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O momento decisivo

por Pedro Correia, em 29.05.16

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Outros dirão, naquele jargão cultivado com tanto esmero pelos especialistas da bola, que Ronaldo "passou ao lado de uma grande partida" e "estava lá mas era como se não estivesse".

Não acreditem.

Ontem à noite, na final da Liga dos Campeões disputada em Milão entre as duas potências futebolísticas de Madrid seguida com calor e paixão nos recantos mais recônditos do planeta, o português guardou-se para o momento decisivo - aquele em que tudo se desenrola em fracções de segundos, aquele em que se comprova com inequívoco rigor quem tem fibra de campeão, aquele em que mais se exige perícia técnica servida por nervos de aço. O momento do penálti que decide um destino, que traça a linha separadora da exígua fronteira entre o sucesso e o fracasso: quem não a transpõe é humilhado na praça pública por multidões de adeptos inconformados, quem a ultrapassa ascende mais um patamar no panteão reservado aos escassos heróis contemporâneos com dimensão global.

Nesse momento decisivo ele estava lá.

Fixou a baliza adversária como se nada mais houvesse para mirar no mundo, tomou balanço, trotou resoluto para a bola e desferiu o golpe fatal com toda a convicção da sua força mental comandando a arte incomparável do seu pé direito. 

Ainda antes de centenas de milhões de gargantas gritarem a mágica palavra golo, já ela se havia tornado realidade na mente daquele homem que foi um pobre menino das ladeiras do Funchal e soube torcer as voltas à vida, construindo uma carreira milionária a pulso. A inevitável inveja alheia só lhe confere motivação acrescida. Porque ele parte sempre à conquista de um novo troféu como se fosse o primeiro que ganha.

É isto que conta: nunca falhar no momento decisivo. Quem ignora que o futebol é uma metáfora do percurso humano tem muito a aprender com Cristiano Ronaldo.

 

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45 comentários

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De V. a 29.05.2016 às 10:58

Os comentadores da RTP (SIC TVI é igual) metem nojo. A seguir ao próprio sistema, fazem parte do tal manto protector de que falava o outro. A torcer descaradamente pelo Atlético nem se percebe bem porquê. Será que equivale ao Benfica lá do sítio. É o clube popular? Não se pode dizer que seja o clube do chulé da República como cá. Então de repente percebemos porquê! Não só o Real se diz "Real" como ninguém ali passa cartão aos iluminados que saem das escolas do Benfica, como o inútil Tiago que estava no banco do Atlético (como recompensa da cosmogonia total que traz para os relvados). O Tiaguinho. Mais um desses parasitas protegidos que, ou entram na selecção, ou cai o carmo e a trindade nas TVs e os seleccionadores são logo corridos. Como acontece com aquele tipo que não joga nada mas é a melhor revelação desde que Gengis Khan andava aos pontapés às cabeças dos chineses pelos palácios pirosos da Manchúria. Mas foi para o Bayern! Pois foi. Vai para o banco do Bayern. Só a realidade os desmente. Mas qual Bayern, falemos do Benfica. Tudo serve para falar do Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica. O Benfica.
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De Pedro G. a 29.05.2016 às 17:33

Estava a ver que só eu é que tinha reparado.
De facto, já não há paciência para tanto facciosismo.
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De Zé a 29.05.2016 às 21:04

Tem toda a razão!
Pelo menos podiam disfarçar, mas nem se dão ao trabalho.
Abdiquei por completo de certos horários das ditas TV...
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De Ataíde a 30.05.2016 às 11:02

Nem a megalocefalia (e a inata jactância!) baixa, nem o abandona. Passados que são 15 dias de ver esfumar a promessa em delírio do 'profeta' das ilusões e ainda tanto sofrimento, hehehe.

Coitado!...temos pena. Aproveite e faça o tratamento do 'melão', dizem ser o fruto indicado para esse tipo de inchaço.



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De ruinomereal a 31.05.2016 às 08:15

Isto tem um nome, na minha terra diz se dor de chifre.
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De V. a 31.05.2016 às 17:42

Vê-se logo que vens de África.
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De João André a 31.05.2016 às 11:24

Não vi a transmissáo televisiva, por isso não posso falar do assunto. Há muito tempo, no entanto que deixei de me interessar pelos comentadores portugueses, que fazem actualmente o velhinho Gabriel Alves ser interessante (ai as saudades do Rui Tovar...).

