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O País pode esperar

por Pedro Correia, em 02.11.15

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Foto Alberto Frias/Expresso

 

Existe legitimidade parlamentar para uma maioria alternativa à formada pelo PSD e pelo CDS, como é óbvio. A questão é que esta existe, a outra por enquanto é só virtual. Vejo-a apenas estampada em títulos da imprensa, nas pregações de alguns comentadores e no comportamento de Catarina Martins, em permanente manobra de antecipação aos comunistas, ao assumir-se desde já como porta-voz das boas novas de um executivo liderado pelo PS.

Ora um país não se governa com títulos de jornais nem declarações nas pantalhas, por mais arrebatadas ou ofegantes que sejam.

 

Não vale a pena fazer esforços dialécticos para contrapor uma maioria virtual, ainda que absoluta, a uma maioria real, ainda que relativa.

De resto, o sistema politico-constitucional português está desenhado para governos com maiorias simples. Seria um enorme passo atrás concluirmos que só executivos com maioria absoluta, daqui para a frente, poderão entrar em funções. Se esta lógica prevalecesse, os executivos de Mário Soares em 1976, de Cavaco Silva em 1985, de António Guterres em 1995 e 1999, e de José Sócrates em 2009 nunca teriam chegado a tomar posse.

 

Um mês decorrido desde a eleição legislativa, quando todos continuamos a discutir cenários virtuais, António Costa já devia ter anunciado ao País que solução real de governo propõe aos portugueses, sem se escudar em porta-vozes de outras cores partidárias.

Afinal Alexis Tsipras, tão elogiado em Janeiro por vários dirigentes socialistas, formou uma coligação em 24 horas entre o Syriza e a direita nacionalista - forças políticas entre as quais aparentemente era muito maior a distância do que aquela que separa o PS do BE e do PCP.

 

Por cá, todas as conversações têm decorrido no segredo dos deuses, à revelia da opinião pública, com avanços e recuos retóricos (os recuos mais relevantes têm vindo da boca do secretário-geral do PCP, que parece demarcar-se de quase tudo, incluindo da existência de uma moção de rejeição conjunta, enquanto o deputado António Filipe recorre à ironia para designar o próximo "governo do PS", como se não houvesse coligação à vista) e claríssimos sinais de desconforto face a uma "frente de esquerda" oriundos do partido fundado por Soares.

Socialistas como Francisco Assis pressentem que Costa está a tomar decisões destinadas a afastar irreversivelmente o partido dos eleitores de centro que sempre votaram PS e querem Portugal governado por uma grande família europeia, sem ver o País empurrado para qualquer dos extremos do espectro político.

Outros, como Fernando Medina, vão deixando sérios avisos à navegação. "Só um compromisso firme com as regras de participação na moeda única e com um governo estável para a legislatura poderá dar ao País garantias de uma boa governação e de reais perspectivas de mudança política", observa o actual presidente da câmara de Lisboa.

Como mais ninguém se movimenta na faixa central, Assis encarrega-se disso. E faz muito bem. A política tem horror ao vácuo. E se existe vácuo neste momento na política portuguesa é ali mesmo, na sequência da fuga de Costa para o flanco esquerdo - não por imperativo de consciência ou convicção doutrinária, mas pelo mais elementar tacticismo com vista à sua sobrevivência política após ter saído derrotado das urnas.

 

Do secretismo das negociações emerge a convicção de que o ex-autarca de Lisboa joga tudo na lógica inversa às prioridades definidas pelos estadistas: em primeiro lugar surge o puro interesse pessoal, logo seguido da conveniência partidária momentânea.

E o País? O País pode esperar.


90 comentários

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De William Wallace a 02.11.2015 às 14:21

O centro (politico) já não existe pois a classe média desapareceu, quem diz o contrário não anda na "rua".
Existem agora os que beneficiam com a situação vigente ( beneficiar não é sinónimo de ganhar - é mais de não perder muito) e quem perdeu qualquer perspectiva de estabilidade mínima ) ou pequena evolução.

Quanto á formação da nova alternativa, acho bem que a mesma decorra em "portas fechadas", a seu tempo se saberá e no local certo que é o parlamento, não nas redes sociais e demais oráculos perturbadores da vida democrática , embora neste particular desse agora jeito a muita gente para fazer os seus habituais números de circo.

O Pedro Correia (e demais apoiantes Paf ) já invocaram a Constituição várias vezes, as regras não escritas, "o espírito da lei" e agora aplaudem Tsipras por ter formado governo em 24h, além de patético, só demonstra o desespero de quem sabe que tem o rabo preso em muitas matérias que lesaram gravemente Portugal e os portugueses.

O lixo vai começar a boiar, o seu cheiro será insuportável e algumas (espero que muitas) irão rolar.
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De Pedro Correia a 02.11.2015 às 15:56

"O centro já não existe."
"A classe média desapareceu."
Você devia mudar os autores de cabeceira: assim evita escrever tanto disparate.
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De Anónimo a 02.11.2015 às 18:07

Está certíssimo, a classe média está pelas ruas da amargura, a classe média baixa desapareceu, sobreviveu a classe média alta, sem margem para dúvidas. Quando opinamos temos de ser justos e correctos e não estarmos aqui a defender aqueles que obedecem cegamente a Bruxelas e a grupos que põem e dispõem na UE e não só e esquecem-se que foram eleitos para governar quem os elegeu. Assis é daqueles que não devia estar no PS, mas sim, no PSD porque é lá que provavelmente se revê. O país agora já interessa? Quando se vendeu o país ao desbarato, se obedeceu cegamente a quem se está borrifando para o nosso país e se fez tudo, menos aquilo que se devia fazer para o bem estar dos cidadãos, aí, já estava tudo correcto! É bom, ver, como agora o país já interessa.
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De Pedro Correia a 02.11.2015 às 19:34

Debater com base em chavões dá nisto: "pacto de agressão", "vender o País" (frase com ressonâncias salazaristas) e "a classe média desapareceu".
Gostava de perguntar a este leitor, que presumo ser da classe média, se ele "desapareceu" (pelo menos a identidade dele desapareceu, daí tornar-se anónimo). A menos que seja membro da banca, da aristocracia ou do protelariado.
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De Ali Kath a 02.11.2015 às 15:02

discurso de Bernardino Machado sobre a rep infantil

http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/OZe/1911/N037/N037_master/OZeN0037.PDF
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De Pedro Correia a 02.11.2015 às 15:55

Que horror! Ainda escreviam pharmacia com ph...
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De V. a 02.11.2015 às 18:28

Aquilo era medonho — uma coisa "selvosa", como dizia Herculano.
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De Pedro Correia a 02.11.2015 às 21:07

Até houve um presidente chamado Teophilo. Se fosse hoje, teria o nome censurado pelos amputadores de consoantes.
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De Luís Lavoura a 02.11.2015 às 15:13

o sistema politico-constitucional português está desenhado para governos com maiorias simples

Nem acredito naquilo que estou a ler!

No nosso sistema, como em qualquer outro, ter maioria absoluta permite governar muito mais facilmnete do que com maioria simples.

Alexis Tsipras formou uma coligação em 24 horas

Angela Merkel demorou dois meses a formar coligação.

Na Bélgica ainda se demora mais do que isso.

Em Israel também se demora meses a formar governo.

todas as conversações têm decorrido no segredo dos deuses, à revelia da opinião pública

E é assim mesmo que devem decorrer. As boas negociações fazem-se à porta fechada.

Quem está errada em falar de mais é a Catarina. Bem fazem o PS e o PCP em não abrirem a boca.

