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O meu irmão

por jpt, em 07.02.19

violencia-domestica.jpg

(Patrícia Reis fala do femicídio.  E lembra-me uma história da minha meninice.)

Eu tenho 4 ou 5 anos, não sei bem, é cerca de 1969 mas não me acordaram ou acordarão para ver Armstrong dar o pequeno passo, e por isso já estou amuado com os meus pais e assim continuarei no próximo meio século. Estou doente, ouvi que tenho uma coisa no rim, pois aparece-me sangue no xixi, acho que há meses que não vou à escola, as minhas avós revezam-se a acompanhar-me, ainda que cá em casa haja várias empregadas (chamar-se-ão assim no futuro, quando eu entrar no liceu, que agora dizemos criadas) e ama. Se calhar não são meses, julgo que pensarei isso no futuro, mas agora tenho a certeza que estou doente há imenso tempo. Hoje é sexta-feira, e, como não posso ir brincar para a rua, estou na varanda deste rés-do-chão a ver os amigos ali mesmo defronte, numa rua como se pátio deste nossos Olivais, a Cabinda. As criadas estão comigo, atraídas pelo barulho, a gritaria. Pois um pouco abaixo, junto à rua, uma porteira está a ser espancada pelo marido, um bêbedo, dizem enquanto entre elas espreito. Ele bate-lhe, ela está no chão e grita. Às portas da mercearia, da farmácia, do café e às dos prédios está gente a ver o que se passa, e também às janelas das casas chegaram curiosos. 

De repente vejo o meu irmão João descer, muito devagar, as escadas do prédio. Ele chegara há pouco a casa, vindo da Escola Naval para o fim-de-semana. Mas, noto-o, já se desfardou. O Artur, o mais-velho, já casou - eles, irmãos, cunhado, primos, casam todos muito cedo, virei a pensar, tudo para poderem levar as mulheres para África -, acho que anda embarcado num petroleiro chamado Sopanata ou coisa assim e o João, que já tem 20 anos também está quase, a casar-se e a ir para a guerra, diz a minha mãe à minha avó. E a minha irmã também se prepara para ir, noiva que já está.

O meu irmão parou no pátio defronte ao prédio. Não percebo se termina o cigarro, mas fica bem crer nisso. Desce a pequena escadaria até mesmo à rua, a tal Cabinda. Chega-se ao casal e, nada dizendo, dá um soco no marido bêbedo. A zanga deles acabou logo ali, a mulher levanta-se e sai não sei para onde, e o homem fica-se apardalado. Mas, até antes disso, o João já está, devagar (vaidoso que é, constatarei quando crescer), costas viradas, a regressar a casa. Sem mais.

Daqui a décadas contarei esta história, várias vezes, aos filhos dele e aos sobrinhos. E depois aos netos, os dele. E aos meus, se os vier a conhecer. Ele sorrirá, com bonomia, dirá que eu invento, que de nada disto se lembra. Mas é verdade, eu não irei imaginar uma lenda dessas. Terei uma filha. Adolescente, resmungará com o tio, que é incisivo e escolhe os programas de TV quando lá em casa  ou outra coisa qualquer, pois nunca perderá os tiques de comandante de navio (que não se pode dizer barco). Ela protestará comigo, "pai, mas tu mudas quando o tio está!...". 

Claro, dir-lhe-ei. É óbvio. Pois o mais-velho é o meu herói. Desde hoje.

 

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46 comentários

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De sampy a 07.02.2019 às 21:45

É lamentável que o autor do post venha aqui heroicizar o comportamento machista de seu irmão, acabando por perpetuar estereótipos de paternalismo verdadeiramente nocivos para a causa do empoderamento das mulheres.
Ao contrário do que aqui se insinua, a verdade é que nenhuma mulher precisa que um qualquer homem a defenda, a proteja, ou tome por ela partido (para isso é que existem as leis, a justiça, e as autoridades). Há que exterminar de vez esse pensamento condescendente doentio e vexatório que continua a discriminar o sexo feminino na sociedade hodierna. Abaixo o patriarcado ocidental e o machismo benevolente indecentemente disfarçado de cavalheirismo. Vivam as mulheres fortes, independentes e superiores!
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De jpt a 07.02.2019 às 21:55

Maravilhoso comentário. Pedro Correia podes destacar a verve?
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De zazie a 07.02.2019 às 22:35

É o ÚNICO comentário que se pode fazer. E o único texto que se pode escrever.

