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O principal legado de Castro

por Pedro Correia, em 26.11.16

1974_fidel_castro_ap_629[1].jpg

 

«El modelo cubano ya no funciona ni siquiera para nosotros.»

Fidel Castro, Setembro de 2010

 

A morte física de Fidel Castro - o autocrata que permaneceu mais tempo em funções na era moderna - tem desencadeado expressões de idolatria lacrimosa nos circuitos mediáticos: "Pai da revolução cubana", "comandante chefe", "líder histórico", "figura carismática".

Nem uma só vez escuto a palavra ditador.

"Não se pode dizer que Fidel Castro deixou Cuba como país próspero e desenvolvido. O povo cubano tem sofrido muito - e tem sofrido não só por causa do bloqueio mas pelas políticas que foram realizadas pelos próprios dirigentes cubanos. E não nos podemos esquecer que em Cuba não há democracia." Palavras do jornalista José Milhazes na SIC Notícias - um dos raros que navegaram contra a corrente, pondo os factos acima da ladainha hagiográfica.

 

Na sua fabulosa Autobiografia de Fidel Castro, Norberto Fuentes - que foi um dos funcionários de mais elevada patente do castrismo antes de se ver forçado a rumar ao exílio, como aconteceu com centenas de milhares de cubanos - escreveu estas palavras, supostamente concebidas pelo próprio autocrata: "Hei-de morrer a ruminar a satisfação imensa de que terão de me julgar à revelia. E quando decorrerá tamanho processo? Dentro de quinhentos anos? Dentro de mil? Quando é que a história julga de maneira definitiva e sem apelo nem agravo?"

Nesse aspecto, Fidel Castro pode ser apresentado como um triunfador da História - alguém que sobreviveu à derrocada do mundo comunista e recorreu às bravatas nacionalistas para se perpetuar no poder até a fatalidade biológica impor a sua lei suprema.

Para ele, só a razão de Estado existia. E o Estado confundiu-se durante mais de meio século com a sua pessoa. Neste contexto, o povo funcionava como substantivo abstracto: compunha as manifestações de apoio ao Governo, as únicas autorizadas, e servia de vocativo permanente na retórica oficial.

 

O que vigora na Cuba dos nossos dias?

Um regime de partido único, profundamente hierarquizado, em que as hostes partidárias se confundem com as forças armadas (que embolsam 60% das receitas turísticas) e o aparelho de Estado. Um regime em que a cúpula do poder permanece nas mãos de membros da mesma família há 57 anos. Um regime que destruiu o tecido produtivo do país e hoje se vê forçado a importar 80% do que ali se come. Um regime mergulhado num irreversível e penoso crepúsculo, confundindo o seu destino com o do país.

Há meio século, a palavra de ordem era "socialismo" - a toda a velocidade. Agora a palavra que paira nas mentes de todos é "capitalismo" - o mais devagar possível. Com mais de dois milhões de cubanos forçados a viver fora da ilha e milhão e meio à beira do desemprego porque o Estado-patrão deixou de ter verba para pagar os magros salários - os segundos mais baixos do hemisfério ocidental - e as esquálidas pensões de reforma.

"Agotados de tanta trinchera y demasiadas alusiones al enemigo, nos preguntamos si no sería más coherente usar todos esos recursos para aliviar los problemas cotidianos. Revertir las crónicas dificultades del transporte urbano, la calidad del pan del mercado racionado o el abastecimiento de medicamentos en la farmacias de la Isla, serían mejores destinos para lo poco que contienen las arcas nacionales." Palavras escritas há dias pela jornalista Yoanis Sánchez no seu blogue.

 

Cuba é hoje uma nação envelhecida, sem esperança, com a segunda mais larga população de idosos da América Latina: 46% da população tem mais de 40 anos. Os jovens tudo fazem para abandonar um país onde o partido-Estado persiste em oprimir a sociedade.

