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O novo Syriza.

por Luís Menezes Leitão, em 21.05.15

 

Sempre calculei que uma vitória de António Costa no PS implicasse uma viragem desse partido à esquerda. Nunca pensei é que essa viragem fosse tão radical. Começou com o apoio à candidatura presidencial de Sampaio da Nóvoa, um candidato claramente na extrema esquerda do espectro político. Agora o caminho prossegue com a apresentação das políticas do PS. Conforme revelou num encontro em que também participei, António Costa propõe o regresso ao congelamento das rendas, o que obviamente vai afastar qualquer investimento privado na área da recuperação de imóveis para arrendamento. Nada que preocupe António Costa, que propõe em contrapartida um investimento público de 1.300 mihões de euros na reabilitação urbana. Para isso propõe-se desbaratar 10% do Fundo de Estabilização da Segurança Social, pondo ainda mais em risco as reformas dos portugueses.

 

Para além disso, António Costa é contra a austeridade e até pede uma maioria clara para combater o FMI. Para esse efeito propõe-se continuar a gastar à tripa forra, com argumentos de grande profundidade, como o de que na saúde gastar menos não é gastar melhor. Por  esse motivo, também a função pública regressa naturalmente às 35 horas de trabalho, uma vez que não se justifica fazer poupanças em horas extraordinárias, já que o Estado tem muito dinheiro para gastar. E com isso chega à conclusão extraordinária de que o seu programa tem mais despesa, mas também menos despesa, assim como mais receita mas também menos receita. António Costa tem tão boa imprensa que ninguém lhe perguntou o resultado final aritmético deste exercício. Mas se calhar também ouviria uma resposta semelhante às de outros socialistas célebres como a de que "é fazer as contas" ou de que "há mais vida para além do orçamento". Eu digo-lhe, no entanto, desde já que não há hipótese nenhuma de um imposto sucessório compensar qualquer descida no IRS. Mas também não é isso o que está em causa, uma vez que a sua proposta de alteração da progressividade significa antes aumentar o IRS.

 

Se António Costa ganhar as eleições vamos ter seguramente a repetição da política do Syriza em Portugal, que tão brilhantes resultados está a ter na Grécia. Na Europa já perceberam isso muito bem.


20 comentários

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De No problem a 21.05.2015 às 09:54

É questão de o Costa colocar o dr. Ferro Rodrigues a defender a coisa, e o êxito fica desde logo garantido.
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De É o que temos a 21.05.2015 às 10:31

Bem, entre as medidas avulsas que o Costa foi revelando desde que subiu ao poleiro e foi acusado de não fazer ideia de nenhumas, as 55 que depois anunciou, as do cenário macro-económico elaborado pelo sr. Centeno (sem esquecer a prestimosíssima colaboração do sr. Galamba), as que entretanto o Costa foi anunciando e nem sequer constavam desse cenário, agora as do pré-programa e o que depois há-de ser anunciado como programa definitivo, a confusão criada é tão perfeita que ninguém fará a menor ideia de nada... Afinal, o que (lhes) interessa.
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De Vento a 21.05.2015 às 13:14

Vou começar pelo fim.

Os analistas anglo-saxónicos têm um conceito de revolta segundo os seus próprios critérios de revolta e atitude. Vão até ao ponto de, por exemplo, considerarem com nível elevadíssimo uma guerra entre Portugal e Espanha por causa de Olivença.
Por causa disso mesmo o texto que anexa é mesmo para inglês ler. Nós sabemos que esta revolta não vai existir.

Aquilo a que assistimos é simplesmente uma rebeldia de quem sendo crescido não quer andar debaixo das saias da mamãe, como fazem os actuais, e pretende agir por si.

Há efectivamente políticas de equilíbrio e compensações, com efeito de vazos comunicantes, que permitem aumentos em determinados sectores e diminuição através de outros, quer pelo lado da receita quer da despesa. Nada de mais debaixo do sol.

Sobre a redução para as 35 horas semanais não me espanta. Eu só estaria de acordo com a manutenção das 40 horas se tivesse existido algum resultado produtivo nesta opção. O que estava em causa claramente era fingir que a produtividade aumentava através da redução salarial.
Recordo-lhe que o que está em causa no programa seguido por Passos/Portas não são as horas extraordinárias, mas a REDUÇÃO SALARIAL através do aumento de horas. E neste sentido, SEM SOBRECARREGAR O ESTADO, consegue-se um aumento de salário, pela redução horária, e a disponibilidade de tempo tão proclamada para as famílias.

