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O passado glorioso e a UE como bode expiatório

por José António Abreu, em 04.07.16

Nem sempre foi assim. Apenas há 40 anos, a Grã-Bretanha era uma confusão. Enquanto adolescente, lembro-me de fazer os trabalhos de casa à luz da vela, durante os cortes de energia de 1972, da semana de 3 dias, das greves ininterruptas e da sensação generalizada de que a Grã-Bretanha era ingovernável. Era um país gasto e sujo; quando a minha mãe colocava roupa a secar em Peterborough, a fuligem das chaminés de tijolo sujava-a novamente. Havia racismo generalizado; "Paki-bashing" era um dos desportos favoritos dos rapazes. No final dos anos 70, mais pessoas estavam a sair da Grã-Bretanha do que a imigrar; a população de Londres caiu um quarto entre 1939 e o início da década de 1990.

Buttonwood, Another country, not my own. The Economist. (Tradução minha.)

 

O tempo causa distorções da memória. É um mecanismo de defesa compreensível: à medida que o futuro nos fica mais curto e as perspectivas de atingir tudo aquilo com que sonhámos diminuem, embelezamos o passado - algum momento tem que ter valido a pena. A Grã-Bretanha dos anos 70 (década de entrada na então CEE) era muito mais pobre e incomensuravelmente menos cosmopolita do que a Grã-Bretanha de hoje, não obstante as manifestações de xenofobia que vão chegando. E o mesmo se passa com Portugal: um atavismo antes de 1974 (*), uma barafunda depois dela, com duas bancarrotas em meia dúzia de anos, estradas estreitas e esburacadas, serviços públicos do século XIX e um nível indigente de protecção social. E, todavia, como na Grã-Bretanha («Reino Unido» ganhou subitamente uma conotação irónica), como em muitos outros países europeus, há quem acuse a União Europeia de contribuir para o empobrecimento da população; de originar problemas que, no essencial, têm quatro origens distintas: políticas internas erradas (que, por cá, a «geringonça» prossegue), a crise financeira de 2008, a evolução demográfica e a globalização. Faz sentido criticar a UE por ter reagido mal à crise financeira. Faz sentido criticá-la por não abraçar o proteccionismo em relação a outros blocos, se verdadeiramente se acredita que fazê-lo diminuiria os nossos problemas (pouca gente acreditará que, a nível global, o resultado fosse positivo). Não faz sentido lançar um olhar romântico sobre o passado e sustentar que a UE levou à degradação dos níveis de vida. Em países como a Grã-Bretanha, o mercado único trouxe benefícios enormes, ainda que eventualmente mal distribuídos pela população (mas esse era um problema da competência do governo britânico). Em países como Portugal, os níveis de vida quase só subiram por causa dos fundos comunitários e das taxas de juro a que a Zona Euro nos permitiu aceder. (E não, o euro não constitui o problema: a Venezuela está no limiar da bancarrota, apesar de ter moeda própria, e nós falimos duas vezes antes de o adoptar.) E também não faz sentido atacar a UE pelo facto de as suas instituições tentarem impor as regras que todos os países-membros aceitaram livremente e nas quais assenta o modelo que permitiu às suas nações mais ricas atingirem essa condição - o modelo que estabelece o equilíbrio orçamental e a competitividade do sector privado como base para o aumento da despesa pública. O que a «geringonça» vem fazendo em Portugal (e outros movimentos populistas defendem, em Espanha, na Grécia, em França, na Itália) não passa de uma tentativa para criar ilusões e alijar responsabilidades, de forma a manter (ou alcançar) o poder, que potencia fenómenos de rejeição de solidariedade nos países do Norte (o sentido de voto dos britânicos também expressou a recusa em ser contribuinte líquido da UE) e, pior ainda, forçará os portugueses (como forçou os gregos) a suportar mais um duro capítulo no ciclo aparentemente infindável em que períodos de estímulos errados, aos quais a economia reage cada vez menos, são seguidos por fases de correcção assentes em medidas cada vez mais duras. Pode bem acontecer que, mais tarde ou mais cedo, tudo isto leve à efectiva desagregação da União Europeia. E então cada país voltará a ter de viver com os próprios recursos. Estamos preparados para isso? (Ironia e paradoxo: estaremos tão melhor preparados quanto melhor seguirmos a estratégia da UE e, por conseguinte, quanto menor for o risco de saída.) Achamos mesmo que será melhor? Quando é que foi?

