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O Natal e os enjeitados

por Cristina Torrão, em 18.12.19

São cerca das 19h 30m, de uma sexta-feira, em Stade, a pequena cidade alemã onde vivo.  A escuridão é já completa, estamos em Dezembro. A temperatura ronda os 5ºC e o vento forte faz salpicar a chuva miudinha no rosto dos transeuntes. O parque de estacionamento do pavilhão de eventos está quase vazio e um casal que foi convidado para jantar nas imediações aproveita para ali estacionar o carro.

Mal abrem as portas, ouvem o choro do bebé. A senhora admira-se por soar tão perto. Terão sido os pais de alguma criança obrigados a trocar as fraldas do filho no carro? Ou talvez uma mãe amamente o seu bebé. Tenta perscrutar algum sinal de vida dentro das poucas viaturas estacionadas, algum sinal de luz. Em vão. Apesar da chuva e do vento, resolve dar alguns passos na direcção de onde lhe parece vir o choro. Numa das faixas de relva que permeiam o parque de estacionamento, vê um tecido cor-de-laranja enrodilhado debaixo de um arbusto. O local está mal iluminado, ela aproxima-se e mal acredita nos seus olhos: enrolado numa toalha de banho está um bebé pequenino, recém-nascido. O casal chama a emergência médica e a polícia. A menina é transportada para a maternidade do hospital.

Esta cena passou-se há quase duas semanas. A menina, a quem o pessoal da maternidade deu o nome provisório de Luísa, encontra-se bem e em breve será entregue a uma família de acolhimento*. A polícia continua à procura da mãe, ou dos pais, da bebé. Atente-se ao pormenor: as notícias não referem apenas a mãe. Não resisti a contar este episódio, depois de algo semelhante ser ter verificado há poucas semanas, em Lisboa. As notícias portuguesas, mesmo antes de se saber que a mãe era prostituta, referiam sempre andar-se à procura da “mãe”.

2016-04-02 Torre de Moncorvo 055.JPG

Museu Casa da Roda, Torre de Moncorvo © 2016 Horst Neumann

O abandono de recém-nascidos é prática antiquíssima. Durante muitos séculos, existiu a roda dos expostos, ou dos enjeitados, numa tentativa de proporcionar algum futuro às crianças, ou mesmo evitar o infanticídio. As razões que levam as mães a cometerem acto tão chocante, ontem como hoje, são das mais variadas. Vão desde a prostituta ignorante (e talvez viciada em drogas e sem meios), a casos de incesto (pais que violam filhas, por exemplo) e mulheres pressionadas a livrarem-se do bebé, tanto pelo pai da criança, como pelos seus próprios familiares. Em todos os casos, porém, penso haver um factor comum: a mãe sente-se sozinha, ela própria abandonada, sem apoios de parte nenhuma, o que a torna incapaz de assumir a responsabilidade, ou a leva a recear a rejeição familiar. E, no entanto, nenhuma mulher engravida sozinha. Acho, por isso, profundamente injusto ser apenas a mãe a responsabilizada e a pagar pelo crime. A carga de culpa do pai é equivalente, ou maior ainda: ele não abandona apenas o filho, abandona também a mãe do seu filho. Mesmo que o pai ignore sê-lo, não deixa de partilhar a culpa, quanto mais não seja, por ter usado uma mulher como quem usa o sofá num momento de lazer.

A Suécia, esse país tão liberal, proibiu, há uns anos, a prostituição. Em caso de transgressão, não é a prostituta a autuada, mas o cliente! Afinal, ele não quer saber se a mulher que está a usar exerce a “profissão” por vontade própria ou por ser obrigada. Nem sequer se preocupa com o facto de ela poder engravidar, o que se tornou raro, nos nossos dias, mas não deixa de acontecer. A Alemanha, onde a prostituição é permitida e considerada, pelo menos, a nível legislativo, como outra profissão qualquer, tornou-se um paraíso para bordéis e tráfico humano, onde muitas jovens, normalmente oriundas do leste europeu, são mantidas à força (violência, chantagens) e, muitas vezes, se viciam em drogas para aguentarem a sua miséria. Enfim, um assunto que dá pano para mangas e que ficará para um próximo postal, até porque não sei se este caso está relacionado.

