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O País do trabalho sem direitos

por Pedro Correia, em 17.07.19

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Férias no Algarve. São 18.30 quando chego a um dos meus restaurantes favoritos, sem marcação prévia. Em busca do peixe bem grelhado de que tanto gosto. 

Atende-me um empregado que bem conheço. Hoje [ontem] parece-me pouco satisfeito.

- Que se passa? - pergunto.

- Falta de folgas. Cansaço. Dias após dias sem folgar.

- Mas ontem [segunda-feira] estiveram fechados, aliás como é costume...

- Sim, mas foi o último dia. O patrão acaba de avisar-nos que durante os próximos dois meses não teremos folgas. Até 15 de Setembro estaremos sempre a funcionar.

- E vão ter alguma compensação financeira por isso?

- Nem mais um cêntimo. É pegar ou largar, disse ele.

- E ele nega-vos mesmo a folga semanal?

- Sim. Ainda tentámos que no desse meia folga, ao menos isso. Mas recusou.

 

Eis um quadro que se vai multiplicando por esse Algarve fora. Acumulam-se os clientes, acumula-se a receita, acumulam-se os lucros - e diminuem os direitos dos trabalhadores, a começar pelo mais básico: o direito ao descanso.

Até Deus, que é omnipotente, descansou ao sétimo dia. Estas entidades patronais, julgando-se num mundo em que são elas a ditar as leis, arrogam-se no direito de explorar até ao tutano quem lhes presta serviço. É o caso deste restaurante, que tem um número fixo de empregados: em vez de reforçar os quadros nos meses de maior afluência de público, adequando a oferta à procura com o recrutamento de trabalhadores temporários, estica ao máximo os recursos de que dispõe, insuficientes nesta quadra, negando-lhes contrapartidas remuneratórias ou as mais que justas folgas de compensação.

Às sete da tarde, as duas salas estão cheias e começa a formar-se fila à porta para jantar. Os empregados correm de mesa em mesa: já ao almoço ocorreu algo semelhante e terão pelo menos mais três horas seguidas neste ritmo frenético.

 

Não é difícil fazer uma estimativa perante tal afluência, multiplicando comensais diários por custo médio de refeição: a meio da semana, neste estabelecimento, já a despesa estará coberta. A partir daí, tudo é lucro. O problema é que estes patrões - que adoram intitular-se "empresários" - mostram pressa em matar a galinha dos ovos de ouro. São cada vez mais frequentes os casos de cozinheiros e empregados de mesa que, cansados de tanta exigência a tão baixo preço, procuram vias profissionais alternativas. 

Tenho um amigo, proprietário de três restaurantes em Lisboa sempre cheios, que se queixa disto mesmo:

- Eles deixam de aparecer, muitas vezes nem avisam. Temos de improvisar tudo, transferindo pessoal de um estabelecimento para outro às vezes em cima da hora de abertura.

- Porque é que vocês não lhes pagam mais? - indago.

- Eh pá, sabes, a vida está difícil para todos...

 

Segue-se o habitual rosário de queixumes da parte de quem prospera a olhos vistos mas só pretende dividir escassas migalhas desses dividendos. Em Lisboa como no Algarve.

Mesmo em férias, vou pensando: eis o País que não mora nas estatísticas nem na propaganda do "Portugal positivo". O País do lucro máximo de alguns à custa dos direitos mínimos de muitos. O País onde é possível trabalhar dois meses sem sequer meio dia de folga diária, quase em regime de servidão feudal. O País do trabalho sem direitos a que partidos que tanto invocam a "classe trabalhadora", como o BE e o PCP, fecham os olhos neste quarto ano contínuo de "geringonça".

Foi para subsidiar patrões como estes que o Governo Costa/Centeno decretou logo no início uma das medidas mais demagógicas de que há memória em anos recentes: a redução da taxa do IVA na restauração. Os restaurantes não baixaram preços nem recrutaram gente: limitaram-se a ampliar as margens de lucro. Enquanto o Estado via diminuir quase 400 milhões de euros a receita fiscal neste sector, que logo tratou de compensar por outras vias, esmifrando os do costume - nós, os contribuintes - com a maior carga tributária de sempre: 35,4% do produto interno bruto.

 

Pela primeira vez, confesso, não apreciei o peixe grelhado que comi aqui.

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156 comentários

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De Luís Lavoura a 17.07.2019 às 11:07

Os restaurantes não baixaram preços nem recrutaram gente

A descido do IVA foi há quatro anos. É possível (e, diria eu, muito provável) que ao longo desses quatro anos os restaurantes tenham recrutado gente. Podem não o estar a fazer agora, mas tê-lo-ão feito ao longo dos quatro anos.

De resto, o Algarve no verão é um caso especial.
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De Anónimo a 17.07.2019 às 18:39

Façam como eu.Direitinho a Espanha que nem um tiro.Vou para Benidorm com meia pensão durante uma semana,e ainda me sobra muito dinheiro.Quem diz Benidorm,poderá ser noutro sítio de Espanha.Em Portugal,fazer férias ao preço de Espanha,só se for no Barreiro e mesmo assim não sei...
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De Pedro Correia a 17.07.2019 às 21:53

Entre o Barreiro e Benidorm, a diferença não é muita.
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De Luís Lavoura a 17.07.2019 às 11:11

em vez de reforçar os quadros nos meses de maior afluência de público, adequando a oferta à procura com o recrutamento de trabalhadores temporários

Isso não é fácil, pois o desemprego está em mínimos e é muito difícil contratar pessoal com um mínimo de especialização.