Quem conseguir que entenda.

Está aqui tudo- no post do JPP e na deliciosa ironia do Sampy.
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De jpt a 10.02.2019 às 22:00

obrigado Pedro Correia, por teres destacado este comentário na rubrica "comentário da semana"
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De Pedro Correia a 10.02.2019 às 23:46

Merecidíssimo.
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De zazie a 07.02.2019 às 22:33

Maravilhosa ironia e maravilhoso post para quem o consiga entender.


Era assim- quando havia Homens.

O jacobinismo deitou tudo isto fora.

Agora nenhum homem dá um murro na fuça de uma besta. Manda a mulher participar à polícia de violência de género.
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De jpt a 07.02.2019 às 23:21

Zazie do Cocanha? Mas isto é um baque ... Há quanto tempo não trocávamos "agressões" em caixas de comentários de blogs? Para aí desde 1969 ... Nem q sabia ainda por estas andanças. Não se lembra de mim? Eu não sou o JPP (esse era o do Abrupto, e era "anunciado na tv" tal como as colectâneas de hits pop em LP), sou aquele jpt que tinha um blog em Moçambique. Lembra-se? Hé pá, se V. fosse um homem diria, apesar daquelas discussões todos "nos bons velhos tempos", venham daí esses ossos. Mas como é uma Senhora fico-me num mais respeitoso e formal "então? como têm passado essas ossadas?"
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De zazie a 08.02.2019 às 12:13

Sou eu, pois. Peço desculpa por anormalidades passadas.

Um beijinho, porque sou senhora, e parabéns por este magnífico texto onde se percebe tudo o que dantes era senso-comum.

A Natureza tende para o equilíbrio, a loucura há-de passar e o bom-senso tem mesmo de voltar.

Até lá, ironia, iconoclastia, relatos destes, venham mais.
Ninguém consegue desmontar a inteligência aqui demonstrada.

O jacobinismo é burro, por natureza.
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De zazie a 08.02.2019 às 12:16

E é claro que sei que não é o zé do abrupto. Foi engano na última letra

ehehehe

Basta ler, "bota aí, ou botar" para nem ser preciso assinatura.
O resto é o QI natural e o bom-senso genético, ou vice-versa.
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De Prof Denzel Dexter a 08.02.2019 às 20:57

eh zazie, long time no see !... A Terra lá vai girando e orbitando, mas por aqui, por ali e por todo o lado tudo segue como dantes, o que já então tinha saltado dos carris ainda não encarrilou. Convenhamos que para encarrilar era preciso haver carris, e não me admirava nada que o descarrilamento tivesse sido um sonho numa noite muito escura. olha, depois de duas ou três asneiras, aqui vai uma prenda cortesia do Paul e do Georges.


https://www.youtube.com/watch?v=bt7RcB6ymvo
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De zazie a 09.02.2019 às 09:46

Oh! so long... muito obrigada, caro Professor Denzil Dexter.

Espero que vá tudo bem.
E o Dave, já chegou chegou a catedrático ou ainda serve de ponto?

":OP

Bisou.
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De Prof Denzil Dexter a 10.02.2019 às 09:37

Ah, o Dave já é catedrático, aceite pelos pares, ninguém estranhou, está completamente integrado. Anda feliz: deduziu a impossibilidade do livre arbítrio a partir dos quarks, agora procura generalizar o mesmo teorema partindo das cordas; anda embatucado a tentar perceber como é possível a existência do mundo macroscópico à luz da teoria fundamental, e disse-me que está prestes a encontrar a prova experimental do multiverso, e enche-me o chão da cozinha com esparguete partido pois anda a tentar perceber a fractura do esparguete. Nesta última experiência conta com o auxílio entusiasmado do meu filho (7 anos). Quando se cansam do esparguete vão ouvir ´La ronde des jurons'. ":0

Bisou
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De zazie a 10.02.2019 às 11:04

eehehhe

Felicidades ao filhote.

Isso agora com Dave a investigador, é mais chique.
Cuidado não escorreguem nas cascas das bananas do professor Dave, que eles nunca largam esse petisco estimulante, no desenvolvimento do QI.

