Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




O ópio do povo

por Pedro Correia, em 09.07.18

800[2].jpg

 

Futebol e mais futebol e mais futebol e mais futebol. Em todos os canais, começando pela televisão pública. Serões inteiros dedicados à bola, internacional ou doméstica. Serões cujo conteúdo é retransmitido madrugada adiante nos sonolentos canais que garantem ter noticiário "24 horas". Na manhã seguinte, mais futebol. E à hora do almoço. E durante a tarde.

Nunca o escrutínio governativo andou tão arredado das pantalhas cá do burgo.

António Costa, com 40 anos de experiência política, sabe muito bem que este ópio do povo é o maior aliado de um Executivo em dificuldades. Imagino-o até a recomendar ao desaparecido ministro da Educação, que enfrenta uma contestação sem precedentes dos professores nesta legislatura: «Tiago, vai à Rússia e mostra-te lá com os jogadores da selecção.»

E ele foi. Como se dizia antigamente, e bem podia voltar a dizer-se agora, «o futebol é qu'induca, a bola é qu'instrói

Autoria e outros dados (tags, etc)


38 comentários

Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 09.07.2018 às 10:59

a recomendar ao desaparecido ministro da Educação, que enfrenta uma contestação sem precedentes dos professores nesta legislatura: «Tiago, vai à Rússia e mostra-te lá com os jogadores da selecção

Então Tiago está "desaparecido" ou está a mostrar-se? Ou uma coisa ou a outra!
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 09.07.2018 às 14:26

Desaparecido de Portugal, claro.
Quer um desenho ou chega lá assim?
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 10.07.2018 às 10:34

..não tenho a certeza se "desaparecido" é suficientemente 'comprehensive'..

É que o que há é alguém que, politicamente, é praticamente um zero, ou como outra 'eminência' do pagode hodierno referiu como enxovalho de superficie a correligionário de partido, a dar para o "poucochinho"....
Na verdade, tal enfezada condição não é "património" deste pobre diabo - no 'Bouquet' de geringonço "governo" onde ele aparece emparreirado, não está sozinho na irrelevância de substantivo politico contributo e aturado trabalho de servir a população que, ainda que não os tenha eleito, teve e tem de os ir gramando em nome de "parlamentares" enxertos para safar uma serie de deserdados das bancarrotas de 2011 - recordo poucos governos onde tanto ministro se remete a a tão conspícuo e reiterado recolhimento de acção politica. Com o sr. (ou sera Doutor?) Tiago, talvez uma distinção exista em relação aos colegas de conselho de ministros - os outros, mal ou bem, já deram algumas provas que existiam politicamente e/ou profissionalmente, antes de se deixarem amestrar pelo circo geringonço e pelas habilidades do Dr. Costa. Com o sr. (Doutor?) Tiago, ao contrario, por mais generosidade que se ponha na demanda, suspeito que ao nos aprochegarmos da sua cabeça de ministro, conseguimos, como naquelas conchas já desmioladas, ouvir umas ondas do mar...

Jorg
Sem imagem de perfil

De Costa a 09.07.2018 às 11:10

Mas sucede, recordando frase célebre (de memória, perdoe-se eventual erro de forma) que "é disto que o meu povo gosta!". O poder actual mais não faz do que seguir essa sólida tradição de usar a seu favor esse sabiamente cultivado embrutecimento do povinho.

Povinho que gosta disso: dessa dieta de bola com bola e de ser embrutecido. De modo que estamos perante uma espécie de tempestade perfeita. Mas é melhor ficar por aqui: estou a questionar o bom povo português e isso, por estes dias, suscita atentos e severos reparos de alguma polícia de virtude que faz rondas por aqui.

Costa
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 09.07.2018 às 14:28

Extraordinário é vermos um ministro da Educação, em plena greve de professores, mostrar-se a milhares de kms de distância, junto dos jogadores de futebol. Como se os tutelasse. Ou como se não houvesse assuntos importantes para resolver em Lisboa.
Sem imagem de perfil

De Costa a 09.07.2018 às 18:23

Sem dúvida. Mas, perdida a vergonha, e a vergonha está há muito perdida (se a houve), é apenas mais um pragmático procedimento de gestão da actividade "governativa" e da maçadora exposição dos senhores governantes aos tédios da realidade.

Seja a Rússia, seja uma praia espanhola, sejam os professores, os fogos ou o que e onde seja. O mundo é grande e haverá sempre pretexto. A bem da Nação (perdão, do superior interesse nacional), sempre.