Só duas correcções em relação a Tiago:
1) era das escolas do Braga, se não me engano. Pssou pelo Benfica mas não foi formado lá.
2) esteve lesionado uma enorme parte da época e apenas há duas semanas recebeu autorização para jogar.

Assim sendo, estar no banco da final da CL já é um feito. Os jornalistas (não portugueses) que cobrem a liga espanhola e que eu leiuo (não consigo ler tudo) são unânimes em o considerar um elemento fundamental para a equipa e, se fisicamente bem, um titular essencial. Além disso é um dos capitães de equipa (Gbi é o capitão, Godín creio ser o seguinte e Tiago o terceiro na linha) e fundamental para o espírito (provavelmente foi por isso que esteve no banco, mais do que pelo que poderia contribuir futebolisticamente após 6 meses sem competição).
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De Anónimo a 29.05.2016 às 14:05

"... e soube torcer as voltas à vida, construindo uma carreira milionária a pulso."
Soube e pôde. Ele é um predestinado excecional para a função.

"A inevitável inveja..."
Não sei se é inevitável. Mas é corrente. Pelo menos entre nós, a mediocridade, que é muita, tenta eliminar os talentos, em vez de os aproveitar como exemplo e se orgulhar deles. Gostamos muito mais dos coitadinhos...

"Quem ignora que o futebol é uma metáfora do percurso humano tem muito a aprender com Cristiano Ronaldo."
A maioria dirá, com desprezo, que, afinal, é futebol...
Esquecem-se que futebol, este futebol, é competição pura.
Onde estão os cristianos ronaldos da educação, da saúde, da economia?!
No futebol, há muito que nos mantemos no top ten.
E nas outras áreas?!
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De Pedro Correia a 29.05.2016 às 20:41

A pergunta que aqui deixa é crucial.
Um dos nossos problemas é lidarmos mal com o sucesso. Enaltecemos os fracassados e reservamos as melhores energias a lançar anátemas contra quem tem êxito.
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De Anónimo a 29.05.2016 às 22:18

Não há invejas, há realismos. Os Cristianos Ronaldos da educação, da saúde e da economia, por muito que queimem as pestanas, por muito que façam pelo outro, jamais alguém lhes dará a importância que dão aos do futebol. Dão tudo ao outro, trabalham horas a fio, sempre em prol do bem ao próximo e qual a recompensa? Cortes de salários e trabalhar mais e mais horas que depois compensam em dias de férias. Nas outras áreas, por muito que se faça, nunca ninguém se lembrou nem lembra, de dar milhões a quem salva a vidas ou a quem pôs alguém, a saber aquilo que nunca saberia se não houvesse quem ensinasse. Ninguém a jogar com uma bola por muito bem que jogue, por muito malabarismo que faça com a bola, merece o dinheiro que lhe dão e a isso chama-se um atentado à dignidade humana. Nada justifica isto.
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De Pedro Correia a 29.05.2016 às 23:54

Você, com estas palavras tão diferentes das minhas, comprova afinal como a minha tese está certa.
Uma adenda: não "dão" dinheiro ao Ronaldo. Ele é que o ganha - algo bem diferente.
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De Anónimo a 30.05.2016 às 02:49

Não referi, em lado algum que ele não o ganhava. Reafirmo que é um atentado à dignidade humana, o que ele e outros, como ele ganham. A questão é outra, o saber-se porque razão, o jogar uma bola vale tanto e salvar uma vida vale tão pouco? São estas questões que nos deviam dar que pensar, mas são essas que nos recusamos a pensar porque a bola, nos toma conta da razão. Penso que todos os outros que tudo fazem em prol do outro, valem muito mais que todos os Ronaldos ou Cristianos...Se formos sérios e justos, vemos que nada justifica tais montantes. No futebol etá tudo errado, deixou de ser um jogo de gente séria, para passar a ser um negócio, onde se jogam milhões e é assim porque nós, apesar de sabermos que assim é, permitimos que assim seja.
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De Pedro Correia a 30.05.2016 às 07:59