O que me levou a relatá-lo foi o facto de os dois casos (em Portugal e na Alemanha) terem ocorrido em época natalícia. Recordemos que no Natal se festeja o nascimento de uma criança. Cada vez mais me convenço de que é o nascimento em si o verdadeiro milagre do Natal. Todo o nascimento é um milagre, independentemente da maneira de como o bebé foi concebido. Apesar de ser católica, pergunto-me: porque é tão importante insistir na virgindade da mãe do menino? Porque é que uma mãe virgem há de valer mais do que as outras mães? Atentemos a que estamos a falar de uma mãe que apenas não está sozinha, porque o noivo decidiu ampará-la, mesmo sabendo não ser ele o pai do bebé. Pergunto-me se não será essa a verdadeira mensagem do Natal. Não será a função de São José, essa figura tão apagada, a mais importante de todas?

Ainda uma palavra de apreço para a senhora de Stade, que não descansou, enquanto não encontrou o bebé que chorava. Quantos de nós iriam à procura da origem do choro, numa noite de frio e chuva? Quantos de nós não encolhiam os ombros, virando as costas, pensando: “seja o que for, não é nada comigo”?

A pequena Luísa teve muita sorte. Espero que o seu anjinho-da-guarda a continue a proteger e a faça muito feliz!

Luisa 2019-12-14.jpg

* A última notícia que li sobre o assunto, no jornal bissemanário local, e de onde copiei esta imagem, data do passado dia 14 de Dezembro.

Obs: Na imagem, vê-se o subtítulo: „Ainda não há pistas sobre a mãe” (Noch keine Hinweise auf die Mutter). No artigo, porém, encontra-se a frase: „Está por esclarecer quem é a mãe, ou quem são os pais” (Wer die Mutter bzw., die Eltern sind, ist ungeklärt).


42 comentários

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De Anónimo a 18.12.2019 às 18:30

Muito obrigado por este texto.


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De K. R. a 18.12.2019 às 18:37

"E, no entanto, nenhuma mulher engravida sozinha."
Mas decide sozinha se aborta ou não.
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De Cristina Torrão a 18.12.2019 às 18:56

Nem sempre. Conheço casos de moças que foram pressionadas a abortar. Como conheço um caso em que, embora pressionada (pelo pai da criança) não abortou.

Mas, sim, ela pode decidir sozinha.
Em contrapartida, há casos em que é praticamente impossível saber quem é o pai.
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De Vorph Valknut a 18.12.2019 às 18:57

Pronto, lá tinha que vir o amendoim.
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De Vorph Valknut a 18.12.2019 às 18:59

Obrigado pelo texto, Cristina.

Frohe Weihnachten
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De Cristina Torrão a 18.12.2019 às 19:16

Danke, gleichfalls.

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De Anónimo a 18.12.2019 às 19:08

Esses pais estão sempre absolvidos,pelos costumes e pelas leis (pelo que se vai lendo,vendo e ouvindo),Não estão sequer sujeitos à censura social.
Mesmo eu que sou marcolino não tenho qualquer dúvida em que sobra sempre para as mulheres.
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De Cristina Torrão a 18.12.2019 às 19:17

Obrigada pelo seu comentário.
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De Anónimo a 18.12.2019 às 19:44

Mas afinal chama-se Marcolino ou é anónimo?
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De Anónimo a 18.12.2019 às 19:24

Também gostei do texto; não pelo texto mas sobretudo pelo enfoque que dá a ambos os progenitores. Ainda que: a responsabilidade moral do homem é grande, sim; ele abandonou as duas. Pergunto: e ele sabe da gravidez? Ou foi um caso fortuito dos que acontecem tanta vez e que os homens sempre julgam - não se sabe porquê - sem consequências. Ou nem a mãe sabe bem quem é o pai...há que esclarecer. Depois, a responsabilidade moral de ter concebido um novo ser - admitindo que é sabido - será igual à da mulher que o pariu e abandonou à sorte que tinha como fim mais provável não sobreviver? Continua a não me parecer igual, salvo se ela foi vítima de ameaças por parte dele ou coisa que o valha (é preciso averiguar) , mas um crime não deixa de ser crime por ter atenuantes.
Depois, acha mesmo que o facto do jornal referir a dado passo "ou quem são os pais" não carrega sobre a mulher? Mas o título é elucidativo. Não vejo assim tanta diferença com o caso português.
Sim, a força do Natal é o nascimento (de Jesus). A igreja entende que a mãe de Deus terá de ser virgem. Ok, é coisa que não me aquece nem arrefece, mas sinceramente não entendo tal celeuma. Ainda por cima falaram-me nisso numa idade em que não entendia patavina e até bem tarde julguei que Virgem era o nome próprio da senhora. Virgem Maria não me parecia pior ou melhor que o meu próprio nome. Ora aí está.
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De Luís Lavoura a 19.12.2019 às 11:46

A igreja entende que a mãe de Deus terá de ser virgem.

É uma foleirada inqualificável, que este dogma da Igreja ainda se mantenha.