Este foi, para azar dos cubanos que mal sobrevivem hoje com o equivalente médio a 15 dólares diários, o principal legado de Fidel Castro.

Em nome da "liberdade", o que torna tudo ainda mais trágico.

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56 comentários

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De Francisco Malveiro a 26.11.2016 às 12:43

Menos um ditador, social-fascista, crápula, bandido, assassino, ao cimo da Terra. Todos aqueles que não lhe chamam qualquer um destes nomes são os mesmos de sempre, os mesmos que antecipadamente celebraram a vitória da Hilary, mais propriamente uns esquerdistas envergonhados.
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De Pedro Correia a 26.11.2016 às 15:22

Celebrar as "conquistas" de Castro é legitimar as "conquistas" de qualquer outro ditador à face da terra.
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De Conde de Tomar a 29.11.2016 às 14:28

Mais ou menos como comemorar o 5 de Outubro, correcto?
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De Pedro Correia a 30.11.2016 às 15:58

Em Cuba não se comemora o 5 de Outubro porque o regime é monárquico. O poder passou do irmão mais velho para o irmão mais novo e este prepara-se para o transmitir ao filho mais velho.
A dinastia Castro está bem e recomenda-se. Como a dinastia Kim na Coreia do Norte.
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De Conde de Tomar a 30.11.2016 às 21:17

Já leu José Luís Peixoto, Dentro do Segredo? Ali naquela terra de fantasia, artificio onírico do grande Mago Kim, não se sofre a ansiedade que acompanha a liberdade de escolha. Lá decidem por nós e a vida nada mais é que uma combinação de mornas e soporíferas previsibilidades. Como eu lhe invejo esse sono.
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De Pedro Correia a 30.11.2016 às 23:18

Por acaso não li, mas hei-de ler. Embora julgue que não encontrarei grandes surpresas naquelas páginas.
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De Francisco Malveiro a 26.11.2016 às 12:53

Continuando. Nas notícias da RTP 1, lia-se esta manhã: "...instalou em Cuba o socialismo para melhorar as condições de vida do povo cubano." Que condições de vida tem o Povo cubano, não os da numenklatura, com o socialismo? são ou não jornaleiros a soldo da Esquerda?
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De Pedro Correia a 26.11.2016 às 15:21

Isso não é jornalismo. É propaganda. E da mais rançosa.
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De Buiça a 27.11.2016 às 00:08

A ver se eu percebo... "jornalismo" é ignorar sistematicamente, nem sequer mencionar, o maior, mais longo e mais criminoso embargo económico de que há memória para punir um povo que não queria ser colónia?
Já "democracia" podemos defini-la como o sistema segundo o qual temos direito a escolher entre 2 candidatos que ou são bilionários ou financiados por bilionários, com a cereja em cima do bolo de ganhar aquele dos dois que tiver menos votos?
E sobre "ditadura"... rasgamos as vestes pelo pobre povo cubano ou de qualquer outro canto longinquo do planeta, mas se 2 ditaduras forem donas de toda a energia e sector financeiro do nosso país ficamos caladinhos desde que nos vão dando moedinhas e amendoins?
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De Pedro Correia a 27.11.2016 às 00:21

Ditadura acontece nos países onde não é possível você escrever o que escreveu.
Onde não é possível ter acesso automático e generalizado à internet.
Onde não é possível criticar o Governo sem arriscar pena de prisão.
Tão simples como isso.
Em Cuba não é.
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De Buiça a 28.11.2016 às 01:56

