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O objectivo

por José António Abreu, em 27.02.15

Acontece que para os gregos, o euro não é apenas uma moeda a que a sua economia esteja mais ou menos adaptada. É um projecto político, um ideal: é a possibilidade de, um dia, viverem num país onde o Estado, dominado por interesses de todo o tipo (sindicais, empresariais, corporativos, clientelares, etc.), não abuse da moeda para servir esses interesses à custa de todos os outros cidadãos. É isso que os exercícios de análise económica não apanham, nem o discurso corrente da integração europeia, que reduz tudo a uma questão técnica: como conter, numa união monetária, economias divergentes e políticas contraditórias.

Rui Ramos, no Observador.

 

Não somente para os gregos. Para os portugueses também. De resto, não será apenas coincidência que, em Portugal, não obstante as incapacidades próprias do governo, as mil e uma obstruções que enfrentou e os interesses corporativos dos partidos que o formam, os últimos anos tenham revelado uma progressiva «limpeza» na relação entre o Estado e outras entidades. A forma como não se salvou o grupo Espírito Santo, a profusão de casos judiciais contra políticos e empresários, a limitação do (ou, pelo menos, a pressão pública contra o) poder discricionário de conceder favores (veja-se a polémica actual sobre o planeado perdão da autarquia de Lisboa a uma entidade com tantos fãs como o Benfica) são também efeitos de uma moeda que deixou de ser um fantoche nas mãos dos políticos.

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5 comentários

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De Luís Lavoura a 27.02.2015 às 12:43

Muito bem. Concordo, absolutamente.

(Não quer dizer que isso que os gregos e os portugueses querem seja de facto alcançável. Tal como recentemente se viu no caso grego, em que o povo primeiro votou no Syriza e depois foi a correr tirar o seu dinheiro do banco, os gregos e os portugueses querem e não querem ao mesmo tempo: querem um dinheiro sólido por um lado, mas não o querem por outro. São, ao fim e ao cabo, como as mulheres, que gostam alternadamente de dois tipos de homens absolutamente opostos.)
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De Vento a 27.02.2015 às 13:08

Sim, o euro parece-me um projecto político sem política definida. O euro para ser projecto político tem de se apostar numa política de equilíbrios e não de subsidiação que retira dividendos para uns através dessa mesma subsidiação. Significa isto que os que andam para aí a apregoar que as transferências (para mim subsídios) são para ciar equilíbrios estão errados.

O único equilíbrio possível resultará de uma política claramente definida de localização da produção (agrícola, industrial, extractiva, tecnológica e de serviços) e fazerem-se transferências para onde forem necessárias. Só assim o Euro originará equilíbrios.
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De tric a 27.02.2015 às 13:13

O Rui Ramos como bom Europeista que é, quer é que a Grécia siga o exemplo do Portugal Judaico, venda os seus activos estratégicos e o resto que sobrar de soberania transferir para Bruxelas! Privatizações...
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De Tiro ao Alvo a 27.02.2015 às 17:11

Concordo com os dois.
É necessário fazer análises a aspectos que os técnicos normalmente descuram, como é o caso da atitude dos gregos reformados, que querem continuar a receber o valor das suas pensões em euros, dos comerciantes gregos que vivem do turismo, que entesourarem as notas que recebem, em euros, dos seus vizinhos alemãs e por aí adiante, assim como da mudança que se verificou em Portugal, relativamente à condenação pública da corrupção, bem espelhada na naturalidade com que o nosso povo vem seguindo a evolução do caso Sócrates.
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De lucklucky a 27.02.2015 às 19:22

A grande maioria é Capitalista com o seu dinheiro e Socialista com o dinheiro dos outros.

A Democracia tal como está cada vez se resume mais a João votar em António para tirar - com o monopólio da violência do Estado - a Pedro.

Quando mais de 50% do que as pessoas realizam passa pela política essa passa a ser uma característica central do desenho de uma sociedade, a possibilidade de tirar ao vizinho por via política.

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