O segredo é a alma do negócio.
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De Pedro Correia a 02.11.2015 às 15:53

A Alemanha é o país mais rico da Europa. Pode dar-se ao luxo de demorar largas semanas ou alguns meses a formar governo.
Nada a ver com Portugal.
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De jo a 02.11.2015 às 15:57

A Alemanha tudo pode fazer. A Portugal só lhe resta aceitar Passos e a PàF. É a democracia tutelada
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De Pedro Correia a 02.11.2015 às 16:12

Autoeuropa, Bosch, Continental Mabor, Siemens, Leica.
Já ouviu falar?
Não? Logo vi.
Então leia isto para aumentar a sua cultura geral:
http://www.dinheirovivo.pt/empresas/investimento-estrangeiro-cai-mas-o-das-empresas-alemas-disparou/#sthash.0RtuM3Em.dpuf
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De jo a 02.11.2015 às 18:58

A tutela do dinheiro não deixa de ser tutela.

Não me diga que essas empresas não tem lucros em Portugal e estão cá a fazer-nos algum favor.

Aliás os famosos mercados não parecem nada preocupados com qual vai ser o novo governo português. Apesar dos desejos dos catastrofistas, nosso presidente incluído, as flutuações que se têm observado nas bolsas e nos juros não têm nada de excecional.
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De Pedro Correia a 02.11.2015 às 19:47

"Catastrofista"?
Você quer algo mais catastrofista do que esses chavões do género "a classe média desapareceu", que vejo repetidos nesta mesma caixa de comentários?
Vamos a três notícias de hoje, recolhidas ao acaso. As primeiras do País que me apareceram no motor de busca:
- "Portugueses nunca tiveram tanto dinheiro em depósitos à ordem"
http://www.publico.pt/economia/noticia/portugueses-nunca-tiveram-tanto-dinheiro-em-depositos-a-ordem-1708561
- "Portugueses gastaram mais dois mil milhões de euros em compras do que no ano passado"
http://www.dn.pt/dinheiro/interior/portugueses-gastaram-mais-2000-milhoes-em-compras-4865682.html
- "Tráfego nas autoestradas cresceu 7% em Junho: todas as concessionárias registam aumento de circulação"
http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/transportes/detalhe/trafego_nas_auto_estradas_cresce_7_em_junho.html
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De Pedro F. a 02.11.2015 às 22:20

É natural, este Povo é presciente: contam já com as naturais subidas de salários, descidas de impostos e incentivos ao consumo.
Nada como estar "muito à frente".
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De Pedro Correia a 02.11.2015 às 23:29

Pois claro. A classe média que "desapareceu" aumenta em 7% o tráfego nas autoestradas, deposita dinheiro como nunca nos bancos e ao mesmo tempo gasta mais dois mil milhões de euros em bens de consumo do que gastou no ano passado.
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De Fátima a 03.11.2015 às 15:03

Bela resposta. Vê-se que a classe média está aí com toda a pujança, é só comércio a fechar e lojas, onde a classe média ia, a fazerem promoções
para conseguirem manter-se. É evidente que os ricos são cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres, ou vai dizer-me que quem ganha o salário mínimo, 600, 700, 800, 1000, 1200 ou até 1500€, com filhos, renda de casa, água, luz, gás, telefone, seguros de carro, combustível para o mesmo...que são estes que fazem o que disse. Diga onde vão buscar dinheiro para compra de carros, auto-estradas e depósitos de dinheiro. Experimente viver com aqueles montantes e depois verá o que tem hipótese de fazer. Experimente! Este ano foi um ano de benesses, ano de eleições...
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De Pedro Correia a 03.11.2015 às 15:28

Mais um chavão: "os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres."
Chavão desmentido pelos factos:
http://visao.sapo.pt/iniciativas/visaosolidaria/atualidade/fosso-entre-ricos-e-pobres-diminuiu-mas-portugal-e-dos-paises-mais-pobres-da-ocde=f820331
É chato a realidade não confirmar a nossa "narrativa", não é?
Pois, lamento.

E já agora fique com mais esta:
http://observador.pt/2015/11/02/premio-europeu-do-ano-dedicado-aos-11-milhoes-vivem-portugal/
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De Fatima a 03.11.2015 às 17:33

Esses sites não me interessam minimamente ou nada, interessa-me a realidade e não aquilo que querem que seja, para iludirem. O Observador! Nunca. Faça a experiência que lhe disse. Depois de feita essa experiência poderá relatar aqui, a sua própria vivência e só assim, deixa de querer que acreditemos no que nos impingem. O Pedro Correia quer o bem do seu país ou quer um país com ricos, cada vez mais ricos e o resto, pobreza envergonhada e mendigos? Eu quero um país com governantes que olham os seus cidadãos e tudo fazem por eles e não, governantes que são paus mandados de grupos e da UE. Relembro-lhe que Victor Gaspar disse estar errado, nas medidas que implementou e por isso, se demitia e os que ficaram seguem o errado! Das duas, uma, ou Victor Gaspar estava certíssimo e acredito piamente que estava ou está louco e está num cargo onde não pode estar, coisa que não acredito minimamente, pois acredito que sabia perfeitamente o que disse e louvo-o por isso, mostrou que errou e não teve vergonha de o assumir.
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De Pedro Correia a 03.11.2015 às 18:30

Você é das pessoas mais fanáticas que já passaram por aqui.
Ao ponto de recusar comentar uma das notícias que lhe indiquei só por vir no Observador!
Verdadeiramente extraordinário: vê-se logo que é daquelas que apenas gosta do som de uma "orquestra" se tiver um instrumento só...

Não reparou sequer que a notícia, embora venha no Observador, é da agência Lusa. Pois vou insistir e reproduzo a mesma notícia, mas desta vez divulgada pelo Diário Económico:
http://economico.sapo.pt/noticias/portugueses-ganham-premio-de-europeu-do-ano_233547.html
Se também disser que o DE não é digno da sua atenção, prometo deixar-lhe um recorte qualquer do 'Avante!' só para lhe agradar. Talvez um artigo nostálgico sobre a União Soviética e os seus saudosos planos quinquenais.
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De Fátima a 03.11.2015 às 19:32

Continua a desconversar, a deturpar e a ser agressivo no contraditório. Não gosto do observador e por isso não leio, assim como não leio o Avante ou agora tenho de ler tudo, mesmo não gostando? Se para si, isto é fanatismo, então o senhor também o é porque nem que veja os portugueses pela rua da amargura, insiste que assim é que é bom que é assim que tem de ser, logo também é um autêntico fanático destas políticas. É impressionante como usa todos os truques para não responder, coisa que já tinha reparado com outros leitores. "Relembro-lhe que Victor Gaspar disse estar errado, nas medidas que implementou e por isso, se demitia e os que ficaram seguem o errado! Das duas, uma, ou Victor Gaspar estava certíssimo e acredito piamente que estava ou está louco e está num cargo onde não pode estar, coisa que não acredito minimamente, pois acredito que sabia perfeitamente o que disse e louvo-o por isso, mostrou que errou e não teve vergonha de o assumir."
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De Pedro Correia a 03.11.2015 às 20:20

Você é que desconversa. E de que maneira. Ao ponto de recusar comentar uma notícia da Lusa que eu aqui lhe trouxe, alegando que vinha reproduzida no 'Observador'!!!
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De Fatima a 03.11.2015 às 21:42

