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A utilização da morte como argumento de acção política é de uma indigência inenarrável. Contudo, e sem surpresa (pelo menos, para mim), Bloco de Esquerda, Partido Comunista Português e Os Verdes lançaram-se ontem num festim de necrofagia política raras vezes visto no Parlamento. Sem sinal de assombro ou de pudor, nem tão pouco de respeito pela família em luto, a morte do jovem David Duarte no hospital de São José foi usada pela esquerda para ataques e apartes no debate parlamentar – e para lamentar.

Felizmente, a inanidade da esquerda nacional foi mitigada no mesmo dia por uma excelente entrevista do Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, à TVI. O início da conversa foi o evidente para qualquer pessoa de elementar bom senso: A morte “não pode ter uma leitura política”. Ponto. Isto não impediu o Ministro de fazer as críticas e os reparos que entendeu serem necessários. Disse, por exemplo, que o “SNS de 2015 não é melhor do que o de 2011”. Afirmou ainda que lhe parece “totalmente inaceitável que se considere que tudo se deve aos cortes, como também [lhe] parece inaceitável que se diga que os cortes não tiveram qualquer tipo de efeito”. Mais do que qualquer outra coisa, as declarações do Ministro da Saúde tiveram o mérito de repor a decência no debate e a capacidade de afastar o Governo da delinquência em auto-gestão vigente nos partidos que o apoiam.

Quanto às causas do sucedido, o Ministro foi prudente dizendo aguardar a conclusão do inquérito. Mas deu uma notícia. Discretamente, Adalberto Campos Fernandes declarou estar convencido que se tivesse havido um apelo a uma equipa de neurocirurgia de outro hospital, público ou privado, seguramente a resposta seria positiva – algo já sugerido pelo médico Luís Carvalho Rodrigues num artigo de opinião publicado no Observador. O hospital terá que se explicar a este respeito. Resta agora esperar que as inquirições em curso não bocejem em resultados inconclusivos ou habilmente salomónicos. O Ministro da Saúde promete que nunca se justificará com as condições que o antecederam. Cá estaremos para ver.


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