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O Islão e a Europa (2)

por João André, em 10.01.15

O meu post anterior fazia referência às perspectivas sobre as causas do terrorismo ou à ausência de vontade para as compreender. Neste abordo outro aspecto: a percepção da "ameaça islamista" na Europa.

latuff-hebdo.png

 

Na minha opinião, um dos cartoons mais relevantes que foi publicado na sequência do ataque foi o que está acima. Porquê? Porque as reacções ocidentais (especialmente as europeias) irão no sentido de apontar dedos (quando não outras extremidades mais sinistras) aos muçulmanos. Não é difícil imaginar Marine Le Pen e outros da mesma laia a salivarem-se de antecipação. Estes ataques são para eles uma profecia que se cumpre: a Europa está a ficar islamizada e os muçulmanos não só não se integram como são altamente hostir aos valores ocidentais.

 

Só que não é assim, pelo menos acreditando neste gráfico da Al-Jazeera, perdão, do Economist. Aparentemente nem a Europa está a islamizar-se tanto quanto se pensa nem há assim tantos riscos quanto isso. Os independentistas parecem ser mais perigosos que os islamistas.

20150110_gdc999_3.png

 

Porque razão esta disparidade (se me permitem que tente reflectir)? Bom, parece simples: pelas mesmas razões que referi antes. É mais simples hostilizar alguém que parece ter diferenças fundamentais em relação a nós (religião, cultura, cor, hábitos alimentares, vestuário, etc) do que aqueles que parecem perfeitamente iguais, ao ponto de não se compreender os motivos da violência (compare-se a diferença entre um árabe e um europeu e a que existe entre um basco e um andaluz).

 

E é este o perigo do populismo: reduz os temas que lhe interessam às questões que lhes interessam. Na Alemanha o Pegida nasceu em zonas onde os muçulmanos estão menos presentes. Na Suíça foram aprovados referendos que não só nasciam de falsas questões (há pouquíssimos minaretes no país) como eram prejudiciais ao país (pelo menos se os governantes e a UE não encontrarem soluções intermédias). A única solução para este problema é acção civil e informação. Na Alemanha, por exemplo, as contra-manifestações têm tido enorme sucesso. Faltaria uma mentalidade semelhante noutros países. É por isso que este movimento é tão importante como o Je suis Charlie. De certa forma, é mais importante.

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16 comentários

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De Vento a 10.01.2015 às 19:51

É este último, o policia Ahmed Merabet, o verdadeiro mártir da reconciliação. Ele faz prova que a sua vida e morte não foi em vão.

Creio que no meio desta indignação toda estão também as mãos manipuladoras de propagandistas que pretendem "recrutar" adeptos para caucionarem os erros no médio oriente e outras partes do mundo.
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De João André a 12.01.2015 às 13:39

Completamente de acordo.
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De V. a 10.01.2015 às 20:08

Conversa mole.
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De lucklucky a 10.01.2015 às 21:50

Não é conversa mole, isto é conversa construída.
É conversa que segue o cannone. Nela não há lugar para bairros na Escandinávia onde os bombeiros são recebidos à pedrada e onde um branco é impossível andar e uma mulher corre o risco de ser violada, bairros na Grã Bretanha onde milícias avisam as mulheres para e taparem e proibirem álcool, bairros em França sobre controle dos jihadistas...com ameaças a lojistas e pequenas empresas.
Nada disso existe neste discurso.

Se se quer imigração, e imigração deve existir sobre pena de estagnação, esta tem de ser igual ou melhor que os habitantes. Não pior.
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De J.V M. a 10.01.2015 às 23:51

Ao contrário, a sua cassete da treta não segue nenhum, cânone.
A diferença entre a sua cassete e a do PCP é só na ideologia, no resto são iguais.
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De lucklucky a 11.01.2015 às 23:31

A única cassete parece ser a sua e fica-se por nada de nada.

Não concorda com o que digo, escreva onde discorda.
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De João André a 12.01.2015 às 13:39

Resposta mole a comentário mole.
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De lucklucky a 10.01.2015 às 21:38

Um autor de Esquerda a acusar outros de Populismo. É hilariante.
A Esquerda é toda Populismo até tomar o Poder.

A palavra "Populismo" foi apropriada pela Esquerda, para usar como "Acusação de Culpa" quando a Esquerda tem medo de perder o Povo para ideias que a Esquerda não aprova no momento.

Pode vir a apoiar se conveniente, pois já sabemos que a Esquerda não tem Causas, tem Pretextos. Para usar e deitar fora.