Tudo falso. O desemprego continua e o cumprimento do programa de assistência não concordo minimamente porque é falso e se algo foi feito, foi feito, sem respeitarem minimamente os portugueses. Esqueceram-se de dizer que a dívida aumentou, apesar da austeridade e das vendas que a pobreza é enorme, o desemprego não diminuiu, mas aumenta e os jovens emigram à procura do trabalho que cá deixou de existir, há desalojados por impossibilidade de pagamento de rendas à banca ou a senhorios, muitas das crianças a única refeição que têm é na escola porque em casa não há, os hospitais transbordam de doentes porque se encerraram os mais pequenos, os médicos vão para o privado porque o público não lhes paga, aquilo que merecem, os enfermeiros emigram porque cá não lhes dão trabalho enquanto verificamos que os hospitais têm carências dos mesmos. Fico por aqui porque nunca mais parava. São notícias feitas ou encomendadas para iludir nada mais, tanto se me dá que venham da Lusa ou Reuter.
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De Pedro Correia a 03.11.2015 às 22:00

Eheheh. Já raia o delírio: a Lusa faz notícias por encomenda, a Reuters funciona como a voz do dono. Etc, etc.
Olhe, o prometido é devido: trago-lhe um recorte do 'Avante!, esse modelo de jornalismo isento e descomprometido:
http://www.avante.pt/pt/2187/temas/137575/
Tenho a certeza de que vai gostar. Até porque coincide quase linha por linha com a sua tese.
Boa leitura!
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De jo a 03.11.2015 às 12:10

Está a fugir ao assunto.
Sabe que eu me referia às subidas imediatas de juros e quedas na Bolsa provocadas pela hipótese de não haver um governo dirigido pelo Dr. Passos Coelho. Andaram todos a falar nisso até que descobriram que os vaticínios não se realizaram.
O que se passou é que o anterior governo fez tão bem o papel de capacho que lhe aconteceu o mesmo que acontece aos capachos quando acaba o prazo: o dono manda-os fora e nem pensa mais nisso.
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De Pedro Correia a 03.11.2015 às 12:17

Ser "capacho", na sua perspectiva, é enfrentar uma situação de ruptura financeira, sem dinheiro para enfrentar as necessidades imediatas de tesouraria do Estado (pagamentos de salários e pensões, pagamentos a fornecedores do estado social), e quatro anos depois termos o País a crescer, como bem demonstram as notícias que aqui trouxe, de três jornais diferentes, e que não lhe mereceram qualquer comentário:

- "Portugueses nunca tiveram tanto dinheiro em depósitos à ordem"
http://www.publico.pt/economia/noticia/portugueses-nunca-tiveram-tanto-dinheiro-em-depositos-a-ordem-1708561
- "Portugueses gastaram mais dois mil milhões de euros em compras do que no ano passado"
http://www.dn.pt/dinheiro/interior/portugueses-gastaram-mais-2000-milhoes-em-compras-4865682.html
- "Tráfego nas autoestradas cresceu 7% em Junho: todas as concessionárias registam aumento de circulação"
http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/transportes/detalhe

Espero que você não seja daqueles que seguem o lema "quanto pior, melhor".
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De Diogo Moreira a 04.11.2015 às 09:59

Dependendo de quem se lê, a poupança dos portugueses ora está no máximo de sempre ou no mínimo de há, pelo menos, 20 anos.

"As famílias portuguesas não poupam tão pouco há pelo menos 20 anos. É isto que se deduz das estatísticas oficiais: os portugueses pouparam apenas 5% do rendimento disponível nos 12 meses que terminaram em junho passado. É a percentagem mais baixa desde que há registo."
Cf. http://observador.pt/especiais/dia-mundial-da-poupanca-conheca-abece-dos-produtos-poupanca/

"Para já, nada indica uma retração nos gastos das famílias. A poupança em Portugal recuou e está nos valores mais baixos desde 1995, de acordo com os dados do INE. Por cada cem euros ganhos, os portugueses colocam apenas cinco de parte."
Cf. http://www.dn.pt/dinheiro/interior/portugueses-gastaram-mais-2000-milhoes-em-compras-4865682.html

Já a movimentação adicional nos terminais multibanco tem várias explicações no artigo que foi indicado, desde um aumento de pagamento com cartões em detrimento de dinheiro, aumento do turismo e do endividamento, pelo que esta movimentação adicional está longe de ser um muito bom sinal.

Quanto ao aumento do tráfego nas auto-estradas, tal está em linha de conta com a débil evolução da Economia Portuguesa (ainda está longe de recuperar as perdas que ocorreram nesse tráfego em 2012 e 2013).
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De Pedro Correia a 04.11.2015 às 10:43

Você também assina Jo? Usa nome próprio e pseudónimo na mesma caixa de comentários?
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De Diogo Moreira a 04.11.2015 às 10:47

Só uso nome próprio. Não posso meter a foice em seara alheia?
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De Pedro Correia a 04.11.2015 às 10:51

Pode, claro. Mas dá jeito esclarecer estas questões, até para me orientar nestas conversas cruzadas em que se começa a dialogar com um e se acaba a falar com outro.
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De Anónimo a 02.11.2015 às 23:59

A Alemanha será mesmo o país mais rico da Europa? Assim sendo, onde coloca a Noruega?
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De Bernardo a 03.11.2015 às 00:48

Nem mais, a Alemanha pode tudo, até ter um perdão da dívida e pagar a outra metade, em muitos anos. É por isso que hoje a Alemanha pode ser considerado um país rico, não o seria, se não tivesse tido o plano Marshall, isso lhe garanto, coisa que a nós, não nos é facilitado.
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De Pedro Correia a 03.11.2015 às 08:13

Tivemos três "planos Marshall" nos últimos 38 anos. Sempre em grau crescente.
- Em 1977-78, pedimos ao FMI (e obtivemos) dois empréstimos. O primeiro no valor equivalente a 111 milhões de euros ao câmbio actual, o segundo no valor equivalente a 158 milhões de euros. Ou seja, 269 milhões no total.
- Em 1983, voltámos a pedir assistência financeira de emergência ao FMI. Desta vez no valor equivalente a 555 milhões de euros, à taxa de câmbio actual.
- Em 2011, como todos sabemos, recebemos - também com carácter de emergência - um mega-empréstimo de 78 mil milhões de euros, não só do FMI mas também do Banco Central Europeu. Um auxílio financeiro que, tal como os anteriores, veio acompanhado de um pacote de exigências dos credores.
http://www.imf.org/external/lang/portuguese/np/exr/countryfacts/prt/
Não há almoços grátis. Nem podemos depender da caridade internacional, como se fôssemos o Ruanda ou o Sudão do Sul. Temos de saber adequar as despesas do Estado às receitas que o Estado português aufere através da colecta fiscal. Nem menos nem mais.
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De Bernardo a 03.11.2015 às 11:58

Não, nunca tivemos plano algum. Tivemos e temos empréstimos sucessivos que não nos levam a lado nenhum. A Alemanha teve a caridade de todos e não foi por ser devedor, mas porque destruiu-se e destruiu tudo que lhe deu na gana. Os credores deram à Alemanha e bem e a nós insiste-se no mesmo, é que assim não pagamos nada e não sairemos de empréstimos e mais empréstimos porque a nossa economia jamais evoluirá e crescerá, de modo a conseguirmos pagar a dívida. O que nos é proposto é obedecer a tudo e a todos.
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De Pedro Correia a 03.11.2015 às 12:07

"Os credores deram", escreve você. Nunca vi credor algum "dar" seja o que for a alguém.
Você, aparentemente, acredita no Pai Natal e nas histórias da carochinha. Ainda não aprendeu a primeira e mais elementar das lições da economia: não há almoços grátis.
Experimente você, na sua vida, tentar comer à borla e depois diga-me se deu bom resultado.
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De Bernardo a 03.11.2015 às 13:39

Nunca viu ? Então o perdão que foi feito à Alemanha de metade da dívida deles, não foi doação, foi o quê? Foi doação quer queira quer não. Experimente o Pedro pagar uma dívida sem dinheiro para a pagar. Não paga. Resta-lhe negociar e aí há duas hipóteses: negociar a sua dívida, pagando-a em mais anos e cumpre o seu dever, caso não aceitem, não pagam e aqui, quem perde mais são os credores que em vez de receberem, passam a não receber nada. Isto é tão básico que qualquer um percebe.
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De Pedro Correia a 03.11.2015 às 16:03

Controle esse instinto germanófobo: é parente muito próximo da xenofobia.

