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O Historiador sem Memória

por Rui Rocha, em 19.11.20

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Lothar Bisky foi um político alemão tendo sido, nomeadamente, co-presidente do Die Linke.

Em 1995, foi revelada a sua atividade como informador da STASI, a polícia política da RDA.

A atividade de informador foi exercida, pelo menos, entre 1966 e 1970, sob o nome de código de Bienert e, após 1987, com o nome de Klaus Heine.

Nos ficheiros da STASI, Bisky foi classificado como “confiável”, o grau mais alto atribuído a um informador.

A ligação à STASI é do domínio público. Os dados que aqui refiro foram retirados diretamente da wikipedia.

E essa ligação foi o motivo pela qual Bisky foi derrotado quatro vezes quando se candidatou à vice-presidência do Bundestag no período entre 2005 e 2009.

Bisky foi deputado no Parlamento Europeu entre 2009 e 2013. Foi presidente do grupo da Esquerda Unitária até 2012.

É o mesmo grupo onde estão inscritos os eurodeputados do Bloco de Esquerda.

Rui Tavares pertenceu também a este grupo, coincidindo temporalmente o seu mandato com a liderança de Bisky.

Isto é, Bisky e Tavares foram colegas. Trabalharam juntos no mesmo grupo. Subscreveram documentos e manifestos. Partilharam reuniões, pausas para café, almoços, serões.

Tavares, como Louçã, Martins, Marisa, ou as Mortágua, conheciam bem Bisky e o seu passado.

Isso não os impediu de o convidarem, por exemplo, para a Convenção do Bloco de 2009, onde Tavares também esteve presente.

É esta a estatura moral e de cidadania desta gente.

Ao resto das característica do grupo, Tavares acrescenta a particularidade de ser sonso, negando conhecer aquilo que todos sabemos.


40 comentários

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De Marques Aarão a 19.11.2020 às 11:28

Parece que é disto que o meu povo aprecia.
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De JM a 19.11.2020 às 11:39

É no que dá a autoproclamada superioridade moral! De esquerda, de direita, de centro; de cima, ou de baixo! Dá sonsice ou dá prepotência - sobretudo quando associada à também autoproclamada superioridade intelectual.
Resta-nos o apelo do povo, humilde e sábio: "Oh meu Deus!, livrai-nos do mal!"

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De Rui Rocha a 19.11.2020 às 15:18

O complexo de superioridade está normalmente associado a uma sensação de inferioridade.
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De Anónimo a 19.11.2020 às 12:12

Muito bem lembrado.
Boa semana (2ª a 6ª.......). Saúde.
António Cabral
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De Rui Rocha a 19.11.2020 às 15:19

Igualmente, António.
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De Paulo Sousa a 19.11.2020 às 12:32

Como disse há dias Sérgio Sousa Pinto, se o Chega! (e esse é o motivo do debate que levou à revisão das tralhas velhas dos radicais da praça) alguma vez apoiar ou viabilizar um governo de direita, acabará por se institucionalizar, tal como aconteceu com o BE que noutros tempos até defendia a saída de Portugal da Nato.
O discurso javardo do Chega! terá assim como externalidade positiva a oportunidade de lembrar ao país o que é que os apoiantes do governo realmente são.
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De Rui Rocha a 19.11.2020 às 15:20

O fundamental é não andar com double standards como o Tavares.
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De JPT a 19.11.2020 às 12:37

Mas esse Bisky era um PIDE que queria o bem do proletariado. Ora, esses são os bons PIDES. Tal como a bomba do grupo do Humberto Delgado que matou a miúda lá em Espanha era uma boa bomba. E os assaltos à mão armada do pai das Mortáguas foram os bons assaltos à mão armada. E tal como os presos sem culpa formada de 1975, que deixaram Caxias mais cheia do que estava em 24.04.1974, foram bem presos. É uma tradição nacional, que já vem do tempo em que os oficiais portugueses que se bandearam com o exército que ocupou, saqueou e massacrou Portugal acabassem em "mártires da Pátria", que o sucessor à Coroa Portuguesa que se virou contra o seu País e se declarou Imperador do Brasil acabasse com uma estátua no Rossio, e que veneremos como "grandes democratas" os tipos que impuseram o voto censitário, tiraram o voto às mulheres, proibiram os sindicatos e mandaram abater a tiro os reis, presidentes e primeiros-ministros de que não gostavam. Aldrabão por aldrabão, ao menos o Ventura não parece uma personagem do "Tintim nos Sovietes".
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De Rui Rocha a 19.11.2020 às 15:21

