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Delito de Opinião

O meu voto

Paulo Sousa, 27.01.22

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Foi com o pensamento da semana, há algum tempo atrás aqui partilhado pelo José Meireles Graça, alojado na mente, que dei por mim a questionar o meu voto, que como aqui confessei, planeava ser destinado ao PSD.

De facto, o nosso voto não conta para nada. É uma ínfima gota dentro de um imenso oceano de que a sua ausência ninguém notará. Mas a democracia, esta maravilhosa máquina que tornou obsoleto o uso da força na rotação do elenco no poder, é frágil e por isso tem de ser estimada. Tal como uma planta necessita de água, a frágil democracia é alimentada com a nossa humildade.

O meu voto no PSD seria um acto de frieza, um voto apenas táctico contra a actual situação e alimentado com o receio de que se pudesse perder por força do método de Hondt. Olhando para o número de 10 deputados atribuído ao círculo eleitoral de Leiria e para os resultados das Legislativas de 2019, o terceiro partido foi o BE que com 20.925 votos elegeu um deputado. Acontece que o último dos 10 mandatos foi conseguido com apenas 14.992 votos. E estes quase 6.000 votos fazem uma grande diferença.

Olhando para a dispersão de votos do círculo de Leiria nas legislativas, o PSD e o PS ficam regularmente com 5 e 4 mandatos, ou 4 e 5, e é o terceiro partido que fica com o restante. Este terceiro partido foi o CDS durante alguns anos e mais recentemente o BE.

Ora no próximo dia 30 este duelo dos mais pequenos será disputado entre o Chega e a IL, podendo até repetir-se um cenário parecido com o de 2009 em que o PSD e o PS tiveram 4 mandatos cada, a que se juntaram um do CDS e outro do BE.

Assim, olhando para o que a IL com o seu deputado único conseguiu fazer no nosso Parlamento, pelos temas que trouxe ao debate político e que claramente condicionaram o discurso dos todos os demais partidos, por ter mostrado aos portugueses que existe uma alternativa ao marasmo económico e ao brutal endividamento que o PS, que governou em 19 dos últimos 26 anos, nos colocou, este jovem partido mereceria sempre o meu apoio. Mas para além disso vi também a incrível dinâmica que a campanha da IL, liderada pelo Dário Florindo, colocou no terreno, e ciente da mobilização que os seus apoiantes tem conseguido entre eleitores mais jovens, achei que era mesmo a eles que deveria entregar o voto. É apenas um. Entrego-o com humildade, mas com convicção.

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