 

 

(*) Onde, apesar de tudo - e este tudo inclui uma guerra colonial -, o equilíbrio das contas públicas levou a alguma aproximação do nível de rendimento médio europeu.


40 comentários

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De Luís Lavoura a 04.07.2016 às 09:23

benefícios enormes, eventualmente mal distribuídos pela população (mas esse era um problema da competência do governo)

Este alijar de competências para cima de governos regionais parece-me um tanto desresponsabilizante.

Se a União Europeia promove ativamente políticas que favorecem a desigualdade, ela também deveria contribuir ativamente para combater essa desigualdade, não?

Não é a União Europeia promover a carne a os governos dos Estados-Membros ficarem com os ossos.
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De José António Abreu a 04.07.2016 às 10:50

A UE não promove activamente políticas que favorecem a desigualdade. A UE promove políticas que tentam criar condições para que a desigualdade desapareça gradualmente e de forma duradoura (i.e., tenta ensinar a pescar em vez de apenas dar o peixe), de modo a não se gerarem efeitos como os que se manifestam nos países do Norte e do Centro da Europa.
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De Luís Lavoura a 04.07.2016 às 10:57

A UE não promove activamente políticas que favorecem a desigualdade.

Promove sim. Ao promover uma economia baseada na informática, nas tecnologias da informação e na robótica (chamam-lhe a "economia do conhecimento"), favorece a desigualdade, pois que o conhecimento dessas tecnologias não é para todos e elas estão intrinsecamente fora do alcance de muitos. Ao favorecer o comércio mundial, promove a desigualdade, pois que beneficiam desse comércio os europeus mais avançados tecnologicamente (que produzem e.g. automóveis, máquinas complexas, produtos químicos e farmacêuticos) mas são prejudicados os europeus mais atrasados (que produzem e.g. têxteis), aumentando pois a desigualdade entre os europeus.
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De José António Abreu a 04.07.2016 às 11:05

É impressão minha ou você está a modos que a defender o regresso aos carros de bois?

Tomemos Portugal. Há empresas com potencial e mais pessoas ainda com potencial para criar outras empresas com potencial. Mas a que propósito? Nos últimos anos, o Estado deu um sinal (fraquinho, ainda assim) de que podia valer a pena arriscar - através do discurso, do aumento da flexibilidade (leis laborais e do arrendamento), da redução da burocracia (turismo, Justiça, ...) e da fiscalidade (IRC). E depois manteve o discurso e inverteu tudo o resto, para privilegiar uma fatia da função pública (ou das empresa públicas) que já aufere acima da média. É isto que faz com que a economia não arranque. Não é a União Europeia.
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De Luís Lavoura a 04.07.2016 às 11:30

Por favor não se afaste do meu comentário inicial. Mantenha-se concentrado nele. Eu não estou a defender o regresso dos carros de bois. Eu o que disse foi que as políticas da União Europeia promovem ativamente uma economia que leva ao aumento da desigualdade social e que deveria ser a própria União Europeia a procurar, através de outras políticas igualmente ativas, contrariar essa desigualdade social, em vez de deixar esta última tarefa aos Estados-Membros.
Ou seja, não pode a União Europeia estar, por exemplo, a fazer acordos de comérico com o Paquistão, que permitem que o Paquistão importe livremente carros alemães mas que também permitem que os têxteis paquistaneses entem livremente na União, promovendo dessa forma o desemprego maciço dos operários têxteis portugueses, e depois deixar o pagamento dos subsídios de desemprego a esses operários apenas ao Estado-Membro Portugal.
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De José António Abreu a 04.07.2016 às 11:56

"Por favor não se afaste do meu comentário inicial. Mantenha-se concentrado nele."

LOL. E você mantenha-se concentrado no meu texto, que representa verdadeiramente o início desta conversa. Não obstante eu discordar, está lá que acho legítimo que se defenda o proteccionismo e, portanto, que se defenda que o governo português vete decisões europeias de que discorda. Agora pretender que a UE tem de ressarcir o governo português por danos na competitividade das suas empresas que, na sua maioria, são infligidos por ele mesmo, é pura exoneração de responsabilidades. Mais do que proteccionismo (até porque Portugal é um mercado minúsculo), a indústria portuguesa precisa de saber que não vai estar constantemente a ser mais e mais espremida para compensar défices públicos.
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De JgMenos a 04.07.2016 às 14:10

Se for dito que a diferenciação é o caminho do sucesso das nossas exportações, não faltam sumidades, institutos e convenções a defender o primado da inovação.

