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O laicismo pode esperar

por Pedro Correia, em 21.06.19

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De barco na Ria Formosa, ontem, em Cabanas

 

Ontem teria sido um dia muito indicado para os mais frementes militantes do laicismo saírem em defesa desta bandeira, entre indignadas proclamações contra as ingerências religiosas nas leis que regulam o funcionamento do Estado. Mas não lhes ouvi sequer um sussurro. Talvez tivessem feito como eu, a banhos algarvios no feriado nacional que celebrou o Corpo de Deus.

Aposto que agirão da mesma forma a 15 de Agosto, feriado nacional que celebra a Assunção de Nossa Senhora. O laicismo pode sempre esperar.


52 comentários

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De Anónimo a 21.06.2019 às 10:50

O Pedro Correia tem toda a razão: não há qualquer motivo para que o Corpo de Deus seja feriado nacional. A imensa maioria da população portuguesa está-se marimbando para o Corpo de Deus (que aliás é uma coisa que não existe, pois Deus, por definição, é incorpóreo).

É um feriado que foi muito bem eliminado por Passos Coelho, e que não deveria ter sido restaurado (ao contrário de alguns outros feriados).
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De Zeca a 21.06.2019 às 18:06

"A imensa maioria da população portuguesa está-se marimbando para o Corpo de Deus"
Mas não se está marimbando para o feriado.
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De Pedro Correia a 21.06.2019 às 19:12

Quando Passos Coelho suprimiu dois feriados religiosos (mal, a meu ver), ia caindo o Carmo e a Trindade.
Até ateus empedernidos viraram devotos da Santa Madre Igreja.
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De Zeca a 21.06.2019 às 23:52

"suprimiu dois feriados religiosos (mal, a meu ver), ia caindo o Carmo e a Trindade." Claro, os portugueses não se estão marimbando para os feriados.
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De Pedro Correia a 22.06.2019 às 09:28

Nunca vi tantos "católicos" aos gritos como nesses anos em que dois feriados religiosos foram suprimidos. Todos ansiavam por celebrar o Corpo de Deus.
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De Pedro Correia a 21.06.2019 às 18:24

Eu não digo que há ou não razão na existencia deste feriado.
Limito-me a anotar a hipocrisia daqueles que estão sempre prontos a rasgar as vestes contra a Igreja Católica em nome do laicismo mais radical e no entanto jamais se insurgem contra a manutenção dos feriados religiosos no calendário laboral definido pelo Estado português.
É um laicismo de geometria variável.
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De Corvo a 21.06.2019 às 20:44

Tem razão, caro Anónimo. A imensa maioria da população portuguesa está-se marimbando para o Corpo de Deus. Profunda verdade.
Mas uma maioria ainda maior, quase atingindo a totalidade, não se está marimbando para um feriado que cai que nem ginjas.
Ai é do corpo de Deus? Há que respeitá-lo que isto somos uma nação de fervorosos católicos e não queremos ir parar ao Inferno.
Ámen!
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De Pedro Correia a 22.06.2019 às 09:30

O que seria de esperar de uma nação em que a maioria dos comungantes do desporto com mais devotos chama "Catedral" ao seu estádio e exige "mística" aos seus jogadores?
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De André Miguel a 24.06.2019 às 09:08

Que grande comentário! Em cheio no alvo.
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De Anonimus a 21.06.2019 às 11:00

Os monárquicos trabalham a 5 de Outubro? Os iberistas apresentam-se no emprego no 1 de Dezembro?
Acho que o laicismo não é impeditivo da liberdade de culto. Igrejas, procissões, romarias, façam as que quiserem. Missa dominical na RTP, nada contra.
Daí a colocarem religião como disciplina escolar ou obrigarem a usar símbolos como crucifixo ou hijab vai um longo caminho.
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De Pedro Correia a 21.06.2019 às 18:28

Iberista, não conheço nenhum.
Monárquicos, conheço vários. Celebram - como eu - o 5 de Outubro. Não cono data da implantação de nenhum regime político, mas da fundação de Portugal, a 5 de Outubro de 1143.
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De Vorph Valknut a 21.06.2019 às 11:32

E aposto que na Páscoa se alambazarão com carnes vermelhas e mal passadas. Os feriados cristãos já não são mais que romanos repastos. Carpe Diem

Para quando uma petição para, ao Natal chamarmos, novamente, Festa da Familia, ou Saturnália? ( julgo que os jacobinos, no séc XIX, proibiram, em Portugal, a celebração da natividade do filho do Homem)
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De Pedro Correia a 21.06.2019 às 18:29

Os jacobinos tiveram pouco sucesso. E não apenas nisso.
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De João Pedro Pimenta a 21.06.2019 às 19:55

Já ouvi alguns jacobinos desejarem não "bom Natal", mas sim "feliz solstício de Inverno".
Obviamente na net, porque ao vivo seria demasiado anedótico..
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De Pedro Correia a 22.06.2019 às 09:31

Até esses cumpriram religiosamente este feriado do Corpo de Deus, João Pedro.
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De jo a 21.06.2019 às 11:58

