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O maior problema da democracia

por Luís Naves, em 02.10.18

O maior problema da democracia não está em reconhecer a vontade popular. Essa questão sempre existiu e os políticos que a ignoram estão por sua conta e risco, condenados à inevitável punição eleitoral. O maior problema das democracias contemporâneas é a captura das instituições por interesses especiais. Todos os conflitos importantes a que assistimos têm a ver com este fenómeno: na Catalunha, na União Europeia, nas presidenciais brasileiras ou nas nomeações para o Supremo Tribunal americano. Minorias mobilizadas, com influência nos meios de comunicação, nos partidos, nos mercados ou nas academias, tentam conquistar posições de controlo nas instituições que regulam a sociedade, manipulam a nomeação de juízes ou travam políticos emergentes, ignorando todas as opiniões contrárias. Na Catalunha, por exemplo, os independentistas são a minoria, mas tomaram conta das instituições regionais e da televisão pública, diabolizaram todos os que pensam de outra forma e não se incomodam em destruir a convivência. Esta semana estamos na fase final de um caso extraordinário da política nos EUA, onde um juiz nomeado para o supremo tem a sua vida devassada, acusado de ter cometido uma agressão sexual quando tinha 17 anos: ninguém discute a veracidade do caso ou os méritos do juiz, mas se bebia ou se esteve envolvido em lutas de bares durante a adolescência. A política transformou-se numa luta permanente, onde grupos minoritários tentam impor as respectivas agendas a todas as instituições, pequenas e grandes, sejam órgãos políticos ou associações, escolas ou empresas, júris de concursos ou cargos de liderança, espaços de comentário e até nas organizações que nada representam, mas que podem tornar-se úteis para a causa. Uma vez conquistada a instituição por estes interesses especiais, não entra ninguém de fora.


39 comentários

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De Luis Eme a 02.10.2018 às 12:37

Concordo com tudo.

Tudo isto se deve a inacção das maiorias (parece que anda tudo anestesiado...), que vão permitindo quase tudo (até mesmo as eleições começam a fugir da democracia, basta olhar as taxas de abstenção, cada vez mais altas...).
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De jo a 02.10.2018 às 12:57

Como dizia o outro "a democracia é o pior regime com exceção todos os outros"

" Na Catalunha, por exemplo, os independentistas são a minoria, mas tomaram conta das instituições regionais e da televisão pública, diabolizaram todos os que pensam de outra forma e não se incomodam em destruir a convivência."

Então porque não deixam fazer o referendo? Sendo a minora, perdiam-no e o caso ficava arrumado. O governo espanhol optou por prender os promotores do referendo com uma acusação tão mirabolante que nenhum tribunal fora de Espanha a reconhece. Parece uma descrição de captura de uma instituição por interesses especiais.

"um juiz nomeado para o supremo tem a sua vida devassada, acusado de ter cometido uma agressão sexual quando tinha 17 anos: ninguém discute a veracidade do caso ou os méritos do juiz"

Não é bem verdade, os méritos do juiz foram bastante discutidos.

Já esteve um juiz diferente nomeado para o Supremo e os Republicanos não o empossaram à espera que o presidente mudasse. Mais um caso de captura por interesses especiais.

Parece que faz parte da democracia e temos de viver com isso. Ou então arranjamos um Salazar que decida por nós o que está certo.
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De João Campos a 02.10.2018 às 13:41

Certo, mas não vamos fingir que a escolha de Kavanaugh está desprovida de qualquer agenda ou intenção política, pois não..?

Não acho relevante que ele se tenha embebedado aos 17 anos (quem nunca pecou...), mas os americanos agarram-se a essas coisas. Já a hipótese de que ele tenha tentado violar uma rapariga aos 17 parece-me incomparavelmente mais grave; não é algo que se possa desvalorizar como um excesso de juventude. A confirmar-se (e para isso é necessário fazer uma investigação séria - estarão os Republicanos interessados nisso?) , é algo que o devia desqualificar de ser juiz no tribunal da vila dele, quanto mais de chegar ao Supremo.

No resto, resumir o caso a uma cabala do partido da oposição naquelas declarações iniciais não será exactamente o melhor cartão de visita para uma candidatura a um cargo que se quer tão imparcial e apartidário quanto possível...
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De Luís Lavoura a 02.10.2018 às 15:11

Todos os crimes têm prescrição. A prescrição deve ser não somente em termos de impossibilidade de perseguição judicial, mas também em termos de memória. Ou seja, ele tem direito (a meu ver) que um crime eventualmente cometido há mais de 30 anos seja esquecido.
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De Pedro a 02.10.2018 às 20:20

Luís, um médico pode ficar impedido , em virtude de um crime, de exercer medicina, pela expulsão da Ordem dos Médicos
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De Anónimo a 02.10.2018 às 23:24

É falso que "todos os crimes têm prescrição". Assassinato e violação fazem parte dessas excepções.
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De JgMenos a 03.10.2018 às 09:41

O que verdadeiramente define o homem é ter vendido uma imagem de perfeição que além de idiota é falsa.
O comportamento muda mas carácter é que dificilmente muda radicalmente durante a vida.
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De Luís Lavoura a 03.10.2018 às 11:53

O que que o caráter de um adolescente de 17 anos tem a ver com o caráter de um homem de 60?
O que é que o comportamento sexual de um adolescente de 17 anos tem a ver com o caráter desse adolescente? Qual é o adolescente de 17 anos, seja qual fôr o seu caráter, que não poderá um dia não se conter e saltar em cima de uma miúda a procurar apalpá-la?
É perfeitamente bárbaro que um homem de 60 anos veja a sua carreira estragada por ter em tempos sido um adolescente de 17 anos com as hormonas sexuais em níveis muito altos e não se ter contido de saltar para cima de uma miúda.
Só mesmo num país de caça às bruxas como os EUA.
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De Pedro a 03.10.2018 às 22:48

Portanto quem não salta para cima não tem as hormonas num nível muito alto
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De lucklucky a 03.10.2018 às 03:59

"...resumir o caso a uma cabala do partido.."

