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O inimigo da literatura

por Alexandre Guerra, em 20.04.18

Mario Vargas Llosa escreveu há umas semanas, na coluna que assina regularmente no El País, um texto que, sem ser um rasgo de brilhantismo literário, é um statement arrojado e corajoso nos dias que correm, desafiando os cânones de um certo fanatismo moral e ético instalado no pensamento mainstream destas novas sociedades. Sociedade, essas, que parecem ser cada vez mais assépticas nos seus comportamentos sociais e, consequentemente, mais limitadas nas liberdades da criação intelectual e artística. É quase como se estivéssemos perante as tais “nuevas inquisiciones” de que Vargas Llosa fala. As novas “fogueiras”, metamorfoseadas em headlines e redes sociais, para “queimar” aqueles que, na sua arte e intelecto, desafiam o status quo ou o pensamento predominante que é passiva e acriticamente aceite pela maioria (o muitas vezes chamado "politicamente correcto"). Llosa foca-se naquilo que vê como uma autêntica castração da liberdade literária, na qual esta é descontaminada das imoralidades, dos vícios, dos machismos, das perversidades, no fundo, desprovida daquilo que torna os homens pequenos, mesquinhos, vis, é certo, mas igualmente humanos e não meros seres utópicos.

 

Para Vargas Llosa, o “feminismo”, enquanto movimento radical (não todas as “feministas”, como ele próprio refere), é uma fonte destruidora da literatura. Percebe-se a sua ideia, porque a literatura, aquela que vale a pena ler e conforta a alma, tem que ser vista como um refúgio para, através da pena do criador, serem descritas, sem constrangimentos e amarras, todas as aventuras e ideais protagonizados por todos os homens, sejam os bons ou os maus, os virtuosos ou os iníquos, os valentes ou os cobardes, os inteligentes ou os ignorantes, os santos ou os pecadores, os justos ou os injustos... os feministas ou os machistas. A literatura, como qualquer forma de arte, deve ter espaço para contemplar o belo e o horrível, o perfeito e o imperfeito, o harmonioso e o chocante, o aceitável e o inaceitável, o moral e o imoral...

 

O princípio sustentado por Vargas Llosa, de que uma literatura, uma cultura, realmente creativas, "de alto nivel, tiene que tolerar en el campo de las ideas y las formas, disidencias, disonancias y excesos de toda índole”, é um bastião que deve ser preservado com todas as nossas convicções e forças. Não apenas por ser uma condição natural para a criação artística e intelectual, mas, sobretudo, por ser um direito humano inalienável, o da diferença de opinião, o de podermos expressar numa folha, numa tela ou numa pauta o que nos vai na alma, por mais chocante que seja para o próximo. Os tempos estão perigosos no campo das ideias verdadeiramente livres, porque há quem, muitas vezes subtilmente, as queira asfixiar ou condicionar, os mesmos que fazem novos Índex, os mesmos que tendem para o revisionismo com a sua “verdade” e “moral” absolutas. Os mesmos que não hesitarão em “queimar” os livros que repudiam, em vez de aprenderem com eles.  


22 comentários

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De Vlad, o Emborcador a 20.04.2018 às 19:24

Liberdade artística, muito bem. ..

E a Liberdade de desfraldar a suástica , entoar a SS marschiert in Feindesland, e gritar de palanque em pleno Terreiro do Paço - Judeu Süss?

E a Liberdade de se poder constituir uma Associação Portuguesa do Amor entre Homens e Crianças, que como a sua congênere americana, advogue a pedofilia?

Engraçado ver, hoje, a Antiga Direita como defensora do Relativismo Moral - em nome da Liberdade, tudo deve ser permitido - e a Nova Esquerda como baluarte dos Valores Absolutos e intransponíveis. Os papéis inverteram -se ,algures.

O mal do relativismo moral, sendo um movimento revolucionário, é a sua intemperança...a sua Monstruosidade

Pois eu digo...desta linha não passarás
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De lucklucky a 21.04.2018 às 15:25


Mas os supremacistas sociais podem continuar a desfraldar a foice e o martelo?

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De Vlad, o Emborcador a 21.04.2018 às 20:42

Meu caro o programa teórico da Foice não é igual ao do Sol Negro!
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De lucklucky a 22.04.2018 às 18:42

Não querem exterminar classes sociais?