Os feriados religiosos e o descanso no Domingo são uma boa coisa.
Dão alguma utilidade à religião.
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De Anónimo a 21.06.2019 às 17:33

É como os funcionários públicos para as pastelarias.
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De Pedro Correia a 21.06.2019 às 18:33

Quem professa o credo da função pública tem indulgências todo o ano. Ao contrário dos penitentes de outras fés.
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De Pedro Correia a 21.06.2019 às 19:13

Santa incoerência...
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De Anónimo a 21.06.2019 às 12:13

Há pelo menos uma coisa em que o PSD de Passos Coelho e o PCP de Jerónimo de Sousa estão de acordo: um feriado é somente um dia em que não se trabalha, e o motivo para que esse dia seja feriado é perfeitamente irrelevante. Tanto faz que seja Corpo de Deus como Primeiro de Dezembro, é irrelevante: a única coisa que importa é que é um dia em que não se trabalha.
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De Pedro Correia a 22.06.2019 às 09:32

Para Jerónimo de Sousa o 1.º de Maio é só um dia em que "não se trabalha"? Não me parece nada que seja assim.
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De sampy a 21.06.2019 às 13:03

É só decretar para a mesma data o Dia Nacional do Pão (e da broa e da regueifa), e está feito.
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De Pedro Correia a 22.06.2019 às 09:35

E o Natal, em vez de celebrar o nascimento de Cristo, passaria a festejar-se a 5 de Maio, dia de nascimento de Marx.
Transferindo-se a Páscoa para 21 de Janeiro, data em que Lenine morreu (não tendo ressuscitado até hoje).
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De António a 21.06.2019 às 13:30

Esqueci completamente o feriado, talvez por ter trabalhado. Mas está bem observado - feriados religiosos só deviam ser gozados por pessoas dessa religião, seja ela Católica ou Função Pública (parece que esses vão ter mais um para levar os filhos à escola no primeiro dia de aulas, benesse vedada a outros credos).
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De Pedro Correia a 22.06.2019 às 09:36

Essa religião tem em Portugal cerca de 700 mil devotos. E garante outros tantos votos.
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De António a 22.06.2019 às 13:25

Parece que me enganei, são 3 horas por pirralho, cumulativamente. Quem tiver 3 pirralhos tem 9 horas, e folga. Quem tiver só 1 tem a manhã livre. Na práctica é melhor não contar com os serviços nesse dia.
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De Pedro Correia a 23.06.2019 às 13:52

E os professores que tenham dois ou mais filhos?
Têm, naturalmente, o mesmo direito - desde que sejam funcionários públicos. Nesse dia não darão uma só aula.
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De António a 23.06.2019 às 14:12

É capaz de se tornar surreal, os professores tirarem a folga para levar os filhos e não haver aulas porque os outros professores foram também levar os filhos, sendo que o primeiro dia de aulas passa efectivamente para o dia seguinte, no qual sucede o mesmo, num loop.

O problema aqui é mesmo sério, é como o feriado de Carnaval, que não existia e passou a existir por estupidez de Cavaco Silva ou Guterres. O Governo podia passar perfeitamente sem isto, que se vai tornar num direito adquirido, defendido com unhas e dentes pelo PCP e pelo Tribunal Constitucional. Ora as aulas, por coincidência, geralmente começam a uma quinta-feira, portanto, com uma boa gestão arranjam-se umas mini-férias. É o que fazem com as “pontes”.
Também desagradável é quem trabalha no sector privado ver tudo isto, ter que trabalhar mais, e saber que está a pagar a festa.
Também desagradável é ainda ter de ouvir Catarina Martins e Marisa Matias virem todas contentes “descobrir” que “Portugal dá lucro”. A elas, não duvido.
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De Pedro Correia a 30.06.2019 às 08:21

O Presidente da República promulgou entretanto o diploma com a ressalva de que terá de estender-se ao sector privado para evitar maior desigualdades entre os direitos e as regalias dos funcionários públicos em comparação com os restantes trabalhadores.
Ao menos isto.
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De jpt a 21.06.2019 às 16:57

Compreendo o sarcasmo, mas não concordo. Defender o laicismo do Estado não implica refutar a estruturante tradição católica do país e nisso findar com as festas religiosas em forma de feriados. Aqui (como em tantos outros países) comemora-se em forma de feriado o Pentecostes, em Portugal por razões que desconheço opta-se pela versão um pouco mais supersticiosa do Corpo de Deus. Mas isso são opções entre o Estado e a igreja católica, que datas consagrar. Ou então, seguindo-te, que se termine com a Páscoa, as liberalidades laborais da dita sexta-feira santa (e com as férias escolares) e com o Natal. Já para não falar do carnaval pagão.
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De Pedro Correia a 21.06.2019 às 19:07

Meu caro, sobre a supressão dos feriados ocorrida em 2012, logo na altura, reflecti desta forma:
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/5017428.html

E a reposição do feriado do Corpo de Cristo, em Maio de 2016, suscitou-me a seguinte reflexão:
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/para-reflectir-neste-feriado-8475279