Logo a seguir vem a treta da igualdade, como se os iguais promovessem a diferença!!!
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De T a 05.07.2016 às 00:26

"Eu o que disse foi que as políticas da União Europeia promovem ativamente uma economia que leva ao aumento da desigualdade social e que deveria ser a própria União Europeia a procurar, através de outras políticas igualmente ativas, contrariar essa desigualdade social, em vez de deixar esta última tarefa aos Estados-Membros."

Este Lavoura é um cómico. Primeiro que tudo chama-se inovação. Todo o mundo vive respira e espera por mais inovação, por mais automatismo, é assim, não há volta a dar e digo-lhe mais, muito tem feito a UE para fazer manter negócios obsoletos. Adiante.
Explique-me. Mas existe alguma zona de comércio, alguma região do mundo mais prospera do que a UE? Existe alguma onde exista melhor esperança média de vida? Justiça? Melhor educação, cuidados de saúde? Paz? Melhor zona para prosperar economicamente? Você olha para a UE com a barriga cheia, dê uma volta pelo mundo real e vai ver que o aqui se construiu não é nenhuma URSS. Olhe para os dados e para os números, compare-os com qualquer outra zona do globo, faça essa favor a si próprio e deixe de dizer e escrever disparates. Estamos em 2016 percebe?
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De da Maia a 04.07.2016 às 09:57

«No final dos anos 70, mais pessoas estavam a sair da Grã-Bretanha do que a imigrar; a população de Londres caiu um quarto entre 1939 e o início da década de 1990.»

Isso nada teve a ver com a chegada de Margaret Tatcher?
Ah! Foi uma maravilha... faz bem à memória lembrar o tema dos "The Smiths":

"Margaret on the guillotine" (the kind people have a wonderful dream...)
https://www.youtube.com/watch?v=smzsIONNh0w

Meias verdades calçam um pé, mas deixam o outro descalço.

O JAA insiste na receita da metadona do crédito, para suprir o vício da heroína, só porque a traficância tem uma elite empresarial agarrada a subsídios.
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De José António Abreu a 04.07.2016 às 10:54

Independentemente da opinião que cada um de nós tenha das políticas de Tatcher, o que é que elas tinham a ver com as políticas da UE? Parece-me até que o seu ponto reforça a minha tese. Em cada país, os efeitos têm sempre muito mais a ver com as políticas nacionais. E pelo menos Tatcher não se desculpava com a UE - uma organização vista como burocrática e socialista na Grã-Bretanha e como ultraliberal na Europa do Sul.
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De da Maia a 04.07.2016 às 11:47

Ora, eu só comentei o texto que citou, a relevância entre uma coisa e outra é sugestão sua, n'est pas?

Sim, tem a ver com as políticas nacionais, se elas são nacionais e não paridas noutro centro de decisão, directa ou indirectamente, certo?

Os fundos que a CEE disponibilizou foram contrapartidas a políticas da CEE, que arruinaram a nossa capacidade produtiva, ou não foram? Já se esqueceu que até se propalava como plano da CEE passar Portugal a "colónia de férias" europeia?

Se a CEE tivesse decidido que Portugal se tornaria num centro industrial para exportação internacional, estaríamos com os mesmos problemas económicos?
Só que essa fatia do bolo tinha outros clientes, já instalados.

Mas mesmo isso não resolve nada.
Veja lá se a Finlândia não está a patinar, só porque a Nokia patinou...

http://www.telegraph.co.uk/finance/economics/11993040/Finland-emerges-as-the-new-sick-man-of-Europe-as-euros-worst-performing-economy.html

Não tenho vindo aqui nos últimos tempos, mas imagino que o problema Finlandês tenha sido debatido, já que até há um ano atrás era usado abundantemente como modelo a seguir.

Finlandeses preguiçosos... já preparámos novos vídeos a gozar com eles?
Tss... tss...
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De José António Abreu a 04.07.2016 às 12:02

Por acaso ando há umas semanas para escrever sobre a Finlândia. A diferença é que os finlandeses tentam resolver os problemas quando eles aparecem. Nós tratamos de os empurrar com a barriga.
http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2016/01/weodata/weorept.aspx?pr.x=75&pr.y=9&sy=2005&ey=2018&scsm=1&ssd=1&sort=country&ds=.&br=1&c=172&s=NGDP_RPCH%2CLUR%2CGGR_NGDP%2CGGX_NGDP&grp=0&a=
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De lucklucky a 05.07.2016 às 00:39

Não. Foi por causa do antes da Thatcher.

