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O meu vizinho Canetti

por Pedro Correia, em 16.04.18

20180415_122158-1.jpg

 Livraria Bertrand, Avenida de Roma (Lisboa), ontem de manhã

 

Encontrar livros nossos à disposição do público nos postos de venda tem destas ironias saborosas: a minha mais recente obra, 2017 - As Frases do Ano, surge junto A Língua Resgatada, de Elias Canetti. Que figura há anos entre os meus autores de culto.

Por uma vez somos vizinhos, caro Elias. Nem imaginas como me satisfaz.

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26 comentários

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De Luís Lavoura a 16.04.2018 às 15:23

É uma disposição casual: as livrarias Bertrand estão constantemente a mudar a posição dos livros que têm em exposição. Não ficam na mesma posição mais do que uma semana, creio; e é se ficarem tanto!
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De Sarin a 16.04.2018 às 16:05

E é um balde de água fria também casual, espero...

Luís Lavoura, sabemos isso, outros haverá que o não sabem - duvido que o Pedro Correia pertença a este grupo!

Mas contar a verdade, mesmo que de um inocente segredo de Polichinelo, a alguém que está feliz é como dizer a uma criança que o Pai Natal não existe: maldade :(
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De Sarin a 16.04.2018 às 16:09

Não conheço nada do autor que admira.

Mas o título parece colocar o livro na linha dos ensaios...

... mais um motivo para me obrigar a ir ao centro comercial, vá lá que estão lado a lado - sou preguiçosa.

E não percebo a mania que a Bertrand tem em se encafuar em centros comerciais quando as ruas são tão mais bonitas!!!!
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De Pedro Correia a 16.04.2018 às 16:12

Esta livraria tem porta para a rua, Sarin. À boa moda antiga.
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De Sarin a 16.04.2018 às 16:44

Quando posso vou ao Chiado - que linda ficou! Mas senti-a mais desorganizada, talvez por ser Natal e eu estar habituada às boas gentes que me aturam naquela que mais frequento, ali no Alto do Vieiro depois de passar as escadas rolantes...

Enfim, a "Rua 32" fechou há anos - não duvido que o teriam em destaque, Pedro, mesmo que sem desconto... Felizmente sobreviveram outras, mas com horários mais envergonhados, uma pena.

Na Bertrand, apesar da iluminação artificial, sabem de literatura e não há cheiro a café, só a livros :)
(E agora tenho que me retractar, ou ainda acontece como aquando das Grandes Invasões de Pip Oca)
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De Vlad, o Emborcador a 16.04.2018 às 16:15

Confira:

Auto-de-fé é o único romance de Elias Canetti. Obra magistral, catapultou este escritor de génio forte e individual para a categoria dos principais autores europeus, ao lado de Robert Musil, Hermann Broch e Karl Kraus. Proibido pelo regime nazi aquando da sua publicação, este é hoje considerado um dos livros fundamentais da história da literatura ocidental. Auto-de-fé narra a história do professor Peter Kien: sinologo e erudito. O seu apartamento é uma imensa biblioteca onde Kien se refugia para evitar todo e qualquer contacto físico e social. O ponto de viragem da sua vida é o casamento com Therese, a sua governanta. Se Kien é um homem composto de livros, Therese é a sua contrafigura pragmática e mesquinha. Expulso da sua própria casa, Kien empreenderá uma viagem aos infernos, com final trágico e surpeendente.

https://www.wook.pt/livro/auto-de-fe-elias-canetti/10895047
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De Sarin a 16.04.2018 às 16:51

Obrigada pelo resumo, Vlad.

Duplamente satisfeita: por perceber que Cannetti escreveu sobre matéria que muito aprecio, e por verificar que as maleitas não vingaram sobre a vontade.
Boa continuação, mas cuidado porque as cervicais ficam danadas com a brincadeira... :)
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De Luís Lavoura a 16.04.2018 às 16:20

Há realmente livrarias Bertrand em espaços horríveis. A do Chiado é má, a do Campo Pequeno é pior.
Mas a do Picoas Plaza é bastante agradável. Melhor que a da Avenida de Roma.
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De Sarin a 16.04.2018 às 17:45

Acho o espaço do Chiado bonito, aconchegante.
E muito mal aproveitado, confesso: merecia ser menos impessoal, mais organizado, mais biblioteca - porque uma livraria onde não se possa folhear calmamente e absorver um suave aroma ou a essência de um livro não passa de um supermercado de letras.
Precisa de menos cartazes, de mais prateleiras. E recantos para pousar, folhear, revirar um livro e um outro a seguir. Sofás são dispensáveis, mesas não. Excepto talvez para quem compra pela capa.

Não me lembro de entrar nas outras que refere, mas acredito - embora a imagem que tenho da de Picoas não seja das melhores.
Mas se calhar ainda é a sépia, por isso anoto a sugestão e tentarei passar por lá numa próxima ida à metrópole.
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De Luís Lavoura a 16.04.2018 às 17:58

Acho o espaço do Chiado bonito, aconchegante.