É pior que uma cabala.
É destruir o sistema político para todos excepto para a esquerda que está protegida pelo jornalismo.
É ainda destruir o sistema de justiça e acabar com a presunção de inocência.

A autora da acusação só diz coisas vagas não vá ser apanhada em contradição...


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De João Campos a 03.10.2018 às 12:25

Tinha rabiscado uma resposta mais longa, mas dado o interlocutor julgo ser uma perda de tempo. Um resumo: Kavanaugh é, para já, inocente; existe uma suspeita que, a confirmar-se, é grave; para confirmar o que quer que seja devia haver uma investigação rigorosa. Que, acrescente-se, dificilmente será feita em uma semana...


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De Pedro a 02.10.2018 às 13:58

Luís o maior problema da democracia é o desinteresse dos eleitores. O maior problema da democracia é a ignorância histórica. Qual a solução? Deixar a história correr. Que ela nos seus ciclos intermináveis traga para dentro os que se julgam de fora. Não há nada como vivê-la para sabê-lo.
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De Pedro a 02.10.2018 às 14:01

O problema das instituições não é elas serem vulneráveis aos poderosos. É quando os interesses dos governantes não coincidem com os governados.
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De Pedro a 02.10.2018 às 14:02

Luís, como sabemos que os independentistas são a minoria?
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De Luís Lavoura a 02.10.2018 às 14:32

Na Catalunha os independentistas são a minoria, mas tomaram conta das instituições regionais e da televisão pública

Os independentistas são a minoria mas, democraticamente, alcançaram o governo, pois constituem uma maioria no Parlamento. Tudo regular.

um caso extraordinário da política nos EUA, onde um juiz nomeado para o supremo tem a sua vida devassada, acusado de ter cometido uma agressão sexual quando tinha 17 anos

Isto não tem nada de extraordinário na política dos EUA. Já ocorreram coisas similares por diversas vezes. Resulta fundamentalmente de os EUA terem uma sociedade muito puritana.
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De Anónimo a 02.10.2018 às 23:25

Pela lógica do Luís Lavoura a Suécia tem "uma sociedade muito puritana" pois tem a definição de violação mais abrangente do mundo. Ganhe juízo!
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De Anónimo a 03.10.2018 às 09:37

"Suécia tem "uma sociedade muito puritana" " Não sei se se deva classificar como puritana. Mas que é uma tolice, é sem dúvida.
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De Manuel Alves a 02.10.2018 às 14:38

"de um caso extraordinário da política nos EUA" Extraordinário?!!
É uma caso ordinário na política nos EUA e tende a sê-lo também na dos outros. Quem quer ser político tem de fazer votos de castidade (e não só) desde pequenino. É como um sacerdote. Na realidade mais difícil, pois o cristianismo admite o arrependimento e o maior pecador pode tornar-se santo (vide Santo Agostinho). Mas quem cometa uns pecadilhos de brincadeira nunca pode ser político. E se o for tem sempre a espada de Dâmocles em cima da cabeça: se a coisa se descobre!!!
Se aparece uma mulher a dizer que eu a apalpei (e qual é o heterossexual que nunca apalpou nenhuma?) de duas uma: ou tenho a carreira arruinada ou dou-lhe dinheiro a rodos (se o tiver) para a calar.
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De Anónimo a 02.10.2018 às 15:10

No Brasil acho impressionante a tomada de poder por parte do evangélicos...o Rio de Janeiro ja esta nas maos desta praga, agora preparam o assalto final a Brasilia...o evangelicos crescem em ambiente de esquerda...os portugueses=catolicos no Brasil foram perseguidos pelos macons e esquerda ao mesmo tempo que apoiavam a expansão evangelica nas estruturas de poder...a esquerda brasileira, outra praga no brasil, que serve os interesses dos " holandeses" ( tal como a mafia evangelica ) no Brasil, e isso viu se com a emtrega das comunicacoes dos portugueses aos judeus holandeses...que venha um pronunciamento militar no Brasil por parte dos militares catolicos !!! Evangelicos e esquerda... é a mesma m...
.
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De Luís Lavoura a 02.10.2018 às 15:15

tentado violar uma rapariga aos 17 [anos de idade]

O que é "tentar violar"? Saltar-lhe para cima, dando-lhe uns beijos, metendo a mão onde não deve, e desapertando-lhe o vestido? Eu diria que muitos rapazes já terão feito, ou pelo menos tentado fazer, isto a raparigas num momento em que as hormonas estejam particularmente soltas. Será que agora, além de a violação ser crime, "tentar violar", seja lá o que isso fôr, também o é?

Enfim: disparates amer(d)icanos.
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De Zeca a 02.10.2018 às 18:31

"onde não deve". Há gralha, corte o não.

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