Lembro-me ainda como se fosse hoje pois foi a primeira vez que vi o meu Pai triste. Tinha chegado de uma visita de trabalho Inglaterra em 1978 ou 1979. Disse apenas isto: havia pessoas a pedir nas ruas.


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De Anónimo a 04.07.2016 às 11:30

Este post remete para as últimas declarações da ministra das finanças do governo anterior e para o último artigo escrito por Passos Coelho no DN.
Uma vergonha!
Ambos se põem ao lado de quem nos quer castigar, por ousarmos reverter um pouco a obscena política de roubar os pobres para dar aos ricos.
Acham compreensível e justificável tal eventual castigo.
Que nojo!

João de Brito
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De José António Abreu a 04.07.2016 às 12:02

"Que nojo!"

Ooooh, bons argumentos. Ptui, ptui.
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De jo a 04.07.2016 às 11:41

Está a considerar a União Europeia imutável. O conjunto de políticas económicas, diplomáticas, sociais, que a UE defende presentemente e que impõe aos seus membros não é o mesmo que existia em 1986 quando Portugal aderiu.
Dizer que a UE ajudou ao desenvolvimento de todos os países membros é constatar o óbvio. Mas dizer que neste momento as teorias políticas e económicas dominantes na UE estão a falhar e a ser focos de tensão também é constatar o óbvio.
A austeridade expansionista falhou os seus objetivos, levou à recessão ao desemprego ao aumento da desigualdade e ao exacerbar do racismo e do nacionalismo. A UE parece não só não conseguir arranjar outro caminho para si como está apostada em sufocar à nascença qualquer tentativa de saída do buraco em que se meteu. Veja o que temos com Portugal e Espanha: A política económica seguida a mando da UE não levou ao controlo do défice. Os países vão ser sancionados se não mantiverem a política, que falhou com estrondo.
A política de controlo de fronteiras está a falhar e as soluções encontradas parecem ser o abandono dos princípios dos direitos humanos.
Tem razão a UE foi uma grande ideia e o que resta dela também é muito válido. Não sei é se o que vai restar dela daqui em diante o continue a ser, porque o que vemos acontecer é o desaparecer paulatino das liberdades e da solidariedade entre os povos, que estão a ser substituídos por uma ideia cada vez mais imperial e menos democrática de poder.
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De José António Abreu a 04.07.2016 às 12:31

"A austeridade expansionista "

Isto é um paradoxo. A austeridade impõe uma correcção para baixo, de modo a atingir-se um nível de relativo equilíbrio a partir do qual é possível crescer. No caso concreto de Portugal, entre o final de 2010 e o final de 2015 o PIB caiu cerca de 5,5% e o défice público caiu de 11% para 3% (sem Banif). Antes da «geringonça», as previsões para 2016 apontavam para crescimento entre 1,5% e 2% e défice abaixo de 2% - uma situação em que o crescimento já era relativamente sustentado. Se a UE tivesse sido mais "simpática", dando-nos o dinheiro (o que, constitucionalmente, nem seria possível em alguns países) ou não exigindo reformas, os problemas de desagrado dos cidadãos dos países contribuintes ainda seriam maiores. Evidentemente, o prazo de ajustamento poderia ter sido um pouco superior. Mas também isso teria defeitos: arrastar o processo (i.e., mantendo cortes menores durante mais tempo) por vezes só o torna mais difícil.

A política de controlo de fronteiras é um problema quase irresolúvel. O referendo mostrou que os eleitores britânicos - como os alemães, os holandeses, os nórdicos, os franceses e se calhar até os portugueses (o problema não os tem afectado tanto que precisem de tomar uma posição) - estão contra a imigração. Devem ser contrariados? Isso só aumentará os populismos. E é a UE a verdadeira responsável pela situação? Preferiríamos uma solução individual, com a inevitável abolição do Espaço Schengen? Confesso que não vejo respostas claras. Muito menos como compatibilizar princípios (louváveis, sem dúvida) de direitos humanos com o desejo aparente dos cidadãos (não dos políticos) europeus.

