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O incendiário.

por Luís Menezes Leitão, em 30.06.16

Na resolução do BES o Estado meteu 3,5 mil milhões de euros, que "emprestou" ao Fundo de Resolução, confiando em que o nosso pujante sistema bancário devolveria o dinheiro. Não só não devolveu nada, como agora o Novo Banco precisa de reforçar o capital em mais 1,4 mil milhões de euros. Como se isto não bastasse, surgiu entretanto a necessidade de resolução do BANIF que custou 3 mil milhões de euros. A isto há que acrescentar as necessidades de recapitalização da CGD que serão no mínimo de 5 mil milhões de euros. 

 

Perante este cenário claro, Schäuble fez uma declaração, que eu até acho simpática, a dizer que Portugal precisa de um novo resgate e que estaria em condições de o ter. A seguir lá lhe puxaram as orelhas, e voltou atrás dizendo que Portugal não vai precisar de qualquer resgate se cumprir as regras europeias que obrigam à consolidação orçamental e à redução do défice. Eu traduzo: Portugal não precisará de resgate se tiver condições para ter um orçamento equilibrado, o que manifestamente não vai ter.

 

Mas entretanto lá surgiu o inevitável João Galamba, a acusar Schäuble de ser incendiário, já que Portugal não precisaria de resgate algum. Só falta agora explicar onde é que vai o país buscar o dinheiro para recapitalizar os bancos. Vai continuar a endividar-se no mercado? Com a dívida que já temos, é a garantia que a breve trecho os mercados se fecham. Vai ligar as rotativas? Enquanto estiver no euro, isso não é possível. É por isso manifesto que o segundo resgate é a única solução. Por isso fariam melhor em ouvir Schäuble, em vez de continuar a viver num mundo de ilusão. Schäuble não pega fogo às finanças da Alemanha, que estão fortes e pujantes. O mesmo já não posso dizer do actual governo português.


15 comentários

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De M. S. a 30.06.2016 às 13:33

«Eu traduzo: Portugal não precisará de resgate se tiver condições para ter um orçamento equilibrado, o que manifestamente não vai ter.»
Será a estes orçamentos equilibrados e a estes outros resultados que se estaria a referir o senhor L. M. Leitão (e o sr. Schäuble)?
Provavelmente.
- 4 orçamentos do governo Passos Coelho: obrigaram a 8 orçamentos rectificativos.
- Metas do PEC para 2012-16: Previa-se um défice orçamental para 2015 de 1% do PIB e um rácio da dívida no PIB de 109,5%.
Ficámos a saber pelo Eurostat que aqueles valores foram, respetivamente, de 4,4% (incluindo efeito Banif) ou 3,2% (sem o efeito Banif) e de 129%.
- Em maio de 2011, a poucas semanas das penúltimas eleições legislativas, Álvaro Santos Pereira procedeu no blogue Desmitos a uma avaliação do desempenho do anterior governo PS à luz de oito critérios – oito indicadores económicos, analisados em sucessão a fim de proporcionar uma perspectiva abrangente da situação da economia portuguesa.
1) PIB POTENCIAL
2) DÍVIDA PÚBLICA
3) TAXA DE DESEMPREGO
4) DÍVIDA EXTERNA TOTAL (BRUTA)
5) DÍVIDA EXTERNA LÍQUIDA
6) DÉFICE EXTERNO
7) EMIGRAÇÃO
8) CONVERGÊNCIA FACE À EUROPA
Santos Pereira concluiu essa análise ao legado do governo PS afirmando que estávamos perante, «de longe, os piores indicadores económicos desde 1892» e apelando a que os portugueses não esquecessem esses factos no dia das eleições. Poucas semanas depois, tomava posse um novo governo de coligação PSD-CDS, sustentado por uma maioria absoluta parlamentar. O Ministro da Economia desse governo era o próprio Álvaro Santos Pereira, certamente determinado a inverter a catastrófica situação que tão exaustivamente diagnosticara.
Eis a situação após 4,5 anos de correcção da situação catastrófica de 2011: http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2015/09/o-governo-chumba-se-si-proprio.html
Ao fim de 4,5 anos de «orçamentos equilibrados», prolongando a análise com recurso aos mesmos indicadores, verificamos que um ficou em níveis idênticos aos de há quatro anos (taxa de desemprego), um melhorou significativamente (saldo da balança corrente) e seis pioraram consideravelmente (crescimento do PIB potencial, dívida pública, dívida externa bruta, dívida externa líquida, emigração forçada pelas circunstâncias económicas e divergência face à Europa).
No fundo, o governo melhorou o saldo externo e piorou tudo o resto.
E nem sequer se entra em conta com os níveis de pobreza, de desigualdade, do salário médio, da cobertura dos apoios sociais ou do emprego total.





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