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O melhor cliente é o que ainda não chegou

por Inês Pedrosa, em 15.11.16

exterior.jpg

Há uns tempos aconteceu-me no restaurante Muralhas, em Óbidos: "Essa mesa não pode ser, está reservada". Perguntei se o autor da reserva tinha pedido especificamente aquela mesa para duas pessoas, encostada à parede. Responderam-me que sim. Só ficámos porque já era tarde e estávamos num desses dias celebrativos em que os restaurantes transbordam. Nunca chegou ninguém para a tal mesa que não podia ser. Nunca mais lá voltámos, claro. 

Agora foi no restaurante Prim, na Ericeira. Éramos dois, já passava das nove e meia da noite, dirigíamo-nos a uma mesa para quatro, num cantinho. A empregada disse-nos que não podia ser, porque podia ainda chegar um grupo de quatro pesssoas, e encaminhou-nos para a outra mesa disponível, para duas pessoas, ao lado dessa e praticamente colada a outra mesa ocupada. Volvidos 20 minutos chegaram mais duas pessoas... que foram encaminhadas para a simpática mesa de quatro, mais isolada, que nós tínhamos pretendido. Só não saímos porque já estávamos a comer. Mas não voltaremos, evidentemente. Para muitos restaurantes portugueses, os clientes que merecem ser bem tratados são os que ainda não chegaram. Sebastianismo gastronómico. 

 

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49 comentários

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De Pedro Correia a 14.11.2016 às 15:43

Ainda há pouco me aconteceu algo parecido num restaurante onde não voltarei a pôr os pés.
Não deixo de me espantar com estes restaurantes que trocam clientes certos por "reservas" incertas. Restaurantes onde cenas como as que descreves ocorrem todos os dias.
Merecem ter os nomes estampados com todas as letras, como aqui fazes. Com o aviso de serem locais a evitar. Acabam de integrar a minha lista de sítios que nunca frequentarei.
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De Inês Pedrosa a 14.11.2016 às 16:38

É essa a intenção, Pedro. Obrigada.
Em ambos os casos, nem sequer perdes nada, quanto a experiência gastronómica...
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De Pedro Correia a 14.11.2016 às 17:49

Pois, faço ideia... Mas fizeste bem em chamar as coisas pelos nomes. Chegar-lhes-á a mensagem, mais cedo do que tarde, e não deixará de ser pedagógico.
Sobretudo é pedagógico também para outros, que adoptam igualmente estas más práticas e ainda vão a tempo de corrigi-las.
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De Inês Pedrosa a 14.11.2016 às 19:48

Pedro, não será por falta de acção pedagógica que não chegarei ao céu, não :)
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De Luís Lavoura a 14.11.2016 às 16:02

No segundo caso o restaurante procedeu bem. É verdade que mais tarde poderiam chegar quatro pessoas e por isso guardaram a mesa que daria para elas; é uma atitude racional. Mas entretanto chegaram mais duas pessoas e eles não iam mandar essas duas pessoas embora, portanto puseram-nas na mesa para quatro.
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De Inês Pedrosa a 14.11.2016 às 16:32

Deviam obviamante ter perguntado aos clientes anteriores se queriam mudar para a mesa em causa, e sentar os novos clientes na mesa que sobrava.
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De JSC101 a 14.11.2016 às 18:56

O trabalho de mudar as coisas para a outra mesa valia a pena (uma vez que já estavam a comer)? Essa mesa no cantinho era assim tão fantástica?
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De Inês Pedrosa a 14.11.2016 às 20:05

Sim, a mesa era fantástica porque não ficava em cima da mesa de outras pessoas, como já expliquei. Por estranho que pareça, há quem aprecie a privacidade.
De qualquer modo, essa decisão seria sempre do cliente.
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De am a 14.11.2016 às 22:38

Não há pachorra para este lavoura.... reservem-lhe um "monte" com bolota alentejana!
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De anónima a 14.11.2016 às 16:04

Boa tarde,
Também me irrita esse Sebastianismo gastronómico mas ...
- e se volvidos 20 minutos tivessem chegado 4 pessoas, escreveria este post?
- e se se tivesse sentado na mesa para 4 e volvidos 20 minutos tivessem chegado 4 pessoas?