De uma coisa não há como fugir (e lamento se isto parece argumentário simplista ou populista): como anda serena e dócil, perante estas coisas, a comunicação social. Fosse outra a cor política de turno no poder...

Costa
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 09.07.2018 às 22:22

A comunicação social, na maioria dos casos, está em estado quase vegetativo, meu caro.
Garanto-lhe que é com imensa mágoa que escrevo estas linhas.
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 09.07.2018 às 11:26

Finalmente já não sou dos poucos a achar que é demais :-)
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 09.07.2018 às 14:29

Somos "mais que muitos", meu caro. Como agora se diz.
Sem imagem de perfil

De O Gajo a 09.07.2018 às 11:55

Gazprom paga viagem a Brandão Rodrigues.

Segundo fontes jornalísticas a gigante petrolífera pagou a viagem a Brandão Rodrigues e familiares (um papagaio chamado Jacó e uma Tartaruga Americana, chamada Nita) para assistirem ao jogo da Selecção Lusa e a um Bailado da famosa Companhia Bolshoi, sob a temática : Dança Putiniana

Mais detalhes abra o link:

www. Newsdomundoearredores. Com

Imagem de perfil

De Pedro Correia a 09.07.2018 às 14:29

Nada que espantasse ninguém.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 09.07.2018 às 12:20

Sem dúvida. É que o mágico para ter sucesso na sua aldrabice precisa de distrair o olhar da assistência para o sítio errado.

Depois do destruidor terramoto, em Lisboa, o Marquês ordenou o proverbial "tratar dos vivos e enterrar os mortos".
Com o crescentemente destruidor terramoto a nível nacional que é a Dívida Soberana, o geringonçado fanatismo dos aprendizes de mágico resolve "tratar, louvando, os seus mortos e ignorar os outros, os ainda vivos" nos corredores dos hospitais.

Entretanto como o futebol estava a dar o que tinha a dar, agora é tempo de criar uma nova distração: endeusar (!) os seus.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 09.07.2018 às 14:31

Espanta-me como é que alguns canais chegam a dar oito(!) horas diárias de futebol antecedidas e acrescidas de paleio futebolístico.
Sem imagem de perfil

De V. a 09.07.2018 às 13:41

Virtudes da escola pública de inspiração marxista: criar criaturas que só reproduzem os sound-bytes jornalísticos sem o mínimo de espírito crítico. É fácil estruturar o programa utilizando a propensão dos idiotas para a reprodução de chavões (metástases) e transformar isso na validação do texto e não do conteúdo (cf. também os anónimos aqui que vêm do esquerda.net e que utilizam a mesma estratégia primitiva).

Mas a metástase da moda — que teve origem num ignorante que é comentador desportivo das corridas de bicicletas — é "o dia de hoje" e "o dia de ontem". O que vale é que quando começarem os incêndios deixam "o dia de hoje" e passam a contar "três meios aéreos". O jargão que ocupa 99% dos textos jornalísticos vem demonstrando a incapacidade para a crítica do seu próprio texto por cerca de 99% dos jornalistas. Isto no dia de hoje. No dia de amanhã não sabemos — poderão muito bem ser mais.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 09.07.2018 às 14:32

Já ouvi a extraordinária frase "cerca de onze pessoas", aludindo a uma putativa manifestação de rua.
Sem imagem de perfil

De V. a 09.07.2018 às 19:03

ahah, essa é um mimo
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 09.07.2018 às 22:23

A compressão vocabular em curso acelerado leva a que muitos dos que pronunciam a expressão "cerca de" não façam a menor ideia do que significa.
Sem imagem de perfil

De O Gajo a 09.07.2018 às 14:43

O V agora é adepto da Desconstrução Derridiana/Teoria Critica da Escola Filosófica Alemã?

A desconstrução de conceitos jornalísticos marxistas...o Luck ganhou um aliado de peso
Sem imagem de perfil

De V. a 09.07.2018 às 19:01

Bem, não há como negar que 1. o luck tem alguma razão dado que 2. sendo fraca e parcial a semântica jornalística é o próprio jornalismo que está a operar a primeira desconstrução da realidade
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 10.07.2018 às 07:28

Toma lá algumas palavras que os jornalismo Marxista usa para construir a narrativa:

Activistas - chama-se a alguém de esquerda faz violência
Extremistas - chama-se a alguém de direita faz ou não faz violência.

Exilados - refugiados de ditadores que o Jornalismo Marxistas não defende.
Dissidentes - refugiados de ditadores que o Jornalismo Marxistas defende.

