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O mundo complicado

por Luís Naves, em 15.01.15

Quando o sistema mundial tem muitos protagonistas torna-se difícil manter a estabilidade das alianças e gerir a ascensão ou o declínio relativo de uns e outros. Foi o que aconteceu nas duas décadas anteriores à Primeira Guerra Mundial, quando os impérios europeus estavam fragmentados em cinco potências principais (Grã-Bretanha, França, Rússia, Alemanha e Áustria-Hungria) e surgiam novos poderes ambiciosos (EUA e Japão), enquanto outros se debatiam com a consciência do declínio acentuado (Império Otomano e Itália). Na altura, havia nove actores principais, uma multidão. Depois da guerra, o cenário mudou, com a subida rápida dos EUA e a recuperação meteórica da Alemanha. Nos anos 30, havia quatro potências europeias, cinco se contássemos a Itália, mais a América e o Japão, o que dava sete, criando um conjunto ainda muito instável.

A Guerra Fria simplificou o cenário, mas progressivamente ascenderam novas potências, sobretudo Europa, Japão e China, mas igualmente outras com ambições, embora mais modestas, como Irão, Índia ou Brasil. O facto é que neste momento o sistema internacional tem excesso de participantes, pelo menos cinco principais e três secundários. Não há recursos para todos e alguns vão entrar em declínio e alta ansiedade. Para evitar a decadência, a Europa vai provavelmente acelerar a integração, porventura sem o Reino Unido. O Japão parece ter entrado num confortável ocaso, a China continua a ganhar dimensão, a Índia tem decepcionado. EUA, Europa e Japão são aliados firmes e formam um bloco poderosíssimo. Rússia e China tendem a ficar do mesmo lado, mas isso nunca é assim tão líquido. Há outras potências emergentes, (Índia, Brasil ou Irão), mas julgo que tudo isto somado aponta para um mundo instável, onde os conflitos serão cada vez mais complicados.

Também publicado aqui.

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1 comentário

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De Vento a 15.01.2015 às 12:42

Não concordo com o Luís na visão de um mundo complicado. Significa isto somente e tão somente que os contornos da globalização (Universalidade), como eu sempre defendi, passa por conferir direito de existência a esta imensidão de culturas. A dimensão futura das relações entre países e, consequentemente, entre os povos sedimentar-se-á no princípio da Unidade na Diversidade. Como cristão liberto dos pergaminhos que hoje muitas confissões religiosas cristãs adoptam, e que atribuem sua autoria à ICAR, que é o grupo por mim eleito sob o ponto de vista sacramental, e que se disseminou também pelo ateísmo e não crendice de expressão farisaica, que se subordina no amor à Lei esquecendo a Lei do Amor, sou capaz de compreender que o SOL quando brilha é para todos e não envia suas radiações somente para um grupo que se considera eleito. Por isto mesmo enquanto nesta condição de cristão nunca acreditei em castas escravas de suas pseudo-virtudes que estão aí para ratificar karmas que devam subordinar outros a uma vida servil.

O que ocorreu e ainda ocorre é o facto de existir ainda a mentalidade de que uma ganância estratégica pode ser ditada pela força das armas e da implementação de uma sociedade securitária. Acontece que os acontecimentos pelo mundo provam que não há segurança suficiente, e nunca haverá, para contrariar o desejo de Liberdade dos povos e das pessoas, sejam quais forem as expressões no momento apresentadas.

Os nossos antepassados acreditavam no deus Cronos (Tempo); e mantenho a convicção que este princípio da Unidade na Diversidade deve começar a ser intuído em cada individuo, mantendo a consciência que as necessárias evoluções em toda esta diversidade devem ficar entregues ao Tempo.

Há um ditado português que quero usar para sublinhar o princípio desta reflexão: "Cadela apressada pare filhos cegos".

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