Ainda neste fim de semana vi um restaurante popular em Lisboa, cujos clientes são todos portugueses, a funcionar com dois empregados nepaleses que, manifestamente, percebiam muito mal o português. Esse restaurante tinha há pouco tempo uma empregada brasileira que, claramente, já deve ter ido para melhor sítio.

Um empregado de restaurante tem que ter um mínimo de experiência e conhecimento para ser competente. No Algarve no verão deve atualmente ser bem difícil encontrar trabalhadores suplementares assim.
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De Vorph Valknut a 17.07.2019 às 12:44

Pronto, sempre a desconversar....já chateia. Dificil é contratar gente com especialização, do tipo Engenheiros, etc

https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/muitos-empresarios-queixam-se-de-falta-de-mao-de-obra-qualificada-diz-mira-amaral-421647
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De Jose Azevedo a 17.07.2019 às 15:47

És ligado à restauração, na certa. Paga e o pessoal aparece.
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De Pedro Correia a 17.07.2019 às 21:53

É tudólogo. Especialista em escrever sobre aquilo de que nada sabe.
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De Robinson Kanes a 17.07.2019 às 11:12

Pedro: uma grande parte do turismo em Portugal é baseado neste tipo de situações! A Hotelaria é das áreas mais stressantes, com mais horas trabalhadas e mais mal paga! É uma área fascinante que tem vindo a perder "glamour" e "qualidade" desde que se tornou um produto de massas...

As apregoadas melhorias das condições de trabalho para estes profissionais não melhoraram com o "boom turístico", algumas até pioraram... Não fossem cadeias multinacionais, que têm regras bem vincadas e ainda estava pior.


A isto some os estagiários, quem em hotelaria são "vendidos" pelas escolas como se fossem escravos... No país das borlas, onde todos querem dinheiro mas ninguém quer pagar, imagine quão bom isso é!

Os números vão cair... E quando tal começar, vamos ver o que isto dá, até porque em períodos de crise é a primeira indústria económica a cair!

Depois, como em qualquer outra área, o Turismo é feito pelos mesmos e para os mesmos... A oferta de trabalho tem aumentado mas não vê vagas para directores ou quadros intermédios... Essas vagas decidem-se às mesas de muitas jantaradas onde o fulano "X" sugere fulano "Y" ao Director-Geral que muitas vezes comete um erro de casting que acaba mal...


Mas quem é que quer saber disso? E quem é que quer saber dos festivais de Verão que não pagam policiamento e muitos dos colaboradores que lá estão?
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De Pedro Correia a 17.07.2019 às 21:58

Calculo, meu caro: nos festivais de Verão (fenómeno que não acompanho, confesso) a desbunda deve ser ainda maior. Com o Governo - isto é, as autoridades oficiais que dele dependem - a fechar olhos, ouvidos e boca em relação a direitos incumpridos, a legalidade espezinhada, a contratos só para-inglês-ver.
Depois vêm com a cantilena de que este é um "país de sucesso". Esgrimem estatísticas e pavoneiam-se pela "Europa" a proclamar aquilo que por cá não existe excepto na propaganda governamental.
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De Robinson Kanes a 18.07.2019 às 09:03

Basta pensar em quem são os promotores/produtores (não confundir com os patrocinadores) e pode começar a tirar conclusões.
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De Textículos a 17.07.2019 às 11:20

E o Estado vai ajudar restaurantes a comprar cinzeiros

"No primeiro ano após a entrada em vigor da nova lei, não será aplicada qualquer penalização."
"Neste período de transição, as entidades poderão concorrer a financiamento para os cinzeiros, no âmbito do Fundo Ambiental"

https://www.jornaldenegocios.pt/economia/ambiente/detalhe/restaurantes-vao-ter-financiamento-para-instalar-cinzeiros
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De Pedro Correia a 17.07.2019 às 21:58

Chiça. Já nada me admira.
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De Vorph Valknut a 17.07.2019 às 11:29

Excelente Pedro.

Fica aqui para (re)lembrar:

Ferraz da Costa: "As pessoas não querem trabalhar"

https://www.dn.pt/portugal/interior/2as-empresas-9122862.html


Quem só pode pagar 5€/hora deveria trabalhar mais, ou fechar o negócio. Conhecendo a realidade, cálculo o que sucederia com a abolição do salário mínimo nacional.

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De Pedro Correia a 17.07.2019 às 11:38

Meu caro, na prática, em muitas actividades profissionais, o salário mínimo já está sem efeito pois o prolongamento do chamado "horário de trabalho" prolonga-se de tal maneira - até às 60 ou 70 horas semanais, em muitos casos - que o valor do salário por cada hora efectiva de trabalho fica abaixo de qualquer tabela oficial em vigor.
Que este quadro laboral concreto ocorra num momento em que há um "governo de esquerda", apoiado por BE e PCP, devia ser irónico se desse vontade de rir. Mas não dá.
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De Luís Lavoura a 17.07.2019 às 12:31

Que este quadro laboral concreto ocorra num momento em que há um "governo de esquerda", apoiado por BE e PCP

O governo não tem grande coisa a ver com o funcionamento da Inspeção do Trabalho. Se a Inspeção do Trabalho não descobre e/ou não pune atropelos à lei laboral, isso não é, em princípio, culpa do governo.

