhar serão os sectores de mão de obra intensiva, pouco qualificada, de produção ou venda de bens de consumo, a maioria importados.
Se me dissesse que seria uma medida selectiva para os sectores exportadores ou para os que poderão produzir para o mercado interno e substituir importações, ainda poderia ser aceitável.
Agora os supermercados e afins, que vendem pechisbeque chinês e produtos alimentares importados irem beneficiar?
A conversa levar-nos-ia longe, fico-me por aqui.
Posso dar-lhe um conselho não paternalista?
Nem tudo o que reluz é oiro, não se deixe enfeitiçar por palavras douradas, mas de pechisbeque.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 17.04.2015 às 14:06

É nesse contexto que a questão deve ser colocada.
Manuela Ferreira Leite depois de perder o respeito dos que deram a cara por ela e nela depositaram a sua confiança e o seu voto, está a perder o respeito por ela própria. Pode ou não concordar-se com a flexibilização da TSU, mas a maneira como a senhora fala do problema, é tudo menos séria.
Também deve ter um problema de audição quando refere o que não ouviu das organizações patronais.
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De Cheio da Manuela a 18.04.2015 às 11:22

Excerto do Programa eleitoral do PSD às legislativas de 2009 (adivinhem quem era "o" - no caso "a" - lider do partido):

Para reduzir o custo do factor trabalho, propomos:
— Reduzir em dois pontos percentuais a TSU suportada
pelos empregadores, até 2011, salvaguardando uma adequada
compensação financeira à segurança social.
— Apoiar a contratação de novos trabalhadores com uma
redução da TSU em 35% e 70%, respectivamente para as
contratações a termo e sem termo.

(http://static.publico.pt/docs/politica/programalegislativaspsd.pdf)
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De Sérgio de Almeida Correia a 17.04.2015 às 12:05

Admito que sim, Luís, mas não tenho dados que me permitam pensar o contrário. Culpa minha.
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De ferro oxidado a 17.04.2015 às 10:34

Hoje é mais um dia de banho ao Ferro.
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De Teodoro a 17.04.2015 às 15:13

Oxidado, porque já passou de prazo, como o desgoverno
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De Teodoro a 17.04.2015 às 12:01

Os únicos encargos com o (trabalho) mal empregues, são os custos com este desgoverno.
Nota: trabalho está entre parêntesis por motivos obvios.
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De Para bom entendedor... a 18.04.2015 às 10:47

quem em duas frases diz três vezes desgoverno...
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De Vento a 17.04.2015 às 15:28

As minhas contas são outras:
O desgoverno verificou que a subsidiação fiscal é uma estrada que não pode prolongar-se, pois a economia não se desenvolve e os ditos investimentos não acontecem. Como não pode prolongar-se e os investimentos não acontecem, pretende com esta medida entrar na era da redução fiscal para as empresas. Como esta hipotética redução da TSU só tem expressão nos grandes grupos económicos, precisamente naqueles que sempre vivem à conta das benesses dos estados e do peso sobre os cidadãos, lá vêm dizer, para disfarçar, que isto abrange o tecido empresarial pequeno e médio, e que constitui pouco mais que 90% do tecido empresarial da nação.

Nem as empresas que constituem maioritariamente o tecido empresarial da nação nem as outras criarão emprego. Logo, a TSU está aí para servir de almofada aos encargos financeiros, juros e empréstimos, contraídos na banca. Esta almofada só beneficia os grandes grupos que têm demonstrado não trazer nada de novo à economia quer em matéria de emprego e salários quer em matéria de investimento.

Como esta política, que é péssima, não pode ser compensada pela taxação directa de impostos, o que criaria um alarido do arco-da-velha, para equilibrar os cerca de 600 milhões de prejuízo que vai gerar na Segurança Social, o desgoverno proporá efectuar e/ou dilatar os cortes que até já foram chumbados pelo TC, refiro-me certamente também às ditas reduções nas pensões, ou seja, mais um assalto àqueles que se têm constituído como o verdadeiro estado social para os desempregados e os indigentes que estes ditos governantes também souberam expandir.
Eles que são legalistas e tão perfeitinhos nas coisitas da lei compram sempre guerras contra as leis.

Quanto ao emprego, como já não é possível aumentar o número de pessoas levadas para as Vidinhas Activas e para os programinhas de subsidiação de empresas à conta de emprego pago pelo Estado através de verbas ditas de ajuda europeia, nada melhor que usar o argumento da baixa da TSU para afirmar que o emprego só baixará se esta baixar.
Não há dúvida nenhuma que isto continua a andar tudo muito baixo.

Para que isto se mantenha baixo, é necessário dizer que o modelo económico baseado no consumo está a ser enterrado por estes doutos homens das economias e finanças, citei sem incluir aspas.
Acontece que o modelo capitalista baseia-se no consumo, e até mesmo as ditas empresas dos bens transaccionáveis só lá vão com consumo. E é mesmo assim, e permito-me usar como exemplo o sector do turismo para afirmar que é através da massificação deste - viagens low cost, hostels e etc. e tal -, isto é, da redução de preços, que Portugal tem melhorado as suas exportações e aumentado a sua colecta fiscal. Não existe nenhuma eficiência fiscal, as questões VIP parecem revelar isto mesmo; existe é um aumento da colecta e adicionalmente um aumento de penhoras que em muitos casos não deviam existir e noutros deviam ter sido implacáveis para servir de exemplo aos que precisam dele, aos que na realidade precisam.