Vê-se logo que você não é operário da Autoeuropa. Se fosse, estava grato à Alemanha. Esta unidade industrial de Palmela, que propicia mais de 3700 postos de trabalho directos, é responsável por quase 1,5% do PIB português e cerca de 10% das nossas exportações:
http://paginas.fe.up.pt/~projfeup/submit_13_14/uploads/poster_1M5_1.pdf

A AE constitui o maior investimento externo em Portugal. E
é, de longe, a maior fonte de emprego do distrito de Setúbal:
http://comum.rcaap.pt/bitstream/123456789/5435/1/500_maiores_empresas_Distrito_Set%C3%BAbal%202012.pdf
Se fechasse as portas, isso representaria um drama social e económico para a população do distrito.

A propósito: a Alemanha tem um investimento directo acumulado de 5 mil milhões em Portugal. Em 2014, em contraciclo, aumentou em 37,6% o investimento no nosso país:
http://www.dinheirovivo.pt/empresas/investimento-estrangeiro-cai-mas-o-das-empresas-alemas-disparou
Com aumentos salariais na Autoeuropa:
http://www.dinheirovivo.pt/invalidos/trabalhadores-da-autoeuropa-terao-aumento-salarial-de-2/

Tenho a certeza de que nenhum dos trabalhadores da AE é germanófobo.
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De Bernardo a 03.11.2015 às 17:55

Não desconverse que fica-lhe mal. Não tenho nada contra a Alemanha e até acho um país com zonas lindas, como a "Baviera" e outras e para que saiba até tenho algumas amizades na Alemanha. Apenas constatei factos que os próprios alemães, constatam, mas que o senhor não quer ouvir falar. Não sei porque, mas sei que se não tivesse existido o Plano Marshall, hoje, não seriam o que são e também sei, ou melhor sabemos que têm beneficiado muito com o euro.
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De Pedro Correia a 03.11.2015 às 18:58

O Plano Marshall resultou da ajuda norte-americana à Europa Ocidental na sequência da guerra. Acha que os europeus estão assim tão mal que precisam de uma nova ajuda financeira dos Estados Unidos? Não haverá diversas outras zonas do globo que necessitem muito mais dessa assistência? Além de que os EUA não têm qualquer obrigação de fazer caridadezinha à Europa: somos maiores e vacinados, ou é suposto sermos, e devemos portanto saber tratar da nossa vida sem embalos externos.

Quanto ao euro, você nega uma evidência histórica: a Alemanha nunca quis abandonar o marco. O euro resulta da pressão francesa - concretamente do Presidente Mitterrand - para amarrar os alemães ao projecto europeu. Na altura - início da década de 90 - existiam fortes suspeitas de Paris acerca do compromisso alemão neste projecto. Com a reunificação, poderiam renascer em Berlim perigosas tentações isolacionistas.
O chanceler Kohl, embora contrariado, acabou por aceitar a adesão à moeda única, que nunca foi popular entre os alemães. O regresso ao marco, de resto, continua a ser defendido por sectores importantes da sociedade germânica.
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De Bernardo a 03.11.2015 às 23:57

Novamente a desconversar. Estávamos a falar da Alemanha e não da Europa e do que a Alemanha beneficiou com esse plano. A Alemanha não queria deixar o marco, mas deixou-o, é a realidade. Outra realidade é que beneficiou muito com o euro e sabe-o perfeitamente se não sabe, como jornalista é, é muito grave porque não informa devidamente aqueles que o lêem.
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De Pedro Correia a 04.11.2015 às 00:07

Falar da Alemanha é falar também da Europa. Como é que você consegue isolar temas que se tocam em gavetas diferentes?
Sim, a Alemanha beneficiou com a integração no sistema monetário europeu. Tal como nós beneficiámos. Por exemplo, com a inflação quase a zero e as taxas de juro em mínimos históricos (para efeitos de pagamento de habitação, por exemplo).
Daí o facto de a grande maioria dos alemães, tal como sucede com a grande maioria dos portugueses, não querer hoje voltar à moeda nacional. Esse é aliás um traço comum a todos os povos da zona euro, incluindo os gregos. Os arautos do nacionalismo monetário estão em franca minoria.
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De Anónimo a 02.11.2015 às 15:18


Todos falam destes "claríssimos sinais de desonforto", mas depois a gente vai à procura e só vê o Assis. Porque sera?

A legitimidade da alternativa, que é de facto indiscutível, não tem sido assim tão obvia para muita direita com responsabilidades parlamentares e imenso sentido de estado...

Quanto ao sistema estar desenhado para maiorias simples, estou totalmente em desacordo consigo. Acho, pelo contrário, que foi precisamente desenhado para coligações parlamentares que garantam estabilidade.
Aliás, excepção feita ao governo de 1995/1999 (politicamente excepcionalmente forte, visto ter sido de alternativa a 10 anos de cavaquismo); todos os exemplos de governos minoritários que deu duraram meia legislatura. Bom para reflectir, não?
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De Pedro Correia a 02.11.2015 às 15:52

Só vê o Assis?!

Se experimentar tirar as palas dos olhos, vê muitos mais.
Mas eu facilito-lhe a tarefa:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/opinioes-de-varios-direitistas-contra-7840044
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De Anónimo a 03.11.2015 às 00:53


Já tirei, obrigado! Agora vejo que há imensa gente da comissão política do ps - que por acaso até aprovou por unanimidade o derrude do governo - que dá claríssimos sinais de desconforto. Fora uns quantos que, sendo oriundos do partido fundado por Soares, não são nem nunca foram militantes do ps - estranha condição... E depois há o Assis, e mais uns quantos, reconheço.
Experimente talvez tirar as suas palas, e rever a lista que enviou: está tudo muito bonito, mas não bate com o que escreveu.

O resto do meu comentário não lhe merece comentário, paciência...
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De Pedro Correia a 03.11.2015 às 00:59

"A gente vai à procura e só vê o Assis." Palavras suas. Escritas com as tais palas.
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De Anónimo a 03.11.2015 às 01:12


Certo, certo - já reconheci. As palas é que não, desculpe lá: não acompanhar a opinião de gente influentíssima na actualidade, como Marçal Grilo ou Manuela Arcanjo, não me parece defeito de visão. Talvez repescá-los agora seja defeito de argumento, ou apenas esperança. Cega, parece-me, mas a ver vamos.
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De Pedro Correia a 03.11.2015 às 07:55

Marçal Grilo foi ministro da Educação num governo socialista, Manuela Arcanjo foi ministra da Saúde num governo socialista.
Não gosta de ver impressos os nomes deles? Azar seu. Eu, por exemplo, não gosto de bitaites anónimos nas caixas de comentários de blogues. Gosto de pessoas que emitem opiniões assinando por baixo. O que não é o seu caso.