Já o "populismo" da Constituição da Republica que promete Educação e Saúde gratuitas, sucessivos défices sem pagar não é Populismo. Estamos num regime desenhado para ser até mais Populista que Socialista - os ricos que paguem - e existe a lata de acusar outros de Populismo.
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De Luís Rosa a 10.01.2015 às 22:02

A quem devemos o dedo apontar senão a eles? Ao monolítico Ocidente? Ao Estado Social? Ao Capitalismo? Ao Iluminismo? Aos Romanos? Vários países muçulmanos, vários imãs, mulás e aiatolas, vários auto-proclamados moderados, de há décadas para cá têm feito tanto por denegrir a imagem da religião que não querem achincalhada, que é muito difícil alguém exterior a ela retratá-la ainda pior. Aitolas que mandam assassinar grandes romancistas, um cantor popular como Cat Stevens a ecoar esse desejo publicamente, o assassinato de Theo Van Gogh, a tentativa de se prender Orianna Fallaci e Geert Wilders por usarem a liberdade da expressão, o acirramento de revoltas contra os cartoons dinamarqueses, as câmaras ocultas que mostram o ódio que realmente se ensina nas madraças holandesas e inglesas, o descobrimento de como muitas já deram abrigo a terroristas e servem de redes de apoio, inclusive a pessoas envolvidas no 9/11, os raptos de raparigas nigerianas, agora o Charlie Hebdo, e estou a esquecer-me de muitos casos pelo meio... Quando é que se irá começar a apontar o dedo ao Islão?

Lembro-me de uma história que Christopher Hitchens uma vez contou sobre a criação da marinha americana. Os EUA eram um país jovem, ainda sem conflitos com outras nações, salvo o RU, mas os seus barcos andavam a ser atacados por piratas otomanos. Quando o governo falou com embaixadores do império perguntou porque os atacavam tendo em conta que não havia nenhum historial entre eles, eles não eram a Europa, eram um país sem história e rancores. Porquê os ataques? A resposta foi simples: porque o Islão permite atacar os infiéis. E foi assim que Thomas Jefferson criou a marinha e limpou os mares de piratas muçulmanos, o que nem a marinha britânica havia conseguido fazer.

Os muçulmanos não precisam de razões exteriores ao Islão, o Islão é a própria razão por que agem assim; como o Cristianismo foi a razão por que tanto mal se fez em seu nome. Hoje procuramos razões para a Inquisição exteriores ao Cristianismo? Fingimos que os seus praticantes não eram fanáticos intolerantes movidos pelo mais lídimo respeito pelos seus dogmas e convição de que apenas faziam o que era o melhor em nome da sua religião? Os fundamentos destas duas religiões inspiram ao fanatismo, à intolerância, ao estreitamento da razão, a uma visão turva de tudo. A única diferença é que o Cristianismo passou por um processo multissecular em que foi oposto, humilhado, ridicularizado e por fim tornado irrelevante com o gradual entronizamento da ciência e do método científico. Mas o Islão nunca deixará de ser a ameaça que é enquanto não sofrer os mesmos revesses, as mesmas crises de fé, enquanto não procurar a expiação pelo seu sangrento e vil passado. E certamente não o fará enquanto todos insistirem em procurar causas fora do Islão, apontar o dedo a outros que não ao Islão, e culpar outros que não os muçulmanos.

Infelizmente é duvidoso que isso aconteça porque o Islão tem os grandes aliados que o Cristianismo nunca teve: o sentido de culpa dos ocidentais e o politicamente correcto. É triste pensar que se nos séculos XVI, XVII e XVIII tivesse havido gerações doutrinadas por Marx, Said, Derrida, Foucault e incontáveis outros pensadores de esquerda, nunca se teria derrotado o Cristianismo. Coitado do John Locke e do Voltaire com os seus ensaios e tratados sobre tolerância, liberdade de expressão, a dignidade do homem, os valores liberais, a busca da verdade, a atacarem de frente o problema, apenas para terem sofistas virem com as suas tretas relativistas, "Eh, vamos lá ter calma, se calhar a culpa não é só do Cristianismo, vamos ver as coisas pelo prisma da Inquisição também, não há verdades absolutas, sabem? Se calhar esses Humanistas e cientistas também tiveram culpa no cartório, já pensaram nisso? A provocar toda a gente com factos e verdades; nunca leram Nietzsche? Toda a gente sabe que os factos são subjectivos." Que grande utilidade isso teria sido, não é? E que bem que isso nos serve agora também, não é? Que jeito que isso deu a Theo Van Gogh, que jeito que dá a Salman Rushdie.