O bem e o mal de acordo com as conveniências.
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De Manuel a 19.11.2020 às 16:54

"O bem e o mal de acordo com as conveniências."
Isso é sempre assim, nem poderia ser de outro modo.
Quando andei na guerra em Angola, eu atirava chumbo nos guerrilheiros (na época chamavam-se terroristas ou, abreviadamente, turras) porque me convinha. Eles atiravam em mim porque lhes convinha (não sei como me chamavam, talvez também terrorista). Seríamos equivalentes?? Era tudo malta ruim?
Não sei responder a nenhuma destas perguntas.
Quem sabe, que me instrua.
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De Francisco Almeida a 19.11.2020 às 17:14

A maioria (dentro da minoria que se exprimia em português ou crioulo) chamava-lhe "Tuga". Não faço ideia como traduziriam "Tuga" nos respectivos dialectos e muito menos o que para eles significaria a palavra.
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De Anónimo a 19.11.2020 às 17:52

Tuga é uma abreviatura de portuga, que vem de Portugal, como os brasuca vem de Brasil. Talvez o tuga (portuga) seja uma resposta a turra (terrorista). Mas é comum entre as nossas comunidades de emigrantes na europa haver o tratamento de "o tuga isto ou portuga aquilo.."
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De JPT a 19.11.2020 às 12:37

Mas esse Bisky era um PIDE que queria o bem do proletariado. Ora, esses são os bons PIDES. Tal como a bomba do grupo do Humberto Delgado que matou a miúda lá em Espanha era uma boa bomba. E os assaltos à mão armada do pai das Mortáguas foram os bons assaltos à mão armada. E tal como os presos sem culpa formada de 1975, que deixaram Caxias mais cheia do que estava em 24.04.1974, foram bem presos. É uma tradição nacional, que já vem do tempo em que os oficiais portugueses que se bandearam com o exército que ocupou, saqueou e massacrou Portugal acabassem em "mártires da Pátria", que o sucessor à Coroa Portuguesa que se virou contra o seu País e se declarou Imperador do Brasil acabasse com uma estátua no Rossio, e que veneremos como "grandes democratas" os tipos que impuseram o voto censitário, tiraram o voto às mulheres, proibiram os sindicatos e mandaram abater a tiro os reis, presidentes e primeiros-ministros de que não gostavam. Aldrabão por aldrabão, ao menos o Ventura não parece uma personagem do "Tintim no País dos Sovietes".
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De Manuel a 19.11.2020 às 18:19

"Tal como a bomba do grupo do Humberto Delgado que matou a miúda lá em Espanha era uma boa bomba. E os assaltos à mão armada do pai das Mortáguas foram os bons assaltos à mão armada. "
Meditei e ... concluí que a resposta à minha pergunta acima é: é tudo malta ruim em toda a parte. Pior, aos contrário dos que diz não "É uma tradição nacional" mas sim tradição em toda a parte.
Ou não é verdade que na guerra os do lado A dão tiro nos do lado B e os do lado B dão nos do lado A. Logo é tudo malta ruim pois como diz não há bombas boas nem assaltos à mão armada bons nem sequer tiros bons e maus. Tudo malta ruim.
Deve ser do pecado original como aprendi na catequese.
Pensando bem, não tenho a certeza do que estou a dizer .... é provável que haja assaltos e bombas melhores que outros. Não sei. Faço perguntas destas há anos. Mas todos me ignoram e respostas .... nicles. Já me chamaram anormal e me disseram que sofro do não sei quê pós traumático das guerras. Boa desculpa para não ter que dar resposta.
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De Anónimo a 20.11.2020 às 10:36