Raciocínio típico de quem, em vez de querer acabar com os pobres, pretende acabar com os ricos. Mais: de quem julga que põe fim à pobreza se primeiro exterminar os ricos.
Sem perceber que esta receita já foi inúmeras vezes experimentada. E sempre gerou resultados catastróficos.
Começa nos jogadores de futebol como Cristiano Ronaldo. Depois segue para a Paula Rego, que também ganha fortunas com os quadros. Ou o Júlio Pomar. Segue para o Tony Carreira, que já foi pobre e se tornou rico com discos e espectáculos.
E nunca mais pára. A inveja social como motor da "luta de classes" é uma das maiores fraudes da história.
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De Costa a 30.05.2016 às 11:08

Escrevi por aqui há muito tempo já, e em comentário que mereceu a cortesia de ser destaque de semana, que C. Ronaldo mais não fazia do que, num mercado sequioso daquilo que ele sabe fazer bem, e disposto a pagar por isso somas verdadeiramente impensáveis para o cidadão abastado (ou mais do que isso, pois que se é "rico", em Portugal, com tão pouco) e acima de impensáveis para o cidadão comum, fazer valer placidamente a lei da oferta e da procura.

Obscenos ou não que sejam os valores em causa - e eu, lamento, acho-os verdadeiramente obscenos, atendendo desde logo ao que lhes dá fundamento - C. R. limita-se a usufruir do que lhe proporciona um mundo que ele não criou e que legitima em adulação o que ele faz.

Coisa diferente será tomá-lo como um exemplo - mais do que isso: O Exemplo - para toda uma juventude, todo um povo, a um verdadeiro nível de idolatria sôfrega. Isto num país onde os hábitos de estudo e de consumo de Cultura (perdoe-se-me tão deselegante fórmula) são os que aqui me dispensarei de desenvolver. Não que a sua carreira, o seu esforço, a sua competência naquilo que sabe fazer bem nos não mereçam admiração e respeito.

Mas essa admiração e respeito é diária e publicamente forçada, pelos nossos olhos e ouvidos abaixo, de forma absolutamente desproporcionada, num verdadeiro estímulo de alienação e embrutecimento. Nem todas as crianças nascem virtuosos supremos do futebol. Muitas, a esmagadora maioria, terão que estudar (hábito tão desprezado) e no anonimato, com rendimentos vulgares, casas vulgares, automóveis vulgares, vestuário vulgar, adereços vulgares, férias passadas em locais vulgares, gradualmente e com problemas tão vulgares como fazer o dinheiro chegar e pensar longamente antes de fazer uma compra, fazer-se professores, médicos, canalizadores, cientistas, pilotos, engenheiros, motoristas, carpinteiros, advogados, comerciantes, o que se queira e que tanta falta faz, qualificadamente sobretudo, na marcha de uma sociedade.

Mais falta, ouso dizer (e isso já me valeu olhares e palavras nada amistosos), do que uma estrela do futebol, incapaz de resistir à exibição ostensiva da sua riqueza material e que num dia mau falha um penalti , havendo tanta gente, fundamentalmente anónima e banal de rendimentos, que "num dia mau", por azar, no exercício da sua profissão, mata ou prejudica profundamente uma ou muitas vidas.

Quanto à fortuna que possa ser ganha por artistas, por quem proporcione Cultura (cultura, mesmo, não arrivismos e modas passageiras), robusta que ela seja, não creio, salvo talvez raríssimas excepções, que atinja os valores da de um futebolista de topo. O que se pede ou paga por um quadro escandaliza mortalmente muita gente (que começa por afirmar que pintaria aquilo perfeitamente) que saliva em deleitosa submissão perante a (tantas vezes quase histérica) hagiografia e os valores de que se ouve falar no mundo do futebol. E não só a propósito de Cristiano Ronaldo.

E ao escrever isto não me acho, muito sinceramente, um invejoso social ou um ser fraudulento.

