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O incorrectismo

por jpt, em 09.09.19

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Vivemos uma época de combate aos preconceitos apoucadores. Alguns movimentos sociais, e nisso também alguns intelectuais, têm vindo a traçar rumos, tentando expurgar as culturas dominantes de estereótipos discriminatórios e nisso transformar as práticas sociais com estes articuladas. Mas há sempre quem resista, constituindo aquilo a que em tempos de chamou "forças de bloqueio". Muitas destas surgem sonoras no campo da comunicação social e seus adjacentes. Mas talvez as mais empedernidas habitem no mundo económico, controladas por um empresariado voraz na busca de lucros, suportado por esse meio letrado, semi-intelectual, constituído por profissionais da comercialização (dita "marketing", em estrangeiro para adquirir prestígio) e da publicidade. 

Deparei-me agora com este ataque aos homossexuais masculinos. É certo que na actualidade já alguns dos mais prestigiados intelectuais portugueses os defendem, lutando contra preconceitos que ainda os desvalorizam, até compondo e aderindo a uma muito justa teoria antropológica que - finalmente - estipula os quatro grupos existentes na História da Humanidade. De facto, sabe-se agora que existem três grupos vítimas da violência radical, devastadora, escravizadora e assassina: Crianças, Mulheres, "Gays, Queers e Outros Assim" (sigo a conceptualização do consagrado Frederico Lourenço). E um grupo agente da tal malevolência, assassina, escravizadora, estupradora: os Outros. Estes são os Homens Heterossexuais, cujas malevolências contínuas são puro reflexo da sua  masculinidade tóxica, da qual seguem escravos militantes. 

Mas ainda assim é nesta actualidade, na qual o conhecimento histórico e antropológico já nos permite assumir esta compreensão da evolução humana, que uma empresa, na sua insana demanda de lucro fácil, continua a produzir este tipo de insultos, jocosos e ridicularizadores, àquela parte boa da Humanidade.

Mas não vai sozinha neste cruel e alienante rumo. Ao lado daquele insensível produtor alcoólico encontro este outro, desrespeitando os cidadãos séniores, tanto na imagem decadente que deles apresenta, como utilizando epítetos apoucadores, até vis, como se lhes retirando a integridade - no sentido amplo e assim ainda mais perverso, o da redução da sua totalidade e da sua dignidade. 

Urge olhar para estas práticas e alterá-las. O caminho será difícil e longo. Mas necessário.

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41 comentários

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De Vorph Valknut a 09.09.2019 às 10:36

Jpt, não escreva melhor. Escreva mais.
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De jpt a 09.09.2019 às 12:49

eu já sofro de verborreia e ainda quer mais deslizes?
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De Anónimo a 09.09.2019 às 11:02

Sim, é para continuar.
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De jpt a 09.09.2019 às 12:49

alguma coisa
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De Manuel Sousa a 09.09.2019 às 11:03

A casa DO mariquinhas

https://www.youtube.com/watch?v=4aQkcFzNYe0
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De jpt a 09.09.2019 às 12:48

Esse DO é o Delito de Opinião?
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De Robinson Kanes a 09.09.2019 às 11:17

E no meio de tudo isto, brindo com um "Vinho dos Mortos"...

P.S.: Será que o "Rafeiro" tem mão do PAN?
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De jpt a 09.09.2019 às 12:48

não sei a que "rafeiro" se refere
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De jpt a 09.09.2019 às 15:49

Não conheço, tenho que indagar.
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De Vento a 09.09.2019 às 11:43

Os apurados aromas de um vinho do porto velho associa-se ao apurado sentido do conhecimento que a idade proporciona. Assim, a imagem torna-se elogiosa e não chocante.

A ginja mariquinhas pode estar aí para conquistar um segmento de "mercado" que não tem preconceitos sobre si mesmo, e que se identifica com o slogan da imagem.

No fundo o jpt sem se dar conta, ainda que a intenção seja boa, pretende substituir um preconceito por outro preconceito, não ser preconceituoso.
Quero dizer com isto que o preconceito existe e nada acontece mal por ele existir.

Uma forma de ser preconceituoso é ter inibição em dizer que alguém é africano e não de cor negra ou preta. Há um preconceito relativamente à cor da pele, e por isto diz-se africano para definir a cor. Mas está errado porque também existem africanos brancos, descendentes de caucasianos.
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De jpt a 09.09.2019 às 12:46

Olhe que não, olhe que não ...
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De "C'um caneco!" é ofensivo para com os canecos? a 09.09.2019 às 14:45

"Olhe que não, olhe que não..." é uma bela duma não-resposta.