"porque o que vemos acontecer é o desaparecer paulatino das liberdades e da solidariedade entre os povos, que estão a ser substituídos por uma ideia cada vez mais imperial e menos democrática de poder."
Não creio. Aliás, parece estar a haver uma luta entre os que desejam maior integração (o que, inevitavelmente, levará a maior centralismo) e os que defendem algum cuidado nos avanços, uma vez que estes estão a ser rejeitados por muitos eleitores. No primeiro campo está a Comissão Europeia (e parece que a França), no segundo está a Alemanha. No primeiro caso, todos os países teriam uma voz menos forte; no segundo, os países que não se sustentam sozinhos (como Portugal) terão maiores dificuldades para obter apoio.
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De jo a 04.07.2016 às 18:25

No fundo dá-me razão. A UE não tem as mesmas políticas económicas e sociais que tinha em 1986. Logo invocar a UE de 1986 para defender a atual é ilógico.

A UE também está em regressão nas políticas sociais. Basta ver que passou a ser objetivo declarado (e sublinho o declarado) de vários governos fazer baixar os rendimentos dos seus cidadãos, quer em salários, quer em prestações sociais. Já não se considera que todos têm o direito a viver o melhor possível nem isso é um objetivo de quem governa. Todos têm de ser o mais produtivos possível mas não devem gozar dos frutos dessa produtividade, que são necessários para remunerar o capital, para que haja investimento. O problema é que não há investimento, ficámo-nos pelo confisco da produtividade.

A UE não é um pais autónomo nem uma federação, como gostam de nos lembrar. Se é uma associação livre de Estados soberanos então não há que ficar admirado se alguns estados resolverem que, não lhe sendo benéfica, não querem pertencer à UE. Foi o que aconteceu com a Grã-Bretanha. Com as presentes políticas isso ir-se-á repetir até não ficar ninguém. Ou até se mudarem as políticas.
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De José António Abreu a 04.07.2016 às 19:01

Mudar para que políticas? Para as que os britânicos contestaram? (Imigração, solidariedade.) Ou para as que os países do Sul contestam? (Responsabilidade, rigor.) Como em 1986, a UE é um compromisso. A situação é que está muito mais difícil - em grande medida porque os governos de vários países não foram - nem querem ser - responsáveis.

Em Um Tratado sobre os Nossos Actuais Descontentamentos (Edições 70, tradução de Marcelo Felix), Tony Judt escreveu:
Então o que é que define o alcance exequível de uma comunidade de confiança? O cosmopolitismo desenraizado fica bem aos intelectuais, mas a maioria das pessoas vive num lugar concreto: definido pelo espaço, pelo tempo, pela língua, talvez pela religião, se calhar – por lamentável que seja – pela cor, e assim por diante. Esses lugares são permutáveis. Até há pouco tempo muitos europeus não se definiriam como habitantes da ‘Europa’: diriam que viviam em Lodz (Polónia), ou na Ligúria (Itália), ou talvez até em ‘Putney’ (um subúrbio de Londres).
O sentimento de ser ‘europeu’ para fins de identificação pessoal é um hábito recém-adquirido. Como resultado, onde a ideia de cooperação transnacional ou assistência mútua possa ter despertado uma intensa desconfiança local, agora ela passa geralmente despercebida. Hoje os estivadores holandeses subsidiam pescadores portugueses e agricultores polacos sem grandes queixas; em parte, sem dúvida, porque os estivadores em questão não interrogam muito a fundo os políticos quanto à utilização dos seus impostos. Mas também isso é um sinal de confiança.


A confiança acabou. E, sim, a UE pode desintegrar-se. Mas será muito pior para Portugal do que para a Alemanha ou para a Holanda. Será mau para todos a curto prazo (ainda assim, pior para nós) mas eles equilibrar-se-ão; porque insistimos em fazer as coisas da forma errada, continuará a ser mau para nós a longo prazo.
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De Pedro Correia a 04.07.2016 às 19:55

O nosso leitor Jo, que parece ser defensor da ruptura do Reino Desunido com a Europa, esquece de apontar que essa ruptura ocorreu pelos piores motivos: a fobia aos estrangeiros, o pavor de que os imigrantes lhes façam diminuir os sacrossantos "direitos sociais" (que os apoiantes do Brexit não gostam de partilhar com "estrangeiros"), o horror de verem polacos a "entupirem" as urgências nos hospitais (já não se importam que os mesmos polacos funcionem como mão-de-obra intensiva do sector da construção, para o qual os próprios britânicos evitam até à náusea meter a mão na massa).