Peço desculpa, como me pude esquecer do inalienável direito humano ao acesso à rede...
Mais a sério, será assim tão complicado reconhecer o mérito de um povo na luta pela sua independência? Respeitar um libertador? Um digno sucessor de José Marti?
Nos anos 50 enquanto na Sierra Maestra se sofria horrores com a falta de net, ainda havia apartheid nos Estados Unidos, até aos anos 70 censura em Inglaterra e prisão pelo crime horrendo de montar uma radio pirata.
Tenhamos alguma perspectiva: leio em blogues cubanos sobre os 5 a 6 mil de fuzilados em 50 anos, mais outros tantos que morreram nesse período por maus tratos nas prisões ou perseguidos por uma razão ou outra. Tudo terrível. Mas se começamos nos numeros, o que é isso perante as centenas de milhares de mortos nos Estados Unidos que cometeram o crime de ser comunistas, sindicalistas, serem negros ou indios e quererem ter direitos, etc?
Omessa, quantos milhões de seres humanos foram mortos pela gloriosa democracia Americana nesses 50 anos por toda a América Latina, Asia, Medio Oriente...? Quantos chefes de Estado foram assassinados (inclusive próprios!) e regimes mudados à força por quem condenou o povo Cubano à pobreza com o terrivel embargo?
Eu sou tudo menos comunista, mas qualquer pessoa razoável reconhece que nos anos 50 a gelataria política tinha 2 sabores: baunilha e chocolate. E se a independência tinha que ser conquistada ao chocolate, só sobrava a baunilha.

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De Pedro Correia a 28.11.2016 às 09:23

Lá vem a cartilha ideológica, debitada com o fragor das cataratas do Niagara. Cheia de novilíngua, contra a qual Orwell nos alertou: mentira é verdade, guerra é paz.
Neste caso, a democracia é ditadura. Temos de combatê-la.
E a ditadura é democracia. Temos de celebrá-la.

E no entanto vemos, ouvimos e lemos.
Não podemos ignorar isto:
1. Castro não foi "libertador". Um libertador liberta o seu povo de um regime tirânico, não funda outra tirania - muito mais prolongada no tempo, muito mais implacável contra os seus inimigos.
2. Castro não foi "libertador". Um libertador desapega-se do poder, não se mantém 49 anos consecutivos no poder nem o transmite por via familiar, com o mais descarado nepotismo.
3. Castro não foi "libertador". Se o fosse, não teria mantido Cuba no topo das violações dos direitos humanos, como a Amnistia Internacional e os Repórteres Sem Fronteiras alertam há décadas.
4. Castro não foi "libertador". Se o fosse, teria instituído em Cuba uma democracia multipartidária com eleições livres, em vez de um regime de partido único ao qual é obrigatório pertencer para encontrar emprego no Estado.
5. Castro não foi "libertador". Se o fosse, não negaria aos cubanos algumas das liberdades mais elementares - liberdade de expressão, liberdade de reunião, liberdade de imprensa, direito a viajar sem restrições, direito à greve.
6. Castro não foi "libertador". Se o fosse, não teria trocado uma tutela imperialista (EUA) por outra (URSS) à qual foi fiel até ao fim.
7. Castro não foi "libertador". Se o fosse, não teria deixado o seu povo na penúria económica, com o segundo pior nível de vida da América Latina, com um PIB 'per capita' de 15 dólares mensais, só menos mau do que o miserável Haiti.
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De Conde de Tomar a 28.11.2016 às 17:36

Tudo muito certo. Na maior democracia do mundo torturam-se pessoas em nome do combate ao Terrorismo. Deixam-se presos cidadãos durante décadas para depois se constatar que houve um erro judicial. Mata-se desenfreadamente em Escolas, Bases militares, etc. Nos EUA mesmo após cumprirem pena existem cerca de 2 milhões de ex-reclusos que não podem votar. Quantos morreram, se suicidaram, pela crise financeira gerada em 2009 - veja-se o filme InsideJob? E o que se pede, é mais desregulação e não mais controlo dos grandes bancos de investimento - o dinheiro como medida de todas as coisas.
Nos EUA os seguros chegam a propor aos segurados que decidam quais os dedos que querem "salvar" umas vez que a cobertura é insuficiente para uma cirurgia completa. Nos EUA vigiam-se, sem controlo, contas pessoais de email e PC particulares em nome da segurança- veja-se o caso Snowden....Para onde acha que se deva olhar, Pedro, como exemplo e farol civilizacional?
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De Buiça a 29.11.2016 às 00:07

Não sei de que ideologia fala, mas de Orwell também gosto muito, ensinou-me a desconfiar sempre de quem vê o mundo limitado a verdade/mentira, guerra/paz, ditadura/democracia, esquerda/direita... nós ou os outros.
Que em bom rigor nem acho que seja o seu caso, pelo menos a avaliar pelo excelente blog que muita coisa boa me dá a conhecer ou relembrar sempre que tenho oportunidade de por cá passar.