De resto, na Inspeção do Trabalho ocorre o mesmo problema que nas empresas por ela inspecionadas: falta de trabalhadores especializados que possam ser contratados. Em praticamente todos os setores de atividade económica, há cada vez maior dificuldade em encontrar pessoas capazes de preencher as vagas existentes (ou a criar).
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De Costa a 17.07.2019 às 13:31


"O governo não tem grande coisa a ver com o funcionamento da Inspe[c]ção do Trabalho. Se a Inspe[c]ção do Trabalho não descobre e/ou não pune atropelos à lei laboral, isso não é, em princípio, culpa do governo."

Ai não? Desde logo não falemos de culpa, falemos (escrevamos) de responsabilidade. A menos que o Lavoura ache que o governo falha e falha dolosamente; isto é, sabendo que a sua conduta não serve os fins anunciados, e até os poderá ofender, e desejando mesmo esse efeito perverso ou pelo menos antevendo-o e aceitando-o, caso se produza de facto. Ora do que de si se pode por aqui ir lendo, o Lavoura não concebe que o actual governo falhe, muito menos que falhe com dolo e hipocrisia. É um seu dogma.

De quem depende a Inspecção do Trabalho, directa ou indirectamente? E se não tem meios, humanos ou outros, suficientes, de quem depende a sua contratação?

Devemos, bem sei, moderar a invocação das nossas experiências directas, porque são facilmente susceptíveis de ferir a desejável objectividade. Mas a mim acontece-me ser pago para integrar e chefiar uma equipa. Onde trabalha gente com qualificações bem diversas da minha e que nem sequer saberia eu, se necessário, substituir no exercício das suas funções. Mas uma coisa sei: tendo eu aceite essa minha posição, se essa equipa falhar, o derradeiro responsável - culposo ou não - sou eu. E é bom que possa demonstrar que fiz eu tudo o que podia, nas circunstâncias, para detectar e corrigir, se a não conseguir evitar, essa falha. Mais não seja porque a culpa não pode morrer solteira.

"No privado", pelo menos...

Costa

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De Anónimo a 17.07.2019 às 18:54

Não é culpa do governo???,e então de quem é???,querem ver que a culpa é do vizinho???...
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De Pedro Correia a 17.07.2019 às 21:59

Assim que ouve alguma crítica ao Governo, o comentador Lavoura aparece logo de esfregona e tira-nódoas em riste.
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De Justiniano a 18.07.2019 às 15:09

Este Lavoura é, sem sobra de dúvida, o maior tudólogo em portugal e arredores. F...se!!
"O governo não tem grande coisa a ver com o funcionamento da Inspeção do Trabalho."
O Lavoura sabe o que é a Administração Pública!??
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De Pedro Correia a 18.07.2019 às 16:25

Um consumado tudólogo.
Pronuncia-se sobre o que sabe e acima de tudo sobre aquilo de que não faz a mais remota ideia.
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De Vorph Valknut a 17.07.2019 às 12:45

Tem toda a razão.
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De Anónimo a 17.07.2019 às 18:51

Vão há procura dos enfermeiros,e dos médicos!!!...Mas não se esqueçam de os informar,que é para fazer 60 ou 70 horas semanais...
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De Manuel Castro a 17.07.2019 às 21:40

"Vão há" Analfabetos ainda temos muitos.
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De Pedro Correia a 17.07.2019 às 21:51

Alguns (muitos) são patrões. Armados em "empresários".
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De Luís Lavoura a 17.07.2019 às 11:38

São 18.30 quando chego a um dos meus restaurantes favoritos

Repare-se que o restaurante já está aberto para o jantar às 18:30.

Ao chegar para jantar tão cedo, o Pedro está a contribuir para uma forma suplementar de exploração laboral, que consiste em ter os empregados a trabalhar sem parar durante umas quatro horas em contínuo.
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De Robinson Kanes a 17.07.2019 às 11:53

Não é assim tão absurdo se existirem turnos... Existem restaurantes onde isso acontece... O que aqui não deve ser o caso.
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De Maria Dulce Fernandes a 17.07.2019 às 12:02

O excelso comentrista nunca ouviu falar de estabelecimentos abertos 18 horas, que servem desde brunches a late suppers? Nestes casos acha que têm empregados a trabalhar 18 horas por dia? Já ouviu falar em horários repatidos e turnos? Já parou para pensar que a ASAE anda em cima destas situações?
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De Luís Lavoura a 17.07.2019 às 13:09

O restaurante a que o Pedro se refere não será provavelmente um estabelecimento aberto 18 horas por dia. Provavelmente terá um horário bem menor (talvez de 10 ou 11 horas por dia). Duvido muito que um estabelecimento desses tenha horário por turnos, pois que não está aberto tempo suficiente para justificar dois turnos.