The prisoners comprised dispossessed farmers who had attempted to resist collectivization, former activists of the National Peasants' Party, the National Liberal Party, the Romanian Social Democratic Party, and the fascist Iron Guard, Zionist Jews, as well as Orthodox and Catholic priests.[2][4][10][16][21] The canal was referred to as the "graveyard of the Romanian bourgeoisie" by the Communist authorities,[18] and the physical elimination of undesirable social classes was one of its most significant goals.

https://en.wikipedia.org/wiki/Danube%E2%80%93Black_Sea_Canal



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De Vlad, o Emborcador a 23.04.2018 às 14:01

Do programa político do Socialismo científico não consta a eliminação física compulsória e obrigatória dos adversários (ao contrário do Nazismo). No Capital não há nenhum tomo que disso fale. Também nos Evangelhos não se fala no celibato ou nas cruzadas.
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De lucklucky a 24.04.2018 às 03:50

"Do programa político do Socialismo científico não consta a eliminação física compulsória e obrigatória dos adversários (ao contrário do Nazismo)."

Ao contrário do Nazismo? que tal leres o manifesto Comunista:

Though not in substance, yet in form, the struggle of the proletariat with the bourgeoisie is at first a national struggle. The proletariat of each country must, of course, first of all settle matters with its own bourgeoisie.

In depicting the most general phases of the development of the proletariat, we traced the more or less veiled civil war, raging within existing society, up to the point where that war breaks out into open revolution, and where the violent overthrow of the bourgeoisie lays the foundation for the sway of the proletariat.

What the bourgeoisie therefore produces, above all, are its own grave-diggers. Its fall and the victory of the proletariat are equally inevitable.

"Eliminação física e compulsória" dizias...

O Marxismo é uma ideologia de Supremacismo Social.

Pode ser obtido por meios violentos localizados ou de extermínio.
Não é por acaso que Engels advoga o Terror. Aliás diz que o Terror da revolução Francesa não foi suficiente.

O desejo de eliminação dos Judeus por Karl Marx era o quê? Veio antes de Hitler usando quase os mesmos motivos.
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De Vlad a 24.04.2018 às 17:43

Meu caro, essa luta, essa revolução, era para Marx, Natural. Um fatalismo histórico. Ela não deveria ser provocada, pois o curso da história, mais as suas leis, tornariam essa "guerra" inevitável. Assim essa transformação social seria uma fatalidade, não necessitando o proletariado de a apressar/provocar.

O Nazismo é uma doutrina activa, cuja existência, cuja raison d'être, é a destruição do Outro. O movimento nazista deve ser provocado, não obedecendo a nenhuma lei natural que o torne inevitável. Ele depende da Vontade!

O Marxismo vem de Hegel, e assenta em "Leis cientificas" e na Razão. O Nazismo, ao contrário, é Romântico, Irracional e assenta a sua justificação no Instinto/Crença.

"Uma aliança cujo objetivo não compreenda o propósito de guerra não tem sentido nem valor. Alianças são feitas apenas para combater. E por mais distante no tempo que esteja o conflito no momento de concluir um pacto de aliança, a perspectiva de uma realização armada é, contudo, o íntimo pretexto para que aconteça."

Hitler
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De Vlad a 24.04.2018 às 17:45

O Judeu em Marx, significava acima de tudo o Capitalista/Financeiro (era um judeu simbólico) e não o judeu de "raça/étnico"...ao contrario de Hitler (Judeu=Subhumano)
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De Anónimo a 20.04.2018 às 20:37

Visitando, vendo, lendo e elogiando as suas publicações. Bonito blogue. Voltarei...
.
* Criança brincando ... em interno lamento. * (https://brincandocomaspalavrass.blogspot.pt/)
.
Cumprimentos poéticos.
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De Beatriz Santos a 20.04.2018 às 21:08

"Não há machado que corte a raiz ao pensamento" e nem a verve aos bons escritores. O resto, passa. Eles, hão de ficar.
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De Vento a 20.04.2018 às 21:26

Resulta na problemática sobre o feminismo a impossibilidade de pôr um homem a parir. Parir é uma questão estrutural; e se levarmos em conta o panorama político, económico e social desta nova Europa, que é também o de Portugal, melhor, o de todos os "Portugais", verificamos que o tão célebre discurso sobre as questões estruturais está errado.
Está errado na medida em que os principais problemas que afectam as sociedades, onde se inclui agora os apontados pelo feminismo, só se resolveriam se fossem desestruturais, Aqui, sim, haveria possibilidade de colocar a parir o que estruturalmente está preparado para o efeito.