Outra coisa que Orwell ensina é que a propaganda não é só de um lado ou do outro, que democracia não é o mesmo que sufrágios universais, que uma ditadura subtil continua a ser uma ditadura, que se para entender alguma coisa devemos desconfiar um pouco da história escrita pelos vencedores, devemos desconfiar mais ainda da história escrita pelos perdedores (no caso perdedores rancorosos de uma colónia). Que se nascemos e crescemos num bloco é particularmente difícil, mas não impossível, conhecer e entender o outro.

Não vou comentar os 7 mandamentos do "libertador", seria fastidioso e de certeza me fugiria a tecla para uma ou outra deselegância: Castro foi libertador pura e simplesmente porque conquistou a independência do seu país e conquistou-a contra a maior potência militar do planeta. A parte que me merece mais respeito é essa do underdog, do david que acertou uma pedrada na cabeça do golias e por uma excelente causa!
E como o mundo não é um conto de fadas, no momento seguinte o golias lá continuava e com raiva quis assassinar, quis invadir, quis "primaverar" como se chamam agora os Condores, e a tudo isso ele resistiu mantendo a independência de Cuba, sendo as pedras de defesa seguintes os inflamados discursos na ONU, ou alianças com o unico bloco capaz de fazer frente ao americano, ou adoptando retóricas comunistas, ou racionando inteligentemente (e propagandisticamente!) os víveres que sobravam do embargo, o que quer que estivesse à mão ou ao alcance de uma mente obstinada por proteger a independência conquistada.
Se reparar em qualquer outro país do mundo que tenha conquistado a sua independência pelas armas no século XX, Cuba terá sido com certeza aquele onde menos gente morreu nos 50 anos seguintes. E não encontra mais nenhum sujeito àquele embargo. Colocar Fidel numa qualquer lista com Mugabes, Videlas, Pinochets, Lenines ou Maos é simplesmente ridículo. Mas principalmente é injusto. Sobretudo na hora da sua morte.
Se quer culpar alguém por o regime ter evoluído pouco em 50 anos, só tem que apontar o dedo a quem o isolou do resto do mundo como castigo por querer ser independente.
Cumps,
Buiça
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De Conde de Tomar a 28.11.2016 às 17:22

Cuidado Pedro! Foi um governo de direita que pôs num país como o que descreveu, a REN e a EDP.
Pedro, em Portugal, em empresas privadas, é impossível ser-se sindicalizado. Os sindicatos de nada servem? Mude-se a lei. Até lá deixam as pessoas pensarem pela cabeça delas. Bem, ou Mal. É isto democrático? Aquando da formação do governo era ouvir os membros do ECOFIN e da CE a alertarem os mercados para o risco da solução governativa encontrada. Era ouvir o presidente - monge de Cister dizer - Não se deve falar, para não assustar os Mercados! - É isto democracia?
E o que falar da Justiça, ou da falta dela. Dividas ao Fisco de centenas de euros, no governo de direita, implicavam a ameaça da perda de casa de família. Ao passo que dividas de milhões....É isto democracia?
No tempo de Salazar votava-se. Era democracia? Quanto ao acesso internet parece que os seus colegas jornalistas a vem como uma ameaça e não como um certificado à informação de "qualidade". A informação de nada vale se não for escortinada por quem percebe da poda - o que não falta aí são informações erradas...
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De Pedro Correia a 30.11.2016 às 15:57

