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O partido auto-anti-comunista

por João Pedro Pimenta, em 13.07.17

A manifestação de há dias promovida pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação a favor do regime da Venezuela, constituí­da sobretudo por pessoas conotadas com o PCP (com Ilda Figueiredo e João Oliveira à  cabeça), levou-me a pensar que o partido de Jerónimo tem uma certa vergonha do seu nome e da sua sigla, senão vejamos: só por duas vezes (nas eleições para a Constituinte e nas seguintes, em 1975 e 1976) é que o PCP se apresentou a votos com nome próprio. Seguiram-se FEPU e APU, com a presença servil do MDP-CDE, e quando este último ganhou algum brio e se separou, a CDU, que dura até hoje, com essa célula que nunca concorreu sozinha a umas eleições conhecida como "Os Verdes" e um resquício do MDP chamado Intervenção Democrática e que apenas é conhecido por se ter apoderado do nome da revista Seara Nova (que já nada tem a ver com a original).

 

 

Depois, as intervenções esporádicas deste Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), uma organização "pacifista", que chegou a ser presidida por Costa Gomes, e que curiosamente só se manifesta contra guerras e conflitos na parte a que diz respeito aos Estados Unidos, NATO e Israel. A tí­tulo de exemplo, veja-se o último naco de prosa publicado, em que acusa os EUA, Israel, etc e se defende o regime de Assad e as respectivas "forças patrióticas" (onde é que já ouvimos isto?). A posição do PCP em assuntos externos, sem tirar nem pôr, e com a mesma linguagem.

 

E depois, claro, temos a CGTP, a poderosa intersindical, o braço do PC nos sindicatos, que apesar de teoricamente acolher "outras tendências", a fazer lembrar os partidos políticos autorizados da RDA só para fazer número, representa a Soeiro Pereira Gomes nos sindicatos, embora haja quem garanta que é o inverso. Por alguma razão os seus coordenadores são sempre comunistas (Carvalho da Silva afastou-se entretanto do partido). A linguagem, os slogans e palavras de ordem, os sí­mbolos, e a sua perenidade, vão todos na linha do PCP. É a maior influência do partido na sociedade portuguesa, talvez com alguma "concorrência" das numerosas autarquias que detém.

 

 

Apesar disso, o PCP só aparece com nome próprio nos congressos, num ou noutro comí­cio e nas jornadas parlamentares. De resto, concorre sempre a eleições sob o manto da CDU, manifesta-se contra "a guerra" e as "agressões imperialistas" passando por ser o CPPC e organiza greves e "jornadas de luta" com a sigla da CGTP. Dir-se-ia, apesar de todo o passado de oposição ao Estado Novo, dos quase cem anos de existência e do prestí­gio que ainda mantém em certas zonas do paí­s e sectores profissionais, que tem vergonha da sua sigla e do seu símbolo. Ainda receará a memória do 25 de Novembro e do que esteve para acontecer? Terá fundado medo que a queda do comunismo em quase todo o mundo traga repercussões graves se se apresentar com nome próprio, mesmo que ainda haja pudor em relembrar os crimes dos seus camaradas de outros países? Seja como for, tão grande e longeva camuflagem partidária é estranha. Como se, apesar de gabar tanto a sua história, o PCP tivesse algum pudor inconfessável. E que, pelo menos no que toca ao nome e aos sí­mbolos, seja também um pouco auto-anti-comunista.

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7 comentários

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De JSP a 13.07.2017 às 14:25

Primitivos actuais - ou uma modesta filial, de bairro, que , sem se aperceber da falência da sede, continuará até ao esgotamento do "stock" em armazém...
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De Alain Bick a 13.07.2017 às 15:17

« De li giardini semo li mughetti,
semo romani e'n più trasteverini,
no pe’ vantasse, semo li più perfetti,
cantamo tutti e semo ballerini. »

Se dice “Gente allegra Dio l'aiuta”,
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De Vlad, o Emborcador a 13.07.2017 às 16:37

Maior a vergonha que os partidos socialistas e sociais democratas têm pela ancestralidade comum com os comunistas. É deveras engraçado ver o embaraço quando articulam a palavra Socialista(ismo)- é assim como a vergonha de um filho bem sucedido quando tem de ir à aldeia visitar o pai empobrecido.
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De sampy a 13.07.2017 às 22:21

O pai embrutecido.
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De JS a 13.07.2017 às 16:38

A verdade é que outra vez, graças à decisão de um PR e com entreposto nome, "geringonça", estão no poder ... constitucionalmente.
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De Hkt a 13.07.2017 às 20:53

O CPPC uma organização com uma ligação umbilical ao PCP com o qual partilha novos e velhos quadros. Uma organização que a coberto de palavras simpáticas, Paz e Cooperação são indiscutivelmente,palavras simpáticas se dedica à propaganda do ideário comunista nas escolas, nas associações...não me espantaria que as câmaras PCP façam g
enerosos donativos solidários para tão prestimosa associação. E assim, desfilam -acriticamente- por qualquer tirano só para fazer desfeita aos EUA. Pobres e iludidas criaturas....
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De V. a 13.07.2017 às 21:56

Não é só o CPPC — que até tem (ou teve, durante muito tempo) dirigentes que pertenciam ao movimento sindical e eram da nata do partido. Muitas outras associações mais discretas ou têm origem no PCP ou têm colaboradores seus bem colocados no interior — agricultura, indústria, saúde, banca, ensino, "mundo rural", baldios. Até nas associações de moradores há sempre um activo com ligações a gab. de imprensa. Já estive numa associação rural e numa outra bem mais conhecida e conheço bem como as coisas funcionam. É uma chatice.

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