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A ideia, introduzida por Ramalho Eanes e seguida pelos sucessores, agradável à modorra em que gostamos de viver, de que o Presidente da República é o Presidente de todos os portugueses constitui simultaneamente a negação da democracia e da política. Da democracia porque esta é, por definição, a representação de acordo com a vontade da maioria, não de todos. Da política porque esta implica escolha, não consenso (por muito que nos custe, o consenso é outra forma de dizer pântano). A Presidência não é uma função decorativa na República Portuguesa. Tem evidente natureza política. E o regime, diz-se, é semi-presidencial, o que implica que o Presidente tem um papel determinante na escolha de caminhos. E a Presidência resulta de sufrágio directo e universal pelo que o Presidente deve, antes de mais, compromisso às propostas que apresentou e à maioria que o elegeu. Agora, Marcelo vai mais longe. Diz já não que é o Presidente de todos os portugueses, mas de cada um deles. Isto é, dos interesses de cada um dos portugueses, ainda que estes sejam, como evidentemente são, incompatíveis com interesses de outros portugueses. Que Marcelo, por sua vez, também defende. Ora, isto já não é um Presidente. É, verdadeiramente, um emplastro.


10 comentários

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De Anónimo a 02.06.2017 às 12:37

Eis um texto que me desencadeia uma série de emoções:
1. marrando contra o sucesso, aparenta dor de cotovelo;
2. afirmando que o Presidente só o é de quem o elege, afirma um democracia redutora, que facilmente resvala para o facciosismo e o revanchismo;
3. rejeitando a proximidade e os afetos deste Presidente, indicia o saudosismo retrógrado pela sacralização da política...
João de Brito
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De Anónimo a 03.06.2017 às 17:27

", aparenta dor de cotovelo;" Mais do que óbvio. É evidente que o que Rui Rocha quer é ser ele o Presidente.
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De JS a 02.06.2017 às 14:42

RR lembre-se que há textos demasiados claro para poderem ser apreendidos pelo eleitor português.
Por favor cinja-se ao futebol, ao Benfica/Sporting.
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De Anónimo a 03.06.2017 às 02:32

Um Presidente eleito com 2.413.956 votos, podem "massajar" os números como quiserem mas, não representa a maioria dos portugueses. O Sistema está bem montado, elegem sempre alguém ou geringonças, mesmo que a verdadeira maioria não se sinta representada por ninguém. Só precisam de uns grupinhos para "fazerem a festa, lançar os foguetes, apanhar as canas, distribuir os tachos" e, naturalmente, obedecer a Bruxelas, legislando "pequenas coisas" que ninguém parece reparar, até ao dia em que for tarde demais.

Hoje, ele até inventou mais uma porque, quando alguém pensa estar a falar para parolos, qualquer coisa serve como dizer que alguns, querem "Tapar o Sol com o Dedo".
Dedo????

"Tapar o sol com a peneira" (tentar enganar a si próprio ou mascarar a realidade) passou a ser tarefa oficial, dele, do Costa, da Merkel, Macron's, Juncker's e afins, os outros que usem os dedos, enquanto os tiverem porque já conseguiram levar os anéis.
No entretanto, nunca esquecendo que "com juros negativos, até pagam para nos emprestar dinheiro", a Dívida portuguesa referente à percentagem do PIB passou a subir quase diariamente:
137,55 %
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De Anónimo a 03.06.2017 às 10:34

Que Continue a "Festa" !!!

137,56%

"Since Hitler's day the armory of technical devices at the disposal of the would-be dictator has been con­siderably enlarged. As well as the radio, the loud­speaker, the moving picture camera and the rotary press, the contemporary propagandist can make use of television to broadcast... Thanks to technological prog­ress, Big Brother can now be almost as omnipresent as God.

Since Hitler's day a great deal of work has been car­ried out in those fields of applied psychology and neu­rology which are the special province of the propagandist, the indoctrinator and the brainwasher.

In the past these specialists in the art of changing people's minds were empiricists. By a method of trial and error they had worked out a number of techniques and proce­dures, which they used very effectively without, how­ever, knowing precisely why they were effective.
Today the art of mind-control is in the process of becoming a science.

The practitioners of this science know what they are doing and why.

They are guided in their work by theories and hypotheses solidly established on a massive foundation of experimental evidence. Thanks to the new insights and the new techniques made possi­ble by these insights, the nightmare that was "all but realized in Hitler's totalitarian system" may soon be completely realizable.

We see that the disease of over-organization has been clearly recognized...
And yet, in spite of all this preaching and this exemplary practice, the disease grows steadily worse.

We know that it is unsafe to allow power to be concentrated in the hands of a ruling oligarchy; nevertheless power is in fact being concentrated in fewer and fewer hands.

We know that, for most people, life in a huge modern city is anonymous, atomic, less than fully human; nevertheless the huge cities grow steadily huger and the pat­tern of urban-industrial living remains unchanged.

