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O populista contra o sistema

por Luís Naves, em 24.02.16

captainamerica.gif

 

A insurreição populista de esquerda, protagonizada na América por Bernie Sanders, deverá acabar já nos próximos dias, com a provável derrota na Carolina de Sul, onde o candidato socialista não consegue seduzir o eleitorado negro, e logo a seguir na super-terça-feira da próxima semana, quando votarem os estados de maior dimensão, sobretudo do sul dos EUA, onde terá vantagem a máquina política de Hillary Clinton. Se no campo democrata as sondagens permitem prever a vitória de uma facção tradicional, a agenda populista parece ter conquistado o Partido Republicano: há três candidatos ainda com hipóteses, mas um deles já se destaca, o milionário Donald Trump. Veremos na próxima semana com maior clareza, mas tudo indica que só um erro crasso o separa da nomeação pelo seu partido.

Assim, a eleição de Novembro será entre um populista radical e uma das figuras mais destacadas do establishment político americano, do sistema, o que promete criar um debate entre demagogia e conteúdo, entre seriedade e delírio, entre oligarquia e interesse nacional. Será uma campanha complicada, recheada de discussões absurdas em torno de pequenos assuntos domésticos transformados em escândalos de proporções bíblicas. As derivas imprevisíveis de Trump podem até criar, nas semanas finais, um cenário de implosão da sua candidatura.

Do ponto de vista europeu, será a votação de todos os perigos. A vitória de Hillary Clinton significa uma América forte, capaz de intervir no exterior e de defender os seus aliados. A vitória de Donald Trump seria um salto no escuro, representaria uma América isolacionista, quezilenta e em plena decadência, perfeitamente capaz de lançar acções desastrosas. Teríamos uma América liderada por um lunático, tomada pelo dinheiro, paralisada pela falta de visão, a pensar exclusivamente a curto prazo, enfim, sem inclinação para liderar o mundo.


4 comentários

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De lucklucky a 24.02.2016 às 12:31

"Do ponto de vista europeu, será a votação de todos os perigos. A vitória de Hillary Clinton significa uma América forte, capaz de intervir no exterior e de defender os seus aliados."

A Hillary que só criou desastres em tudo o que tocou?
É preciso referir ataques à segurança dos EUA pela Hillary?
É preciso falar de ilegalidade de passar ao lado do registo das activiades de cargo de secretário de estado.

É preciso falar das doaçoes estrangeiras para as suas fundações em troca de favores?

Mas vamos mais longe, à personalidade.
A Hillary que foi contra e a favor e a favor e contra?

A Hillary é uma camaleona, se quiser a Hilary é nada.
Numa Universidade estrangeira a Hillary odeia os USA, num palestra com Marines ninguém ultrapassa o patriotismo da Hillary.

A incompetência e/ou venalidade da Hillary e infelizmente só sobre um dos casos onde está metida está sobre alçada do FBI veremos onde vai parar.

O pior é este texto, poeira para os olhos e a censura sobre a História de um candidato. Tal como foi com Obama, viu-se como acabou.
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De T a 24.02.2016 às 16:56

Rant -> Não consigo perceber como é que alguém como o Sanders que vive há décadas no (e do) establishment americano consegue dizer que é o candidato anti-establishment. Sem o establishment ele não era NADA.
O único que vejo nesses moldes é, para o bem ou para o mal, o Trump, apesar de me dar calafrios a remota ideia de ele ser presidente. Contudo, já se viu que esteja quem estiver como POTUS, a política destes pouco difere, só os Europeus é que acham que há enormes diferenças, externamente, não há.

Adiante.
Esta geração de "apoiantes" do Sanders (e de certa forma do Trump - mas estes muito menos messiânicos) é a geração mais preguiçosa das ultimas décadas - quase quase uma reinvenção dos babyboomers mas sem as drogas, sem toda "a" fase de descoberta e com 100000000x mais informação disponível. Lá está, têm toda a informação possível imaginária, todos os "luxos" associados a esta, à comunicação, aos meios de comunicação e de transportes, mas no entanto não entende a realidade, alias odeia a realidade ou odeia ter de viver com ela. Não a quer compreender, tudo é "revoltante", tudo é "escândalo", tudo é "indignação", tudo é conspiração, tudo é um problema, até respirar é um drama.

Assim, com esta revolta toda digna do 1º mundo, prefere apoiar messianismos, gente que pinte os inimigos por si, que aponte os seus e os erros dos outros (uma espécie de white man burden millennial edition) e que volte a invocar e a delinear estratégias e ideias que sabemos que são e estão erradas.

Um tipo, ouve-os na academia, nos forums, nos reddits, e são tão previsíveis que chega a chocar. A contradição é fácil de detectar e é isso que os denuncia quanto ao que refiro em cima, basta mudar ligeiramente os intervenientes e toda argumentação cai por terra.
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De V. a 24.02.2016 às 21:01

Sinceramente não sei se Trump é um lunático desvairado imprevisível. Parece-me estar perfeitamente balizado por uma certa cultura que é a cultura vencedora na América (até entre comunidades e minorias) e muito do que diz é o que muitos querem ouvir. Creio que se perder — o que não é líquido— é menos por ser desbocado do que pelo predomínio das suas ligações ao universo do imobiliário e da construção que, tanto quanto sei, não são vistas pela generalidade da população como áreas de negócio totalmente transparentes.
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De cristof a 25.02.2016 às 06:05

Esperemos que, ainda não seja por agora que se cumpra o vaticínio, que os EUA serão o país mais perigoso para a UE.
A crise dos refugiados, parte consequência do policia do mundo, já está a dar sofrimento suficiente, parte afrontado apenas pela Alemanha; como se esperava os bravos ingleses foram os 1º a dar o fora.

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