"A ver vamos", escreve você. A propósito de ver: um mês depois da eleição legislativa, sabe alguma coisa do célebre "acordo de governo" à esquerda? É que eu, como a quase totalidade dos portugueses, ignoro o conteúdo concreto desse "acordo". Talvez nos possa dar alguma pista concreta sobre este tema. Para ficarmos mais esclarecidos,
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De Anónimo a 04.11.2015 às 02:48


Olhe, o Sousa Franco e o Veiga Simão também - que pena já não poderem emitir as suas opiniões influentíssimas, no ps. Os outros já podem, porque apenas morreram politicamente. O Freitas até é chamado a todos os canais, agora!
Azar o meu? Oh homem, quero lá saber do que se passa dentro do ps e dos irmãozinhos mais pequenos. Eu nunca votei à esquerda em dias da minha vida!
Chateia-me, sim, que opinadores e sobretudo jornalistas descubram dissidentes em defuntos politicos com mais de 10 anos, ou correntes em grupos de não-militantes. Que publiquem paragonas que não batem bem com os textos. Lixa-me que me tomem por parvo, o que é que quer? Nem tenho nada com isso, só me chateia. É como os anónimos para si, mas já lá vou.
Quanto ao acordo, quem sou eu, ou V., ou seja quem for para exigir conhecê-lo agora, com um governo legítimo em funções? Olhe, eu estou mais interessado em conhecer o programa do governo: se souber de alguma coisa, ficava agradecido.
Quanto ao anonimato, creio que não tem nada de especial, nem imaginei que o incomodasse a esse ponto - aliás, o facto de ser permitido nesta casa causou-me a impressão de ser um sítio confortavel para mim, onde os anfitriões - provando coragem e sobretudo paciência - promovem a discussão mais livre.
O bitaite é inevitavel para quem frequenta estes meios tão raramente, sabe? E presta-se a muitos mal entendidos, que o anonimato obvia de todo. Penso que só poderia prescindir dele escrevendo um blog, e tenho pouco tempo e menos talento - espero que compreenda. Mas também é só isto e mais nada.

Em todo o caso lamento e retiro-me já, assinando António, que é o meu nome
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De Pedro Correia a 04.11.2015 às 08:21

Ainda bem que apareceu por cá, António. O seu apelido não será Costa?
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De João de Brito a 02.11.2015 às 18:23

Pedro Correia,
muito boa tarde!
Se me permite, pôr-lhe-ia as seguintes questões, muito simples, como eu gosto e como penso que todos os assuntos deveriam ser tratados, para resultarem claros:
1. É ou não verdade que o PS sempre tem feito uma política de direita, alternando com o PSD, em clara contradição com a sua matriz socialista?
2. É ou não verdade que, dessa forma, sempre impossibilitou um governo de esquerda?
3. É ou não verdade que, na atual conjuntura, é que o PS, finalmente, assume a sua verdadeira natureza, ao procurar liderar um governo apoiado nos partidos da Esquerda?
4. É ou não verdade que foram os governos que temos tido que nos trouxeram à ruína?
5. Então, por que temos tanto medo de darmos uma oportunidade à Esquerda, liderada pelo PS, que, finalmente, parece querer fazer jus ao nome?
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De Pedro Correia a 02.11.2015 às 19:38

Viva, João.
Responderia de bom grado às suas questões, mas encalho logo na primeira pois não sei o que é uma "política de direita".
Você far-me-á o favor de explicar.
E mais confuso ficou ainda quando o vejo referir que o PS "sempre fez uma política de direita" mas se prepara agora para liderar um "Governo de esquerda".
Far-me-á também o favor de explicar como é que um partido que conduz "políticas de direita" é capaz de liderar um "Governo de esquerda".
Muito agradecido desde já.
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De João de Brito a 03.11.2015 às 17:24

Pedro Correia,
muito boa tarde, mais uma vez e um dia depois!
Geralmente, só me dedico a estas coisas durante a tarde.
Por isso, só agora respondo às suas questões sobre as minhas questões de ontem, sem ter sequer a certeza de que serão lidas por V. Ex.a.
1. Por política de direita entendo, na atual conjuntura e para ser, como sempre, simples e claro, a que tem, como primeira aposta, a austeridade.
2. Por política de esquerda entendo a que tem, como primeira aposta, o reforço dos rendimentos dos mais desfavorecidos e a reposição dos da classe média. (Aliás, como se deve lembrar, a campanha eleitoral caracterizou-se precisamente por essa dicotomia, entre a Coligação, por um lado, e o PS, BE e PCP, por outro.)
3. O que é contra natura, relativamente ao PS, pelas razões que referi, é a política de direita que tem feito e não a de esquerda que se propõe agora fazer.
Por isso, a questão que se coloca é ao contrário: como foi possível fazer políticas de direita, este tempo todo.
Respeitosamente,
João de Brito
Nota: Por que será que fico com a sensação de que o Pedro não precisava nada de todas estas explicações?!...
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De Pedro Correia a 03.11.2015 às 19:03

Você chama então "políticas de direita" às políticas austeritárias - ou seja, aquelas que colocam o ajustamento orçamental à frente da política redistributiva. Presumo então, 'a contrario sensu', que chamará "políticas de esquerda" às medidas de maciço investimento público promovidas nos EUA pelo Presidente Obama ou à gigantesca transferência de recursos financeiros da Alemanha Ocidental ordenada pelo chanceler Kohl em 1991-98 para a Alemanha de Leste no âmbito do processo de reunificação.
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De ptc a 02.11.2015 às 20:08

Para além da sobrevivência (política e literal) de A. Costa receio que este esteja a jogar o controlo da Justiça para deitar abaixo a Operação Marquês. Já vimos disso no Verão de 2009 com o processo Face Oculta.
ptc
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De Diogo Moreira a 03.11.2015 às 20:05

A "bola" está do lado da PaF, que foi chamada a formar Governo e cujos ministros foram investidos pelo Presidente da República. O próximo passo é a apresentação do programa do Governo na Assembleia da República.

Segundo o que o Pedro tem escrito, era assim que era suposto ter acontecido, dado que a força política mais votada nas últimas eleições legislativas tinha que ter a oportunidade de governar.

Mas o Pedro aponta o dedo neste 'post' aos partidos que não venceram as eleições de estarem a perder tempo.

Afinal, em que ficamos?
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De Pedro Correia a 03.11.2015 às 20:27

Daqui a umas horas faz um mês que houve legislativas. Costa anunciou aos portugueses que tinha uma alternativa de governo. Essa alternativa assentava num acordo cujo conteúdo ainda ninguém conhece.
De maneira que, em termos práticos, neste momento não existe alternativa ao governo entretanto empossado. Acontece que Costa fez paralisar o Parlamento: ou seja, a actividade governamental, no capítulo legislativo, está boicotada por uma maioria negativa em S. Bento. A tal maioria negativa que o líder do PS garantiu na noite eleitoral que não iria acontecer.
Entretanto, estamos nisto: "Carlos César admite cenário de não acordo com partidos de esquerda" (notícia de hoje)
http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/carlos_cesar_sublinha_que_ainda_nao_esta_nenhum_acordo_fechado.html
Se você acha que o País está em condições de entrar no segundo mês neste ponto morto, essa é a melhor homenagem implícita que acaba por fazer ao governo cessante e ao quadro económico-financeiro português.
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De Diogo Moreira a 03.11.2015 às 20:41

O que eu estou a fazer é acusar o Pedro de querer "sol na eira e chuva no nabal".

Como referi a abrir, quem tem que fazer alguma coisa neste momento é o Governo empossado. Em vez de se queixar da demora desse Governo (que está a utilizar o tempo que lhe está legalmente consagrado), está a apontar o dedo aos avanços e recuos da oposição, os quais não devem justificações nenhumas neste momento.