Quanto à democracia, vejo que ele decalca o argumentário do ex-eurófilo e actual eurofóbico Pacheco Pereira, que bate no peito à Tarzan clamando contra a pretensa "falta de democracia" na Europa actual e gritando por mais "soberania nacional". Eu gostaria de tê-lo visto bater no peito quando Portugal aderiu à CEE. E quando ratificámos o Tratado de Maastricht. E também quando Portugal aderiu ao sistema monetário europeu. Mas não me recordo de nenhum gesto dele nesse sentido.

Eu, ao contrário dele, também não me recordo de ver tanta democracia na Europa. Não me recordo de nenhum dos seis estados membros da Comunidade do Carvão e do Aço, por exemplo, terem organizado referendos junto dos seus eleitores questionando-os sobre a adesão ao Mercado Comum.
Não me recordo de que alguma vez os "pais da Europa" que ele agora tanto enaltece como figuras impolutas da democracia do nosso continente tenham defendido ou levado a cabo algum referendo. E no entanto, segundo ele, agora é que não existe democracia - agora que os referendos abundam como nunca. Na Grécia, na Irlanda, no Reino Unido...
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De ptc63 a 05.07.2016 às 15:01

Pedro,
Esqueceu se do Pacheco Pereira eurodeputado...
E em relação a alguns dos comentários aqui referidos, a Inglaterra (ou UK) de que se fala no post é pré Thatcher, da primeira metade da década de 70. O movimento punk surge em 75/76, Thatcher ganhou as eleições em 1979, muito por causa daquele ambiente generalizado de decadência e de colapso. Lembro me de ver, em 1973, numa Time que circulava lá por casa, uma fotografia dum Conselho de Ministros à luz de velas... lá romântico era... mas passava uma imagem péssima das terras de Sua Majestade.
Só não me lembro de quem era o PM - Harold Wilson?
Voltando ao post e comentários, a Europa é péssima mas tão péssima que há 3 países europeus da antiga Cortina de Ferro a negociar as pré condições de adesão...
E, claro, a Turquia, que de europeia tem a antiga Constantinopla, mas, infelizmente, sem qualquer legado de Constantino.
Será que pensam todos que a UE é uma espécie de Eurofestival?!...
Deve ser isso...
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De tric.Lebanon a 04.07.2016 às 12:27

Uma Europa que apoiou a destruição do sistema financeiro português é uma organização terrorista!! ja para não falar na Islamização...
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De José António Abreu a 04.07.2016 às 12:34

Agora fiquei a imaginar o Juncker a fazer-se explodir num aeroporto...
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De Pedro Correia a 04.07.2016 às 13:14

Muito bem, José António.
Faz-me impressão haver por aí tanto nostálgico a suspirar pelos tempos anteriores à nossa adesão ao espaço comunitário.
Feliz ano esse, o de 1985. Em que tínhamos escudo e "soberania cambial". E agricultura de subsistência e pesca artesanal. E um turismo incipiente: Lisboa parecia uma aldeia em ponto grande. A "cidade branca" que Alain Tanner imortalizou no filme de 1983.
Tempos com a inflação a 25% depreciando por completo o poder de compra, tempos do "salário em atraso" como instituição nacional, tempos em que a banca comercial só cabia ao Estado e a TV privada era inexistente, tempos em que a autoestrada Lisboa-Porto permanecia um sonho adiado e a autoestrada Lisboa-Algarve continuava a ser uma miragem. Tempos em que a zelosa Guarda Fiscal vigiava as fronteiras de Valença a Vila Real de Santo António e precisávamos de passaporte para ir comprar caramelos a Vigo ou Badajoz.
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De José António Abreu a 04.07.2016 às 14:38

De facto, Pedro. Admito que alguns dos "saudosistas" nem tenham idade para verdadeiramente o serem: contestam apenas o que existe, sem cuidar de olhar para os resultados do que defendem (a maioria dos países da América Latina continua a ser um bom exemplo dos efeitos do ciclo desequilíbrio orçamental - desvalorização - inflação - perda de poder de compra) ou para os efeitos em conquistas que hoje parecem banais (a movimentação fácil pela Europa, as compras pela internet, etc.). Mas há quem tenha idade suficiente para dever ter memória.
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De jj.amarante a 04.07.2016 às 17:38