Todavia, os problemas ditos estruturais, aqueles apontados pelos economeses nos últimos anos, serviram de pretexto para fazer implementar uma política contra-natura baseada num estalinismo legal, cujos "cacos" originados ainda hoje se contam e contabilizam apesar dos belos discursos de que tudo vai bem.

A meu ver, o feminismo das supostas não feministas mas que como tal se afirmam é isto: procurar lançar o caos sobre a questão estrutural, para depois ter de recuar porque ele mesmo levará com o martelo em cima.

O mundo actual funciona como uma workshop onde é possível desmontar toda a espécie de brinquedos, sabendo-se de antemão que quando se voltar a montar faltarão sempre peças. Diriam os anteriores: o(a)s vencido(a)s do sistema.
A sociedade actual continua com medo de si mesma, isto é, é incapaz de se assumir como é. Como tal, à semelhança do que os fariseus pensavam, julga resolver pela lei o que diz respeito ao Homem. Significa isto também, transpondo o feminismo reinante para o economismo também reinante, que não se pode reduzir a um número o que é humano. O pitagorismo nunca resultou nestas matérias. E as quotas e a moral também não.
Concluindo: a lei não liberta.
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De Vento a 20.04.2018 às 21:44

Tem este texto uma pequena emenda ao anterior.

Resulta na problemática sobre o feminismo a impossibilidade de pôr um homem a parir. Parir é uma questão estrutural; e se levarmos em conta o panorama político, económico e social desta nova Europa, que é também o de Portugal, melhor, o de todos os "Portugais", verificamos que o tão célebre discurso sobre as questões estruturais está errado.
Está errado na medida em que os principais problemas que afectam as sociedades, onde se inclui agora os apontados pelo feminismo, só se resolveriam se fossem desestruturais, Aqui, sim, haveria possibilidade de colocar a parir o que estruturalmente não está preparado para o efeito.

Todavia, os problemas ditos estruturais, aqueles apontados pelos economeses nos últimos anos, serviram de pretexto para fazer implementar uma política contra-natura baseada num estalinismo legal, cujos "cacos" originados ainda hoje se contam e contabilizam apesar dos belos discursos de que tudo vai bem.

A meu ver, o feminismo das supostas não feministas mas que como tal se afirmam é isto: procurar lançar o caos sobre a questão estrutural, para depois ter de recuar porque ele mesmo levará com o martelo em cima.

O mundo actual funciona como uma workshop onde é possível desmontar toda a espécie de brinquedos, sabendo-se de antemão que quando se voltar a montar faltarão sempre peças. Diriam os anteriores: o(a)s vencido(a)s do sistema.
A sociedade actual continua com medo de si mesma, isto é, é incapaz de se assumir como é. Como tal, à semelhança do que os fariseus pensavam, julga resolver pela lei o que diz respeito ao Homem. Significa isto também, transpondo o feminismo reinante para o economismo também reinante, que não se pode reduzir a um número o que é humano. O pitagorismo nunca resultou nestas matérias. E as quotas e a moral também não.
Concluindo: a lei não liberta.
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De lucklucky a 21.04.2018 às 15:38

O Feminismo como vector do Marxismo tem como objectivo final acabar com o homem e a mulher.
Pois a lógica do Marxismo implica que qualquer diferença humana crie exploradores e explorados. Que os homens e mulheres desapareçam é a Solução Final. Sim não estamos muito distantes do Holocausto no modo de pensar.

Embora o ataque do Marxismo seja no momento contra os homens, é na verdade ás mulheres que estão impor ainda mais o que devem ser. Ser como os homens, pois os homens sempre tiveram muito mais variedade de actividades.
Uma mulher não pode gostar de cor de rosa, não pode gostar de bonecas, não pode andar de saias, e claro tem de gostar de coisas técnicas.

O ódio ás mulheres que têm mais de duas, três crianças é mais outro exemplo.
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De Vlad, o Emborcador a 21.04.2018 às 20:47

Hmmmm

Uma mulher pode gostar do cor de rosa. E um homem também.