Tenho primos meus que trabalham por turnos, em fábricas que estão em laboração 16 horas por dia - dois turnos de 8 horas cada. Coisa totalmente diferente de um restaurante que abre durante 4 horas para o almoço e 6 horas para o jantar; nesse restaurante com toda a probabilidade não haverá trabalho por turnos, mas sim trabalhadores que fazem 10 horas por dia.
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De Luís Lavoura a 17.07.2019 às 13:11

A própria Maria Dulce escreve num comentário mais abaixo que há horários de 10 a 12 horas por dia no setor da restauração, em casos concretos...
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De Maria Dulce Fernandes a 17.07.2019 às 13:42

Absultamente. Nos casos concretos que exemplifico, a horas são pagas de acordo com o ACT.
A questão é que no fim de um mês extenuante, o escalão do IRS sobe e trabalhamos de borla.
Isso não é culpa da entidade patronal. As horas extra deveriam ser taxadas de modo a benificiar que se esfola a trabalhar.
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De Luís Lavoura a 17.07.2019 às 15:14

o escalão do IRS sobe e trabalhamos de borla

Nunca trabalhamos de borla! O escalão mais alto só se aplica para os rendimentos acima de um determinado valor. E mesmo nos escalões mais altos, o imposto nunca é maior que 45% (creio).
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De Maria Dulce Fernandes a 17.07.2019 às 17:16

Deus do céu!! 45% ...como se fosse coisa de pouca monta ...isso é o mesmo que se matar a trabalhar a feijões...
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De Manuel Castro a 17.07.2019 às 21:43

" 45% ...como se fosse coisa de pouca monta " Note que é só na fatia acima de .... (não me lembro mas é alta). Sem impostos não pode haver muitas coisas que queremos.
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De Luís Lavoura a 17.07.2019 às 15:17

As horas extra deveriam ser taxadas de modo a benificiar que se esfola a trabalhar.

Por lei, as horas extra são pagas por um valor mais elevado. Ou seja, não é o imposto que é mais baixo, é aquilo que o patrão paga que é mais.

Portanto, por lei, quem se esfola a trabalhar é beneficiado por isso. Aliás, é por esse motivo que muitos trabalhadores trabalham de bom grado horas extra, ou aos fins de semana: porque são pagos a dobrar.

O problema está mesmo em a lei não ser cumprida em alguns restaurantes.
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De Maria Dulce Fernandes a 17.07.2019 às 17:17

Então havia de ver o que o estalo leva a quem trabalha de bom grado horas extra!
Seguramente não as faz, verdade ?
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De Vorph Valknut a 17.07.2019 às 13:40

Ó Maria Dulce, deixe-se disso! Um pouco mais de empatia para com os que, como a Maria Dulce, têm origens modestas (é frequente, e até engraçado, encontrar gente que tendo tido a sorte de dar o salto classista, gera sintomas de disfarce, e até de aversão, perante as classes populares de onde provêm- o designado sindrome de neofito).

"Encontrar formas de escapar ou, pelo menos, ser bem-sucedido nas inspeções, é algo a que muitos empregadores portugueses se dedicam, sendo comum a estratégia de esconder funcionários quando os inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) ou da Autoridade para as Condições no Trabalho (ACT) estão nas instalações.

No que diz respeito às possíveis consequências das inspeções, os participantes num dos grupos de entrevistas em Portugal concordaram que, apesar de os empregadores poderem ser multados quando uma situação de exploração laboral é detetada, a maior parte das vezes não há medidas consequentes contra os patrões, enquanto os empregados podem ser prejudicados".

https://www.google.com/amp/s/www.dn.pt/pais/interior/amp/agencia-europeia-denuncia-varios-casos-de-exploracao-laboral-em-portugal-9803074.html

Mas qual cumprir a lei, qual carapuça!! Levanta a grimpa e é posta a andar (sobretudo em trabalhos que requerem pouca especialização -a maioria precário- e onde a oferta é, por isso, enorme, em Portugal).




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De Maria Dulce Fernandes a 17.07.2019 às 14:06

Eu trabalho desde os 18 anos. E cumpro escrupulosamente.
Gerir cerca 120 pessoas/dia com 30% de incumprimento diário , não é fácil.
Não é falta de empatia, é falta de paciência para quem impunemente faz o que faz, publica fotos das redes sociais e justifica as faltas legalmente(!!!).
Gostave de o ver aqui, no palco, como dizia o outro, Pedro. É facil dar opiniões quando se está a do " outro lado" , o lado em que os patrões são o demo.
Eu tenho excelentes patrões. É certo que há quem não tenha , há quem explore os empregados, como é certo que há quem se aproveite de tudo mais um par de botas para explorar os colegas, porque no fundo, há que colmatar as faltas e em cima do joelho não se arranja substituição do pé para a mão. É que não sei se já ouviu falar nos direitos dos trabalhadores.
Claro que os deveres são uma coisa completamente obscena
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De Vorph Valknut a 17.07.2019 às 14:18

Minha cara, o pessoal dos Recursos Humanos, da sua empresa, trabalha muito mal.
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De Maria Dulce Fernandes a 17.07.2019 às 17:21

Lá começam o fracos e oprimidos a imputar culpas...
Ó Senhor Vorph, deixe-se disso ! Você sabe bem que os millenials não qualificados se acham capacitados demais para ter um trabalho ! Apenas procuram emprego!
Eu sei do que falo e o Pedro ? Lida com isso todos os dias ?
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De Vorph Valknut a 17.07.2019 às 22:05

Os millenials, felizmente, estão muito mais exigentes e mais ousados que os seus pais. Já não se submetem a tudo, em nome do trabalhinho, lindo

https://ionline.sapo.pt/artigo/573082/millennials-as-empresas-querem-nos-mas-eles-sao-exigentes-?seccao=Portugal
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De Pedro Correia a 17.07.2019 às 22:24