Por fim, só posso dizer que pessoas como tu assustam-me mais do que a Marie Le Pen. A mulher é idiota; mas tu iludes-te que és racional e moderado.
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De João André a 12.01.2015 às 13:41

Comento o último parágrafo, o resto é palha.

Se o perigo sou eu, que tento compreender o que se passa para o evitar, então estamos já conversados. Vote em Le Pen ou semelhantes (especialmente em vacuidades como Wilders). Veja onde vai parar.
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De JSP a 11.01.2015 às 00:07

Quando se trata de vida e de morte, um certo basismo ajuda a ver as coisas com maior nitidez, "cristal clear", por assim dizer...
Como certamente concordaria Monsieur de La Palisse , sem terroristas não há terrorismo - frase repolhuda , que certamente não seria enjeitada , nem rejeitada, pelo grande (grandessíssimo, aqui para nós ...) Humanista que passou por este vale de lágrimas sob o nome de Estaline,e a quem devemos o pensamento emblemático que serviu de base a todo um programa político: "onde não há pessoas, não há problemas"...
Vendo bem as coisas, estamos perante um problema de relação de força, e da vontade, ou não, de a aplicar.
Depois desse módico exercício de sobrevivência, então sim, então escancaremo-os aos bons sentimentos,ao diálogo,à tolerância,à paz na Terra aos homens de boa vontade ( e até aos outros...), etc.etc.
Mas só depois , e bem depois ...

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De João André a 12.01.2015 às 13:43

Precisamente, sem terroristas não há terrorismo. E esse parece ser o princípio de uma certa porção da sociedade, que deseja eliminar os terroristas.

Eu gostaria de tentar descobrir porque razão os terroristas existem, de forma a tentar identificá-los antes de o serem e a coisa se tornar um caso de polícia ou espionagem. Estaríamos todos mais seguros, inclusivamente do próprio estado.
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De Miguel R a 11.01.2015 às 00:37

João trabalho com muçulmanos, dou-me bem com eles, não tenho nada contra por serem negros ou muçulmanos ou outra coisa qualquer. Agora quando não obedecem a ordens de colegas mulheres por serem mulheres (como já vi) devo calar-me? Não, não devo nem posso ser tolerante perante atitudes que vão contra os princípios fundamentais da nossa sociedade. Não pode haver desculpas! Por serem muçulmanos? Por «sentido de culpa»? Isso sim é tratar alguém por bitolas diferentes só por serem muçulmanos. E a igualdade é para todos. Já visitei a mesquita de Lisboa, já conheci o xeque Munir. Não tenho nada contra a religião, mas existem práticas com as quais a Europa não pode pactuar. Venham de quem vieram. Ponto! Por isso concordo com o Luís Rosa, há um Islão que tem de ser rejeitado da mesma forma que foi o cristianismo. Não podemos ser tolerantes perante a intolerância, como com a corrupção and so on. «Se não estão satisfeitos em viver num país liberal, podem emigrar e deixem-nos em paz.» (Xeque Munir)
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De João André a 12.01.2015 às 13:50

Essa do «dou-me bem com eles» faz-me lembrar outros comentários semelhantes.

A diferença é que eu não vejo muçulmanos, cristãos ou judeus ou outros quaisquer. Vejo pessoas. Quando são violentas qualquer motivo é bom. O gráfico do Economist aponta de forma clara que a maioria das detenções de terroristas não estavam relacionadas com religião. Esta é uma cobertura, nada mais. Passar a acusar os muçulmanos tout court não faz qualquer sentido.

A intolerância de muitos muçulmanos é de facto um problema. De certa forma o Islão necessita de uma reflexão para se modernizar. Infelizmente esse tipo de coisas não surge por pressão de outros, tem de nascer de dentro. Já vai existindo, alguns teólogos e especialistas muçulmanos vão apresentando argumentos teológicos para a incompatibilidade entre terrorismo e Islão. Infelizmente este tipo de situações não é reportada pelos media.
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De Miguel R a 13.01.2015 às 20:53

Eu falava dos "meus", do particular. Mas, tudo bem, há de facto um nós e um eles, seja por divisões culturais, religiosas, políticas, familiares (mesmo que não seja a tua verdade)... Quanto às pessoas, todas são diferentes. Ainda bem que podemos expressar as nossas diferenças desde que respeitando o outro. Também acho que não faz sentido acusar os muçulmanos em geral. Para além de ser ridículo... Pronto o resto concordo com tudo.
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De Duque de Lencastre a 02.01.2016 às 20:27

