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O lirismo nacional

por Luís Naves, em 13.10.15

O lirismo nacional acabou frequentemente em falta de bom senso e espero que não seja o caso do hipotético governo de esquerda que nos levaria com toda a probabilidade ao segundo resgate. Lendo o que se escreve, teme-se o pior. Como Talleyrand disse dos Bourbon, alguns sectores da esquerda não aprenderam nada e não esqueceram nada.

O país mudou, mas as suas elites continuam medíocres como sempre. A pequena táctica sobrepõe-se ao interesse nacional e os líderes parecem prisioneiros de cálculos de curto prazo. O mais preocupante é esta incapacidade de ver o óbvio: os mercados reagirão de forma impiedosa a cada novo sinal de alucinação. Legitimidade constitucional? Isso existe. Mas para que serve um governo de esquerda liderado por um partido que quer cumprir o tratado orçamental europeu e que inclui (ou é apoiado por) dois partidos que contestam esse tratado?

Se não estivermos perante uma manobra ilusória (cada vez mais difícil de desfazer), a tentação de criar uma frente de esquerda terá implicações na relação com a Europa. Os radicais terão de abdicar das suas ideias ou não haverá esperança de controlar as contas públicas e cumprir as metas que nos foram impostas. A confiança dissipa-se em poucas semanas, com efeitos no investimento, no crescimento e no emprego. Na melhor das hipóteses, a estabilidade política será intermitente e a esquerda do PS vai dedicar-se à táctica do salame, cortando às postas o eleitorado socialista.

Há uns líricos de direita que acham esta perspectiva positiva, pois no fim terão maioria absoluta, mas tal como os outros, subestimam os custos da aventura. As fantasias pagam-se caro e estas ilusões surgem no pior momento. A Europa está metida numa crise de refugiados de efeitos imprevisíveis e haverá escassa tolerância em relação a tontinhos que queiram agitar o barco: as notícias sobre as eleições de dia 4 eram sobretudo breves a referir a vitória da coligação de centro-direita, sem menção de qualquer sombra de crise. Agora, sem aviso, surge um bando de poetas a declamar maus sonetos, que os europeus não tencionam ouvir.

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6 comentários

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De Mark Margo a 13.10.2015 às 12:28

Quer-se a todo custo fazer acreditar que com um Governo á esquerda será o caos, a propria Europa está a mentalizar todos que só existem governos á direita, isto é terrivel.
Mark Margo
www.markmargo.net (site de celebridades e playmates com sessões fotográficas)
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De Vento a 13.10.2015 às 12:43

Eu não a que elite o Luís pertence ou se faz parte dessa hipotética elite que à imagem e semelhança da anterior que crítica bate sempre nos argumentos e teclas corrompidas.
Corrompidas porque essa outra elite aparenta aceitar o que é legítimo, mas pensam ser mais legítimo o que ilegítima o legítimo. Isto é, os mercados que não querem, segundo tal elite, governos com coligações à esquerda.

Acontece que tal elite não compreende que a vida é feita de opções, e nem todas as opções podem ser adequadas a um querer egoísta e acomodado que sempre se socorre da posse para justificar uma qualquer merdita.

Mas mais estranho ainda nesta elite é vir em reivindicação daquilo que pensa ser o desejo do eleitorado socialista. Se tanto sabem sobre o que o eleitorado socialista deseja fico surpreendido que não tenham votado no PS.

Apercebo-me que esta outra elite parece ser avessa a aventuras, e entende que por ser avessa a tal situação deve impor a outros a não "aventura" para que permaneçam na aventura peregrina que foi manter a política da legitima reivindicação dos mercados e dos mercadores iniciada por Sócrates, e que tal elite tão legitimamente decidiu abater no quadro parlamentar.

Esta suposta elite vive impregnada da religiosidade e culpa calvinista que aceita a determinação dos eleitos e o castigo dos pecadores.

Esta elite não compreende também que a crise dos refugiados associada à crise da VW, entre outros, determinará que os ditos "mercados" concedam uma vez mais à Alemanha romper com os tratados orçamentais e metas do défice. Tudo isto em prol do emprego e crescimento que a outros negam.

Adoro esta brilhante elite que se opõe à anterior. São surpreendentemente previsíveis e inteligentes. Como os invejo.
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De Septuagenário a 13.10.2015 às 14:28

Lirismo nacional?

Sim, lirismo nacional, simplesmente Costa não é lírico.

Aquele sorriso enigmático meio amarelo, meio asiático, sem corar nem pestanejar, tem segredos só dele.

O partido já o dava acabado, na noite das eleições.

O partido é lírico, o país é lírico.

Costa não é lírico, não sabemos aonde vamos parar, mas ele vai longe.
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De Tiro ao Alvo a 13.10.2015 às 14:53

Tem toda a razão - esta gente mais parece um grupo de crianças a disputar um brinquedo apetecível. Estamos lixados!
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De cristof a 13.10.2015 às 16:24

A UE é muitas vezes mal vista daqui. O caso grego é exemplo;a um pseudo lírico, deram-lhe todas as hipóteses de refazer os lirismos. Ninguem na UE quer governar este pântano; só precisam dum interlocutor que cumpra a palavra dada, seja de esquerda, direita ou de todo o lado. Quem vai continuar a sofrer o resultado, são os mesmos de sempre; após tres banca rotas não é mais uma que os assusta. E juro que acho que ainda não vai ser da próxima que vão aprender a lição.
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De Comuna Nacionalista a 13.10.2015 às 19:50

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