Resumindo o seu raciocínio, se bem o entendi: em Cuba respira-se "democracia" e em Portugal estamos esmagados por uma "ditadura".
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De RS a 26.11.2016 às 15:07

Em suma, o cavalheiro percebe tanto de Cuba como eu percebo do ciclo reprodutivo da barata. Mas tinha de escrever coisa, não é?
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De Pedro Correia a 26.11.2016 às 15:20

Qual cavalheiro? Quer especificar?
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De Luís Lavoura a 26.11.2016 às 15:13

Repare-se que muitas das afirmações que o Pedro Correia faz sobre Cuba também se aplicam, como uma luva, a Portugal. Porém, no caso português o Pedro Correia não extrai dessas afirmações as mesmas conclusões que no caso de Cuba.

país [qu]e hoje se vê forçado a importar 80% do que [...] come

mais de dois milhões [...] a viver fora [...] e milhão e meio à beira do desemprego

uma nação envelhecida [...]: 46% da população tem mais de 40 anos. Os jovens tudo fazem para abandonar [o] país
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De Pedro Correia a 26.11.2016 às 15:20

Ah, pois claro. Ditadura e democracia, tem tudo a ver. Iguais como duas gotas de água.
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De Luís Lavoura a 26.11.2016 às 15:38

É claro que Cuba é uma ditadura e Portugal é uma democracia. Mas nem por isso é legítimo assacar a Cuba 1001 coisas que correm mal, omitindo que coisas similares ocorrem em democracias.
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De Pedro Correia a 26.11.2016 às 15:40

Típico paleio salazarista pré-1974. Não era legítimo assacar a Salazar o que corria mal em Portugal omitindo que coisas similares ocorrem em democracias.
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De Luís Lavoura a 26.11.2016 às 15:46

Eu em 1974 era uma criança e creio que o Pedro também. Nenhum de nós assacava nada a Salazar, que aliás já tinha morrido há uns bons anos.
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De Pedro Correia a 26.11.2016 às 16:03

Não estou a falar de mim nem de si. Falo genericamente. Os argumentos que servem para justificar umas ditaduras, em regra, servem para justificar todas as outras.
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De Manuel Silva a 26.11.2016 às 16:00

Caro Pedro:
Não disse uma palavra demais ou despropositada no seu post.
Talvez algumas tivessem ficado coladas ao teclado.
Eu vivo num concelho onde a maioria absoluta desta gente, actualmente com 46,30%, é conseguida apenas com 17,98% dos votos expressos da totalidade do eleitorado.
São as perversões do regime democrático.
Sei bem do que esta gente é capaz (apesar de estar limitada pela democracia representativa).
E sei o que me fazem e o que pensam de mim, apenas porque não alinho nas encenações que fazem permanentemente.
Encenações pagas com o dinheiro que me sugam sem dó nem piedade nas taxas e impostos municipais.
E também porque a denuncio (essa gente do PCP) com um artigo mensal num jornal diário de âmbito regional, que é distribuído em todo o distrito.
,
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De Pedro Correia a 26.11.2016 às 16:02

Isso é cidadania, caro Manuel Silva. Da mais louvável. Nesta Cuba já do século XXI (não a alentejana, mas a outra) isso seria passaporte para uma longa temporada na prisão.
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De Manuel Silva a 26.11.2016 às 16:27