Esse discurso da divisão, da luta, tornou -se mantra também da Nova Direita. Migrantes vs Nacionais; Velhos vs Novos; Empregados vs Desempregados; Falidos vs Vencedores.
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De Vento a 22.04.2018 às 00:19

Na realidade, meu caro lucky, se o homem acabar tudo acaba, e o inverso também é verdade.
Porém, quanto a lógica do marxismo, o facto é de este nunca ter tido uma lógica pré-definida ou, por outras palavras, um guião único e universal. Este último guião faz parte da ditaduras, não só das passadas como também das actuais. O marxismo não é uma ideologia, é uma teoria de contexto. Aplica-se de acordo com as circunstâncias. Desta feita, aqueles que se dizem marxistas no domínio político e seguem os modelos dos "enjeitados" não sabem o que são; e também não sabem o que fazem.
Como exemplo, se o marxismo tivesse o tal guião universal ele demonstraria que na Rússia czarista a revolução de 17 falhou. Falhou na medida em que no nome do suposto marxismo a revolução só seria possível com base no operariado, proletariado. Ora, o operariado na Rússia czarista só representava 3% da população activa. Significou este pormenor que quando começaram a tocar nas terras, pois os campesinos eram a base dessa sociedade, os camponeses revolucionários revoltaram-se contra a própria revolução; e tiveram de lhes devolver as terras para serenar os ânimos. Tudo isto para dizer que marxismo sem revisionismo dá em merda. É o que tem acontecido.

Por outro lado, a democracia, tal como hoje se vive, funciona como um processo catártico por forma a conter as rebeliões agressivas. Isto é, deixam as pessoas desabafar para se poderem resignar com o que é imposto.
Esta aparente democracia, quando se vê ameaçada sob um ponto de vista eleitoralista, recorre à ditadura da lei para inverter valores sociais. Quero com isto dizer que o movimento feminista e a onda gay soube criar nas instâncias próprias os seus próprios lóbis e garantiu com isto o que hoje se verte como leizinha nas chamadas democracias. Em particular nos ditos modelos de família, mas não só.
O aborto também seguiu este caminho, ele não andou por seus próprios pés.

Se quer um exemplo concreto, aqui fica: alguns deputados do PS, entendendo-se como a moral da pátria, resolveram tentar fazer passar a lei sobre a eutanásia sem recorrer ao referendo. Argumentam que esta matéria é de natureza pessoal, isto é, diz respeito aos interessados. Todavia, estes mesmos deputados assumem-se como procuradores morais desses outros e entendem que a nação não tem competência de pronúncia. Eles estão acima dela.
As ditaduras são finas em suas nuances. E certamente satanás as governa. Em matéria de morte e subversão existe um mestre e senhor aparentemente imbatível, mas só na aparência.

Mas concluindo, pelo que vou lendo por vários quadrantes deste globo, no que respeita às "reivindicações" dessas supostas feministas, parece-me que o problema é ter uma pila entre as pernas. Como isto não é possível de forma natural para todo o mundo ou para todo o género, artificialmente tentam criar uma espécie de género neutro através da lei. Até mesmo as questões de natureza cromática as perturba. E a eles também, aos ditos feministas.
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De lucklucky a 22.04.2018 às 18:55

"Na realidade, meu caro lucky, se o homem acabar tudo acaba, e o inverso também é verdade."

Isso é irrelevante para o Marxismo que atrai as pessoas como máquina de auto promoção social pela "virtude" que demonstram.(1)

Enquanto os Nazis queriam a suposta pureza da raça ariana, os Marxistas querem a pureza da raça humana nem que tenham de matar/modificar(2) todos os humanos.

(1)Um Marxista que passe 2-3 anos numa ilha deserta verificará quando voltar que com grande probabilidade se tornou "fascista" pois a competição feroz pela autopromoção social já avançou para em alguns casos inverter os valores.

(2)Basta só os Marxistas terem o poder da genética e verá o que acontece. Não é por acaso que o eugenismo proliferou nos meios "progressistas", o homem novo.