Este dogma remete para duas conceções, (1) que a atividade sexual conspurca, e (2) que a (não-)virgindade é uma caraterística muito importante das mulheres. A segunda conceção está completamente datada, e a primeira é de um terrível mau gosto.

Mas ainda serão precisos muitos papas Franciscos para que este dogma venha a cair.
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De Cristina Torrão a 19.12.2019 às 19:17

Bem, é claro que o pai pode não saber da gravidez, ou porque a própria mãe não sabe quem é o pai, ou porque sabe, mas não o informou. Nestes casos, não se pode realmente acusar o pai. Mas ponho algumas reservas, no primeiro caso, ao tratar-se de prostituição, pois, por um lado, sou cada vez mais contra a prostituição, por outro, o homem também se pode precaver, usando preservativo, que, como sabemos, não é apenas útil como método contraceptivo.

Admitindo que o pai sabe da gravidez, será que a mãe toma a decisão radical de abandonar o bebé, se o pai lhe garantir reconhecer a paternidade e apoio, mesmo que os dois não pretendam viver juntos? Quer-me parecer que os abandonos poderiam ser assim evitados, mas, claro, não se pode garantir, até porque pode haver distúrbio psicológico pelo meio.

Concordo em que nos dois casos referidos, a atitude da mãe é particularmente grave, já que o bebé tinha poucas hipóteses de sobreviver, se não fosse rapidamente salvo. Mas, enfim, no caso alemão, embora seja o mais provável, ainda não há provas de que tenha sido a mãe a depositar a criança no parque de estacionamento.
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De Anónimo a 18.12.2019 às 19:58

Acho, por isso, profundamente injusto ser apenas a mãe a responsabilizada e a pagar pelo crime.

Totalmente de acordo se o pai sabe.

"Mesmo que o pai ignore sê-lo, não deixa de partilhar a culpa, quanto mais não seja, por ter usado uma mulher como quem usa o sofá num momento de lazer."

Totalmente em desacordo. E com comentário sexista ainda por cima, como se mulher "não pode ter usado o homem como quem usa o sofá num momento de lazer." Só os homens têm prazer sexual?

lucklucky
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De Anónimo a 19.12.2019 às 19:02

" Só os homens têm prazer sexual?" É o que parece depreender-se das declarações de certas feministas. Mas é falso e elas sabem que mentem.
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De Cristina Torrão a 19.12.2019 às 19:53

As feministas só contestam o sexo não consentido por ambas as partes. Porque, quando isso acontece contra a sua vontade, a mulher não sente realmente prazer.
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De Luís Lavoura a 20.12.2019 às 09:59

quando [o sexo] acontece contra a sua vontade, a mulher não sente realmente prazer

Falso, Cristina. Fale por si, não fale por todas as mulheres...

Há mulheres que confessam (com vergonha) terem tido orgasmo quando eram violadas.
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De Cristina Torrão a 20.12.2019 às 10:53

Certo, Luís Lavoura, pode acontecer, excepcionalmente. A Natureza, por vezes, funciona independentemente da nossa vontade. Também já se constatou que é possível que crianças tenham prazer, quando são abusadas sexualmente, principalmente, quando o abuso é levado a cabo por alguém que lhes é próximo, como o pai, ou avô, ou a mãe (sim, há mães que o fazem, embora seja raro e um assunto tabu). Abusos destes põem as crianças em situação ainda mais ingrata, tanta é a culpa e a vergonha que sentem. Na verdade, isso só aumenta o trauma, em vez de o amenizar.

Normalmente, uma violação magoa muito e pode até ferir, provocando hemorragia mesmo em mulheres que já não sejam virgens.
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De Cristina Torrão a 19.12.2019 às 19:22

Claro, uma mulher também pode usar um homem "num momento de lazer". Também não vejo essa possibilidade com bons olhos, mas ressalvo que a esmagadora maioria dos homens dizem adorar que uma mulher faça isso com ele. Já o contrário, normalmente, não é apreciado pela mulher. Sobre o caso das prostitutas, planeio ainda escrever.
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De Luís Lavoura a 20.12.2019 às 12:04

a esmagadora maioria dos homens dizem adorar que uma mulher faça isso com ele

A Cristina conhece as opiniões e experiências da imensa maioria dos homens? Uau!

o contrário, normalmente, não é apreciado pela mulher

A Cristina conhece as opiniões e experiências da generalidade das mulheres? Uau!

