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O Mundo Às Avessas

por Francisca Prieto, em 30.11.16

Há um par de anos, a Associação Italiana de Pessoas com Síndrome de Down produziu este filme, com jovens de toda a Europa, como resposta a uma carta que tinha recebido de uma futura mãe grávida, a quem tinham diagnosticado Trissomia 21 no feto.

Recentemente, a Alta Autoridade Para a Comunicação Social Francesa proibiu a passagem do filme por considerar que era ofensivo para mulheres que tivessem abortado bebés com Trissomia 21.

Este é talvez o filme mais realista que já vi sobre o assunto. Não doura a pílula, não diz que é fácil. Limita-se a dizer que ter um filho com Trissomia 21 não é o fim do mundo. E que, apesar das dificuldades, podemos hoje esperar que estas pessoas tenham vidas relativamente normais.

Não compreendo como é que num país onde se grita por toda a parte que se é Charlie, se censura um filme que mostra o lado bom da moeda de uma situação que parece a priori tão difícil.

Esta censura amordaça o direito dos jovens com Trissomia 21 de gritarem que são felizes. Diz-lhes que a sua felicidade pode magoar mulheres que tenham abortado pessoas como eles. Manda-os serem deficientes lá no cantinho deles, sem fazer muito estrilho.

Se isto não é o mundo virado ao contrário, vou ali e já venho.

 

 

 


2 comentários

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De VAMA a 01.12.2016 às 17:45

Minha cara,

Julgo que na realidade a nossa civilização, socialmente avançada (até que ponto?), apenas deseja, mas hipocritamente não o assume, que regressemos a coisas como esta: "holocausto brasileiro" Daniela Arbex. O remédio milagroso para todos os indesejados.
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De IsabelPS a 02.12.2016 às 13:10

O meu comentário no FB a propósito do artigo do Henrique Raposo sobre o assunto, referido por um dos meus sobrinhos:

Devo dizer que sou absolutamente incapaz de julgar uma mãe ou um pai que, ao saber que vão ter um filho deficiente, não se consideram capazes de o criar e tomar conta dele até ao fim da vida, o que significa muitas vezes para lá da sua própria vida. É verdade também que, ao ser-lhes apresentada a situação, o aconselhamento que recebem é, quase sempre, fortemente a favor do aborto. Mas esta decisão do Conseil supérieur de l'audiovisuel, validada pelo Conseil d'État ultrapassa as marcas todas no sentido do groupthink.

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