Se me agrada o ponto da situação? Claro que não! Mas isso não invalida o que escrevi acima.
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De Pedro Correia a 03.11.2015 às 20:47

Vá esperando pelo "seu" governo enquanto a oposição interna a Costa se organiza no PS e marca a agenda política diária (como hoje aconteceu) e o PCP permanece transformado num cubo de gelo perante os delíquios pós-adolescentes da Catarina Martins, que teima em "anunciar" na praça pública o que não chegou sequer a ser negociado. Com um afã de protagonismo mediático quase chocante.
Mas aconselho-o a esperar sentado.
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De Diogo Moreira a 03.11.2015 às 21:21

Repare, Pedro, que não dedicou nem uma linha ao Governo, que é quem está em falta neste momento!
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De Pedro Correia a 03.11.2015 às 21:31

Repare, Diogo, que você passa ao lado da inexistência de um acordo de governo prometido por Costa e que - na melhor das hipóteses - está a ser cozinhado à revelia das bases e das próprias estruturas dirigentes do PS, em total secretismo. Nada diz sobre a rebelião cada vez mais declarada entre os socialistas nem sobre as declarações de César, que já admite um fracasso negocial. E mantem igualmente silêncio sobre as aparentes reservas mentais do PCP em torno desta questão.
Já percebi que para si tudo isto é tabu.
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De Diogo Moreira a 03.11.2015 às 21:47

Não tenho qualquer tabu em comentar essas situações. Mas está-se a tentar passar a responsabilidade da governação a quem não foi investido Governo!

De que nos adianta ficarmos a tecer considerações sobre as aproximações e recuos nas negociações entre PS, PCP e BE neste momento? Se não houver acordo, o actual Governo empossado pode passar o seu programa na Assembleia da República com a abstenção de alguns dos deputados desses partidos. Nessa situação, de que nos teria valido discutir se o Assis tem apoio suficiente para atacar o poder dentro do PS?

Se o Presidente da República tivesse ficado satisfeito com as promessas destes três partidos, poderia ter saltado logo para a investidura dessa coligação. Tal não aconteceu, mesmo desconsiderando os dislates que Cavaco Silva proferiu. Nesse cenário alternativo - mas igualmente inconstante - deveríamos ficar preocupados com as alterações de humores do Jerónimo de Sousa, sempre pronto a roer a corda que estendeu ao PS.

No momento actual, estou mais interessado em saber que propostas tem o Governo para atacar os próximos 4 anos de mandato (ou o tempo que conseguirem lá ficar). Sobre isso, a nossa Comunicação Social tem sido quase um zero - zero notícias, zero propostas, zero interesse - com a excepção da utilização das medidas que o PS propôs em campanha e que foram rejeitadas pela PaF.

Coloquemos sob os holofotes os "vencedores" das legislativas e deixemos os "derrotados" a ver se se entendem.
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De Pedro Correia a 03.11.2015 às 21:57

Não entendo por que motivo você escreve "vencedores" e "vencidos" com aspas. Estas legislativas tiveram um vencedor claro e um derrotado notório, António Costa, que nem chegou a recolher um terço dos votos expressos.
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De Diogo Moreira a 03.11.2015 às 22:03

Porque, na nossa democracia, não há verdadeiramente partidos "vencedores" nem "vencidos". Existem apenas deputados eleitos - esses é que são os verdadeiros vencedores - e esses têm uma certa liberdade de se entenderem e, através de negociações, poderem representar os votantes que os elegeram.

Se quiser ver a situação de outra perspectiva, os deputados irão escolher, tanto quanto possível, a maneira de organizar o Governo e a Assembleia de forma a lucrarem o máximo possível com a sua posição. Nem que, para isso, tenham que atraiçoar os que hoje declaram como "parceiros" ou "amigos" (e é tão válido do CDS do Portas até ao imutável Jerónimo).
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De Pedro Correia a 03.11.2015 às 22:41

Isso contraria a letra e o espírito da Constituição. O que você descreve é um sistema político parlamentarista puro.
Ora não é esse sistema que vigora em Portugal, como sabemos.

- Se vigorasse, Ramalho Eanes não teria recusado dar posse a um terceiro governo AD em Dezembro de 1982, quando havia maioria parlamentar e até um primeiro-ministro indigitado por essa maioria: Vítor Crespo.
- Se vigorasse, Mário Soares não teria dissolvido a Assembleia da República em 1987, quando havia já acordo parlamentar para um executivo alternativo ao governo minoritário de Cavaco Silva, formado pelo PS de Vítor Constâncio e o PRD de Hermínio Martinho, com a abstenção garantida do PCP de Álvaro Cunhal.
- Se vigorasse, Jorge Sampaio não teria dissolvido a Assembleia da República em Novembro de 2004, pondo fim à experiência governativa de Santana Lopes, quando o PSD e o CDS formavam uma sólida maioria parlamentar.

O Presidente da República tem legitimidade política própria ao ser eleito por sufrágio universal. Isto confere-lhe o papel de vértice do nosso sistema político e poderes quase arbitrários em matéria de dissolução do Parlamento (com as duas excepções previstas no texto constitucional, relativas aos últimos seis meses do seu mandato e aos primeiros seis meses de funcionamento da legislatura), de investidura do primeiro-ministro (bastando-lhe ouvir os partidos representados no Parlamento) e de destituição do chefe do Governo (para a qual basta invocar a necessidade de repor o normal funcionamento das instituições).
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De Diogo Moreira a 03.11.2015 às 22:53

Cada deputado não tem que votar apenas de acordo com a sua própria consciência? Onde é que isso desrespeita a Constituição?

O facto de haver ajuntamentos de deputados em partidos políticos permite agilizar todo o processo - imaginar que 230 pessoas teriam que ter reuniões com os restantes deputados para definir estratégias é um bocado excessivo...

Por outro lado, condicionar os deputados eleitos pelos vários círculos ao interesse de um único directório partidário, ao qual apenas podem expressar repúdio com declarações de voto em decisões com as quais não concordam é demasiado ignóbil para ser tolerado. Mas a verdade é que esta situação acontece.

Já o Presidente da República (que não era para aqui chamado do que estávamos a discutir) tem um papel de fiel da balança, para tentar impedir abusos. Isso também depende da consciência de cada um e não é garantia de que os abusos não aconteçam (basta analisar a posição de Jorge Sampaio, que indigitou Santana Lopes e em 6 meses dissolveu a Assembleia - dependendo das preferências de cada um, podem-se ver aí vários abusos).
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De Pedro Correia a 03.11.2015 às 23:38

Que adianta a consciência individual dos deputados perante o poder discricionário do Presidente, autorizado pela Constituição a dissolver a Assembleia? Quis apenas demonstrar, com factos concretos, que o sistema político português não é parlamentarista - ao contrário do que muitos parecem supor por estes dias.
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De Diogo Moreira a 04.11.2015 às 00:03

O regime continua a preconizar a divisão dos poderes. Nem eu afirmei que o regime era parlamentarista, pelo que não me deve acusar de o ter dito.

O Presidente da República fez o seu trabalho ao indigitar o Governo; este ainda não apresentou o seu plano para apreciação na Assembleia da República. Este é o ponto da situação.

Se o Pedro acha que a apresentação desse plano de Governo é uma perda de tempo, face a um chumbo anunciado por vários partidos da oposição, isso contraria a sua tese de que o Presidente da República deveria ter dado posse à coligação PaF. Infelizmente, o Pedro foi mudando o teor da discussão e não me deu o prazer de ver esta afirmação vir dos seus dedos...

Só vejo duas razões para se dar tanto tempo de antena às "danças" do PS com o PCP e com o BE:
- esconder das pessoas a falta de ideias de governo do actual Governo indigitado (a não ser que culpar uma divindade por actos de destruição da Natureza seja uma ideia a perseguir);
- continuar a estratégia do medo, para que as pessoas entreguem os seus votos a uma maioria de direita nas próximas eleições antecipadas, em vez desses "perigosos extremistas de esquerda" a que se junta o partido do (ex-)presidiário José Sócrates.