Nota: Gostaria de ver números sobre a dita eficiência fiscal baseados no seguinte perfil de reporte, com divisão de empresas e particulares:
- Valor da Recuperação de dívidas com um ano, com mais de um ano e menos de três anos, com três anos e com mais de três anos;
- Valor e calendário da Renegociação de dívidas segundo o critério anterior;
- Valor da dívida recuperada coercivamente e comparação deste face ao montante do património penhorado segundo o critério supra;
- Número de indivíduos com dívidas até 10.000,00, de 10.000,01 a 50.000,00, de 50.000,01 a 150.000,00, de 150.000,01 a 350.000,00, de 350.000,01 a 1.000.000,00 e > de 1.000.000,01 segundo o critério anterior.
- Valor de montantes EXCLUSIVAMENTE fiscais e montantes de contra-ordenações, coimas e/ou multas incluindo as cometidas nas estradas segundo o critério supra,
- Valores de montantes reembolsados e a reembolsar por erro de serviço.
- Valores de montantes não recuperados e sua causa segundo o critério supra.

Não à subsidiação de empresas através da asfixia dos encargos sobre os trabalhadores e cidadãos. Não à redução da TSU. Não à redução do IRC.
Sim à redução do IRS e da taxa do IVA COM INDEXAÇÃO OBRIGATÓRIA DESTA REDUÇÃO NOS PREÇOS DOS PRODUTOS.
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De Vento a 18.04.2015 às 20:42

Permita deixar uma notícia fresquinha, de hoje 18-04, em sequência ao reporte que solicitava e solicito a este governo que faça a todos os cidadãos:

http://expresso.sapo.pt/dividas-fiscais-governo-manda-travar-penhoras-excessivas=f920515

Fico admirado que este governo seja tão sensível com as eleições à porta. Creio que é mais uma notícia que deve merecer destaque.

P.S. Se não acreditasse que minhas reflexões são fruto de análises e experiência também, chegaria a pensar que sou bruxo.
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De lucklucky a 17.04.2015 às 15:39

Não percebo.

Mais de metade dos portugueses elogiam as vigarices do Governo grego: incluíndo partes do CDS, PSD, boa parte do PS, PCP e BE.
E essa mesma parte do PSD só não elogia Sócrates porque não era da sua camisola.

Portugal e a Grécia faliram pelas mesmas razões que o BES e o trambolhão da PT.
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De Makiavel a 17.04.2015 às 15:58

Esta ideia da descida dos custos do trabalho como forma de fomentar o emprego só me faz lembrar aquela história do dono do burro que, para o tornar mais competitivo, lhe vai baixando a ração até que um dia, depois de várias semanas a passar fome, o burro morre. Comentário do asno (refiro-me ao dono): logo agora que ele estava quase a trabalhar de borla é que foi morrer... sorte a minha."
Como se o problema da criação de emprego (e do investimento associado a ele) em Portugal fosse o custo do trabalho e não a falta de confiança generalizada na evolução da economia, a miserável prestação da justiça, a pesada burocracia, os custos da energia, entre outros factores.
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De CarlosMedeiros a 17.04.2015 às 16:31

200% de acordo.
A questão é que não estão a governar o País. Estão a governar para os amigos e para o seu “tachinho” depois de saírem do governo.
Os amigos são os empresários que descreve muito bem no seu texto e já agora para o amigo que acha que se os custos do trabalho forem mais baixos, se criam mais postos de trabalho, pergunto: tem experiência de gestão? É ou foi empresário??
Suspeito que não. Nenhum empresário emprega trabalhadores só por serem “baratinhos”.
Criam-se postos de trabalho quando o volume de negócios e o mercado o exige, independentemente do seu custo. Se precisar de um engenheiro, não vou contratar um indiferenciado, ou se tiver um negócio numa zona turística, não vou contratar um funcionário que não fale qualquer língua sem ser o Português, só por ser mais barato.

Este tema é só mais uma das muitas mentiras cavalgadas por este 1º ministro e respetivos ministros para encobrir os verdadeiros motivos por trás das politicas que seguem/impõem aos Portugueses.
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De Compromisso de Verdade a 17.04.2015 às 17:39

https://www.youtube.com/watch?v=sdPh-L2i_9I
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 17.04.2015 às 19:46

Este governo é useiro e vezeiro em dar tiros no próprio pé. Só se fala de um assunto destes quando está tudo pronto para o pôr em prática, e as respectivas contas bem feitas para serem explicadas a toda a gente. Mas não, o 1º ministro resolve falar nos assuntos porque sim, e depois é isto: leva bordoada de toda a gente, e muitos nem sabem de que é que se está a falar, quando pensam que a medida tem impacto nos vencimentos liquidos dos trabalhadores. Não tem, apenas alivia a tesouraria das empresas no dia em que têm de enviar para a Segurança Social o cheque dos 23,75%, a famigerada TSU ( taxa social única), sobre os vencimentos dos seus funcionários. E isto, quer queiram quer não os que andam para aí a falar do que não sabem e os que sabem, mas fingem que não sabem, é uma medida com impacto positivo na criação de emprego.

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