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Um herói que deixou de o ser

por Pedro Correia, em 08.03.16

«Hoje, vivendo acuado num prédio de escritórios do bairro paulistano do Ipiranga, com suas despesas pagas por magnatas, cercado não pela massa dos pobres que diz ter salvado, mas por negociantes de marketing, burocratas do PT, parasitas variados e uma armada de advogados que pouquíssimos brasileiros poderiam pagar, Lula está só. Do povo, nem sinal. O homem que tanto menosprezou os adversários falando de sua popularidade de 100% não pode ir a um campo de futebol - nem ao estádio do Corinthians, em Itaquera, cuja construção impôs para a Copa do Mundo de 2014, da qual não conseguiu assistir a um único jogo. Não pode ir jantar um frango com polenta em São Bernardo. Não pode ir a uma loja, comer um pastel de feira ou andar sem a proteção de um regimento de seguranças.»

 

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«Nada destruiu tanto a autoridade moral de Lula quanto seu convívio com as empreiteiras de obras brasileiras, durante e depois de seus dois mandatos. Nunca antes, em toda a história do Brasil, houve um presidente da República com tantos e tão íntimos amigos entre os empreiteiros. Alguém é capaz de citar outro? Em apenas quatro anos, de 2011 a 2014, momento em que a casa começou enfim a cair, Lula recebeu 27 milhões de reais para fazer palestras encomendas pelos gigantes da construção pesada do país.»

 

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«Os presentes não vieram apenas das empreiteiras, certo, mas isso nao melhora sua situação em nada - vieram de fontes mais sombrias ainda, como um consórcio de estaleiros que vivem de contratos com a Petrobras, o Banco BTG Pactual, um "centro de estudos" de Angola. Através da francesa GDF Suez, há traços até da inesquecível Astra Oil, que vendeu à Petrobras o ferro-velho da refinaria americana de Pasadena, algo tão parecido com uma negociata em estado puro, mas tão parecido, que até hoje não foi possível descobrir a diferença. Ganhar dinheiro fazendo palestras para essa gente está dentro da lei? Está. Está dentro da moral comum? Não está, e é aí que começa e acaba o problema. Um ex-presidente da República não pode, simplesmente não pode, aceitar dinheiro de empresas que dependem do Tesouro para sobreviver.»

 

J. R. Guzzo, na última edição da Veja


8 comentários

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De Luís Lavoura a 08.03.2016 às 10:30

Laus mundana, vita vana vera tollit premia
Nam impellit et submergit animas in tartara.
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De Maria Dulce Fernandes a 08.03.2016 às 11:19

Um sonho, um ideal , é tantas vezes quanto basta para poder mover montanhas. Tempo sofrido pela busca do sonho de liberdade, pela procura do ideal de democracia, tempo de carência, tempo de luta.
Vencer. Subir o degrau de acesso ao patamar olímpico que faz os homens grandiosos e fixa os seus nomes na memória do mundo e na boca dos outros homens.
E de repente nada vira tudo. A fome vira fartura. A impotência vira poder.
O poder corrompe. Poder tudo corrompe sempre.
Já nem interessa a luta. Para quê lutar para vencer, quando já se é invencível?
Cavalgar o meteoro que sobe veloz e ver como tudo acontece lá em baixo, onde os seres minúsculos continuam a labutar como formigas, rodeado do brilho envolvente das estrelas , tão distantes, sempre tão fantásticas e inacessíveis e agora ali, dentro do circulo de luz onde só os que podem entram.
O deslumbre, o fascínio da opulência que só o poder pode.
Os homens são apenas homens, são fracos e mortais. Que exultação poder ter, poder dar, poder enfim ser.
O poder é extravagante e pede sempre por mais e mais poder, até não poder mais.
E o ideal é uma sombra e o sonho é agora dourado demais para querer acordar dele.
A percepção da realidade pode tardar, mas nunca falha. E a violenta ressaca do acordar do sonho lindo, pesa como grilhetas em brasa forjadas no reflexo do facilitismo que quem pode tem.
Perder. Equilibrar-se num limbo dúbio, preso por dourados fios de ar e incerteza.
Quisera poder voar.

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De lucklucky a 09.03.2016 às 07:18

Quê!?
Hoje a Liberdade está sobre forte ataque da Democracia.
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De JSP a 08.03.2016 às 13:10

Mais um cacique da América latrina que se veio abaixo.
Apesar do ruído laudatório da eterna esquerda imbecil , principalmente europeia, sempre fascinada por estes exotismos tropicais, óptimos para "turismo ideológico"...
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De jj.amarante a 08.03.2016 às 14:56

Um ex-presidente da República não pode, simplesmente não pode, aceitar dinheiro de empresas que dependem do Tesouro para sobreviver. Já se for a Margaret Thatcher ou o Tony Blair não tem qualquer problema porque não foram presidentes, foram primeiros-ministros.
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De Tiro ao Alvo a 08.03.2016 às 19:10

JJ. amarante, o seu exemplo não colhe. Tanto a Margaret Thatcher como o Tony Blair têm coisas para ensinar, o Lula não.
Saiba que também não aprecio essa forma de ganhar (muito) dinheiro, por parte de antigas figuras públicas, como acontece com os que citou e com outros, de todas as cores e nas mais variadas latitudes. Mas não me parece que o Lula se possa comparar a essa gente. O Lula, quando muito, serviu para enfeitar a mesa, quando do lançamento do livro do Sócrates. Como serviria o Chavez ou outro assim.
E não compreendo como é que a Universidade de Coimbra foi na cantiga do Boaventura, conferindo àquele maluco o título de doutor "honoris causa". Uma vergonha, parece-me.
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De cristof a 08.03.2016 às 20:07

Ficarei contente que a justiça funcione lá, como cá.O meu cepticismo só aparece por ver que Clinton, Blair...fazem palestras por muito mais dolares, por ex na Arabia Saudita (aquele bastião do mais sanguinário e selvagem regime) e a imprensa mundial (maioritariamente inspirada na excelente qualidade anglosaxonica) aqui ou no Brasil, nem uma sugestão de..pouco "ético" exala. É este exalar a pouco limpo que me deixa pouco seguro. Agora seguido pelos juizes? espero que não.
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De Luiza Nóbrega a 09.03.2016 às 22:55

Ficar calado a respeito dos problemas de outros países que não se conhece em detalhes é melhor do que repetir ou replicar o que publica uma mídia que não tem o menor respeito do povo brasileiro. Tanto assim que definha em qualidade, em número de páginas e em publicidade. É desabonador que Delito de Opinião antes de publicar o texto acima não tenha buscado outras fontes e se limite ao que publica a escória da imprensa brasileira.

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