Costa
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De Pedro Correia a 30.05.2016 às 11:22

Caro Costa, creio francamente que Portugal seria um país incomparavelmente melhor se cada um de nós se comportasse, na sua esfera de actividade, como Cristiano Ronaldo. Com a abnegação, o esforço, a diligência, a disponibilidade, a saudável ambição, a capacidade de superação contínua de dificuldades e problemas que ele revela. Sem um lamento, sem um queixume. É o primeiro a comparecer nos treinos e o último a sair - sempre revelaram os seus colegas, não só os de agora mas os de sempre.
Quando se fala em futebol muitos esquecem que não se trata apenas de um desporto. É também indústria, é também comércio, é também um poderoso factor de atracção turística. E um dos maiores veículos de mobilização social das sociedades contemporâneas. Só em Portugal gera cerca de 80 mil postos de trabalho, directos e indirectos.
Fala-se muito do que o CR ganha, nunca se fala do dinheiro que tem dado a ganhar. É incalculável.
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De Costa a 30.05.2016 às 13:27

E essa é, meu caro, crença que eu partilho. Muito diferente seria o nosso país se tantos e tantos de nós se comportassem com essas qualidades que invoca e que não me passa pela cabeça negar em C. Ronaldo (ainda que, fará o favor de me conceder, goste-se ou não, certo espírito de desistência geral - esse espírito, apenas - acabe justificado pela dolosa actuação de deletério parasitismo do Estado, da Administração Pública, do fisco: dar tudo por tudo, cada um de nós, para quê, para isto que temos e de que manifestamente não passamos?). Não é Ronaldo, definitivamente, quem está mal no legítimo aproveitamento das oportunidades que a vida lhe deu.

Isto aceite, sucede que não consigo - falha minha, não duvido - separar Ronaldo, apesar de todos os seus méritos, de um culto de personalidade, com a agravante de o ser com público patrocínio e muito para lá do higienicamente aceitável, e da imagem de um jovem publicamente deslumbrado pelo dinheiro (que é seu, não passa pela cabeça negá-lo) de que dispõe, coisa aliás que não é fraqueza exclusivamente sua. E como tal não necessariamente o melhor modelo de conduta para as massas, pois que é por essa imagem imediata de estrelato e abundância utópicas, de sucesso, sucesso e sucesso imediatos e garantidos em tudo na vida que ele fica conhecido, que é trabalhada a sua imagem, bem mais do que como exemplo de trabalho, de disciplina e até de fracassos ultrapassados com modéstia, aprendizagem, labor e paciência, coisa que é apontada isso sim quando interessa invocar, para derreter corações e pela muito emocional e vendável enésima vez, a história da (muito respeitável, evidentemente) família madeirense por ele resgatada da penúria ou pior.

Depois há isso que hoje em dia atribui ao futebol. Eu lembro o duradouro legado "arquitectónico", "urbanístico" e financeiro de certo campeonato por cá disputado e que de facto terá dado muito dinheiro a ganhar. Os casos fiscais envolvendo clubes, a especulação imobiliária, bombas de gasolina e similares. A absoluta proliferação embrutecedora de programas televisivos ou radiofónicos em torno não do jogo, da modalidade desportiva - que do que me apercebo até nisso acaba por ser mero pretexto -, mas do mundo de intrigas, escandaleiras, linguagem e modos de caserna, sabiamente cultivados para que, com manifesto gáudio e comoção da turba, mesmo os mais circunspectos senhores doutores possam uma vez por semana aliviar-se publicamente, e a pretexto de um tema que tudo legitima, da sua faceta reprimida de desordeiros verbais (pelo menos) sem modos. Uma espécie de tempo de antena enternecidamente cultivado, aliás, para gente ligada a partidos de uma a outra ponta do espectro político. Um mundo em que "dirigentes", trabalham metodicamente e na mais espantosa impunidade o cultivo de ódios regionais e onde mais, muito mais, do que o mérito da vitória leal se incute a busca da humilhação do adversário (clube, adeptos, região) visto como inimigo figadal.

Não fosse assim caro Pedro Correia, não seriam necessários nos jogos de futebol, eventos de "alto risco", nesse universo em que com todo o mérito pontifica Cristiano Ronaldo, os conhecidos contingentes policiais. Para tal serviço, aliás, sempre disponíveis. Que não para outros.

É tema este em que, receio, raríssimas vezes estaremos de acordo. Mas sempre com um trato cortês e felicitando-nos pela possibilidade dessa divergência.

Costa

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De Pedro Correia a 30.05.2016 às 20:38

Meu caro, nisto divergimos. Eu gosto muito de futebol, você não aprecia aquilo a que chamam desporto-rei (um traço, entre tantos outros, da superioridade monárquica no imaginário colectivo: ninguém diria 'desporto-presidente').

