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O marketing é que dá sempre fruta

por Teresa Ribeiro, em 08.06.15

pcm_assuncao_cristas[1].jpg

 

É sempre mais fácil separar o trigo do joio com a ajuda de quem sabe. Esta notícia, que já tem uns dias, tinha-me passado despercebida e confirma uma velha desconfiança que eu tenho em relação à nossa simpática ministra da Agricultura, a de que é muito boa, sobretudo a fazer propaganda.

Como a Confederação Nacional de Agricultura sublinha, não basta dizer quanto se investe na agricultura, é preciso explicar como e depois apresentar resultados. Só os resultados validam as políticas, mas isso para efeitos de marketing não interessa nada.


31 comentários

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De Batam-me, vá! a 08.06.2015 às 18:29

Eu achei piada a, há uns dias, se ter realizado por cá uma chamada Semana Azul, com não sei quantos ministros de não sei quantos países, em que AC largou algo ao melhor estilo Sampaio da Nóvoa: "Portugal tem tudo para ser uma nação liderante no mar". Entretanto, no que nos canais de TV apareceu sobre o assunto, só vi surf... Não duvido por um momento sequer que o surf seja saudável, que o surf dinamize actividades deste e daquele tipo, incluindo o mironismo, mas alimento uma particular curiosidade sobre o que fazem na vida os surfistas que a qualquer estação do ano, a qualquer dia da semana e a qualquer hora passam tempos infinitos a praticar habilidades nas ondas: Trabalham? Estudam? Que rendimentos lhes permitirão tal? Que compromissos e que horários terão? Vá, podem bater-me à vontade, que incorrecção política é o que pede.
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De Teresa Ribeiro a 09.06.2015 às 11:10

"Portugal tem tudo para ser uma nação liderante no mar" - aí está uma grande novidade.
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De fido a 08.06.2015 às 18:50

Bem, a CNA é uma organização fachada do PCP e portanto não são de estranhar as afirmações — mas também não me admiraria se fosse verdade. O CDS defraudou deploravelmente o seu eleitorado.
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De Teresa Ribeiro a 08.06.2015 às 20:30

Claro que podemos sempre presumir que os números que eles apresentam estão martelados. Teremos que seguir a nossa intuição, à falta de informação do Governo que contradiga o que a CNA diz.
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De William Wallace a 08.06.2015 às 23:19

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De Luis Marques a 08.06.2015 às 19:47

A CNA é um satélite do PCP, qualquer opinião que emane está eivada de falsidade.
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De Teresa Ribeiro a 08.06.2015 às 20:31

Não vi o desmentido das estatísticas apresentadas pela CNA em lado nenhum...
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De Luis Marques a 08.06.2015 às 22:12

No link que está no seu post não estão estatísticas, apenas propaganda.
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De Teresa Ribeiro a 08.06.2015 às 22:48

"...foram eliminadas mais de 40.000 explorações agrícolas entre 2009 e 2013, a população agrícola familiar sofreu um decréscimo de 15% e a agricultura perdeu 100.000 trabalhadores entre 2012 e 2014.

Além disso, "cerca de 94% das explorações agrícolas de pequena e média dimensão não conseguiram aceder às medidas de apoio" do PRODER",
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 09.06.2015 às 02:50

Acredita quem quer. A CNA é o PCP da "reforma agrária" a falar e tem tanta credibilidade como o Cunhal garantir nos idos de 70 que a "URSS era o sol na terra"!
A CNA defende a existência de explorações com duas vacas leiteiras e três hectares de terra para as pessoas lá plantarem as couves e as batatas que comem para não morrerem de fome; é essa agricultura dos proletários da terra que a CNA defende.
Não estou a defender a ministra, que por acaso até é uma boa ministra, mas o facto de ela ter aproveitado o PRODER a 100% em vez dos 20% que o PS deixou, está a deixar muita gente chateada.
A agricultura e as agro-industrias são um dos sectores que estão a ajudar o país a sair da crise e a exportar uma grande percentagem do que produzem; além disso o país está menos dependente do exterior em produtos alimentares.
O mérito não é do governo, é dos agricultores que investiram e souberam aproveitar as oportunidades e o dinheiro do PRODER.
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De Teresa Ribeiro a 09.06.2015 às 11:23

Pois, e os outros partidos não fazem propaganda. É só o PCP. Jamais votaria no PCP para governo, mas considero que tem muita utilidade na oposição e se em muitas situações - ao nível sindical, por exemplo - me exaspera, noutras acho que faz um bom papel, porque é a voz dos mais desprotegidos.
O que se investe tem que ser validado por resultados, porque o que há mais para aí é uma deficiente utilização de dinheiros europeus.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 09.06.2015 às 18:04