Beijocas
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De Anónimo a 07.02.2019 às 22:16

Um dia ia a passar na mal afamada Rua do Almada no Porto e deparei-me com uma cena dessas. Anoitecia e não havendo gente perto, ganhei força para gritar um "Páre com isso" a uma distância conveniente. Acabado o grito e perante o olhar do agressor achei que seria a próxima, pelo que fiquei muito agradecida quando logo em seguida vi dois homens aproximarem-se.
Mas lá está, esta gratidão deve ser uma uma manifestação do meu profundo machismo.

Isabel
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De jpt a 07.02.2019 às 22:28

Pelo que conta também me parece, Isabel, que a Senhora será uma profunda (e até vil) machista ...
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De Anónimo a 07.02.2019 às 23:15

Sim, nos últimos anos a palavra de ordem são os actos de contrição. Vários ao dia. Até quando se espirra, por via das dúvidas.
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De jpt a 07.02.2019 às 23:26

E os soluços? Um desrespeito, uma afronta ...
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De zazie a 07.02.2019 às 22:37

Outra deliciosa ironia

Isto só lá vai assim- à Swift.

O embrutecimento dos chavões nem lhes permite entender nada.
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De Luís Lavoura a 11.02.2019 às 11:15

A Rua do Almada é mal afamada? Porquê?

Eu dantes (há já bastantes anos, infelizmente) percorria com alguma frequência essa rua, e sempre a achei muito interessante e agradável, pela quantidade e variedade de lojas que tem.
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De Cristina M. a 07.02.2019 às 22:37

e hoje percebi: o jpt escreve tão bem. mesmo bem.
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De jpt a 07.02.2019 às 23:26

Obrigado pela gentileza
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De Bea a 07.02.2019 às 22:44

Pois eu já assisti a essa injustiça sem nome de bater no mais fraco e ninguém se meter. Mas também já vi quem se metesse e desse uma lição no (a) alarve. O meu herói não é quem vai acudir ao (ou à) indefeso(a), embora seja louvável, mas, por norma, quem acode sabe que é mais forte e não acode apenas por ser justo.
Meus heróis são todos os homens e mulheres que não partem para a agressão física sobre o mais fraco e discutem o que haja a discutir como pessoas que são, usando razão e coração.
Os bêbados, os devassos, os irritadiços e demais escória, que não se respeitam nem respeitam os outros, que se esquecem que todo o ser humano é um ser digno e tem direitos, merecem prisão. Mas a justiça portuguesa consegue ser tão ou mais preconceituosa que eles.
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De jpt a 07.02.2019 às 23:27

Eu, irritadiço, me confesso ...
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De Ana Mendes a 07.02.2019 às 23:52

"Eu, irritadiço, me confesso ..." Então merece prisão.
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De jpt a 07.02.2019 às 23:56

Ó Diabo, peço clemência. Tenho atenuantes, o contexto cultural e essas coisas ... posso ficar em prisão domiciliária? Pouco mudaria, para além da pulseira ...
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De Sarin a 07.02.2019 às 23:44

Quando em 2009 fui aos Perdidos e Achados da PSP levantar uma carteira roubada três anos antes na outra ponta da Ibéria, vi um namorado explicar à namorada que quando no café seria ele a falar. Explicava-lhe com as costas da mão, ali numa esquina do largo onde a polícia entregava coisas perdidas, perdida do que se passava ao largo no largo.

Navios, pisei poucos; e capitã, apenas em desportos violentos como a sueca. Mas não me falhou nem voz nem equilíbrio para fechar o centro de explicações - embora não tenha conseguido apanhar e arrastar o explicador até à esquadra, como pretendia.


Não é um problema dos Olivais. Nem dos tempos. É uma tristeza.

E o jpt conseguiu fazer de um feio tema um bonito texto.
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De jpt a 07.02.2019 às 23:57

Pois, "acontece nas melhores famílias"
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De alexandra g. a 08.02.2019 às 00:09

obrigada, jpt, pelo magnífico texto-memória, em meu nome, e de muitas outras mulheres e homens. Pessoas.