Sim, já não se sujeitam a tudo. E fazem muito bem.
Para serem explorados vão para Londres ou Estocolmo ou Zurique ou Berlim.
Ser explorado por compatriotas menos viajados, com menos leituras e menos habilitações literárias, como é de regra por cá, é uma dupla humilhação.
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De Vorph Valknut a 17.07.2019 às 22:39

Pedro, alguns vão para aí, trabalharem em restauração/turismo, até conseguirem arranjar, com uma melhor probabilidade, do que por cá, algo melhor, "dentro da área", como se diz ( o trabalhador português é muito "apreciado" na Alemanha, Grã Bretanha, Luxemburgo....).
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De Maria Dulce Fernandes a 18.07.2019 às 10:40

Não se submetem a tudo, não, não se submetem a coisa alguma! Trabalham três meses e vai engrossar as fileiras do desemprego, que nós, os que trabalham e pagam impostos, sustentamos do nosso bolso. Os trabalhadores são cada vez mais velhos, porque para os novos não há compromisso. Como já disse, refiro-me a casos específicos e, como este há milhares.
Casos há em que a entidade patronal do trabalhador X é denegrida e enxovalhada na praça pública, porque o X avançou com uma história de exploração completamente falsa tendo em vista a gorgeta ou ajudas em valores. Casos recentes. Primeiro faz-se a parangona e depois investiga-se. E no fim há que repor a verdade, que por muito explicada que seja, nunca deixa a empresa bem vista...

Há imensa exploração neste país, especialmente no sul em época alta, isso é certo e sabido e não é de hoje. Em Alvor, há mais de 20 anos que me falam isto e há mais de 20 anos que continuam a deixar-se explorar.
Há dois anos enviei uma carta para uma grande cadeia de hoteis depois de aumentarem vergonhosamente o preço da diária, porque os empregados me disseram que ganhavam o mesmo há 10 anos !!
Responderam-me que os funcionários tinham sido aumentados tinham sido feitas novas contratações o que verifiquei ser verdadeiro no ano passado.

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De Vorph Valknut a 18.07.2019 às 14:19

"Trabalham três meses e vai engrossar as fileiras do desemprego, que nós, os que trabalham e pagam impostos, sustentamos do nosso bolso"

Tudo uma cambada de analfabetos, pá. O pessoal não quer trabalhar, pá. Era pô-los em camionetas, pá. Já ninguém respeita ninguém, pá. É só desestabilização, filha da mãe, pá....

Epá, mas ouve lá, pá?

https://www.noticiasaominuto.com/economia/1283066/cerca-de-9-mil-milhoes-sairam-de-portugal-para-paraisos-fiscais-em-2018


Epá, já estás tu a desconversar....é como te digo. A culpa é desta malta, que não quer fazer nenhum, pá. E depois anda aqui a malta a pagar impostos, pá....esta coisa do 25 de Abril, andava tudo tão porreirinho, pá....
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De Maria Dulce Fernandes a 18.07.2019 às 17:33

Pedro, nada do que aqui referi é mentira. Nada. Nada tenho contra quem como eu, trabalha de sol a sol, desde que cumpra, quanto mais não seja o horário de trabalho na integra.
A realidade nem sempre é onde se comem os melhores bifes, infelizmente.
Uma moeda tem duas faces e você só quer ver a que lhe dá jeito.
Nem todo o patronato é explorador; há gente honesta e muito boa para os empregados, que paga a dia 27, paga tudo e mais um par de botas e dá prémios 3 x ano. E ainda há quem fale de barriga cheia...
De qualquer modo nunca o tentei ridicularizar nas suas opiniões, apesar de não lhes reconhecer qualquer bom senso. São "coisas" que foi lendo por aí e nunca viveu directamente. Coisas do diz que disse, que nunca viveu na pele. Como o 25 de Abril , por exemplo. Só sabe o que ouviu dizer e o que leu. Viver para contar não é para todos.
O preconceituoso e intolerante ao outro ponto de vista, é você, que não tendo argumentos que não links e estudos de cicrano e beltrano que valem o que valem em realidades diferentes, achincalha as pessoas.
Não deixe que o seu extremismo lhe tolde a visão, pois acaba por tornar-se mais ridículo do que os que quer ridicularizar.
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De Vorph Valknut a 18.07.2019 às 19:44

Dulce só queria referir que os que vivem do RSI, ou outros subsidios sociais não são o problema (veja quantos RSI cabem em 10.000 milhões de €, ou quanto custa ao erário público as PPP ruinosas). Essa coisa do "o pessoal não quer trabalhar", "vivem de subsidios"é jogada de Mestre, para que os peões se entretenham em tiradas inócuas de tabuleiro. Se queremos menos impostos preocupemo-nos sobretudo com a desregulação financeira, bem como a responsabilização, criminal, de politicos e banqueiros. Os links são bibliografia, provas de que não falo por alto. Quanto a outros temas, as opiniões dependem da experiência de cada um. Quanto ao 25 de Abril , sei o suficiente, por leituras e histórias ( o meu avô era Legionário)....não leve a mal. O texto era reinação...
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De Maria Dulce Fernandes a 18.07.2019 às 22:15

Não estou a falar do RSI. Refiro-me ao subsídio de desemprego.
Seguramente não lhe passa pela cabeça a quantidade de pessoas que trabalham apenas o tempo necessário para poder pedir o desemprego.
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De Vorph Valknut a 18.07.2019 às 20:00

Em 2018, o valor de referência do RSI é de 186,68 euros.