Caro Pedro:
Vivemos em democracia, imperfeita, mas a melhor possível que neste momento histórico conseguimos construir.
Por vezes nem todos valorizam suficientemente este bem tão precioso de que, verdadeiramente, só nos apercebemos da sua mais funda qualidade quando o perdemos.
Na semana passada resolvi enviar a todos os eleitos do meu concelho (e também a todos os eleitos do distrito de que consegui os endereços de e-mail: algumas centenas) um estudo comparativo que fiz sobre o IMI no distrito e no resto do país (nos restantes 21 distritos).
Como de costume, o meu distrito é o pior do país, desde sempre, desde 2003 (quando foi criado o IMI).
E tem sido hegemonizado pelo PCP em 40 anos de poder local, na esmagadora maioria dos 13 concelhos que o compõem.
Mas, em contrapartida, a qualidade de vida, no que respeita ao que compete às autarquias, está muito longe de ser das melhores do país.
Não bate a bota com a perdigota: tanto amor ao povo e tanta exploração desse povo.
Acabo de receber ma interpelação agreste de uma eleita do PCP na minha Assembleia Municipal, a inquirir onde obtive o seu endereço de e-mail.
Se as minhas conclusões lhe fossem simpáticas, a música da senhora seria outra.
----------------------------
P. S. Se eu tivesse um seu endereço de e-mail enviava-lhe quatro quadros muito elucidativos.
Ia ficar incrédulo e boquiaberto.

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De Pedro Correia a 26.11.2016 às 20:35

Caro Manuel, o meu endereço electrónico está disponível na minha área de perfil. Basta clicar para encontrá-lo.
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De Pedro Correia a 30.11.2016 às 15:59

Já recebi, meu caro. Agradeço-lhe.
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De singularis alentejanus a 26.11.2016 às 18:13

Caro Manuel, daí eu defender o seguinte: Nunca o voto obrigatório, mas sim a ida ás urnas. Porque depois de "riscar o nome" nos cadernos eleitorais como se diz no Alentejo, nada nem ninguém me pode obrigar a votar em quer que seja, mas estive lá, a cumprir com o meu dever de cidadão, podendo abster-me, votar em branco, anular o voto ou votar numa daquelas instituições a que chamam partidos políticos.
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De Pedro Correia a 26.11.2016 às 20:36

Também sou contra o voto obrigatório. E também entendo que todos devemos votar, como muito bem entendermos.
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De V. a 26.11.2016 às 18:29

Pois aplicam: é o país que a Esquerda mais a sua constituiçãozinha rumo ao socialismo nos tem forçado a ser. E não vai mudar enquanto não formos uma economia livre com uma sociedade civil mais forte do que a sociedade que o Estado alimenta.
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De Pedro Correia a 26.11.2016 às 20:39

Em Cuba não têm opção: comunismo "o muerte".
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De Piorquemao a 26.11.2016 às 17:35

Sim, foi um dia diferente, o ar está mais respirável,... muito tarde foi, quem nunca por cá deveria ter andado,...
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De Pedro Correia a 26.11.2016 às 20:34

Não celebro a morte de nenhum ser humano. Mas festejo sempre a queda de todas as ditaduras.
Espero festejar num futuro próximo o fim da ditadura cubana.
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De Piorquemao a 26.11.2016 às 20:55

De facto não celebro a morte do ser humano, que a propósito, como tal era desprezível, celebro o desaparecimento de um ditador genocida, apenas com uma mágoa, que não tivesse pago antes pelos horrores da sua existência,...
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De Pedro Correia a 26.11.2016 às 21:37

Infelizmente não há nada a celebrar: a ditadura permanece. O desaparecimento físico do Castro mais velho não evita que as rédeas do poder estejam bem firmes nas mãos do Castro menos velho.
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De V. a 26.11.2016 às 18:24

Ouvi hoje na FNAC um filho perguntar a uma mãe quem era afinal Che Guevara, que aparecia num livro para colorir, no meio de livros de desenho e arquitectura. What the fucking fuck quem foi o bastardo que pôs aquilo ali? Mas adiante: vai a mãe e responde: um militar que "libertou o povo". Libertaram o povo... Uma autêntica maravilha.