Eu concordo com o que disse o Vento, e chocou-me sobretudo que se venha entender "velhotes" como apoucador... E ver diminuição na imagem do velhote no rótulo, só com óculos para distorcer...

É que, "qualquer dia", não se pode chamar bois aos bois... Ou as coisas pelos nomes...

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De jpt a 09.09.2019 às 15:27

A mim chateia-me, imenso, os iletrados, toscos, incapazes de compreenderem um pequeno texto, que vêm anónimos cagar postas de pescada podre.
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De Anónimo a 10.09.2019 às 02:10

O Eça abalou com a ironia,esqueceram-na. Se eu digo que o manco é escorreito, esta afirmação só é entendida pela face visualizada. No texto só se conhece a função denotativa.
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De jpt a 10.09.2019 às 02:25

Pois é, aconteceu-nos isso
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De Tiro ao Alvo a 09.09.2019 às 11:47

Só para lhe dizer que a marca "3 velhotes" é a marca mais vendida pela empresa Calem, agora na mão de franceses, creio.
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De jpt a 09.09.2019 às 12:47

Está a ver?, o crime compensa ...
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De Tiro ao Alvo a 09.09.2019 às 17:03

Não me parece crime chamar "velhote" a uma pessoa idosa. Eu não gosto que me tratem assim, mas há muita gente que se refere dessa maneira aos progenitores, alguns de uma forma que até parece carinhosa. Concluindo, não exageremos.
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De jpt a 10.09.2019 às 11:20

é indiscutível que chamar "velhote" a um cidadão sénior é uma forma de o desmerecer, e isso nota-se na forma como o termo não é utilizado em situação formais. Como tal deve ser evitado e combatido, como símbolo da desvalorização de amplos sectores da população
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De a-e-i-o-u a 10.09.2019 às 19:24

Indiscutíveis são os factos, não as opiniões...
Essas, além de discutíveis, são como peidas: todos temos a nossa e quem quiser dar a sua é livre de o fazer...

Agora o jpt, que anda muito ácido e aziado, venha lá dizer como é indiscutível que o parágrafo anterior tresanda a homofobia em vez de discutir as coisas que determinou classificar de indiscutíveis...

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De jpt a 11.09.2019 às 01:00

Bem, a única coisa que eu posso dizer a um aeiou que neste postal me vem invectivar de ácido e aziado é que ... lhe faltam consoantes.
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De Anónimo a 09.09.2019 às 11:57

Pois as ginjas assim marketadas terão muita saída nas paradas dos tais orgulhos.
O dos velhotes com dez anos esse sim é de bradar ao céu das pipas.
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De jpt a 09.09.2019 às 12:50

Não posso prenunciar-me, desconheço os produtos
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De Pedro Correia a 09.09.2019 às 13:39

Também não. Teremos de colmatar em breve tão imperdoável lacuna mútua.
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De alex.soares a 09.09.2019 às 13:50

Outro jpt, perdão, grande desconhecedor, mas igualmente grande palrador.
Ah valentões.
Ou será mentira?
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De jpt a 09.09.2019 às 15:25

sou palrador e ainda mais desconhecedor. E depois? Já agora, que patetice é essa do "valentões" que não se percebe o atrevido comentário?
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De jpt a 09.09.2019 às 15:26

O licor passo, que não precisará dos meus augúrios. O Porto ainda poderemos partilhar, a ver que pronunciamentos provocará
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De Pedro Correia a 09.09.2019 às 20:56

Eheheh. Estou nessa.
Creio que não nos fará adeptos do clube da "fruta".

P. S. - Quanto à ginjinha, conheço a de Óbidos: demasiado doce para o meu palato. Prefiro os eduardinos, ali às Portas de Santo Antão. Havemos de lá ir.
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De jpt a 10.09.2019 às 02:26

Arrematado, vamos aos Eduardinos. Não posso dizer que de lá tenha saído incólume, mas a sageza da idade talvez me ajude Aliás, podia ser um "eduardino-DO", um apelo à tradição
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De Pedro Correia a 10.09.2019 às 09:16

Eheh... Vamos nessa.
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De alex.soares a 09.09.2019 às 13:45

... e não só.
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De Bst a 09.09.2019 às 14:55

“da qual seguem escravos militantes.“

Este seguem não é um espanholismo? Não será continuam?