Convergimos no entanto na crítica à megalómana sangria de recursos públicos - paga por todos nós - ocorrida no Euro 2004. Tempos supostamente de vacas gordas que eram afinal tempos de ilusão: ainda estamos a pagar por essa desbunda.

Quanto ao Ronaldo, eu não opino sobre a vida privada ou social dele. É uma dimensão que pouco ou nada me interessa. Limito-me a observá-lo como desportista. E aí sim, é modelar. Trabalha sempre para o máximo, nunca para o mínimo ou para o assim-assim.
Nesse aspecto é um exemplo a seguir. Veio de uma família "desestruturada", como agora se diz, estaria condenado pelos genes ou pelo destino a uma existência anódina na melhor das hipóteses, mas fez das fraquezas forças e construiu o percurso a pulso. Sem pisar ninguém, mas também sem pedir licença a ninguém.
Quanto mais o criticam, quanto mais o vaiam, mais ele se capacita de que é capaz de superar os obstáculos.
Nisso, insisto, faz parte da excepção - não da regra. Motivo acrescido para merecer elogio.
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De Costa a 30.05.2016 às 22:34

Como bem diz, meu caro, não fui tocado pela Graça. Mas estou absolutamente de acordo consigo nessa superioridade monárquica que invoca. Quanto ao desporto e quanto a tudo o resto.

Eu que, há uns anos, não colocava verdadeiramente a questão de regime (não ignorando, contudo, a assassina pulhice de génese do nosso regime republicano e a iniquidade da sagrada primeira república).

Costa

Ps.: faça o favor, rogo-lhe, de viver cada segundo da sua paixão pelo futebol. Se todos o fizessem como o Pedro Correia, não duvido que mesmo este ateu da bola reagiria com bem mais bonomia. Como as coisas são, havendo jogo em Alvalade ou na Luz, eu - que moro quase a rigoroso meio caminho de um e outro estádios - tendo a barricar-me em casa, em adiar saídas ou atrasar regressos, até que se dissipe o toleradíssimo caos de trânsito e parqueamento, e as marchas de hordas asselvajadas e com licença para a incivilidade que esses sublimes acontecimentos sempre proporcionam.
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De Pedro Correia a 30.05.2016 às 23:31

Meu caro, respeitando naturalmente a sua posição de "ateu" futebolístico, agradeço-lhe as palavras na parte em que me toca.
É um gosto trocar impressões consigo.
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De Anónimo a 30.05.2016 às 13:13

Raciocínio típico, de quem leva sempre os raciocínio para onde quer e nunca é capaz, de reconhecer que os outros, também têm alguma razão, mas como não dizem aquilo que quer, é assim. Como nunca podemos ser todos ricos, melhor seria, não haver tantos ricos, riquíssimos. Raciocínio de quem quer um mundo melhor. Raciocínio de quem nunca viu nenhum atleta, nenhum ginasta, nenhum nadador...que por muito que trabalhe, nunca teve a sorte de ficar rico com milhões, mas que também mostram ao mundo, o quão bons são naquilo que fazem. O futebol é um jogo de equipa, onde todos dão o seu melhor, mas só um, é enaltecido. Há uma diferença entre estes e o futebol, é que o futebol é o ópio do povo e enquanto assim for, vai adormecendo as pessoas que só vêem o jogo e o resto passa-lhes ao lado.
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De Pedro Correia a 30.05.2016 às 15:09

Eis a alergia tuga ao sucesso em todo o seu esplendor. Mascarada, como a regra recomenda, de verniz socializante. E recorrendo ao anonimato, como a tradição igualmente recomenda.
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De Anónimo a 30.05.2016 às 18:05

Fale do sucesso dos outros, os quais lhe passam ao lado, será alergia? Também eles treinam, estafam-se horas e horas e nunca terão milhões.
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De Pedro Correia a 30.05.2016 às 20:30

Alergia, só a quem opina sem assinar.
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De Anónimo a 30.05.2016 às 16:31