Quantos cabem nos:

As ajudas públicas à banca nos últimos 12 anos somaram 23,8 mil milhões de euros, revela o relatório extraordinário do Banco de Portugal.

Nas PPP a Unidade Nacional Contra a Corrupção considera que o Estado foi prejudicado em mais de 3,5 mil milhões de euros devido a alguns dos principais titulares de cargos políticos do Governo de Sócrates.

Isso dos subsidios e o diabo a quatro, do pagar impostos, porque o pessoal é de baldas é, é, é....bem, a Dulce sabe como é.

Pela minha experiência laboral quem dá mais valor ao trabalho dos outros é quem menos tem trabalho e dinheiro. O que é compreensível.
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De Maria Dulce Fernandes a 18.07.2019 às 22:20

Sabe que os funcionários com mais problemas financeiros, familiares, pessoais, etc, são os que menos trabalham? Vivem de vale em vale, de baixa em baixa, de atestado em atestado e são os que se estão positivamente nas tintas para os problemas que as suas faltas espontâneas e repentinas poderão causar aos colegas?
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De Vorph Valknut a 18.07.2019 às 23:34

Por acaso, não. Os funcionários com mais problemas financeiros são os da classe média, que ambicionam para os filhos uma vida melhor , através do ensino, mas que em virtude do roubo fiscal, tentam fazer a Circulatura do Quadrado com um orçamento minguado (então se forem do interior do país estão tramados). Quem é pobre vive de esquemas e regra geral ,tendo perdido a vergonha, como estratégia de sobrevivência, preocupa-se com quase nada. Vivem como passarinhos...

Quanto às baixas médicas, fala do quê? O que sei é que as Juntas Médicas até aos "cancerosos" obrigam a darem o litro.
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De Maria Dulce Fernandes a 19.07.2019 às 00:06

Isto é tudo muito estranho, Pedro. A quem está verdadeiramente doente recusa-se a prorrogação da baixa ; aos que têm coisa nenhuma prolonga-se sine die.
Amizades, família e compadrios. Nós sabemos que é assim. Mas a documentação é legal, está tudo justificado e é triste verificar que estas pessoas vivem à custa de todos nós e continuam legalmente no quadro da empresa , tirando o lugar a quem quer verdadeiramente trabalhar. Neste momento temos 7 pessoas nesta situação, 3 delas desde Outubro 2018, 4 desde Janeiro 2019.
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De Vorph Valknut a 18.07.2019 às 14:33

Casos há em que o fulano X é denegrido e enxovalhado na praça pública, porque a mulher, dele, y, avançou com uma história de exploração. Epá, isto é tudo uma cambada, pá!!
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De Vorph Valknut a 17.07.2019 às 22:19

Conheço uns quantos "empresários", que herdaram as empresas dos papás, adorando os hinos versando a preguiça lusa, ou as virtudes do trabalho. E outros, que tendo na garagem vários Porsches, se queixam sempre do valor pedido pelo trabalho dos outros.

Até conheci o delfim, herdeiro, da Moviflor, lá para os lados de Sto Estevão que queimava tudo em motas, carros (sem exagero 50, no total) e viagens. Era só investimento.

O link é a titulo ilustrativo, apenas. Já nem me lembro se era em Sto Estevão (já lá vão uns anos desde que saí de Lx). Mas era coisa parecida.

https://www.imovirtual.com/anuncio/quinta-em-condominio-fechado-IDUvMd.html?utm_source=trovit&utm_medium=cpc&utm_source=trovit&utm_medium=cpc&utm_campaign=premium
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De Pedro Correia a 17.07.2019 às 22:25

É o que mais há. A restauração está cheia de exemplos desses.
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De Maria Dulce Fernandes a 17.07.2019 às 17:52

Há-de experimentar fazer funcionar os recursos humanos com pessoas que entram às 8:00h e às 8:05h enviam sms a informar que estão doentes.
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De Vorph Valknut a 17.07.2019 às 14:52

Já fui explorado. Com horários indefinidos e salário fixo. Depois deixei-me disso. Fiz-me Homem independente.

Na Restauração, os que conheço (homens), querem é ser patrões e andarem por aí a pavonear-se, com o crédito pedido em nome "empresa" , num BM X-5, a "papar adolescentes", enquanto a mulher aguenta, aguenta, o barco.
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De FatimaP a 17.07.2019 às 14:09

Já cá faltavam as réplicas da filosofia argumentativa da Secretária de Estado: se as pessoas não fossem tão cedo para as filas para tirarem o CC, as filas não começariam tāo cedo! O mesmo com os restaurantes: se os clientes não fossem tantos e tantas vezes jantar fora (o que só prova que o povo anda endinheirado) já os empregados da restauração n trabalhariam tantas horas, muitas das quais, ninguem lhes paga. O patrão que culpa tem disso? Entendam-se os empregados e os clientes ... ora!
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De Pedro Correia a 17.07.2019 às 22:04