Este senhor precisa de ler um bocadinho mais e fazer uma análise mais aprofundada para perceber as raízes do islão. Hoje pode-se dizer com muita certeza que existe uma corrente violenta e brutal dentro do Islão que inspira o terrorismo. A história ajuda a clarificar alguns destes aspectos, especialmente quando olhamos para a história do Islão na peninsula ibérica. Entre 711 e o
século XII, há documentos que mostram de facto as relações entre
cristãos e muçulmanos e como esta ocupação foi levada a cabo. Isto está minuciosamente documentado nos trabalhos de Evariste Levi Provencal, o maior historiador da Espanha Muçulmana, ele próprio Argelino. Ele documenta massacres constantes entre 723 e 1066 nas cidades de Toledo, Salamanca, Cordoba, Barcelona, Lérida, Málaga, entre outras. Entre as técnicas nestes massacres eram pilhagem de mosteiros que visavam subjugar as populações, crucificar pessoas, queimar pessoas vivas, erradicar bairros e povoações que se revoltavam até que aceite que quem mandava era de facto os novos ocupantes. A escravatura era também uma prática já muito usada nesse
tempo e altamente lucrativa, que levou centenas de nativos da
peninsula para o norte de África. Já aqui se vê muito cedo a possível e certa raiz da inquisição Espanhola. Seria estranho pensar que os reis católicos um dia se levantaram e decidiram queimar tudo vivo! Não. Tem que se analisar minuciosamente os comportamentos que vêem desde esta ocupação para se perceber que existia já um padrão e que foi também usado pelos reis católicos e pela Espanha cristã que foi deparada com tamanha violência e barbaridade. As referências á Espanha ocupada pelo Islão são frequentemente relatadas como a terra de "Jihad por excelência", ou seja, pilhagens, massacres e raptos de
escravas cristãs para servir os senhores muçulmanos.

Outro aspecto importante, é a razão pela qual se verificava uma maior conversão ao Islão (e isto está também documentado por historiadores árabes). Ela foi aumentando simplesmente porque como o Islão dominava, e os nativos da peninsula convertiam-se pois tinham mais oportunidades nas cidades para atingirem melhores carreiras, só até certo ponto, pois judeus e cristãos nunca poderiam chegar aos mais altos cargos na hierarquia. Este comportamento paralelo verificou-se também durante os impérios coloniais, em que se observava uma conversão á igreja para beneficiar de outro estatuto na sociedade.
Por outro lado, já a convivência entre as duas religiões também é muito elucidativa e mostra que ambas eram indiferentes a presença de uma e outra. Não havia pura e simplesmente nenhum interesse em um cristão escrever
ou entender o islão ou vice versa, e frequentemente apareciam escritos
de cristãos dizendo, "keep your head down and you will be fine"..... Sem dúvida há relatos de como os muçulmanos não gostavam de sinos de igrejas, carne de porco e adegas de vinho, comportamentos que ainda hoje se manifestam, e estamos no século XXI.

Já agora no século XXI, há claramente um movimento de regeneração do islão radical e negar a sua existência é uma inconsciência e cair no politicamente correcto. Mas hoje as armas são outras e os tempos são outros, mas a guerra é a mesma. Além do jihadismo, que mata gente usando o terrorismo, há islamistas que usam outro tipo de táticas como o sistema democrático e cultural do Ocidente para procederem á imposição da sua cultura e sistema de governo. São aparentemente a favor de direitos humanos etc. mas quando se faz uma análise mais cuidadosa é perturbador o tipo de ajuda e financiamento que usam. E depois há fundamentalistas, que acreditam no governo imposto pelo islão e no sistema judicial imposto pelo islão. Para responder á sua pergunta, porque é que há terroristas? É muito simples. Pois tal como ao judaísmo e ao cristianismo o Alcorão incita ao ódio. Mas a relação entre crença religiosa e acção depende totalmente da maneira como essa crença é interpretada e por quem. E ai entra o radicalismo que pode ir do apoio absoluto e do sacrifício em nome da guerra ao apoio absoluto e do sacrifício em nome da paz.
Se a Europa quer vencer esta "batalha" não pode cultivar o seu próprio auto ódio e culpabilização que tem vindo a crescer a um ritmo alarmante e o vacum espiritual que o islão está a espera de preencher.

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