Como refiro, em resposta ao leitor que primeiro comentou, a perplexidade que agora me levou a escrever o que escrevi resulta de chegar a sítios como este
http://www.aateistaportuguesa.org/
e não encontrar uma palavra, uma palavrinha apenas, a favor da supressão dos feriados religiosos.
O tal laicismo de geometria muito variável...
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De jpt a 21.06.2019 às 20:12

Eu sei, conheço a tua posição - e por isso comecei por dizer que compreendo o sarcasmo ... bem merecido para com esses "radicais" veraneantes. Apenas usei o espaço para sublinhar que nem todos os pró-laicidade pensam assim. Aliás, os do laicismo não pensam mesmo como esses a que aludes, os comunitaristas do secularismo.
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De Pedro Correia a 22.06.2019 às 09:41

Pois, fazes bem em vincar essas diferenças. A um desses "radicais" veraneantes, dotado até de capacidade legislativa por ser deputado da Nação, perguntei certa vez se o seu programa "radical" de "separação total do Estado e da Igreja" abrangeria a supressão dos feriados religiosos, tendo obtido a seguinte resposta: «Não! Bem vê, Pedro Correia, há que respeitar os sentimentos de inequívoca religiosidade do nosso povo.»
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De jpt a 23.06.2019 às 04:14

há cada mariola
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De Pedro Correia a 23.06.2019 às 13:53

Sabem-na toda, como dizia a minha avó...
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De Zeca a 21.06.2019 às 18:15

O dia 15 de Agosto sempre foi feriado na minha aldeia, dia de romaria e convivência. Desde criança assim vi esse dia e ainda hoje o comemoro visitando a aldeia e os amigos e indo à romaria comer uns bolos e etc.
Não sou católico mas deste feriado e respectiva romaria eu não abdico. E peço aos laicos que o sejam (como eu o sou) mas que não digam asneiras. De feriados e festas toda a gente gosta. Até acho que deveria haver mais religiosos ou não. Agora que há tanto muçulmano e indu etc. em Portugal, é boa altura para arranjar mais dias de festa. Ou os laicos querem acabar com o dia do Senhor, isto é, o domingo???
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De Pedro Correia a 21.06.2019 às 19:09

Nada contra o 15 de Agosto, tudo a favor.
Sou contra - isso sim - aqueles que, militando contra a religião, cumprem religiosamente as pausas laborais que decorrem da Concordata assinada entre o Estado português e a Santa Sé.
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De João Campos a 21.06.2019 às 20:35

Na minha aldeia também há feriado a 15 de Agosto (vai na volta e ainda somos vizinhos..!) . Não somos muito espertos lá na aldeia, ou teríamos escolhido para feriado local uma data que não fosse já feriado nacional... :)
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De Pedro Correia a 22.06.2019 às 09:44

Eheheheheh... Muitas povoações celebram o 15 de Agosto, data de grande religiosidade popular. Também escolhida como festa local, em muitas paragens do País, por ser uma data em que muitos emigrantes estão de regresso em férias.
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De Teiguwwiro a 21.06.2019 às 18:51

Eu não professo qualquer religião, mas também não sou contra os feriados religiosos.
Sou fortemente a favor de existirem feriados de outras religiões 😁😂😂

Trigueiros
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De Corvo a 21.06.2019 às 21:38

Eu também! apoio incondicionalmente, sobretudo em paralelo.
Quando fui para o Gabão em 77, havia uma religião, a católica e os feriados religiosos eram escrupulosamente respeitados. Sem dúvida educação ministrada a preceito pelos franciús certamente para dissiparem resquícios do São Bartolomeu; e havia os feriados referentes ao próprio país que também não pecavam por avareza. Dia da Independência, dia da ideia independentista, dia da discussão para o dia da independência, dia do consenso para a independência, dia do presidente, dia do vice-presidente, e por aí adiante.
Um ano depois a juntar a estes feriados todos, vieram os muçulmanos porque o presidente, antes senhor Albert-Bernard Bongo, decretara o Islamismo no país, - sem abolir o cristianismo, - porque parece que o petróleo tinha mais propriedades energéticas, tendo ele mesmo dado o sublime exemplo de fé e passou a chamar-se senhor El Hadj Omar Bongo Ondimba.
Sabe lá este povo português, eternamente oprimido, o que são feriados.
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De Pedro Correia a 23.06.2019 às 13:59

Comentário da semana.
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De António a 21.06.2019 às 21:39

Uma das melhores idéias que já li neste blogue. Numa sociedade que se quer multicultural todas as regiões deviam ter as mesmas prerrogativas. Se juntarmos os dias da independência ou fundação da nacionalidade de todos os países até podíamos abolir os despertadores
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De Pedro Correia a 22.06.2019 às 09:50

É para mim incompreensível que um ateu devoto, laicista por convicção, opte por renunciar ao direito ao trabalho num feriado religioso. Tal como seria um iberista (não conheço nenhum) ficar a roncar em casa no 1.º de Dezembro.
O ateu devoto e militante tem o dever ético, moral e cívico de lutar pela supressão destes feriados.

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