Eu a recordação que tenho dele (já não vou lá há anos, e não desejo voltar) é a de um espaço muito atravancado, onde as pessoas mal têm espaço para se mexer, há gente a mais, e muito escuro e profundo, gerando sensações de claustrofobia mesmo em mim que não sou claustrofóbico.

Uma livraria, tal como qualquer outra loja, quer-se com espaço para as pessoas se mexerem e com luz natural.
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De Sarin a 16.04.2018 às 19:59

Foi remodelada.
Mas ainda bem que há gostos distintos e respostas para esses gostos.

Livrarias com luz natural? Isso é uma raridade, se não mesmo um contra-senso: seriam necessárias muitas janelas e clarabóias, poucas prateleiras... e um horário pouco flexível. E embora aprecie livrarias com montras grandes de rua, quero iluminação qb para poder ler as letras pequeninas das bandas das contracapas, quero livros e livros para poder navegar, quero gente a comprar para que a livraria não feche por falta de clientes - pelo menos por isto, não.
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De Pedro Correia a 16.04.2018 às 20:06

A Bertrand do Chiado está numa das melhores fases de sempre. Remodelada mas mantendo a 'patine' dos tempos de um Eça, um Pessoa, um Aquilino.
A apresentação do meu livro será precisamente lá, o que muito me orgulha.
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De Sarin a 16.04.2018 às 20:16

Um excelente local, Pedro!
E quando?
Já agora, uma voltinha pelo País, sei lá, 150km a Norte, não?
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De Pedro Correia a 16.04.2018 às 20:30

Depende da editora. O meu livro anterior teve sessões de apresentação no Porto, em Braga e Viseu. Foi excelente.
Mas cada caso é um caso.
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De Sarin a 16.04.2018 às 20:52

Então tente arranjar um caso para Leiria, sff.
A Bertrand fica mesmo à saída da A8 :)
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De V. a 16.04.2018 às 19:25

Pelo menos na parte das artes a Bertrand do Chiado está recheada de livros difíceis de encontrar noutros sítios (na FNAC é uma miséria, mas a FNAC já se conformou a ser apenas uma loja de electrodomésticos) e gosto de lá ir, embora admita que há ali qualquer coisa de gruta decadente e que se os empregados estivessem a virar bifanas e a sacar super bocks não se notaria diferença nenhuma no atendimento.
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De Pedro Correia a 16.04.2018 às 19:39

Serei talvez suspeito, mas para mim a Bertrand dá 10 a zero à FNAC.
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De Sarin a 17.04.2018 às 00:07

Foi um pouco esse distanciamento que senti, V., esse nem-estou-nem-me-interessa.

Mas dei o desconto por ser época de Natal - remexidos os livros, cansados os funcionários e os clientes, uns carregados de compras outros de impaciências...

Espero que esteja agora como disse o Pedro - um quase-Paraíso, portanto :)
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De V. a 16.04.2018 às 19:33

O centro comercial do campo pequeno é horripilante — parece um antro tropical, cheio de lojas de sandes manhosas e só falta o crrrr das pistolas de tatuagens e uma cena de porrada com facas entre afro-descendentes. É o tipo de sítio onde se encontram bruxas brasileiras, conchas, búzios e pulseirinhas de pano dos anos 80.
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De Pedro Correia a 16.04.2018 às 20:04

Gosto muito da Bertrand do Chiado. E sou frequentador assíduo das livrarias na Avenida de Roma, no Vasco da Gama e nas Amoreiras - estas duas em centros comerciais mas com a sua personalidade muito própria. E cheias de livros, ao contrário da FNAC, que tem sobretudo artefactos tecnológicos.
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De Sarin a 16.04.2018 às 20:47

FNAC para mim é sinónimo de ar condicionado.
Condicionado a aleatoriedades literárias... ordem alfabética? Há lá algo mais impessoal?! "Humm, hoje apetece-me um autor em R..." Pffff...!
Condicionado a rotações de serviçais... "Sugestões nesse estilo? Olhe, temos ali no expositor os mais vendidos da semana" Grrrr!!!!
Condicionado a urgências e a nítidos "esta-não-é-a-minha-praia" pré-embrulhados e prontos-a-levar: "só um bocadinho, eu não sou daqui, vou chamar alguém do sector" Eu não preciso de quem me ensine a pesquisar no computador as "existências do artigo", eu quero gente que fale livrês...
Más experiências? Talvez, mas suficientes.
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De Vlad, o Emborcador a 16.04.2018 às 16:16

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De Maria Dulce Fernandes a 16.04.2018 às 19:22

Muito bem acompanhado. Normalmente os livreiros colocam os autores e os titulos com mais relevância em destacaque.
E concordo com a Sarin a Bertrand do Chiado é a mais bonita de todas.
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De Pedro Correia a 16.04.2018 às 19:41

Gosto muito da Bertrand do Chiado. Ainda há pouco lá estive durante quase uma manhã inteira. A ler o que quis, a consultar o que me apeteceu, sem ninguém chatear.
É para mim a melhor livraria portuguesa logo a seguir à Lello, no Porto.

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