Cristina, nem você nem ninguém sabe como essas coisas se passam em geral. (Há estudos, claro, mas eu duvido do rigor deles - são feitos com amostras enviesadas de pessoas - de uma só idade, de um só background cultural - e ademais não há qualquer garantia de que as pessoas não mintam.) Não convem falar no geral de "homens" e de "mulheres" em assuntos de sexo.
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De jonhy a 18.12.2019 às 23:15

Talvez porque o menino cujo nascimento celebramos no Natal é Jesus o Deus dos cristãos. Quem não acredita, que não se incomode com a virgindade de Maria . E seja feliz, que a felicidade está ao alcance de todos, crentes e não crentes.
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De Cristina Torrão a 19.12.2019 às 19:30

jonhy, admito que, sendo Jesus filho de Deus, a sua concepção terá de ser explicada de maneira diferente da dos humanos comuns. Porém, e apesar de ser crente, a insistência na virgindade de Maria tem vindo a pôr-me desgostosa, mesmo desiludida, porque põe todas as outras mulheres numa posição desvantajosa. A importância dada à virgindade tem sido algo terrível para as mulheres, causa de muito sofrimento e de uma dualidade difícil de conciliar nos homens. Como conciliar o ideal da mulher pura com a mulher fonte de desejo? Pondo a culpa na mulher, claro! Não posso concordar.
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De Luís Lavoura a 20.12.2019 às 10:05

a insistência na virgindade de Maria [...] põe todas as outras mulheres numa posição desvantajosa

Exatamente. (Quase) Todas as outras mulheres não são virgens, e portanto ficam implicitamente com o rótulo de "impuras" ou "pecadoras", ao contrário de Maria, que era "pura". A insistência na virgindade baseia-se no conceito de que o sexo conspurca, suja ou, no limite, é um pecado.

Já agora, vem nos Evangelhos, e hoje em dia é reconhecido pela maior parte dos estudiosos, que Jesus teve irmãos - pelo menos teve um, Tiago (ou Jacó, em hebraico), que foi o primeiro chefe da Igreja (que nesse tempo não passava de uma seita) em Jerusalém. Portanto, a virgindade de Maria não foi eterna... Maria foi conspurcada, como as outras... Mas disso não fala (aliás, oculta deliberadamente) a Igreja.
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De Costa a 18.12.2019 às 23:40

"Não será a função de São José, essa figura tão apagada, a mais importante de todas?". O Dia do Pai, por cá, é celebrado no dia de S. José. Não deixa de facto de merecer nota isso da tradição católica parecer conferir especial dignidade, ou simbolismo, à paternidade adoptiva.

E essa terá sempre, creio (e salvo infelizes excepções), um grau de reflexão, de cometimento, de empenho bem para lá dos meros acasos e acidentes da biologia e da libido.

Costa
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De Cristina Torrão a 19.12.2019 às 19:38

Caro Costa, também me lembrei do Dia do Pai. Na Alemanha, é festejado no dia da Ascensão de Jesus ao céu, um feriado móvel, no quadragésimo dia após a Páscoa, sempre uma quinta-feira. Em Portugal, esse dia não é feriado, mas confesso que gosto muito mais de saber o Dia do Pai comemorado a 19 de Março, precisamente pelas razões que apontou.
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De Luís Lavoura a 19.12.2019 às 09:13

Pelos vistos torna-se um costume natalício em Stade abandonar recém-nascidos, pois o jornal diz que já em dezembro de 2018 um outro tinha sido abandonado.
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De Cristina Torrão a 19.12.2019 às 19:44

É verdade, Luís Lavoura. Uma estranha coincidência que põe a polícia local igualmente intrigada, pois o caso do ano passado não ficou esclarecido. Ainda estive para referir isso, mas havia outras coisas que gostaria de ter referido e que optei por não o fazer, a fim de não alongar ainda mais o post, que já ficou grande.

Realço, porém, que, no ano passado, a criança foi depositada à porta do centro paroquial, com uma carta, em que a mãe dizia não ter condições para cuidar dela. E a pessoa que a depositou lá (é provável que tenha sido a mãe, mas não se sabe) tocou à campainha, antes de desaparecer, a fim de se assegurar que o bebé seria imediatamente recolhido. A pessoa que abandonou a Luísa arriscou a morte da criança.
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De Luís Lavoura a 19.12.2019 às 09:18

o cliente não quer saber se a mulher que está a usar exerce a “profissão” por vontade própria ou por ser obrigada. Nem sequer se preocupa com o facto de ela poder engravidar

Francamente!

Hoje em dia há contracetivos eficazes a 99%. Praticamente todas as mulheres casadas os usam, quanto mais as prostitutas! O cliente de uma prostituta espera, naturalmente, que ela tome sempre os contracetivos. Se não o fizesse, arriscava-se a perder o emprego em breve!