Sobre a saúde só me compete dizer que mantenho o meu apreço pelo actual ministro e que entendo que não basta as pessoas estar isentas da taxa moderadora para terem um bom apoio sanitário. Há pessoas que não vão ao médico porque não têm dinheiro para pagar os meios complementares de diagnóstico e comprar medicamentos. Isto não é retórica. Eu sei o que escrevo.

Sobre o FMI, convém analisar uma parte da informação relativa ao último relatório do FMI que, vá-se lá saber porque carga de trabalhos, o ministro da economia anda sem tempo para o ler, aqui:
http://rr.sapo.pt/opiniao_detalhe.aspx?fid=34&did=187824

O uso de 10% do Fundo da Segurança Social não desbarata nada de nada, porque esse dinheiro INVESTIDO gera receitas em iva, irs, irc e tsu através das empresas e dos trabalhadores agregados por esse tipo de investimento.

Quanto às rendas, a lei das tendas foi lançada como arma de alavancamento da economia. E eu gostaria que me fizessem uma surpresa mostrando-me os resultados desse alavancamento. Não, não estou a pedir o número de chineses que investiram em Portugal na compra de habitação. Outros números, por favor.

Por último, obrigado Passos/Portas por vocês, juntamente com os Gregos e outros mais, também terem ajudado a mudar o paradigma político nesta Europa de meninos que pensavam viver no mundo da Alice.
Eu votarei PS e tenho a convicção que existirá um saudável aumento de votos à esquerda.
A bem da Nação.


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De Nem me lo diga! a 21.05.2015 às 15:38

Quem se tiver dado ao trabalho de ter lido o que para aqui tem militantemente bolsado, jamais imaginaria que pudesse votar no partido do querido lider actualmente conhecido pelo 44!

Para seu esclarecimento cabal, eu não faço para já ideia de em quem votarei.
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De Vento a 21.05.2015 às 16:48

Obrigado por seu empenho em esclarecer-me a propósito de suas intenções. Registo não só o seu apreço por mim como também que, afinal, o seu problema não é comigo ou com o cliente do 44, mas com as ideias que para já não tem.

Como verificou, eu tenho ideias. E por tê-las não permitirei que o regime Sócrates continue adiante, através dos queridos líderes Passos/Portas. É a queda deste regime que o meu voto representa.

Se apreciou os meus textos, e como pela segunda vez afirma sobre o que eu tenho escrito por aqui, vá em frente e traga-os para que todos os reapreciem.
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De Enxergue-se a 21.05.2015 às 17:51

Não tenho palas nos olhos, isso sim.
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De E mais se enxergue a 21.05.2015 às 18:30

E mais lhe digo. Quem já sabe onde vai votar, a uns quatro meses das eleições, antes de o eleitorado conhecer as propostas dos partidos, de terem sido divulgados os nomes (das listas) dos candidatos, de se ter realizado campanha eleitoral, debates, etc, passa bem sem DEMOCRACIA. O regime de partido único chega-lhe e sobra-lhe.
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De Vento a 22.05.2015 às 00:09

O meu caro dá-se conta dos erros e depois quer emendar a mão.

1 - O PS apresentou uma proposta sobre a economia. Sobre este aspecto recomendo-lhe a leitura de meus debates com JAA e também com Pedro Correia para verificar que, antecipadamente, eu me debruçava sobre as opções que foram apontadas pelo grupo de economistas que ofereceu sua colaboração ao PS. Mas adiantei mais. Como poderá comprovar, a sua conversa sobre o que eu bolsei não passa disso mesmo. Não só bolsei com embolsei. E o meu caro bem precisa de umas palmadinhas nas costas para melhor arrotar. O que come não lhe faz proveito e engasga-o.

2 - Depois, o PS, apresenta as suas outras opções políticas.

Como reparará começa a existir um programa que subalternizará os protagonistas. Como tal, esteja lá quem estiver, não deve fugir a isto. Eu não estou a votar em pessoas, mas num programa. O meu caro é que é uma Maria vai com as outras e só escolhe pela cor da chita que lhe colocarem na montra. Por isto mesmo, como espera pela moda Outono/Inverno, não tem ideias. E também as deixará de ter para a Primavera/Verão de 2016. Compreendo, o meu caro é uma espécie de modista. Vai por modas.

Por último, eu não preciso de debates. Porquê? porque não só conheço os programas dos outros como também conheço a triste programação e desgovernação dos que actualmente se sentam indevidamente em cadeiras que não merecem.