Líderes - Ditadores que o Jornalismo Marxista defende
" o líder Cubano"
Ditadores - Ditadores que o Jornalismo Marxista não defende.
" o ditador Chileno"

Populista - chama-se a coisas ou pessoas que o povo gosta e o Jornalismo não gosta que o povo goste.
Democrático - chama-se a coisas e pessoas que o povo gosta e o Jornalismo gosta que o povo goste.

Protestos - Ataques que o jornalismo apoia
Ataques - Ataques que o jornalismo não apoia

Morreram(voz passiva) - pessoas mortas em ataques mas que não interessa aos jornalismo Marxista designar quem atacou " israelitas morrem em explosão"
Foram Mortos(voz activa) - pessoas mortas em ataques mas que interessa ao jornalismo Marxista designar quem matou. "Ataque israelita mata palestinanos "

Indignação - caracterização dos protestos quando o Governo não é apoiado pelo jornalismo Marxista
Raiva/extremistas - caracterização dos protestos quando o Governo é apoiado pelo jornalismo Marxista

Coerente- uma pessoa de esquerda é coerente
Inflexível - uma pessoa de direita é inflexível

Gastos - se o jornalista não gosta
Investimento - se o jornalista gosta

Apaixonada - uma pessoa de esquerda é apaixonada
Controversa/polémica - uma pessoa de direita é controversa e polémica

Denuncia - se a esquerda critica algo
Aproveitamento e Incitamento - se a direita critica algo.

Oposição Firme- A esquerda faz oposição firme
Obstrução- A direita faz obstrução

Convicções e Princípios- A Esquerda tem convicções e princípios.
Ideologia -já a Direita é ideológica.
Sem imagem de perfil

De O Gajo a 10.07.2018 às 14:37

Luck o que não falta, na C.S de cá, é chamarem ao BE, extrema esquerda. E à coligação, o termo depreciativo, Geringonça.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 10.07.2018 às 16:42

Nah.

Já não se diz Extrema Esquerda, diz-se "partidos à esquerda do PS".

É preciso preservar a palavra extrema/extremista.
Sem imagem de perfil

De O Gajo a 10.07.2018 às 16:29

Acho que te entendo. O bom gosto provem do gosto marxista.
Channel nº5, é perfume marxista e o Patchouli um perfume que o gosto marxista não aprova?
Sem imagem de perfil

De Maria Antonieta a 09.07.2018 às 14:39

Não seria antes assim:
O Benfica é q'induca e a bola é q'instrói? :))



Imagem de perfil

De Pedro Correia a 09.07.2018 às 14:49

'Vade retro...'
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 09.07.2018 às 14:40

Antes o futebol que a religião.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 09.07.2018 às 14:48

Haverá maior religião do que o futebol, com os seu conceitos de 'mística', 'catedral', 'glorioso', 'chama eterna'?
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 09.07.2018 às 19:19

No futebol pelo menos os ídolos são reais, na religião nem sempre se pode dizer o mesmo. Bem, há clubes cuja mascote é um dragão...
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 09.07.2018 às 22:25

Nada mais virtual do que os chamados "ídolos reais".
Perfil Facebook

De Rão Arques a 09.07.2018 às 15:45

Excertos recuperados de um escrito de 17.04.2012
A amplitude das consequências futuras de um modelo educativo, reclama e merece um debate competente, sério e transparente para além das contabilidades caseiras partidárias.
Enquanto enviesadamente se entender que em cada legislatura, um governo, qualquer governo, pode tudo baralhar e dar de novo, não se ataca a raiz do problema, e principalmente os mais jovens são indecorosamente sujeitos ao papel de cobaias.
O sistema educativo terá que ser visto como uma questão de regime, bem afinado para poder durar décadas sem sobressaltos.
No que respeita a critérios justos para comparticipação do orçamento do País que todos somos, uma regra simples e bem calibrada basta.
Abertura nos privados para acesso universal a todas as camadas sociais sem encargos adicionais para famílias abaixo de um determinado rendimento.
Em doses excessivas o Estado mata.
Nota: acrescento agora somente por simples analogia perguntando o que é a ADSE e porque não dá acesso a todos.
E ainda questionar se faz sentido subsidiar os partidos políticos (serão privados?) e querer negar essa participação do Estado no sistema global de ensino.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 09.07.2018 às 22:29

Aborda questões muito interessantes e que justificam debate. Sem dúvida.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 09.07.2018 às 18:20

É mais uma das características da partidocracia.
Abaixo este regime!
João de Brito
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 09.07.2018 às 22:25

«Viva o gordo! Abaixo o regime!»
(Jô Soares)

Comentar post


Pág. 1/2



O nosso livro





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D