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O novo mapa cor-de-rosa.

por Luís Menezes Leitão, em 03.04.14

 

Como bem se salienta aqui, esta nova proposta de mapa do território marítimo faz lembrar a obsessão do Estado Novo com a extensão do enorme império colonial português. É normal em épocas de crise Portugal ficar obcecado com sonhos de grandeza, perdendo qualquer ligação com a realidade geopolítica, como foi o caso da aventura do mapa cor-de-rosa no séc. XIX, que nos custou a humilhação do ultimato inglês.

 

Hoje, no entanto, a ambição ainda é mais irreal, resultante nesta proposta de extensão da plataforma continental a um enorme território oceânico onde não existe qualquer plataforma continental. Que eu saiba, os Açores ficam no meio do Oceano e são de formação vulcânica, pelo que, a falar de continente, só pode ser o continente perdido da Atlântida. E onde não há plataforma continental, não há qualquer utilidade na extensão territorial, uma vez que o aproveitamento económico dos fundos oceânicos é praticamente impossível. Portugal quer construir assim um novo império marítimo, reinando como Neptuno sobre os abismos oceânicos. É por isso que o Governo proclama entusiasmado que Portugal é Mar. Na verdade, todos os dias se afunda.


14 comentários

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De Luís Menezes Leitão a 03.04.2014 às 11:10

Por esse critério, está aberto o caminho para reivindicarmos os restantes planetas do sistema solar. Ou mesmo fora dele.
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De Carlos Duarte a 03.04.2014 às 11:20

Desde que estejam "à distribuição", por mim tudo bem! Neste caso da plataforma continental o que está em causa não foi termos decidido, do meio do nada, reclamar aquela área. Foi sim aberto um processo internacional para TODOS os países fazerem isso. Posto de outra forma: a opção é entre aquilo ser nosso e outras partes de outros países ou aquilo ser de todos e outras partes de outros países.

http://www.enterrasolutions.com/media/images/2009/08/6a00d8341c4ebd53ef0120a52448fc970c-pi.gif

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