Com todo o respeito Teresa, eu fiz agricultura durante quase 30 anos. No Alentejo! E sei qual é a preocupação do PCP com os mais desprotegidos. Eu tive oportunidade de ver o PCP em acção em Portugal, quer na agricultura quer na industria, e nunca os vi construir nada; mas vi-os destruir muita coisa. Assim como tive oportunidade de ver o resultado das politicas dos governos comunistas em países como a ex RDA, na Polónia ou na ex URSS.
Um partido fossilizado que continua a defender ideologias totalitárias e anti-democráticas não se preocupa com ninguém a não ser com ele próprio.
Os nazis também diziam que se preocupavam muito com os desprotegidos.
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De Teresa Ribeiro a 09.06.2015 às 23:06

Lembrou-me outros testemunhos não sobre agricultura, mas também relacionados com o PCP e o mundo rural. Como lhe disse, jamais os escolheria para governantes. Mas em democracia até os partidos em que nunca votaríamos têm a função importante de fiscalizar a governação. E se há críticas que não devemos valorizar, outras merecem a nossa atenção.
Em resposta ao Jaa linkei críticas à ministra da Agricultura vindas de outras fontes que em parte convergem com as da CNA...
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De luis marques a 09.06.2015 às 07:38

São excertos, não são estatísticas, lamento.
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De Teresa Ribeiro a 09.06.2015 às 11:30

Como quase todas as estatísticas que nos chegam através dos media. É claro que devemos ser prudentes e não engolir todos os números que nos apresentam, mas um indicador possível de credibilidade é a inexistência de desmentidos fundamentados, como parece ser o caso.
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De José António Abreu a 09.06.2015 às 10:36

Como noutros sectores, pode lamentar-se a tendência para a concentração mas as explorações pequenas são pouco produtivas.

https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_indicadores&indOcorrCod=0005834&contexto=bd&selTab=tab2
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De Teresa Ribeiro a 09.06.2015 às 11:12

Portanto é preciso, digo eu, fazer a pedagogia do associativismo.
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De José António Abreu a 09.06.2015 às 12:06

De acordo. Mas tens a certeza de que a ministra não a faz?

http://www.oalvaiazerense.com.pt/noticias/sociedade/assuncao-cristas-considerou-agricultura-um-contributo-muito-valido-para-economia
(Devem existir outros exemplos mas este foi o primeiro que me surgiu.)

As pessoas não podem ser forçadas a associarem-se.
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De Teresa Ribeiro a 09.06.2015 às 13:38

Também se arranja para a troca, Jaa:

"Agricultores sem experiência e dificuldades de escoamento de produção são o reverso da medalha do regresso aos campos, fenómeno que ganhou espaço no discurso político e que, nos anos de crise, tem sido visto como uma alternativa à falta de trabalho. Entre 2009 e 2013, o número de novas empresas no sector disparou 100%, de 783 para 1569. E quase 25% dos projectos financiados pelo Proder são de jovens agricultores, num país que tem os produtores mais velhos da União Europeia.

“Criámos uma imagem na população de que a agricultura é um oásis. Atraiu-se um conjunto de pessoas à terra que não têm condições financeiras, humanas, de solos, para serem agricultores. Mas como acharam que é o que está a dar, fazem os seus investimentos. É uma opção de cada um, mas mais grave é a análise e aprovação dos projectos para financiamento do Proder”, critica Domingos dos Santos, presidente da Federação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas e Hortícolas (Fnop).


A esta organização têm chegado vários pedidos de ajuda. Há quem esteja a plantar culturas em terrenos impróprios, quem não faça as contas ao custo de transporte ou ainda quem venda a produção “a qualquer preço”. “Temos de voltar à terra, mas é preciso ser eficiente”, defende, acrescentando que na hora de disponibilizar fundos do Proder é preciso “dizer não”.

Para leres tudo, aqui está o link:
http://www.anilact.pt/informar/lista-actualidade/3088-novos-fundos-para-a-agricultura-tem-15-candidaturas-formalizadas
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De Teresa Ribeiro a 09.06.2015 às 13:44

Acrescento mais este sublinhado do mesmo texto:

"As modas, como a dos mirtilos e das plantas aromáticas, são uma grande preocupação”, diz Ricardo Brito Pais, presidente da Associação de Jovens Agricultores de Portugal (AJAP). O representante desta organização, fundada há 40 anos, partilha a mesma opinião de Domingos do Santos e diz que “há muitos projectistas [consultoras que elaboram as candidaturas] que querem apenas receber o dinheiro do projecto, já fizeram 20 candidaturas iguais e submetem novas sem estarem preocupados”. O acompanhamento técnico aos jovens agricultores é quase inexistente, contudo, há um apertado controlo e fiscalização depois de obtidos os incentivos comunitários. “Quando a entidade que gere o Proder aprova não vai ao terreno. Só lá vai depois fiscalizar. O importante é instalar jovens. Politicamente isso é positivo”, continua Ricardo Brito Pais"
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De José António Abreu a 09.06.2015 às 14:32