Devia ser funcionária pública.
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De Pedro Correia a 26.11.2016 às 20:32

Qualquer torcionário que pertença à trincheira "correcta" é pintado como libertador. Uma história da carochinha dos nossos tempos para contar às criancinhas.
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De Manuel Silva a 26.11.2016 às 20:55

V:
A estupidez, a ignorância e a falta de senso não escolhem profissões.
Nem comentadores dos blogues.
A sua atribuição é, no mínimo, muito pouco sensata, há-de reconhecer.
Todos nós fazemos comentários infelizes, eu, às vezes, também.
----------------------------
P. S. Eu não sou F. P.
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De Pedro Correia a 26.11.2016 às 21:35

Todas as generalizações são injustas, abusivas e profundamente lesivas da honra de muitos profissionais honrados. Quando ouvimos que "todos os políticos são corruptos", "todos os taxistas são gatunos" ou "todos os futebolistas só sabem pensar com os pés".
Estou infelizmente bem habituado a elas, ao ouvir os mais insidiosos lugares-comuns disparados contra jornalistas.
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De V. a 28.11.2016 às 12:47

Pior do que tudo isso é ser literalzinho e não perceber as nuances (eu explico: que os mais confortáveis —e neste país os mais confortáveis são os fp— são os que reproduzem os valores e os jargões que mantêm o sistema, sem os ponderar ou reflectir neles). Como dizia Rodrigo da Fonseca —pobres almas liberais sempre entaladas entre absolutismos de um lado e de outro—: "Nascer entre brutos, viver entre brutos e morrer entre brutos é triste."
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De Manuel Silva a 28.11.2016 às 17:29

V,
O Rodrigo da Fonseca podia perceber muito de almas liberais, absolutistas, brutos e burros.
Mas do que ele não percebia nada era de Estatística, que praticamente ainda não tinha nascido quando ele morreu, em 1858.
Para se compreender a FP tem de se saber de Estatística e dos seus alçapões.
Senão, não há literalidades que nos valham, mais burrice menos burrice.
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De V. a 28.11.2016 às 17:44

Quando um sector profissional usurpa 40% ou mais da força de trabalho e depois também os outros são trabalhadores indirectos do mesmo Estado dado o peso extorcionista que esse mesmo estado ocupa na economia só há um tipo de estatísticas: más.
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De red a 27.11.2016 às 16:03

Que prosa mais reacionária !!
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De Pedro Correia a 27.11.2016 às 17:51

Qual "prosa a reacionária"? A do próprio Fidel, que em 2016 reconheceu que
«el modelo cubano ya no funciona ni siquiera para nosotros»?
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De red a 28.11.2016 às 06:26

A tua !!!
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De Pedro Correia a 28.11.2016 às 09:06

Conversa da treta. Não a do Castro, mas a tua.
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De C X a 27.11.2016 às 16:08

fidel castro foi um dos maiores revolucionários do séc. 20. agora que morreu é fácil critica -lo.
queria saber se os autores deste blog tinham cojones para critica -loo em vida..
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De Pedro Correia a 27.11.2016 às 18:02

Quando se fala daquilo que se desconhece a argolada é inevitável.
Bastar-lhe-ia clicar na etiqueta "Fidel Castro", deste blogue, para ler diversos artigos que aqui escrevi sobre o falecido ditador cubano e o regime tirânico agora protagonizado pelo seu irmão.
Deixo alguns exemplos.
Em 2010:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/2053747.html
Em 2011:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/3334024.html
Em 2012:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4633490.html
Em 2013:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/5289175.html
Em 2014:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/exilado-ate-na-morte-6096157
Em 2015:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/ler-7411368
Em 2016:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/dez-anos-depois-8662344

Chega?
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De Carlos a 27.11.2016 às 19:06

Há mais democracia lá em Cuba do que aqui na Europa capitalista .
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De Pedro Correia a 27.11.2016 às 19:33

Então o camarada está à espera de quê para se mudar para lá? Há voos todos os dias.
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De Carlos a 27.11.2016 às 23:03

Os ditadores é que gostam de mandar as pessoas pra fora do país .
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De Pedro Correia a 27.11.2016 às 23:49

Pois gostam. Foi isso mesmo que o ditador Castro fez.
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De Anónimo a 27.11.2016 às 20:46

Boa análise.

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