_________
(não, não me recordo já daquilo que me endereçou, aqui, em jeito maligno, não sou pessoa de guardar rancores, sou a pessoa que aqui lê)
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De jpt a 08.02.2019 às 00:23

Não tem que agradecer, a gerência é que agradece a amabilidade (estou de turno, esta noite, represento a gerência ...)
Enderecei? Não recordo. De modo maligno? Não me diga que é adepta do Engenheiro Sócrates e dos seus sequazes. Só essa condição bárbara desperta o duende maligno que em mim habita. O qual, na ausência desses thugs, hiberna
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De alexandra g. a 08.02.2019 às 00:34

tenho, sim, que agradecer, não por ter o Pedro escrito um texto recente sobre agradecimentos, etc.: não sou seguidista, sou eu.


escrevi o comentário supra pela minha história e a de tanta gente.

fui agredida, apresentei queixa (2x) diante da entidade competente.

e, sim, o jpt tratou-me mal, muito mal aliás, há uns tempos, mas ok, eu sou reactiva, jamais ressabiada, desde que o Outro se ponha na miha pele :)
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De jpt a 08.02.2019 às 00:50

Bem, como nós não nos conhecemos só poderá ter sido aqui nos comentários esse mau tratamento que anuncia. Alguma coisa me terá dito que não me caiu bem. E decerto que não teve a ver com as queixas que refere, são coisas distintas - que isto há gente que lê os comentários a correr e ainda ficará a pensar coisas erradas
A ver se isto melhora entre nós, então
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De alexandra g. a 08.02.2019 às 01:01

tudo ok, jpt., e alguma calma, a veces, doravante... :)
quanto aos outros, não me interessa, existe um interlocutor, e daquela vez foi verdadeiamente ofensivo comigo, mas eu tenho a capacidade de ultrapassar, sei LER, quem não souber, aprenderá, com tempo, pois é tão, mas tão óbvio que não nos conhecemos jamais, que só alguém mui imbecil poderia acreditar que sim, desde a primária, se é que dela passou!

hasta, a ver a ver :)
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De Cristina Filipe Nogueira a 08.02.2019 às 00:17

Gostei muitíssimo do texto, e ainda mais do seu irmão.
Houvessem mais “irmãos” assim e, com toda a certeza, não se assistiria à carnificina actual.
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De jpt a 08.02.2019 às 00:20

Obrigado pela gentileza, essa de teres gostado do texto e de mo dizeres. O meu irmão? É um chato. Quase pior do que eu.
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De jpt a 08.02.2019 às 00:25

Quase, disse eu ...
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De Cristina Filipe Nogueira a 08.02.2019 às 00:27

Mau feitio familiar, portanto.
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De Zé Coelho a 09.02.2019 às 11:32

"Houvessem mais “irmãos” assim e,"
D. Cristina, vá pegue lá na gramática e estude o verbo haver. Verbo chato para muita gente.
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De Luís Lavoura a 11.02.2019 às 11:17

De facto, se houvessem, haveriam.
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De Anonimus a 08.02.2019 às 00:27

Também já fiz o papel do "irmão".
Acabei a "apanhar" da agredida.
Um mau remake.
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De jpt a 08.02.2019 às 00:31

O amigo Anonimus mantenha-se assim anónimo, pois a encetar esse eixo de debate arrisca-se a ser confrontado com o soviete feminista e não escapará ao suicídio induzido ou a piores sevícias. Pois levanta temática mui fértil
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De alexandra g. a 08.02.2019 às 01:31

p.s. - qd fui agredida e os meus 2 manos souberam, quiseram meter-se no carro para lhe dar a lição (que nesta família não existe violência sobre as mulheres, física, pelo "menos") eu impedi-os e jamais me arrependi, eles perceberam, Um deles ainda hoje não admite sequer que ele lhe apareça à frente, o ateu, o outro, católico praticante, é educado e fala com ele, quando sabe que lhe "é exigido". Nível: mínimo.

os meus manos são também os maiores :

como a minha mana, que me acompanhou no dia da queixa, e não se via nada, ele sabia como bater, praticava demasiado desporto: é necessária atenção a isto: eu só usava calças, à época: foi nas pernas e na cabeça, o cabelo muito comprido...

________
(por muito que queira que seja feliz, jamais lhe perdoarei o que me fez)
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De Pedro Vorph a 08.02.2019 às 08:38

Grande texto sentido. Abraço
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De jpt a 09.02.2019 às 03:28

Obrigado

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