A questão aqui, são duas: a bitola moral variável e a falsificação histórica. Porque Salazar liderou uma ditadura (o tipo de regime que predominava na Europa nos anos 20 e 30 do Século XX) - com o inerente aparelho e práticas repressivas - isso deve levar-nos a venerar, como "antifascistas", os seus adversários, esquecendo que uns eram a célula portuguesa do Komintern (defensores de uma ditadura com práticas ainda mais repressivas), outros os restos do regime mais incompetente e corrupto que teve Portugal (sem qualquer ideia para Portugal que não fosse correr com os "frades" e dividir os restos), e outros, ainda, mitómanos que passaram de apologistas do nazismo (Delgado e Galvão) a bombistas e sequestradores de navios em nome da "liberdade"? Eu acho que não. Por exemplo, não acho que contribua para o bem espiritual dos vindouros atribuir a um déspota sem escrúpulos a maior estátua de Lisboa, enquanto se rebaptiza a mítica ponte que outro ditador mandou fazer. Gostava que outros não tivessem, como eu, de gastar tanto tempo e dinheiro a comprar livros (ontem foi uma biografia de Afonso Costa, por AH de Oliveira Marques, publicada durante a "noite negra do fascismo") para limpar a trampa que lhes é dada a comer na escola e na televisão sobre a história de Portugal dos últimos 250 anos. Quando ao stress pós-traumático, tendo sido esse o caso, o meu obrigado por ter lutado por Portugal, na interpretação que se fazia nessa altura (em especial se lá estava contra as suas convicções). Ter lá a tropa fez toda a diferença para muita gente que lá vivia, e não só para os que "retornaram".
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De O Inconveniente a 19.11.2020 às 12:40

E no entanto, quando numa web summit alguém convidou Marine Le Pen como oradora, caiu o Carmo e a Trindade. Para cúmulo, o próprio governo intrometeu-se na organização de um evento privado e pressionou, ou melhor, coagiu os organizadores a alterarem o painel.
A liberdade tem limites e a nossa pelos vistos é marcada segundo a perspetiva de personagens como os que acabou por enunciar.
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De Rui Rocha a 19.11.2020 às 15:21

Os double standards são um modo de vida.
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De Manuel a 19.11.2020 às 13:44

Eu acho que Rui Tavares devia ter feito a Lothar Bisky o mesmo que este fez a outros: denúncia-lo. Se calhar teve pejo de o fazer. Fez mal.
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De Rui Rocha a 19.11.2020 às 15:22

Denunciar o quê, se tudo isto é público desde 1995?
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De Luís Lavoura a 19.11.2020 às 15:04

Porque é que só agora, oito anos depois dos acontecimentos, é que se fala disto?
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De Rui Rocha a 19.11.2020 às 15:22

Porque foi agora que o Tavares, confrontado com o tema, decidiu de forma sonsa fazer de conta que não sabia de nada.
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De Luís Lavoura a 19.11.2020 às 15:39

Mas porque é que só agora é que Rui Tavares foi confrontado com o tema? Quando ele foi eurodeputado, ninguém o confrontou com ele? É isso que eu acho muito estranho...
E os eurodeputados do BE, que também faziam parte do mesmo eurogrupo parlamentar que Bisky, também nunca foram confrontados (nesse tempo) com o assunto?
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De Rui Rocha a 19.11.2020 às 22:35

Pois, não faço ideia. Sei que não se encontram notícias em Portugal sobre o caso, apesar de as informações serem do domínio público desde 1995.
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De lucklucky a 20.11.2020 às 02:05

"Mas porque é que só agora é que Rui Tavares foi confrontado com o tema? Quando ele foi eurodeputado, ninguém o confrontou com ele?"

O Luís lavoura ainda não descobriu como funciona o jornalismo português? Só escrevem algo que não fique bem à Esquerda se tiver mesmo de ser.

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