We know that, in a very large and complex society, democ­racy is almost meaningless except in relation to autonomous groups of manageable size; nevertheless more and more of every nation's affairs are managed by the bureaucrats of Big Government and Big Business.

Meanwhile impersonal forces over which we have almost no control seem to be pushing us all in the direction of the Brave New Worldian nightmare; and this impersonal pushing is being consciously acceler­ated by representatives of commercial and political organizations who have developed a number of new tech­niques for manipulating, in the interest of some minor­ity, the thoughts and feelings of the masses."

BRAVE NEW WORLD REVISITED - by Aldous Huxley
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De Anónimo a 03.06.2017 às 17:29

É pá, traduza lá isto para nós portugueses também entendermos. Por acaso estou cheio de curiosidade... e assim fico.
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De Anónimo a 04.06.2017 às 11:51

É precisamente com essa mentalidade que lhes facilita o escravizar dos povos, adultos transformados em eternas crianças, sempre dependentes de que alguém lhes faça a papinha toda, dada em colheres pequeninas e, de preferência, pré-mastigada, acabando por "comer" o que lhes quiserem dar.
O cérebro é como qualquer outra parte do corpo, se não a usar, atrofia.
Está cheio de curiosidade?
Não me parece, hoje em dia nem precisa de dicionários, tem a net para o ajudar nas traduções.

Felizmente, ainda não são todos os portugueses e, essa de generalizar "nós portugueses", outra mania para parecer aquilo que não é e, em nome do colectivo, acabarmos com todo o tipo de aberrações legislativas. Quem fizer a maior birra ou gritar mais alto, consegue mais privilégios ou benesses do que os outros.
Mas, nada como a preguiça e que haja sempre alguém que faça tudo por nós.
O "Me Me Me" (eu, eu, eu) e como não se pode Roubar o vizinho ou Obrigá-lo a fazer o que não quer, nada como ter um Estado que faça isso por nós, dando um aspecto legal à coisa mas que não deixa de ser através de força e coação. Nada como legalizar crimes e imoralidades.

Se cada pessoa fosse responsável pela sua própria vida e, querendo uma coisa se esforçasse um bocadinho, nunca acabaríamos com Estados Autoritários e Gordos que, só assim, acabam por poder abusar do próprio Poder, sem querer saber onde parar nos seus mandos e desmandos e, claro, preferem cidadãos dependentes em vez de pró-activos que, quando querem uma coisa, usam a cabeça e não esperam que alguém a faça por eles.

Com gente que sabe o que quer e não espera que lhe caiam as coisas do céu, seria impossível para uma cambada de incompetentes, interesseiros e corruptos ter, sequer, a oportunidade de se poder pendurar nos contribuintes.
Não é por acaso o declínio no ensino, cidadãos estupidificados e dependentes são a sua melhor garantia para "reinar" e, se os mandarem saltar... eles saltam e, se não saltarem, têm todos os outros meios proibidos ao comum cidadão.

No entanto, se essa curiosidade for genuína, seria um bom começo para mudar muita coisa e, é como tudo na vida, o que tem mais valor é aquilo onde aplicamos o nosso esforço, não a nossa preguiça.

https://www.youtube.com/watch?v=eA8w--EiH5k
The Myth Of Benevolent Central Authority
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De Anónimo de pouca cultura a 04.06.2017 às 22:24

Meti-me com gente culta, levei. Você estudou, eu pouco. Mas diga-me de que língua se trata, isso será uma ajuda para eu recorrer a amigos. E tem razão com o nós portugueses. Eu deveria ter dito: nós os portugueses que não sabem outra língua (exagero, por acaso percebo um bocado de espanhol, sou da fronteira e negociei com eles em tempos que já lá vão).
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De Anónimo a 05.06.2017 às 12:27

Se percebe espanhol, provavelmente, não foi por escrever ou ler, apenas de ouvir.
Portanto, se quer mesmo saber como funciona este Mundo, junte os amigos e, em vez de um Clube de Leitura, passem a visionar vídeos em inglês. Podem repeti-lo 20/50 vezes, parar retroceder e lhe garanto que passa a perceber inglês que até é mais fácil do que o espanhol.
A grande vantagem é passar a ter acesso a um tipo de informação importante e quase ilimitada. O vídeo que lhe vou indicar (pena que aqui este blogue não deixe dar um link directo) será um bom começo para saber muitas verdades que, quase aposto, quando o perceber, vai pensar ser ficção mas, infelizmente, é verdade. Como é um vídeo antigo, muitos assuntos da actualidade até passam a fazer sentido. Por exemplo, vai perceber porque teimam em gastar tanto tempo com o futebol e ser necessário haver uns ataques terroristas.

https://www.youtube.com/watch?v=VllwRgSECcw
Alan Watt - A Globalist Agenda For a Dumbed Down Domesticated Society - A Prison Planet special
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De Anónimo a 05.06.2017 às 19:21

Uau, demasiada areia para a minha camioneta. Ponto final.
Zé Ninguém anónimo que gostaria de aprender mas nos blogues é impossível. Abraços.

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