A inveja social é a pobreza humana que faz com enxerguemos, apenas aquilo que queremos e não enxergamos aquilo que deve de ser. Um mundo mais justo, mais igual e não um mundo, onde uns esbanjam, outros mendigam. Enquanto não houver esta sensibilidade nada feito. Não deturpe que é perito nisso, aqui não há inveja, há moralidade.
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De Pedro Correia a 30.05.2016 às 23:29

A única coisa em que você é perito é em ocultar a identidade.
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De Paulo a 30.05.2016 às 19:06

Parece que desconhece os "Cristianos Ronaldo" das outras áreas... Simplesmente não os conhece porque não são divulgados. E porque não são divulgados? Porque não é do interesse do público em geral. Por exemplo, temos uma Elvira Fortunato que dá cartas na Electrónica (desde os transistores de papel à electrónica transparente), temos um Português especialista mundial de topo na área da Inteligência Computacional (José Príncipe), tivemos ainda recentemente um Português (a trabalhar numa universidade Americana) indemnizado com 750 milhões de dólares resultantes da violação de uma patente por parte de uma empresa, temos um Português à frente de um dos Bancos mais importantes do Reino Unido, tivemos um Nobel da Literatura, um Nobel da medicina, temos vários investigadores e cientistas de topo no estrangeiro e que são perfeitos desconhecidos, temos no país diversos investigadores que publicam os seus trabalhos nas revistas científicas mais prestigiadas, temos vários cientistas a trabalhar no CERN, etc...No entanto, a maioria destes não ganha sequer um décimo do Cristiano Ronaldo...mas será que fazem menos pela Humanidade ou até mesmo pelo País?
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De Pedro Correia a 30.05.2016 às 20:29

Lá vem a obsessão com o dinheiro. O que tem a ver o valor das pessoas com aquilo que ganham?
O mérito não se mede em cifrões.
Mas se quer enumerar outros Cristianos Ronaldos, noutras áreas, podemos fazê-lo. Quase todos foram (ou são) ainda alvo de duras críticas dos compatriotas, que não suportam o sucesso alheio. A Joana Vasconcelos faz sucesso lá fora? É uma pindérica, grita-se logo daqui. O Saramago ganhou um Nobel? Era um comuna ressabiado, uivou-se deste lado. A Paula Rego é celebrada como uma das melhores pintoras contemporâneas? Os quadros dela são horríveis, dispara-se logo da douta Lusitânia. A Daniela Ruah triunfa em Hollywood? Logo alguém garante em português sonante que ela mal sabe representar. Mourinho é considerado o melhor treinador do mundo? Mas que disparate, grunhem os patrícios de norte a sul. Barroso foi presidente da Comissão Europeia? Mas que bimbo, urra-se em Lisboa e arredores. Guterres pode ser secretário-geral da ONU? Eles lá devem estar loucos, berra-se neste rectângulo.
Nós celebramos o fracasso, não o triunfo. Está nos nossos genes.
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De João André a 31.05.2016 às 11:27

Pedro: pode estar na cultura, mas não nos genes. Estes não são diferentes por aí além dos de qualquer outro povo.
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De Pedro Correia a 31.05.2016 às 11:38

Há características culturais que se incorporam na carga genética, João. Isso já está comprovado.
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De Maria Dulce Fernandes a 29.05.2016 às 15:04

Vi o replay, que juntamente com as palavras que escreveu, me marejou os olhos e fiquei de ganganta górdia , mal podendo respirar , tanto me afogava o orgulho . Diz-se ser um dos pecados mortais, o orgulho. Mea culpa and whatever.
Muito e do bom.
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De Pedro Correia a 29.05.2016 às 20:42

Orgulho bom, sim. Faz-nos muita falta enquanto povo, Dulce.
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De Ana a 29.05.2016 às 21:14

Apreciei imenso o que escreveu e só lastimo a a "carrada" de invejosos que povoa este país. Parabéns ao grande Cristiano Ronaldo.
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De Pedro Correia a 29.05.2016 às 23:55

Obrigado, Ana. Lamento muito esta incapacidade tão portuguesa de dar mérito a quem o tem. Tanta coisa vai mudando entre nós, mas esta lamentável característica persiste.
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De Teresa a 30.05.2016 às 16:20