Que se aprovem candidaturas a fundos sem condições mínimas acho mal. (De resto, sou pouco entusiasta de subsídios públicos em geral mas essa é outra discussão e estes até vêm dos nada solidários europeus.) Pelos vistos, dever-se-iam recusar ainda mais candidaturas e deixar cair ainda mais explorações.
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De Teresa Ribeiro a 09.06.2015 às 15:41

As coisas têm é que ser bem feitas, Jaa, e não precipitadamente só para depois poder apresentar estatísticas. Como a CNA sublinha e bem, as políticas só são validadas depois de se apurarem os resultados. Só porque é uma agremiação do PCP não quer dizer que tudo o que diz seja infundado.
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De José António Abreu a 09.06.2015 às 17:07

Sim, de acordo, fiquemos pelos 99%. :)

Agora a sério: nunca nenhum governo (ou qualquer outra entidade) consegue ser eficaz a 100%, pelo que é sempre possível arranjar motivos de crítica. Mas as estatísticas mostram que, de facto, a agricultura portuguesa tem crescido, reforçando exportações e substituindo importações. A aposta clara neste vector da economia (exportações/substituição de importações) é, de resto, o que me me faz manter algum apreço pelo actual governo (não é certamente o "brutal" aumento de impostos), por oposição à estratégia de crescimento imediato do consumo interno proposta pelo PS.
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De Teresa Ribeiro a 09.06.2015 às 17:26

Jaa, não estou de má fé, juro. Quando digo no poste que sempre me pareceu que relativamente a esta ministra havia erros de percepção pelo facto de ela ser muito boa a fazer a comunicação e a gerir a sua imagem é porque em paralelo sempre fui apanhando aqui e ali queixas de profissionais ligados aos sectores que ela tutela bem fundamentadas.
Claro que se arranja sempre algo para criticar e que ninguém é perfeito, e etc e tal, mas os resultados é que falam pelos políticos. Aqueles a que assistimos têm sido muito mais fruto do esforço dos empresários do que em consequência das políticas do governo, ou para ser mais precisa, "deste" governo. As pessoas esquecem-se, mas já se martela na questão da competitividade das empresas há muito tempo e - lamento- mas há reformas que vêm do tempo do Sócrates e que só nestes últimos anos começaram a dar frutos.
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De José António Abreu a 09.06.2015 às 18:07

"Aqueles a que assistimos têm sido muito mais fruto do esforço dos empresários do que em consequência das políticas do governo"

Obviamente. O melhor que qualquer governo pode fazer é sair da frente (já o diz o Adolfo Mesquita Nunes). E isso pode e deve ser feito de várias formas: baixando impostos às empresas, diminuindo outros custos, parando com incentivos errados, não ajudando certos grupos ou sectores em detrimento de outros, etc. Sócrates desenvolveu algum trabalho na divulgação de empresas portuguesas no exterior mas, cá dentro, fez quase tudo errado. De tal forma que anulou todos os potenciais benefícios da evolução das exportações portuguesas que, como poderás ver abaixo num texto que publiquei há quase ano e meio, desde 2002 subiram um ritmo razoável.

http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/o-declinio-frances-6006641

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De Teresa Ribeiro a 09.06.2015 às 23:28

Não sei de que medidas profundamente erradas falas. Eu recordo os estímulos à inovação que levaram, por exemplo, a indústria do calçado a reinventar-se e a conquistar mercado lá fora. Também registei o esforço que fez no combate à burocracia nas relações do estado com as empresas.
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De Luís Lavoura a 09.06.2015 às 09:32

Nada aquilo que a CNA acusa é necessariamente mau.
Portugal tem uma agricultura com excesso de pequenas explorações familiares, em minifúndio. O aumento da eficiência agrícola passa inelutavelmente pela eliminação (ou "consolidação", como hoje em dia se diz eufemisticamente) de muitas delas. Ou seja, pela eliminação de muitas pequenas explorações em favor de algumas, poucas e maiores.
É claro que para o PCP isso é negativo. O PCP é um partido que só gosta de microempresas. Para o PCP todas as grandes empresas são exploradoras e só as microempresas são boas. Mas é claro que, só com microempresas, ainda estaríamos na idade da pedra.
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De Teresa Ribeiro a 09.06.2015 às 11:32

Reitero a resposta que dei ao Jaa. A solução não é eliminar, mas regenerar o tecido produtivo. Temos uma tradição de micro empresas. Há que lhe dar a volta. Potenciam-se os resultados evitando ao mesmo tempo atirar muita gente para a insolvência.
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De 2ª classe antiga a 09.06.2015 às 11:46

É uma alegria ir à terra e trazer o carrinho cheio de : couves, fruta, vinhinho, enchidos, carninha de porco e frangos do campo... tudo que os papás e avós amanham lá na terra!
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De josé Vieira a 09.06.2015 às 17:14


As eleições não tardam, quando o momento certo chegar, a gente conversa...

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