Encontro este “seguem” nas notícias da bolsa e também já percebi que alguns vocábulos que de vez em quando surgem são a primeira linha do Priberam ou Google - nem sempre com o sinónimo mais adequado, que se pode encontrar mais lá mais para baixo. O mesmo com o “viés” em tradução de “bias” em vez de faccioso ou parcial. Não será o seu caso, mas acabamos por cair na moda.
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De jpt a 09.09.2019 às 15:24

1. um espanholismo? não me diga tal coisa, que me caem os parentes na lama!
2. não é "seguem" é "continuam"? anda a sua perspicácia semântica muito coxa, lamento, com espanholadas ou não.
3. não leio as notícias da bolsa.
4. Eu "é mais" Ciberdúvidas do que Priberam. Mas "tenho o meu Google"
5. Lá em casa há um dicionário, é certo que vetusto, de sinónimos. E outro de rimas. Mas estou longe.
6. "Faccioso", "parcial"? Gosto muito de enviesado, que também serve perfeitamente e tem "som".
7. Não sei qual é o meu caso. Nem o caso que o leva a comentar, já agora.
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De V. a 09.09.2019 às 15:34

Se quiser faço uma lista de parvoíces que são ditas diariamente nas têvês, desde contar meios aéreos, a destruição dos advérbios pelos cornudos da bola, o "dia de hoje" que vem do espanhol), os "fatos" e todos os erros ortográficos e toda a chusma de tropicalismos com que já fomos invadidos.

Estou a pensar vender as minhas irritações ao Boucherie Mendes para eles terem coisas de jeito no programa. 2500 euros por mês (limpos!) parece-me bem para começar.
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De jpt a 09.09.2019 às 15:58

V. acho muito bem que envie essa lista para uma caixa de comentários deste blog. O nosso camarada coordenador poderá, segundo os seus magnos e doutos critérios, considerar a sua elevação a comentário da semana ...

Pergunto-me, no entanto, sobre a razão que este meu singelo postal convoca esse afã denunciatório dos tratos de polé que a nossa língua sofre em espaços públicos. Não que seja eu mestre da palavra (sou um modesto licenciado numa disciplina a que os ignorantes costumam chamar "ciência social" com aspas, para sublinharam uma muito maior ignorância do que aquela que provoca os pontapés na gramática, os estrangeirismos e o canibalismo de sufixos e prefixos). Terá sido a profunda invectiva de comentário acima, a de usar eu "seguem" em vez de um tão diferente "continuam"? Segue radiosa no seu caminho para a fonte aquela formosa Leonor deve ser substituído por continua radiosa no seu caminho para a fonte aquela formosa Leonar ...? Às vezes (de facto, imensas vezes) pergunto-me o que leva as pessoas virem resmungar aos comentários de blogs resmungando da forma como o fazem.

Quanto ao que me diz sobre as maldades que a malta da tv faz ao português. e lhe dói faça como eu, que o faço por outras razões. Não veja tv. Há imensos parágrafos bem escritos alhures.
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De jpt a 09.09.2019 às 16:14

Já percebi a razão da ira dos dois comentadores. Reli o texto e constatei que a palavra "alcoólico" (sobre a qual não vou jurar que provenha de uma origem 100 por cento portuguesa) estava mal acentuada, dado que o acento assentara no primeiro "o". Emendei o erro, penitencio-me por isso. E peço indulgência, afirmando que se tratou do que ficou conhecido - talvez num abuso etimológico e decerto que avesso ao purismo linguístico - como "gralha". Enfim, carregarei a cruz, esperando que a culpa não me faça cair no alcoolismo
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De Anonimus a 09.09.2019 às 23:54

Cotas. Ficava bem melhor. Um cotas ruby.

Do outro, tendo o Raminhos na embalagem, podem chamar o que quiserem, que não me puxa.
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De jpt a 10.09.2019 às 11:22

Cotas tem um ar economicista, como se a dignidade dos cidadãos seniores se reduzisse ao efeito da sua participação na actividade produtiva. Pelo menos aludia-se a isso, seria melhor do que este inaceitável "velhotes" mas ainda não será o termo suficiente para expressar a relevância dos seniores e anciãos
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De Anónimo a 10.09.2019 às 12:28

Uma Três Velhotes<7i> é imprescindível em casa, mas reservada a fins culinários. Para regar os morangos ou a salada de fruta. Uso proscrito pela ditadura do novo estilo de vida: ai credo, que se estraga a fruta, as vitaminas, as fibras, os nutrientes!

Isabel
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De jpt a 11.09.2019 às 01:02

Ora aqui está um conselho muito apreciável. Um belo amigo meu, dono de saberes culinários, sempre resmunga que não se cozinha com o que não se bebe - opondo-se ao uso de bebidas menos nobres ao fogão. Seguindo o seu conselho esta beberragem inominável terá então dignidade intrínseca.

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