Faz um pouco de impressão ler/ouvir que não jogam nada. Individual ou como equipa.
Depois de tudo o que se passa e se jogo para chegar a essa Final será de imensa desonestidade intelectual sequer pensar uma coisa dessas, quanto mais afirmá-la.
No "calor" do jogo é fácil ficar frustrado porque os golos não entram - e tanto faz para o lado que pendemos - porque parece que ninguém arrisca a carne toda no assador como nós - desde o sofá ou a mesa do bar - o faríamos ;).
Ontem - depois de passado o alívio de saber o final (eu nem o penalti consegue visualizar temendo que tanta negatividade dos Athleti à minha volta, estragassem a festa a CR7) voltei a rever o jogo e bolas! grande e brilhante jogo que ali foi feito. Grande espectáculo de futebol mesmo. Com momentos de tudo comme il faut a este nível.
Sim Ronaldo que foi só melhor marcador de TODO o torneio ;) não marcou tudo o que "deveria" (???) ter marcado durante os, de preferência, 90 minutos. Mas quantas vezes foi o detalhe dele que trouxe o Real a San Ciro.
Gente de fraca memória dá nisto e já ontem se ouvia que com Éder não era preciso nenhum Ronaldo. Franca, e mesquinha, memória que entristece quem se revê nesta sua análise.
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De Pedro Correia a 30.05.2016 às 23:28

Também me faz impressão, Teresa. Embora não me surpreenda. Porque nós, portugueses, somos assim: arrasamos de imediato quem se destaca da mediania. Por isso CR, quando vem a Portugal, ouve volta e meia uns quantos imbecis a gritar "Messi! Messi!"
Eu não imagino nenhum argentino a gritar "Ronaldo! Ronaldo!" à passagem do craque do Barcelona.
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De Anónimo a 30.05.2016 às 17:53

Façam como eu, tiro o som da tv e assim já não tenho que ouvir os comentários de gente recalcada, que se aproveita do tempo de antena para alimentar clubites, sabe-se lá a troco de quê. Com a crise que por aí anda, na volta ate ganham uns vouchers para a sopa dos pobres.
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De Pedro Correia a 30.05.2016 às 20:22

O Artur Jorge aconselhava até a ver jogos ao som de Mozart. Fia mais fino.
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De Pedro Sousa a 30.05.2016 às 18:02

Tirando a grande penalidade, Ronaldo fez o mesmo que outro grande jogador português presente naquele estádio...Tiago. Tiago não jogou e Ronaldo tirando estar em campo, não fez mais do que o outro. Passou ao lado do jogo, e não é por ter convertido a última grande penalidade (como aliás fizeram todos os jogadores do real) que merece algum destaque.
Goste-se ou não do real, na final, durante a segunda parte do jogo e durante o prolongamento só uma equipa procurou marcar, e essa foi o Atlético. Quis a sorte do jogo premiar quem defende desde o intervalo...
Uma palavra para o Ramos que ele sim é decisivo em todas as finais que o real disputa.
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De Pedro Correia a 30.05.2016 às 20:21

Já cá faltava o chavão: "passou ao lado do jogo". Como é que alguém que marca o golo decisivo, aquele que permite ao Real Madrid elevar a sua 11ª taça de campeão europeu, passa ao lado do jogo?
O facto é que CR jogou em más condições físicas, com evidentes problemas musculares. Só não percebeu quem não quis ver. Percebeu-se na dinâmica condicionada, na velocidade reduzida. Outro no lugar dele ficaria em pousio, resguardando-se para o Campeonato da Europa que começa daqui a dias. Mas ele insistiu em jogar: esteve mais de duas horas em campo. E no momento da verdade não vacilou.
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De Pedro Sousa a 30.05.2016 às 21:03

Não é chavão nenhum. Há treinadores que fazem substituições de propósito para as grandes penalidades (europeu de sub -17 por exemplo). E não é por um jogador entrar e marcar o penalti, que faz dele um herói, porque para trás ficaram 120 minutos nos quais pouco ou nada fez.