Ter as contas públicas equilibradas não contribuiu para uma aproximação do nível de rendimento médio europeu. Deve ter dado a sua contribuição para termos uns 30% de analfabetos em 1974, número que nos destacava de todos os outros países da Europa, que resulta da convicção ainda existente em boa parte da nossa sociedade que o que é preciso é trabalhar de sol a sol, de preferência ganhando pouco para não ter tentações e que isso do estudo é para os intelectuais, a gente do campo e os serviçais não precisam disso.
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De José António Abreu a 04.07.2016 às 17:56

Meu caro, a última coisa que me apetece é defender o antigo regime. Mas só lhe posso aconselhar que compare os dados em 1930 (ou, melhor ainda, uns quinze anos depois, após a estabilização das contas e da Segunda Guerra Mundial) e em 1974. No que respeita ao rendimento médio, passou de 30% para 50% do rendimento europeu (parece pouco mas convém recordar que este, tendo caído com a guerra, cresceu bastante nas décadas de 50 e 60). No mesmo período, a taxa de analfabetismo caiu de 60% para 26%. (A Pordata confirma o valor de 26% em 1970; o outro valor retirei-o daqui: http://thecalibraria.blogspot.pt/2008/06/analfabetismo-um-sculo.html)

E isto sem liberdade, com mentalidade tacanha, com conluio Estado - Grandes Grupos (muito à socialista moderno, este ponto) e com uma guerra colonial.
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De jo a 04.07.2016 às 18:11

Está a contradizer-se. A guerra colonial não surgiu para dificultar a política do Estado Novo. Ela é uma consequência da política do Estado Novo. Não faz sentido dizer que as coisas correram pior por causa da guerra colonial.
Quando se parte de muito baixo consegue-se sempre subir relativamente. Está-se a esquecer que Portugal não participou na 2ª Guerra. Os valores baixos vinham já da monarquia, não começaram em 1910 como se gosta de dizer por aqui.
Por vezes parece que o ideal de certas pessoas é a Roménia do camarada Ceausescu. Contas certas e tudo na linha.
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De José António Abreu a 04.07.2016 às 18:18

A guerra colonial custava muito dinheiro.

E ter "camaradas" como ídolos não é para mim; é mais para outras pessoas.
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De jo a 04.07.2016 às 18:58

Já tomar uma política como fé e defendê-la apesar do seu falhanço repetido, porque em dogmas de fé não se mexe...
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De José António Abreu a 04.07.2016 às 19:05

Mas qual fé? Indique-me lá um país que tenha enriquecido com base na despesa pública, mantendo défices crónicos.
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De da Maia a 04.07.2016 às 20:14


Indique-me lá um país que tenha enriquecido com base na despesa pública, mantendo défices crónicos.

Estados Unidos?

http://www.heritage.org/multimedia/infographic/2012/10/federal-spending-by-the-numbers-2012/the-federal-budget-is-recording-chronic-deficits
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De José António Abreu a 04.07.2016 às 21:42

Os EUA não enriqueceram por causa da despesa pública, mantendo défices crónicos. Arriscam-se é a empobrecer por, não obstante continuarem fortes em muitas áreas de investimento privado baseadas no conhecimento, andarem a seguir essa via. Não fosse a dimensão do mercado americano e tanta gente estar pendurada no dólar e até já poderia ter acontecido.

E, ainda que fosse verdade, só com muita imaginação o caso pode ser comparado ao português.
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De da Maia a 05.07.2016 às 14:16

No Séc. XX americano, tirando dois ou três momentos, houve sempre um défice federal excessivo, e não foi só por causa das guerras.

Não se esqueça do New Deal de Roosevelt, que foi considerado (excepto para cegos ou fundamentalistas islâmico-liberalistas) o maior estímulo à economia americana, e que levou ao desenvolvimento das infra-estruturas americanas, cruciais para as novas indústrias do sector privado.

Não há comparação com o caso português, porque o gestor português é um chorão sempre a pedir crédito e subsídios e a arriscar coisíssima nenhuma. E nisso você concorda, porque já o disse.

