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O mal prussiano

por Luís Naves, em 24.02.15

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Comentadores que até há pouco tempo diziam não haver liderança na Europa mostram agora a sua profunda indignação com a liderança alemã da Europa. Um governo que pareça colar-se à influência da Alemanha será imediatamente criticado (até pela própria imprensa alemã), enquanto que um governo que insulte abertamente as autoridades prussianas gozará da maior imunidade, recebendo elogios pela sua resistência.

Sendo a maior economia da zona euro e o maior credor dos países endividados, a Alemanha terá uma palavra decisiva em todo o processo da actual crise grega, que está longe de terminar. A dívida grega ficou na posse dos contribuintes; as taxas de juro da dívida a 10 anos subiram de 6,5% em Setembro para mais de 10%, tornando improvável um programa cautelar. Ou seja, a Grécia continua insolvente, vai para o terceiro resgate e Portugal será chamado a contribuir.

Na Europa, os partidos eurocépticos acham que a Alemanha manda demasiado e as elites federalistas sempre acusaram os alemães de excesso de timidez, devido à culpa em relação ao passado. Agora, todos perguntam quem deu autorização a Berlim para mandar, ainda por cima com excesso de franqueza e de forma pouco paciente. Em Portugal, onde já começou a campanha para as eleições de Outubro, este problema está a ser usado para ataques políticos internos: a partir de agora, os governantes portugueses que quiserem falar com os seus homólogos alemães terão o maior cuidado de o fazer por vídeo-conferência e em segredo, para não haver fotografias da traição à pátria. Bater o pé à Alemanha dará votos, concordar com Berlim tornou-se politicamente tóxico e fere a dignidade da nação.

Basta ler alguns dos artigos que têm sido publicados ou ouvir os principais comentadores na TV. Muitos pensam que a Alemanha não tem qualificações para liderar a Europa, por não ter razão nas teses que defende, mas esta teoria da burrice alemã nunca conduz os autores às questões que deviam ser inevitáveis: Afinal, tem a Europa falta de liderança ou excesso dela? E quem manda, se não for a Alemanha? Os dirigentes portugueses devem aparecer ao lado de quem? Deve Portugal colar-se à Grécia, apesar de não estar insolvente e de não ter os mesmos problemas de Atenas? Devemos continuar nos mercados e cumprir o Tratado Orçamental? É possível o primeiro objectivo sem o segundo? Era bom que a oposição começasse a responder a estas perguntas.

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