Qualquer uma das razões deveria fazer corar de vergonha os Jornalistas (assim mesmo, com maiúscula).
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De Pedro Correia a 04.11.2015 às 00:36

Não há contradição nenhuma. Defendi aqui, com toda a clareza, que o PR devia ter indigitado (como indigitou) Passos Coelho como PM. Como defendo que, na hipótese de chumbo do programa do Governo, o PR deve indigitar como PM o líder do segundo partido mais votado.
Não acho nada que a formação deste governo PSD/CDS tenha sido uma perda de tempo. A democracia exige rituais: nenhum deles constitui perda de tempo. Aliás lembro-lhe que a Constituição da República aponta um prazo máximo de dez dias para a apresentação do programa do Governo.

Quanto ao resto: recordo-lhe que foi Costa que, na noite eleitoral, declarou ao País que só não viabilizaria o executivo PSD/CDS se conseguisse ir além de uma "coligação negativa" no Parlamento.
É nesta fase que estamos. Aliás as esquerdas ainda nem chegaram a acordo sobre a existência ou não de uma moção de rejeição conjunta. E o líder parlamentar do PS já admite até que possa não haver acordo.
http://www.dn.pt/portugal/interior/ps-avisa-pcp-e-be-sem-acordo-firmado-nao-ha-mocao-de-rejeicao-4868146.html
Um mês depois das eleições apetece perguntar o que é que estes senhores têm afinal estado a fazer.

Você lamenta que este impasse, e estas supostas divergências, e estes avanços e recuos sejam notícia. Mas são, naturalmente, quer goste ou não. Seriam aliás em qualquer sociedade democrática que não esteja regida por "providências cautelares" do foro judicial que substituem a velha censura prévia salazarista.
Segredo, por enquanto, só encontro por bandas dos negociadores PS-PCP-BE-PEV. Tudo opaco, tudo às escondidas dos militantes dos próprios partidos e até dos seus órgãos dirigentes (no caso do PS pelo menos).

Não sei que conversa é essa da "estratégia do medo". A menos que esteja a incluir nesse lote os socialistas Assis, Proença e Vera Jardim:
http://www.publico.pt/politica/noticia/assis-nao-se-mostra-indisponivel-para-nada-1713152
http://observador.pt/2015/11/03/acordo-ps-be-estara-fechado-falta-pcp/
http://rr.sapo.pt/artigo/38446/vera_jardim_prefere_solucao_assis_a_acordo_sem_contas_que_batam_certas
Todos contra Costa. Todos dizendo o óbvio: o PS corre o sério risco de ficar refém dos alvos estratégicos da extrema-esquerda. Isto é a demonstração de que o debate político funciona. Você talvez preferisse o silêncio, talvez preferisse o tabu.
Se for esse o caso, percebo bem a sua frustração.
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De William Wallace a 04.11.2015 às 01:34

Caro Diogo louvo-lhe a paciência em tentar argumentar com o Pedro Correia mas ele é perito em chutar para canto, rodear as questões...

Temos um Governo empossado que terá de apresentar um programa na Assembleia que ninguém conhece, aliás antes das eleições ninguém o conhecia, portanto até podem apresentar o programa do PS que ninguém fará caso.

Por outro lado temos os paf todos aziados porque não podem fazer os habituais números de circo na comunicação social e nas redes "sociais" acerca de um programa que a ser apresentado o será em sede própria (no Parlamento) que Portugal ainda que governado de fora não é a partir das redes sociais.

Entretanto os Pafs foram (e são) tão diletantes que nem sequer apresentaram um esboço de OE para a comissão europeia se pronunciar mesmo tendo em conta que esse poderia ser sujeito a alterações a qualquer momento, o dolo calculista vai até esse ponto por parte dos Pafs .
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De Pedro Correia a 04.11.2015 às 08:25

Você é especialista em rematar para fora.
Desta vez faltou-lhe a habitual proclamação de querer acabar de vez com os partidos, rematada com uma citação de Salazar.
Esforce-se mais um pouco. Desta vez isso esteve fraquinho, talvez devido ao adiantado da hora.
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De Diogo Moreira a 04.11.2015 às 09:29

O meu lamento é sobre a unidimensionalidade na atribuição de culpas de Portugal estar "à espera". Mas está à espera de quê?

A Comunicação Social e os muitos comentadores políticos (que se desdobram em aparições em tudo quanto é lado) apregoam que esta demora na definição do nosso futuro colectivo é culpa... das negociações do PS com o PCP e com o BE.

Este post do Pedro vai nesse sentido. Dá a sensação de que, mais que um Governo e programa apresentados por quem foi legitimamente investido, o que interessa são as diatribes de quem não tem poder neste momento. Existe um potencial chumbo pré-anunciado a esse Governo e ao seu programa, mas até ao putativo derrube do Governo ainda muita água vai passar debaixo da ponte.

Que se dê notícias sobre as desavenças entre as vizinhas (Assis e companhia vs Costa) ou que está a ser difícil determinar os termos do acordo pré-nupcial (PS/CDU/BE) está tudo muito bem. São, de facto, notícias e o povo tem o direito de ser informado. Reduzir a actualidade política noticiosa em Portugal a estas questões é um abuso.
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De Pedro Correia a 04.11.2015 às 10:49

Em Portugal não falta quem se queixe de barriga cheia. Contra a comunicação social, os comentadores, as televisões, os novos jornais digitais, a blogosfera.
No preciso instante em que a liberdade de informação regride drasticamente em países como a Turquia e a Venezuela, entre vários outros.
Recomendo-lhe esta leitura:
http://www.theguardian.com/media/greenslade/2015/jul/22/the-little-presidents-who-deny-press-freedom-by-attacking-journalists
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De Diogo Moreira a 04.11.2015 às 10:57

Acaso estamos a discutir a liberdade de imprensa? Se não, qual a relevância para o Pedro a trazer para aqui?
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De Pedro Correia a 04.11.2015 às 11:03

Não foi você que levantou já duas vezes, nesta caixa de comentários, as questões dos critérios editoriais, dos "tempos de antena" e do direito à informação? Vem a propósito, claro.
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De Diogo Moreira a 04.11.2015 às 11:22

Eu questiono o tempo de antena dado a questões secundárias. Não afirmei que tal é ilegítimo, nem pretendo ditar o que a Comunicação Social há-de mostrar.

Quanto à minha opinião sobre os motivos que estão subjacentes a essa subalternização de interesses da causa de informar, já os expressei acima. Baptista-Bastos é muito mais drástico:
"A Direita desconcentrou-se e não consegue dissimular o pavor que a invade com a perspectiva de perder o poder. Um pouco por todo o lado da sociedade portuguesa, jornalistas a soldo, comentadores chilros, políticos enjaulados em preconceitos e ignorância demonstram uma inquietação que o desenvolver dos factos parece justificar."
Cf. http://www.cmjornal.xl.pt/opiniao/colunistas/baptista_bastos/detalhe/e_o_portas_coitado.html

As baterias estão todas apontadas à oposição, como se a esses fosse devido qualquer coisa de imediato, enquanto que os que têm responsabilidades assobiam para o lado. Afinal, quão difícil é enviar um esboço do orçamento pelo Governo legitimamente empossado?
Cf. http://www.dn.pt/portugal/interior/governo-nao-vai-enviar-esboco-do-orcamento-para-bruxelas-4868725.html
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De Pedro Correia a 05.11.2015 às 16:24

Aí tem o programa do Governo:
http://rr.sapo.pt/noticia/38643/governo_aprova_programa_com_margem_para_entendimento_com_ps

E como vai o tal acordo para o Governo alternativo?
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De Diogo Moreira a 05.11.2015 às 16:31

Segundo o artigo, o programa de Governo ainda não foi aprovado. Sê-lo-á hoje, para ser apresentado amanhã no Parlamento. Para já, só temos conjecturas do que pretendem o PSD e o CDS.
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De Pedro Correia a 05.11.2015 às 16:58

Fique descansado. No campo das conjecturas, a putativa "coligação de esquerda" é imbatível.
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De Diogo Moreira a 05.11.2015 às 17:28

Ou seja, voltamos ao início. O Governo ainda não apresentou nada - porque, como diz o Pedro e bem, está a fazer uso do tempo que lhe foi consagrado para apresentar o plano de Governo.

