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O país, esse vira-casacas

por Teresa Ribeiro, em 03.02.16

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O que eu mais ouvi nestes últimos quatro anos aos passistas foi que a social-democracia estava morta e enterrada. Muito confortáveis nos seus fatinhos de corte liberal, os laranjinhas do regime sentenciavam em tom de fim de conversa que aquele era um modelo de sociedade obsoleto que só a velharia ainda recordava. E faziam-no com uma veemência tal que a simples enunciação do vocábulo era recebida, por vezes, como um anacronismo indesculpável. Pois qual não foi o meu espanto quando começo a ler nos jornais com alguma insistência que Passos vai tirar da cartola essa relíquia para gáudio dos seus apoiantes e, pasme-se, a fim de "regenerar o partido". 

A acreditar no que li, o slogan para reeleição é "Social-democracia sempre!" Já a defender-se de eventuais bicadas, o líder do PSD disse que não foi ele que mudou, mas o país. E é pelo país que o partido se vai recentrar e reabilitar a sua raiz centro-esquerda.

Perfeitamente alinhado, o CDS espera de Cristas uma aproximação ao centro, "sem purismos ideológicos". Está na hora de meterem o liberalismo na gaveta com as respectivas folhas de excel e pensarem nas... pessoas, no país, no povo, sei lá.

Sociais-democratas e democratas-cristãos forever, eles preparam-se para arrancar com uma agenda de meter inveja às criaturas que lhes fundaram os partidos em nome dos tais valores humanistas bafientos que de resto já começaram a arejar, quais cataventos mediáticos.

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28 comentários

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De Teresa Ribeiro a 03.02.2016 às 16:48

Helena, chateiam-me muito estes jogos de cintura. A política é assim, bem sei, mas é por isso que a política me desgasta. Não sou economista, como sabes, mas já percebi que é exactamente com a classe média que estes também se vão governar, mudando o nome aos impostos e tratando como ricos os desgraçados que não podem fugir ao fisco. Por esse motivo não estou optimista com o que por aí vem, mas também não tenho saudades do governo que passou. Sou uma triste, é o que é!
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De campus a 03.02.2016 às 17:03

" Sou uma triste, é o que é! " Teresa Ribeiro
Nem eu diria melhor...
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De Teresa Ribeiro a 03.02.2016 às 17:10

Ainda bem. A sintonia é uma coisa memo linda
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De Jorg a 03.02.2016 às 18:32

Eu não tenho saudades é da Socretinada e dos logros de expectativa que semeou! E só me sobressalto porque tanta dessa tralha e semântica 'tá de volta e "roaring"!
Olhe até o "Espesso" já noticia hoje que "Moscovici já deu luz verde ao Orçamento!" - faz lembrar o outro títalo d'antanho "O FMI já nâo vem".

Olhando para o PSD, de quem sou simpatizante, mas nunca fui militante nem tão pouco próximo, constato tão só uma recorrente pratica pragmatica que aspira para a Nação (Estado, empresas, individuos) um máximo de afinidades com o que de melhor a Civilização Ocidental pode ter - assim foi com Cavaco, com Marcelo, com Durão, com Ferreira Leite, e com Passos [O Dr. Lopes é excluído de propósito] . Nunca foram tribunos de Aulas-Magnas, "graças a Deus" como dizem os brasucas. O que lhes dá margem para serem julgados mais pelo 'formigar' que o 'cigarrar' . E descontada as 'cigarradas', o ultimo governo PSD/CDS, o que alombou com a bancarrota e a ressaca de um pavonear de um "Estado Social" pífio que reduziu o País a ratings de lixo, acho que tivemos uma maioria que cumpriu o que tinha a cumprir perante os cacos de uma gestão falida, mas que os inteligentes das esquerdas e franco-atiradores avulsos - demasiados do Estado e Para-Estado, corporações várias e rentistas dos tempos em que 'o dinheiro sempre aparecia' e da 'vida para além do défice' - cobriram de um manto de intenções programático-ideológicas.
Não há ali ideologia nenhuma, como se viu na transformação do partido do contribuinte em partido do IRS ou onde a rapacidade de um aparelho fiscal era constantemente hossanada como proeza. Vivo - sim emigrei, mas ainda no século passado - num País onde o calibrar de decência fiscal aplica a mesma Bitola a quem cobra e a quem é cobrado, sem essa permanente coacção de tributaçôes que teriam vir porque há muitos que fogem.

Ou seja, a funcionalidade destas analises em que se faz gala do caçoar de PPC ou de Portas ou de Cristas quando verbalizam conceitos d'academia, ainda para mais com as analogias das gavetas e engavetadelas, é apenas andar a colectar caução para os Excels de treta daquele ministro "Smiley" e para a Gerigonça engendrada pelo contumaz golpista Xuxa Costa para salvar o coiro.
São actos de fé, que eu, sinceramente, reservo para coisas mais sérias e pessoais, com a excepção, fraqueza por que peço contricção, quando penso na meu clube de futebol.
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De Teresa Ribeiro a 04.02.2016 às 16:10

Mas por que é que quando criticamos uns, logo se há-de subentender que é porque colocamos outros acima da crítica? Já o disse nesta caixa de comentários e repito, "não sou sectária". Não vejo a realidade a preto e branco. Um exemplo: Sócrates. Nunca simpatizei com a persona, mas tal não impediu que apreciasse algumas medidas, correctas, por que foi responsável no seu primeiro mandato (simplex, incentivos à inovação e exportação - começou com ele, apesar do anterior governo ter feito disso bandeira - aposta no ensino tecnico-profissional e investimento na economia verde). Antecedentes que não me inibiram de o responsabilizar pela política orçamental irresponsável que nos precipitou na bancarrota.

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