Marcou o golo decisivo? Todos os que marcaram penaltis antes dele tiveram a mesma responsabilidade, porque se falhassem corriam o risco de perder o jogo. Não há penaltis mais importantes do que outros (o mais importante feitas as contas, foi o falhado pelo Atlético).
Debilidades físicas? São jogadores de futebol e não maratonistas. Correm uma dúzia de km por jogo, duas vezes por semana e ficam neste estado? Os do Atlético, com mais jogos nas pernas correram muito mais.
E passou ao lado do jogo. Tal como outros jogadores do Real. Não tivesse sido o tal penalti e poder-nos-iamos questionar sobre a sua participação no jogo.
Não é por ele ser português que temos que lhe dar mais crédito do que ele merece. Nesta final, tal como na de Lisboa, do Cristiano pouco se viu. Não ganhou duelos contra os defesas do Atlético, não esteve veloz, as fintas sairam quase todas mal. O que não deixa de ser preocupante porque há mais uma competição à porta.
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De Pedro Correia a 30.05.2016 às 23:26

Três vezes o mesmo chavão: "passou ao lado do jogo". O importante é denegrir aquele que milhões de adeptos do futebol, de todas as nacionalidades, consideram o melhor jogador do mundo.
Não conheço nenhuma outra nacionalidade como a portuguesa tão propícia a dizer mal do que é nosso. Nisto funcionamos às avessas da esmagadora maioria dos povos.

Repito: Ronaldo não passou ao lado do jogo. Jogou diminuído fisicamente por ter sido afectado em data muito recente por uma lesão muscular. Mas o treinador Zidane deixou bem claro antes do jogo que ele teria de ser titular, nem que fosse ao pé coxinho. Confiava nele.
E tinha motivos para confiar, como se viu. Porque Ronaldo é mesmo assim. Na hora da verdade não falha.
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De Anónimo a 30.05.2016 às 22:49

O Ronaldo não fez um jogo brilhante nem nada disso, marcou um penalti bem marcado como os outros quatro, fez o mínimo aceitável e é o herói do jogo?
Porque?
Se tivesse sido o Marcelo a marcar o ultimo penalti ia ser ele o herói do jogo?
Uma equipa são 11 jogadores, houve muitos lá que contribuíram mais para a vitoria do Real do que o Ronaldo mas o Ronaldo é que é deu a vitoria ao Real porque não falhou um penalti?
Admiro muito o trabalho dele mas não vamos exagerar nem ser fanáticos(o que muitas vezes nos impede de ver as coisas com clareza como é o seu caso) só porque ele é português.


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De Pedro Correia a 30.05.2016 às 23:22

Este comentário anónimo é o exemplo vivo da minha tese: em Portugal cultiva-se o fracasso e despreza-se o sucesso.
Imagine-se a situação inversa: o melhor jogador espanhol a jogar no melhor clube português contribuindo para o 11º título de campeão europeu desse clube. Alguém imagina algum espanhol apressar-se a denegrir o compatriota? Não. Diriam logo que tinha sido ele mais dez.
Aqui é o contrário: há logo quem se apresse a apedrejar o português que "ousa" ser campeão e "ousa" marcar e "ousa" distinguir-se da mediania e da mediocridade.
Repare-se: este anónimo nem sequer diz que ele marcou o penálti. Diz que ele "não falhou um penálti". Típico raciocínio tuga.
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De Anónimo a 31.05.2016 às 10:58

Ninguém está a apedrejar nem a desvalorizar ninguém.
E isto não tem nada a ver com cultivar o fracasso em vez de premiar o sucesso.
O autor deste texto só vê Ronaldo que nem é capaz de admitir que o Ronaldo pouco ou nada fez para ganhar o jogo, apenas marcou um penalti.
Se o atlético não tivesse falhado seria provavelmente outro a marcar outro golo para o Real ou então o penalti do Ronaldo valia tanto como o dos outros.
E isto não é não apoiar um português, é simplesmente reconhecer todo um exagero fazer dele figura do jogo quando só fez o mínimo aceitável.
O homem do jogo deveria de ser o Sérgio Ramos que fez bem mais que o Ronaldo.
Acha normal esta cultura em que temos que elevar aos seus o Ronaldo só porque é português?
O autor tem uma clara dificuldade e aceitar as opiniões alheias, acha-se o dono da razão quando encontra alguém com uma opinião contraria é porque não percebemos nada disto ou somos uns invejosos com mentalidade retrogada.
Muito se podia dizer acerca disso mas nem vale a pena.

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De Pedro Correia a 31.05.2016 às 11:07

O autor do texto, a quem você se refere em tom desdenhoso, tem nome. Ao contrário do que parece suceder consigo.

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