Mas, por algum motivo que ainda ninguém conseguiu explicar, o trio PS, PCP e BE estão em falta para apresentarem um projecto de acordo entre eles e, por isso, se sente um clima de ansiedade, cuja espera estará a dilacerar as multidões - e isto é que é realmente importante para se colocar em parangonas na Comunicação Social!

Sendo necessário cumprir com os ritos da democracia, onde está a razão de se estar exclusivamente à espera de quem não foi chamado a constituir Governo?
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De Pedro Correia a 05.11.2015 às 17:34

Excelente pergunta. Que deve endereçar, antes de mais nada, a destacados membros do Partido Socialista:
http://expresso.sapo.pt/politica/2015-11-05-Assis-aceita-convite-de-Costa-e-vai-a-Comissao-Politica-do-PS
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De Diogo Moreira a 05.11.2015 às 17:50

Apesar de podermos contar nesta comunidade com "destacados membros do Partido Socialista", quem está a colocar a urgência na necessidade de saber o acordo entre PS, PCP e BE é o Pedro. A pergunta é-lhe endereçada a si.
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De Pedro Correia a 05.11.2015 às 20:04

Não sou eu, Diogo. É o País inteiro. Se você não percebe isto não percebe nada.
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De Diogo Moreira a 05.11.2015 às 20:22

Fui eu quem elaborou a pergunta no meu comentário anterior e pedi ao Pedro que respondesse. Creio que percebo como é que funciona uma discussão.
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De Pedro Correia a 05.11.2015 às 21:09

A sua pergunta é retórica. E eu já lhe respondi. O País inteiro está preocupado com o cenário de não termos um Orçamento do Estado antes de Março de 2016. Só um irresponsável não estará preocupado. Julgo não ser o seu caso.
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De Diogo Moreira a 05.11.2015 às 21:31

O problema é que não é possível pedir responsabilidades a quem não as tem neste momento. PS, CDU e BE não foram indigitados para darem o próximo passo após as eleições.

Podemos andar a discutir conjecturas acerca do potencial acordo até à saciedade; não podemos é responsabilizar o lento desenrolar do acto seguinte das eleições a quem não tem que mostrar nenhum serviço neste momento.

Como também apareceu nas notícias, Carlos César disse que o PS poderia deixar o Governo PSD/CDS passar no Parlamento em caso de falta de acordo à Esquerda. Como tal, toda esta preocupação poderá ser por causa de nada (embora eu ache que foi só 'bluff').

A querer falar de urgência, temos que perguntar aos actuais responsáveis o que têm andado a fazer. E isso não se vê - aliás, a omissão por parte do Pedro é gritante. No meio de tantos posts em que revela a sua opinião, só consegue apontar culpas à Esquerda (que até jura que não existe!).

Posto isto, vejo com apreensão o futuro de Portugal. Qualquer que seja a configuração do Governo que saia desta Assembleia da República, não terão dias fáceis pela frente. Por favor, não me acuse de coisas que eu não defendo.

O que eu estou a advogar é que se cumpram os cânones. E que se apontem os dedos a quem merece ser destacado, quer pela positiva, quer pela negativa.

E se quer mesmo um culpado do 'caldinho' em que estamos metidos, comecemos por todos os partidos políticos (por acções e por omissões) e, de seguida, a todos os portugueses que foram votar e cuja escolha resultou na configuração actual da nossa Assembleia da República.
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De Pedro Correia a 05.11.2015 às 22:44

Mas como queria você que PS+BE+PCP+PEV tivessem sido indigitados até agora para formar governo se não foram sequer capazes de se entender para a apresentação de uma moção de rejeição conjunta ao governo PSD+CDS?
Só se o PR estivesse doido é que teria confiado o executivo ao derrotado das legislativas que ainda por cima foi incapaz até ao momento de apresentar um quadro governativo alternativo, com credibilidade mínima, ao do governo sem maioria absoluta do PSD+CDS.
Claro que, como você diz (e ninguém se congratula com isso), "qualquer que seja a configuração do Governo que saia desta Assembleia da República, não terão dias fáceis pela frente". Não haja ilusões a esse respeito. Na fase em que estamos, as soluções óptimas estão fora de cenário e até as boas não parecem ter viabilidade. Resta saber qual será a solução menos frágil. Julgo que é essencialmente neste campo que divergimos. Mas não tenha dúvidas - como eu não tenho a seu respeito - de que nada me move para além da forte vontade de ver Portugal no caminho do desenvolvimento, do progresso económico e da evolução social. O problema é que nada disto se consegue sem estabilidade política.
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De Diogo Moreira a 05.11.2015 às 23:32

"Na fase em que estamos, as soluções óptimas estão fora de cenário e até as boas não parecem ter viabilidade."
Na fase em que estamos, só temos más soluções.

O maior erro do Sócrates foi ter ido na cantiga da sereia Merkel em 2008, quando foi dito para aumentar os gastos públicos à vontade (para se salvar a indústria automóvel alemã, que, ironia do destino, anda também a fazer manchetes nos dias que correm). Passados seis meses, os procedimentos de défices excessivos estavam outra vez na moda e Portugal começou a andar de PEC em PEC, até ao derrube do Governo. Passos Coelho, em vez de fazer melhor, amplificou apenas o que o Sócrates estava a fazer (incluindo malabarismos nos números do desemprego e ricas negociações nas PPP a favor dos privados) e ainda quis ir mais longe.

Hoje, temos a hipótese de continuar com o Governo do Passos Coelho ou com uma potencial manta de retalhos. A minha opinião é que, com Passos Coelho teremos políticas de continuidade no mau caminho. A alternativa pode ser melhor, como também pode ser pior - mas, ao menos, deixa espaço para a esperança.

O que escrevi acima, apesar de ser interessante, não é o que estamos a discutir neste espaço. Fala-se muito de "urgência" na persecução de uma estabilidade política - e o Pedro tem sido pródigo nisso - mas, ao mesmo tempo, invoca-se uma paciência de Job para uns (que até são os próximos a ter que mexer uma peça no xadrez político, apresentando o plano de Governo) enquanto que se manifesta uma profunda indignidade para com outros (que estão a delinear estratégias enquanto esperam a sua vez de jogar).

E não adianta estarmos em cenários hipotéticos "se o Cavaco Silva tivesse empossado esta coligação de esquerda" porque não foi isso que aconteceu. Do pouco que se sabe, havia um acordo de princípio que apresentaram ao Presidente da República. Não foi aceite. Agora o António Costa convocou os responsáveis do seu partido para uma reunião, coisa que ele tinha prometido que faria quando houvesse acordo definitivo.

O que é certo é que a coligação PaF vai jogar uma cartada importante com o seu plano de Governo - e de certeza que os outros partidos vão tentar encontrar todas as brechas possíveis e imaginárias para justificarem o chumbo e, caso sejam necessárias eleições antecipadas, terem mais um trunfo para encurtarem a Direita. Já eu estou curioso quão flexível vai ser esse plano - que também está no segredo dos deuses.
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De Pedro Correia a 05.11.2015 às 23:42

Aconteça o que acontecer, todos aqueles que andavam há anos a suspirar pelo "regresso da política" podem dar-se por satisfeitos. Porque voltámos ao tempo em que a política se tornou omnipresente e os debates políticos se sucedem sem cessar.

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