É sempre assim, Fátima. Para os propagandistas de turno, a "culpa" é dos utentes. Designadamente daqueles que, como nós, ainda vamos pagando os impostos que permitiram à dupla Costa/Centeno fazer a mais rasteira demagogia com esta descida do IVA só para a restauração em busca de uns tantos votos...
Os resultados estão à vista. Preços mais caros, emprego cada vez mais precários no sector, direitos transformados em letra morta...
Só não vê quem não quer.
Com a bênção do Governo.
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De Anonimus a 17.07.2019 às 11:54

Bem-vindo à realidade.
Um restaurante que abre às 19, tem o pessoal a bulir duas ou três horas antes. E meter mais uma ou duas depois. É uma vida lixada.
Os "patrões", com excepção de meia dúzia, fazem a mesma vida que os empregados. Ganham mais, mas também não se reformam aos 40.
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De Pedro Correia a 17.07.2019 às 22:06

Estes "patrões", começando por aqueles que têm os restaurantes sempre a transbordar de clientes, passaram a pagar menos IVA do que outras actividades económicas.
A troco de quê?
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De Maria Dulce Fernandes a 17.07.2019 às 11:55

Concordo, Pedro, que há muita exploração laboral, principalmente nesta chamada época alta.
A restauração é um dos sectores onde os horários laborais são duros, com dias de 10 e 12 horas de trabalho (em casos concretos).
Existe também muita gente que não quer trabalhar (e acredite que não são os que têm mais qualidade de vida). O pesadelo de qualquer entidade patronal são as baixas médicas, que são uma realidade lamentável no nosso país. Não tem pontuação para férias em Julho e Agosto? Não faz mal, pede-se baixa ao médico de família e praia com eles. E são muito. Ou as empresas são bem estruturadas ou vem tudo por aí abaixo.
Repare que não estou a defender o patronato explorador. Estou apenas a tentar mostrar que 70% dos funcionários contratados por 1 ano cou renovação automática, com ordenado mínimo ( nos primeiros 6 meses) + alimentação+ subsídio fundo+ assiduidade+ produtividade, prefere trabalhar o mínimo necessário a poder ficar em casa e receber o subsídio de desemprego ou entrar com baixa médica ou pedir seguro por acidente de trabalho, ou...
Referi-me acima a um caso concreto e tenho a certeza que existe exploração desenfreada por esse país fora, particularmente a sul, que quando do Brexit se vai ver a braços com os frutos amargos da sua sementeira.
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De Vorph Valknut a 17.07.2019 às 12:53

"Existe também muita gente que não quer trabalhar"

Aumentem os salários oferecidos (lei da oferta/ procura)

E não têm direito a não quererem trabalhar? Vivem de subsidios, diz? Sabe qual o valor do RSI? Porventura não chega aos 200€/ mensais.

Baixas médicas? Quem as passa, não são os médicos? Investigue-se. Já faz lembrar a desculpa dos créditos bancários. A culpa é do contraente, os bancários, uns inocentes.

E na maioria das vezes não é o salário. É a forma desumana com que são tratados os empregados ( no papel tudo certinho. Na prática, uma exploração pegada).


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De Maria Dulce Fernandes a 17.07.2019 às 13:45

No caso concreto com que exemplifiquei os meus comentários, no final do mês de outubro, todos os funcionários com mais de 1 ano de casa e de acordo com a assiduidade e pontualidade, ganham um mês extra de ordenado, que por vezes sabe a muito pouco devido à subida do escalão do IRS.
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De Robinson Kanes a 17.07.2019 às 14:35

"A restauração é um dos sectores onde os horários laborais são duros, com dias de 10 e 12 horas de trabalho (em casos concretos). "

Se forem só 10 e 12 já não é mau. Existem situções em que é mais... Algumas oganizações (restauranção e afins) muito bonitas da nossa praça até obrigam os colaboradores a assinar três fichas - uma com um horário relativo a manhã e meia-tarde, a outra com meia-tarde e noite e a outra com noite e madrugada... Não pagam horas (e também não permitem descanso) e o empregado assina as três. Quando chega a ACT só uma é mostrada... Se não me mostrassem, também não acreditava...

Estar nas redes sociais ao invés de trabalhar? Ui... Ui... O que há disso por aí .-)
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De Anónimo a 17.07.2019 às 17:29

""Existe também muita gente que não quer trabalhar""
Isto só se aplica aos empregados. Do lado dos patrões toda a gente quer trabalhar. Não sei é explicar por que é que do lado dos empregados aparecem tantos calões e do outro lado, tanta gente interessada. É acaso ou haverá uma explicaçãoracional?
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De Terry Malloy a 17.07.2019 às 23:12

Por acaso, sim.

De um lado trabalham para si, do outro trabalham para outrem.
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De Anónimo a 17.07.2019 às 12:55

"...ou pedir seguro por acidente de trabalho," isso já não é á vontade do freguês, um empregado só vai para o seguro se o patrão o enviar.
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De Maria Dulce Fernandes a 17.07.2019 às 13:39

É verdade, mas como não ? Se se queixa de um mau jeito nas costas durante o serviço, seria quase ilegal não enviar para o seguro, apesar de todas as dúvidas e mais algumas. Seguro que, diga-se, não conseguindo apurar a intensidade das dores, prescreve quase sempre uma semana de repouso.
Os que realmento necessitam de tratamento diluem-se no resto, os fregueses do costume. Falo apenas daquilo que sei.
Que os médicosque passam baixas prolongadas indefinidamente deviam ser investigados ? Absolutamente.
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De João Campos a 17.07.2019 às 11:59