Eu quando contrato um pedreiro ou um canalizador, também não me preocupo em saber se ele exerce a profissão por vontade própria ou por ser obrigado pela necessidade económica. Se esse pedreiro fôr estrangeiro, também não questiono se ele chegou a Portugal em transporte próprio ou trazido por um qualquer passador. Não há razão para que um cliente se preocupe mais com uma prostituta do que com qualquer outro trabalhador.
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De Anónimo a 19.12.2019 às 11:38

Luís Lavoura, só merece este comentário "nem merece comentário" pense por favor ...
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De Luís Lavoura a 20.12.2019 às 12:07

Obrigado pelo seu comentário, Anónimo! Eu não o merecia!
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De Luís Lavoura a 19.12.2019 às 11:57

Faço notar que, cerca do ano 2000, quando muitos ucranianos (e outros nacionais do Leste) começaram a chegar a Portugal, houve em Portugal alguns assassínios de ucranianos. Crê-se que esses assassínios estavam relacionados com o facto de esses ucranianos terem chegado a Portugal trazidos ilegalmente por redes mafiosas.
Ou seja, não são somente as mulheres que trabalham na prostituição que são trazidas por redes mafiosas e exploradas por elas; ucranianos que trabalha(va)m na construção civil em Portugal estão ou estiveram na mesma situação.
No entanto, nunca ninguém recomendou a nenhum construtor civil português que se preocupasse em saber se os ucranianos que empregava tinham sido, ou eram, vítimas de redes mafiosas. Nunca ninguém culpabilizou os construtores civis portugueses por estarem a dar emprego a pessoas que estavam sob pressão de redes mafiosas. Nunca ningém culpabilizou os clientes desses construtores civis por comprarem casas que tinham sido contruídas por ucranianos vítimas de mafiosos.
Não entendo por que raio pretende a Cristina, ou a Suécia, tratar as mulheres que trabalham na prostituição distintamente do que se trata os homens que trabalham na construção civil.
A prostituição é um trabalho como outro qualquer.
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De Cristina Torrão a 19.12.2019 às 19:49

Para mim, a prostituição não é um trabalho como outro qualquer, embora todo o tráfico humano seja de lamentar.

Quanto a prostitutas e contraceptivos: o caso português provou que nem todas usam. Além disso, o cliente também se pode precaver, usando preservativo, que aliás tem ainda outras vantagens.
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De Luís Lavoura a 20.12.2019 às 12:12

Para mim, a prostituição não é um trabalho como outro qualquer

Pois, eu já tinha percebido isso. Mas é pena que a Cristina não comece por dizer isso à cabeça. Tipo: "para mim a prostituição não é um trabalho como outro qualquer, por isso eu defendo que lhe sejam aplicadas muitas restrições, as quais não são aplicadas aos outros trabalhos todos".

Eu sou um liberal, por isso, para mim, a prostituição é um trabalho como outro qualquer. É um trabalho em que pessoas, que devem ser livres, conscientes, e protegidas pela lei, comercializam serviços umas com as outras.

E deve, de preferência, ser feita em bordéis, nos quais as prostitutas se encontram protegidas pela lei e pelas suas companheiras.
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De Luís Lavoura a 20.12.2019 às 12:19

Quanto a prostitutas e contraceptivos: o caso português provou que nem todas usam.

Mas, se não usam, não podem ser desculpabilizadas por isso. Tal como não se pode desculpabilizar um motociclista por andar sem capacete. ou o agricultor por retirar a caixa de proteção de um trator (prática generalizada entre os agricultores portugueses). Não se pode dizer, "coitadinha, engravidou, a culpa é do homem". É claro que o homem tem culpa, sim, sem dúvida, mas ela também tem!

o cliente também se pode precaver, usando prservativo

Se o proxenetismo não fosse ilegal, como infelizmente é, a prostituição seria praticada em bordéis, nos quais a prostituta estaria protegida pelas outras, e/ou por proxenetas, e se poderia impôr o uso de preservativo.

Como a prostituição é uma profissão no limbo, as prostitutas são autorizadas a desleixar-se com os caprichos dos clientes.
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De Cristina Torrão a 20.12.2019 às 19:31

Não desculpabilizei as mulheres em momento algum. Disse tão-só que elas não deveriam arcar sozinhas com as culpas, com as responsabilidades.
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De Anónimo a 20.12.2019 às 12:45

Pode quer dar-lhe essa intenção de ser um trabalho como outro qualquer. É a sua opção.
Não é!
Não pode desligar a relação humana existente num ato sexual, por muito negociável que seja ou frio.
Um humano não é um boneco insuflável.

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