Quis ir um pouco mais longe, porque gosto de mostrar isto a espertos e coerentes que merecem ser confrontados com suas espertices.

Passo à escuta.
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De Vento a 21.05.2015 às 21:59

Nos olhos tenho a certeza que não tem problemas. O facto de me ler, prova-o. Mas, como refere, e bem, o problema está nessas ideias que para já não tem.
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De Tenho mais q os do Partido Único a 22.05.2015 às 09:51

A propósito: Hoje, grande comício com o camaradas António Costa, Ferro Rodrigues, Pedro Silva Pereira e, vindo directamente dos Açores, o camarada Ricardo Rodrigues. Na Baixa da Banheira, logo depois da actuação das Bombocas.
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De Vento a 22.05.2015 às 14:32

Obrigado. Vou enviar uma equipa de reportagem para lá. É necessário tratar da imagem.
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De De vento ando eu cheio a 22.05.2015 às 14:37

Se os outros ainda não apresentaram as suas propostas, já as conhece? Se ainda ninguém apresentou as suas listas de candidatos, já as conhece? Se ainda não são conhecidos os partidos/alianças/coligações que concorrerão, conhece isso tudo? Se ainda não houve debates nem se sabe para que possíveis governos apontam as sondagens que se efectuarão perto da data das eleições, dispensa todas essas manifestações essenciais da DEMOCRACIA? Acabou-se a conversa, na cabeça só tem é vento e resquícios da Acção Nacional Popular.
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De Vento a 22.05.2015 às 21:02

Quem tem ideias tem sempre ideia de saber tudo isso. Quem não tem, não faz a mínima ideia de como ter ideias para saber isso tudo.

Eu tenho ideias e faço ideia do que me conduziu aqui. O meu caro não vê as ideias e nem tem ideias sobre as ideias dos outros.
Como se pode posicionar sem ideias? Contrariando ideias sem apontar ideias que contrariem essa ideias.

Bom fim-de-semana.
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De cristof a 21.05.2015 às 16:13

O que o d sabastiao Costa pode representar se ganhar é a reabilitação duma certa irresponsabilidade dos eleitores que deixam que "eles" sabem o que devem fazer. E claro farão como os gregos votam em quem lhes promete melhor leite e mel para todos; sabendo infantilmente que talvez seja só promessas para ganhar; pelo sim pelo não tenhamos esperança e votamos no pato.
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De Anónimo a 21.05.2015 às 17:37

Até onde nos levou a direita? O syriza na Grécia se não tem feito mais é porque os políticos de direita o têm travado. A OCDE, ainda hoje disse que em Portugal cada vez o fosso é maior entre os pobres e os ricos e cada vez há mais pobres. É isto que queremos? É este o país que estamos a criar que despreza os pobres? É este país pobre, com gestores que têm levado as empresas à ruína e que têm salários e bónus ultra milionários? Afinal que políticos e políticas estão a governar-nos? Porque insistimos no erro e não aceitamos as propostas dos outros?
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De Ricas propostas a 21.05.2015 às 17:54

Por exemplo, não assumir compromissos assumidos de livre vontade e efectuados aldrabando os outros. NÃO PAGAMOS! NÃO PAGAMOS! NÃO PAGAMOS! NÃO PAGAMOS! Nem pomos os ricos a pagar impostos, Zeus nos livre.
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De Anónimo a 21.05.2015 às 20:56

Só podemos pagar se tivermos como, como não temos temos duas hipóteses: ou não pagamos porque não temos nada com que pagar porque não temos mesmo ou pedimos a reestruturação da dívida. Sem reestruturação não temos como, esta é a realidade que muitos teimam em não querer ver e que é óbvia demais, para andarmos a insistir na mesma tecla. Mas, sempre é melhor termos novas propostas que nada que é o temos tido.
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De Os ricos que paguem a crise a 22.05.2015 às 09:54

Ao camarada nem agrada a ideia "Os gregos ricos e os que praticam a evasão fiscal que paguem a crise!". Assim não vai a lado nenhum.
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De Anónimo a 22.05.2015 às 14:19

Os que fazem evasão fiscal e ricos que contribuíram para isso. Não nos podemos esquecer que há ricos que não podem pagar pelos erros dos outros porque em nada contribuíram para a mesma e os senhores governantes que levaram o país a esta desgraça. Esses nunca pagam porquê?
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De amendes a 22.05.2015 às 22:03

Os portugueses são sentimentalões...choram por tudo e por nada:

Começaram a ter saudades da Troika....
No fundo no fundo inté que não eram assim tão maus!

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