Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Delito de Opinião

O pregador recém-convertido

Pedro Correia, 15.10.20

costa11532c0244664ec6_base.jpg

 

O primeiro-ministro que permitiu um 25 de Abril sem máscaras na Assembleia da República (dispensáveis por a cerimónia oficial decorrer num «edifício grande», na assombrosa definição da doutora Graça Freitas), a celebração ritual do 1.º de Maio pela CGTP em pleno estado de emergência e a Festa do Avante!, entre muitos outros "eventos", vira agora pregador evangélico dizendo aos portugueses que «temos o dever de nos proteger e de proteger os outros».

Convém não sermos ludibriados por esta pose de recém-convertido aos rigores sanitários, entre ameaças de coimas pesadíssimas e da tentativa de imposição obrigatória (obviamente inconstitucional), em contexto laboral, de uma aplicação digital gerida por multinacionais da recolha de dados. Trata-se do mesmo chefe da mesma equipa governativa que, pela voz da directora-geral da Saúde, antecipava em Janeiro que «não há grande probabilidade de chegar um vírus destes a Portugal» e em Março desaconselhava o uso de máscaras por incutirem «falsa sensação de segurança». É o mesmo que em Junho "vibrava" entre duas mil pessoas que assistiram a um concorrido show humorístico no Campo Pequeno.

Soaram entretanto as doze badaladas da meia-noite e eis-nos imersos em nova quarentena social. Decretada por um governo que carece em absoluto de autoridade moral para o efeito. Fazem-se desde já prognósticos sobre as próximas excepções às novas regras - e a cor política que terão.

36 comentários

Comentar post

Pág. 1/2