Isto não é novo. Quando eu trabalhava nos verões em restaurantes da costa alentejana (há 15-16 anos) também não tinha folgas - era trabalhar sem parar de 15 de Julho a 15 de Setembro. No resto do ano a maioria dos restaurantes fechava, salvo alguns fins-de-semana e outras épocas específicas (Natal, Páscoa). Lá está, recorrente não é sinónimo de correcto. Mas nas zonas turísticas isto é prática corrente.
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De Pedro Correia a 17.07.2019 às 13:30

Mas este restaurante está aberto o ano inteiro, João. Como aliás vem sucedendo há vários anos no Algarve, genericamente: o turismo aqui deixou de ser um fenómeno sazonal. Em Maio, como pude verificar, já estas salas enchiam.
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De João Campos a 17.07.2019 às 14:30

Aí é chamar a ACT, se bem que isso nunca acaba bem para os trabalhadores. É um perfeito disparate, é o que é.

(eu hoje também já não trabalharia no verão como trabalhava há quinze ou dezasseis anos, mas na altura fez todo o sentido, e nunca sequer pensei no facto de não ter folgas)
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De Pedro Correia a 17.07.2019 às 22:10

Aos 16 anos nem pensamos nisso, João. Queremos é ganhar uns trocos. O meu primeiro "emprego" - hiper-precário, sem contrato, aos 16 anos - era assim: o patrão dava-me uns trocos em numerário, não havia recibo, nem descontos, nem segurança social, nem coisa alguma.
Mas nessa altura o Governo era de "direita". Jurássico e cavernícola, portanto. Agora, que reina a geringonça, devia haver mais direitos sociais. Penso eu de que.
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De Anónimo a 17.07.2019 às 13:04

O Sr. Pedro Correia passa a vida a queixar-se, da Esquerda e da Direita, mas passa o tempo nos Algarves nos belos petiscos. E sem patrões, ás tantas...
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De Pedro Correia a 17.07.2019 às 13:38

Passo o ano a trabalhar. Muito. Trabalho desde os 19 anos e o dinheiro que gasto em férias é meu, não é seu.

Se você é funcionário público, trabalho muito mais que você. Trabalhar 35h semanais, só mesmo na função pública.

Se você é funcionário público, parte do dinheiro que gastar é meu.
Cada vez mais meu, aliás. A carga fiscal não cessa de aumentar.
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De JOTAPA a 17.07.2019 às 23:39

Caro Sr. Pedro Correia,

Agora fique baralhado. É capaz de me explicar o significado da frase:

"Se você é funcionário público, parte do dinheiro que gastar é meu."?

Quer dizer que sendo V. Ex. um dos patrões, o que paga ao empregado continua a ser seu?

Ou acha que os funcionários públicos deveriam trabalhar de borla?


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De Pedro Correia a 17.07.2019 às 23:48

Foi você que escreveu o comentário anterior, a censurar-me por eu estar de férias?

A diferença entre nós é a seguinte: eu, pagando impostos, contribuo para o seu salário.
Você em nada contribui para o meu.

Não tem nada a ver, portanto, com a data, o local ou a duração das minhas férias.
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De Anónimo a 18.07.2019 às 00:15

Não fui eu quem escreveu o comentário anterior a falar das suas férias. As suas férias não são da minha conta.

Vamos lá esclarecer algumas coisas:

Um funcionário público, seja quem for,( desde médicos, enfermeiros, polícias, varredores de rua, professores, canalizadores, cantoneiros, etc.), prestam um serviço , por conta do seu empregador, que é o Estado.

Ora, parece-me normal que seja qual for o serviço prestado, tenha que ser remunerado (o tempo do trabalho não remunerado, já lá vai).

Continuando...
supostamente, parte desse serviço será em seu favor, directamente ou potencialmente. Por exemplo, deve ter andado na escola e, como tal, os contribuintes, na altura financiaram os seus estudos. Actualmente financia você os custos dos alunos actuais.

Portanto, não me parece que seja lógico vir reclamar que contribui para o ordenado do funcionário público, da mesma maneira que você não anda a alardear, que parte do ordenado do canalizador que foi reparar a fuga de água, lá de casa, é seu.

Tal como o canalizador, o funcionário público presta-lhe um serviço e você paga-lhe, naturalmente.

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De Pedro Correia a 18.07.2019 às 09:57

Eu não venho reclamar. Venho anotar um facto: os salários dos trabalhadores da administração pública resultam do pagamento de impostos.
Eu pago impostos, logo contribuo para os salários de quem exerce funções na administração pública.

O contrário é que não ocorre.
Você, sendo funcionário público, não contribui para o meu salário.
A última coisa que deve preocupá-lo, portanto, é quando e onde e com quem eu passo férias.
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De JOTAPA a 18.07.2019 às 23:50

Já lhe disse e torno a dizer:

NÃO FUI EU QUEM COMENTOU AS SUAS FÉRIAS.
AS SUAS FÉRIAS NÃO ME DIZEM RESPEITO.

Disse.
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De Pedro Correia a 18.07.2019 às 23:53

Acredito. Era também só o que faltava.
Acontece que o seu comentário, sendo anónimo, seguiu-se logo ao de outro anónimo, que decidiu enveredar por aí como se o assunto lhe dissesse respeito.

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