Se a riqueza americana teve a ver com o sector privado, a pobreza nacional também, pela sua incompetência, ou ciganice, e por isso não adianta atirar culpas ao estado, porque o estado português não atira biliões de euros de impostos para as forças armadas. O erro do estado português foi financiar investimento privado, que serviu só as amigas.
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De WW a 04.07.2016 às 22:29

A CEE deu o dinheiro que permitiu a destruição do sector primário, permitiu a estagnação do sector secundário e subsidiou o sector terciário, ou seja viciou a nomenclatura e por arrasto o povo em soluções fáceis tornando Portugal num país ainda mais dependente do exterior. Lembro-me perfeitamente da propaganda contra a agricultura de subsistência que era em muitos lugares uma forma simples de compor o orçamento familiar e agora vejo aí umas autarquias a "darem" condições para se fazerem umas hortas comunitárias...
Passada a fase gorda do dinheiro a fundo perdido, veio o maná do crédito fácil á boleia do euro em que um café que custava 50 escudos passou a custar 50 cêntimos .os bancos mandavam cheques para casa das pessoas para férias, carros e tudo o mais, tinham lucros astronómicos e o crédito dado pelos bancos europeus aos nossos tinha de ser utilizado nem que fosse á força em obras mirabolantes pedidas pelos "privados" mas feitas com dinheiros públicos por todo o país.
Depois veio 2007/2008 e aí em desespero de causa estando os bancos todos com a corda na garganta e não podendo emprestar mais (diziam) o directório da UE "obrigou" os países a gastarem, a criarem mais divida entre si para manter o "sistema" a funcionar. Depois de estarem os balanços da banca novamente limpos obrigaram os países a cortarem em tudo menos naquilo que se devia cortar o que não abrandou o aumento da divida nem uma diminuição sustentada do défice antes pelo contrário.
Por toda a Europa os bancos foram salvos á custa da população em geral, empresas privadas falidas a serem salvas por quem se diz liberal e defensor do capitalismo, ora nem são liberais nem capitalistas são NEO-COMUNISTAS e foi contra isto que os Ingleses e bem votaram.



" Os povos antigos ou são tristes, ou são cínicos. A nós, portugueses, coube ser tristes "
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De José António Abreu a 05.07.2016 às 06:58

Uau, somos uns cordeirinhos sem capacidade de raciocínio e decisão (ou seja, inimputáveis), envolvidos inadvertidamente num masterplan diabólico... Eu até concordo com algumas das críticas (erros dos governos Cavaco ou na resposta à crise de 2008) mas acho triste a desresponsabilização furiosa a que (tanta gente) se entrega. E, WW, acho curioso não ter alegado que estávamos muito melhor antes da adesão.
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De WW a 05.07.2016 às 09:15

A melhoria das condições de vida não foi feita de forma sustentável, as elites venderam um sonho que agora estamos a pagar. Os acordos da UE estipulavam onde e como o dinheiro deveria ser gasto, nada mais diabólico e as "elites" á boleia da democracia venderam o país.
O processo de destruição continua eliminando agora os bancos e atirando a factura para um país que não tem como pagar o que já devia, como muito menos estas novas facturas ditadas de Bruxelas mas como em todas as guerras existe sempre uma quinta coluna disposta a vender-se para se governar á custa do sofrimento e miséria dos outros.
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De lucklucky a 05.07.2016 às 00:57

Um texto fundamentalmente errado. Pois muito dos Brexisters não têm nada contra uma CEE.

A recuperação da Inglaterra não tem nada que ver com a União. A União e o feroz caminho para o Unionismo só começou com o tratado de Maastricht, já há muito a Inglaterra tinha recuperado.

A recuperação da Inglaterra tem que ver com a viragem à Direita da sua política. Ao Neoliberalismo dos anos 80


A Política Britânica do pós guerra só foi ultrapassada em incompetência pelo Comunismo a Leste.
O Labour até ensaiou a perenidade do racionamento e escassez como algo culturalmente bom no pós guerra. Racionamento para sempre...
Assim foi a Inglaterra um dos últimos países a acabar com o racionamento na Europa.

Foi a Inglaterra que em poucos 20-30 Anos Socialistas depois foi ultrapassada por países completamente ou parcialmente destruídos pela pior guerra de sempre.
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De José António Abreu a 05.07.2016 às 07:05

A recuperação da Grã-Bretanha tem a ver com as políticas de Tatcher, aplicadas num espaço de livre circulação e comércio. Subitamente, a Grã-Bretanha tornou-se o melhor local para investir e aceder à quase totalidade da área democrática do continente. A City não teria crescido tanto se o Reino Unido estivesse fora da UE. Provavelmente, a Nissan e a Toyota não teriam aí instalado fábricas.
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De lucklucky a 06.07.2016 às 02:51

A city não estava na UE estava na CEE.

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