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De Vento a 24.04.2018 às 20:37

O marxismo não atrai esse tipo de pessoas: são esse tipo de pessoas que transformam uma teoria de contexto em um código moral. O marxismo não passa de uma tentativa de harmonizar a questão macroeconómica com a realidade social. Realidade esta que não é de ontem, mas de hoje também.
Repare que as adendas ao dito marxismo, e refiro-me às predominantes, são as seguintes: estalinismo, leninismo, maoismo e trotskismo. Trotsky foi o grande opositor de Stalin.
De todos Lenine foi o que melhor interpretou a teoria de Marx; e a morte deste foi de todo conveniente para Stalin.
Marx é um filósofo; e um filósofo nunca tem as ideais acabadas. O filósofo olha a realidade, aponta soluções de contexto e especula sobre tantas outras. A utopia é exactamente tentar experimentar o que se observa para ver se resulta.
Portanto, o marxismo não é nada disso que refere. O que refere é propaganda ligada a um pensamento.
Eu acredito que o aspecto mais relevante sob um ponto de vista social, em toda a abrangência social, é o cristianismo. Porque este começa por ser aplicado primeiramente contra a trave no olho de quem se afirma como tal; e não sobre os outros. É um caminho individual para que se harmonize com o colectivo, em particular com os pecadores e os proscritos. O(a)s "bonzinho(a)s" já têm o inferno garantido, são ele(a)s mesmo(a)s o seu castigo.

Os nazis, ao pretenderem a pureza da raça, usaram-na como tentativa de purificarem a sua ideologia. O nacional socialismo também perseguiu os homens e mulheres de esquerda para valorizar sua proposta, e perseguiu todos os que se lhe opunham. Eles não eram fascistas, fascista era Mussolini e seus seguidores.
Um(a) marxista ou outro(a) qualquer que passe 3 anos numa ilha deserta borrifa-se para questões de autopromoção em seu regresso. O que pretenderá certamente é uma boa dose de sexo.
Se o feminismo avançar da forma como hoje se lê, provavelmente encontrará robôs que gentilmente o(a) saciem da secura. Esperemos que nenhum destes esteja equipado com um chip sobre o assédio que também se propaga.
Todavia, eu sou apologista que o(a)s robôs sejam somente generoso(a)s para quem está sedento(a), e que não reivindiquem qualquer estatuto de género e tampouco se limitem a uma única posição sexual. Devem estar preparados com um chip que contenha o kamasutra completo e outras variáveis que se venham a inventar. Por exemplo, fazer sexo em ambiente sem leis da gravidade: flutuando. Devem estar preparados para optimizar o ambiente com este propósito.

A genética só tem poder se quem a utilizar lhe der uso de poder. Mas haverá sempre resistentes.

Por fim, como cristão, em matéria de oração sobre questões económicas e sociais, rezo assim: Levai, Senhor, o pão a quem tem fome; e dai fome de justiça a quem tem pão. Isto é, rezo por mim e contra mim.
Creio que o meu caro lucky compreenderá esta oração sem qualquer trauma "marxista".
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De Sarin a 21.04.2018 às 11:48

Não sou grande apreciadora da escrita de Vargas Llosa, a forma não me apaixona e o conteúdo não me abraça nem me questiona.
Admiro-lhe a coragem de louvar as suas musas e as suas contra-indicações, e por isso li alguns. E lerei outros.

Nesta matéria estou com Llosa.
Qualquer extremismo é castrador, na Arte como na Sociedade, por mais prosaica. As sensibilidades estarão a ser trocadas por certezas irracionais? Talvez. E não foi assim ao longo da História?
Tanto caminho andado e parece que apenas trocamos as rodas onde giramos.
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De Vlad, o Emborcador a 22.04.2018 às 00:25

"As sensibilidades estarão a ser trocadas por certezas irracionais?"

Não. As sensibilidades têm -nos trazido as incertezas racionais. São as insensibilidades que nos trazem as frias certezas racionais

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De Sarin a 22.04.2018 às 01:53

Mas e as certezas irracionais, aquelas que resultam mais da crença e do espírito de manada do que de um qualquer exercício de ponderação?
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De Vlad, o Emborcador a 23.04.2018 às 14:06

A certeza comporta sempre algum grau de incerteza -os efeitos secundários das bulas médicas.

A única certeza é não haver certezas, apenas probabilidades
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De Sarin a 23.04.2018 às 17:23

Probabilidade é um palavrão, incomoda muita gente: à sorte só se aceita o jogo e o destino dos perdidos. Veja os Dogmas... aos Mistérios aceitam-nos por fé, aos Dogmas porque indiscutíveis, logo certos.

E se aos medicamentos reconheço vastos efeitos secundários, às bulas apenas um: a paranóia :)

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