Como disse, também me irrita a importância desmedida que se dá às reservas mas tenho alguma compreensão para quem tem de gerir restaurantes e retira daí o seu (por vezes único) rendimento.
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De Inês Pedrosa a 14.11.2016 às 16:34

Repito: o certo teria sido perguntar aos clientes que já lá estavam e que tinham pretendido a mesa mais sossegada se queriam mudar de mesa, e sentar os que tinham acabado de chegar na mesa mais devassada.
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De redonda a 14.11.2016 às 16:25

No 1º caso (que já me aconteceu) imagino que a mesa está reservada para um casal idoso que pode ou não vir, mas a lealdade no restaurante faz com que lhes reservem sempre aquela mesa...
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De Inês Pedrosa a 14.11.2016 às 16:36

O restaurante é muito juvenil. E nem sequer estava cheio.
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De redonda a 14.11.2016 às 16:40

Então acho que também não ia querer lá voltar mais...
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De Luis Eme a 14.11.2016 às 17:44

Penso que as coisas estão melhores, mas mesmo assim, de vez em quando ainda se percebe que em alguns restaurantes não apreciam muito os clientes, só não percebo porque razão não mudam de ramo.

(muitas vezes são forçados, porque só conseguem servir almoços a moscas...)

Onde as coisas melhoraram muito foi no Sul, onde há alguns anos era normal não existirem listas em português...
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De Inês Pedrosa a 14.11.2016 às 18:11


Várias vezes saí de restaurantes no Algarve porque só tinham o menú em inglês... A situação melhorou nos últimos anos, sim. Mas parece-me que o atendimento continua a ser um grande problema português - dos serviços públicos às lojas e restaurantes, é, em média, bastante mau. O que, num país com (justificadas) ambições turísticas, é particularmente negativo.
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De singularis alentejanus a 14.11.2016 às 18:59

Cara Inês, ter-se-a lembrado que existe um livrinho amarelo, de reclamações, cuja utilização é a adequada para estas situações? Também sabemos que podera não resultar, mas se em casos justificados como estes, todos o pedirem e fizerem a respectiva reclamação as entidades competentes de certeza que tomarão uma atitude. Água mole em pedra dura, tanto da até que fura.
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De Inês Pedrosa a 14.11.2016 às 19:47


Caro Singularis Alentejano,

Até já cheguei a chamar a polícia num restaurante em que me foi negado livro de reclamações. Se a água não chega à pedra, garanto-lhe que não é por causa de mim.
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De Anónimo a 14.11.2016 às 19:08

Eu vejo as coisas de outra maneira. Há muitas maneiras de ver!!
Quando entro num Restaurante, geralmente não me sento e aguardo que o empregado me indique quais as mesas que posso utilizar. Então escolho. Normalmente não exijo explicações sobre as mesas que não posso usar.
Por outro lado aprecio muito os restaurantes que me guardam a reserva quando eu a faço por telefone. Seria muito mau que quando eu chegasse o funcionário me dissesse: como chegou 5 minutos atrasado demos a mesa que reservou a outro. Mesmo assim dava-lhe razão pois penso quem quem reserva não pode chegar atrasado. Aprecio também que quando reservo para 6 pessoas e uma falta o Restaurante me mantenha a reserva.
Resumindo: nos comentários acima eu daria, de forma geral, razão ao Restaurante (partindo do princípio que tudo o que foi dito respeitou a regras da cortesia). Admito que haja quem pense ao contrário. Daí eu achar que ser dono de um restaurante a agradar a todos é impossível.
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De Inês Pedrosa a 14.11.2016 às 19:44


Caro Anónimo,
As regras de cortesia mandariam que, no caso em apreço, o empregado perguntasse aos dois clientes anterires que tinham desejado aquela mesa se ainda queriam mudar para lá, dado que afinal iam disponibilizá-la para um par de outros clientes - em vez dos tais 4. Eu teria aceitado mudar, dado que a mesa que nos foi oferecida era, como expliquei, praticamente colada à dos vizinhos, sem qualquer espécie de privacidade. Mas mesmo que, dado estar já a comer a sopa, não quisesse mudar, pelo menos a pergunta deveria ter sido feita.
Nos restaurantes em que o cliente espera para ser sentado, as mesas estão em geral suficientemente afastadas umas das outras para que haja privacidade; em todo o caso, deve conduzir-se o cliente à mesa com melhor situação, e perguntar-lhe se gosta daquela mesa ou se prefere outra. As reservas referem-se ao número de clientes e, eventualmente, ao tipo de mesa (nos restaurantes em que existem mesas redondas e outras que não o são, por exemplo) e de localização ( vista para o mar, por exemplo). No caso que referi da mesa reservada, tratava-se simplesmente de uma mesa para dois encostada à parede, e a que nos foi atribuída situava-se a meio da sala, ao lado de outra mesa ocupada, num restaurante com bastantes mesas vagas. Acresce que as reservas têm uma tolerância de 15 minutos em relação à hora estabelecida.
Estas são as regras elementares da educação e do respeito pelos clientes, em meu entender e no de toda a gente que conheço.
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De kika a 14.11.2016 às 20:45

Nada melhor do que lhes falar em inglês
Até é servida antes dos outros.
Os "empresários" adoram e os salamaleques são
mais que muitos. Vergonhoso.
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De Inês Pedrosa a 14.11.2016 às 20:53


Certa vez saí de um restaurante na Praia da Rocha onde, depois de três quartos de hora de espera, e com crianças pequenas a chorar de fome, entrou um grupo de ingleses que foi prontamente atendido. Assim que vi o peixe a chegar à mesa dos "bifes", fiz uma arruaça monumental, pedi o livro de reclamações ( que só me deram quando comecei a telefonar para a polícia) e saí - com mais dois adultos e três crianças aos gritos. Não paguei o pão, a água nem as azeitonas - única coisa que, depois de muita insistência, chegara à mesa. Foi há uns 15 anos, e decidi nunca mais passar férias no Algarve, o que tenho cumprido sem qualquer desgosto.
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De kika a 14.11.2016 às 21:37

Cada vez gosto mais de si
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De Anónimo a 14.11.2016 às 23:11

Devia ter sido presa como aconteceu há uns anos a uma num restaurante no Porto.
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De Inês Pedrosa a 15.11.2016 às 00:08

Melhores digestões, senhor anónimo. Há umas pastilhas boas para a azia.
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De aalmeidah a 15.11.2016 às 09:45

No meu caso, num Domingo de Verão, com a minha esposa, entrei num restaurante do qual tinha boas referências, mas no qual tinha apenas jantado com um grupo de amigos do futsal. Como quando vou almoçar fora ao Domingo, fiz questão de ir cedo e ainda não era meio-dia e já lá estava. A sala, generosa, completamente vazia e , que não, não podia almoçar porque estava tudo reservado. Obviamente que fiquei incomodado e nunca lá mais entrei e não perco a oportunidade de dar más referências e não recomendar. É inadmissível uma gestão desta natureza que não respeita clientes e duvido que seja rentável. Seria compreensível se eu tivesse chegado mais tarde e já com a sala composta, mas não, estava literalmente vazia. Tenho a certeza que teria almoçado nas calmas antes da sala começar a encher. Para além do mais deveria haver um serviço mínimo de mesas por reservar.
E não me custa dizer qual o restaurante, mesmo desconhecendo se, passados uns 2 ou 3 anos, ainda funciona e se com a mesma ou outra gerência: Sabores do Campo, junto à piscina do Cavaco em Santa Maria da Feira.
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De Jessica Teles Diary a 15.11.2016 às 10:20

A sério? Por acaso nunca me aconteceu uma coisa dessas. É muito mau!

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