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O grande mistério destas eleições…

por José Maria Gui Pimentel, em 05.10.15

…não foi a vitória da coligação, mas antes o resultado estrondoso do Bloco de Esquerda (BE).

 

Vejamos bem: o resultado de ontem – a escala da subida de votação – é muito difícil de explicar à luz do que se sabe e do que tem sido discutido. 

 

Sabe-se que a conjuntura dos últimos anos favorece partidos de protesto, mas isso já acontecia – e em maior grau – nas eleições europeias. E, sim, é verdade que Catarina Martins se revelou durante a campanha – num misto de firmeza, empatia e frescura idêntico ao que Jerónimo de Sousa trouxe ao PCP em 2004 – e é também verdade que a presença de Mariana Mortágua permitiu chamar ao Bloco os louros da prestação da deputada na comissão de inquérito ao caso BES/GES. Acresce a tudo isto que o PS fez uma campanha reconhecidamente fraca.

 

Mas estas explicações, conquanto relevantes, são insuficientes para explicar o resultado de ontem. Seriam provavelmente suficientes para explicar uma melhoria moderada do resultado eleitoral do Bloco, mas acho francamente pouco como causa para aquilo a que assistimos ontem: um crescimento de virtualmente 100% (10.2% vs 5.2% em 2011), levando o BE ao melhor resultado de sempre.

O Bloco era, relembre-se, um partido acossado no início da (pré-)campanha, com sondagens repetidamente desfavoráveis a sobreporem-se a resultados francamente maus nas eleições Europeias de 2014 e nas Legislativas de 2011. A isto somava-se uma liderança com dificuldade em afirmar-se. Saíra enfraquecido das eleições de 2011, num efeito que parecia dever-se, por um lado, à desatenção aos eleitores de esquerda não-marxista e, por outro, ao esgotamento das causas fracturantes capazes de cativar o seu eleitorado tipicamente urbano e jovem. Sofrera em 2012, como o Pedro lembra, a saída do líder carismático – que tinha sido capaz de lançar o único partido verdadeiramente novo desde o pós-25 de abril –, seguida da sua substituição por uma peregrina liderança bicéfala mal-sucedida. Como se isso não bastasse, alguns dos seus mais mediáticos membros – que, tudo indicava, eram bem queridos pelos eleitores – tinham não só deixado o partido, como também tomado a iniciativa de formar novas forças políticas, potenciais ‘canibalizadoras’ do voto no Bloco. Paralelamente, o PCP tivera 12.7% nas eleições europeias e parecia capitalizar o grosso do descontentamento da ‘esquerda-esquerda’.

 

Ainda há pouco mais de um ano, jornais e articulistas entretinham-se a analisar ‘crise do Bloco de Esquerda’, prevendo o seu declínio inevitável.

 

Em julho do ano passado, num Observador a querer ganhar espaço, João Marques de Almeida sentenciava:

<Para todos os efeitos, o projecto político do Bloco de Esquerda acabou. O partido ainda existe, não desaparecerá de um dia para o outro, mas o fim será penoso, e os ódios tribais causarão certamente vítimas.>

 

E prosseguia para explicar a origem da doença:

<O Bloco foi um fenómeno político de tempos de prosperidade. O seu eleitorado foi a burguesia urbana, intelectual e liberal nos costumes, que estava disposta a apoiar causas sociais quando tudo lhes corria bem. Os salários cresciam, as pensões e, para muitos, os subsídios do Estado estavam garantidos, e a vida corria sem sobressaltos de maior. Estavam disponíveis para umas campanhas a favor de causas fracturantes, o que de resto fazia muito bem ao ego de quem de identifica como moderno e progressista. Mas a última coisa que desejavam era grandes mudanças e muito menos revoluções. Um partido de líderes revolucionários tinha no essencial um eleitorado satisfeito com a sua vida. Tal como no caso do PSD, também o Bloco de Esquerda tem membros à direita dos líderes, e eleitores à direita do partido.>

Foi neste cenário que, mais recentemente, caiu sobre o Bloco aquela que aparentava ser a estucada final: o Syriza – partido ‘irmão’ e com um percurso semelhante – mostrou ao Mundo o que significa para um partido de extrema-esquerda ter de governar num ambiente fortemente condicionado e enfrentar a necessidade de fazer compromissos.

 

Partindo para estas eleições sob o espectro de uma profecia auto/realizável, com sondagens persistentemente desfavoráveis, o Bloco decidiu reincidir na estratégia que parecia condenada ao fracasso: colar-se à extrema-esquerda. À luz das sondagens e das eleições mais recentes, o resultado parecia certo: o Bloco, de uma assentada, entregava o centro ao PS e a esquerda ao PCP (entre o original e a cópia, qual tendemos a escolher?).

 

E, no entanto, o Bloco obteve os referidos 10% de votos.

 

Perante isto, sobram-me muitas questões contraditórias:

 

(i) Como conseguiu o Bloco, o partido que mais cavalgou a ‘onda Syriza’, imunizar-se face ao embate com a realidade do partido grego, profusamente utilizado pela direita durante a campanha? Como conseguiu segurar – ou até atrair – parte do centro?

(ii) Será que, ao contrário do que muito boa gente – eu incluído – pensava, o potencial do Bloco não gerar a ‘auto-determinação’ da ala esquerda do PS, mas antes sedimentar-se como partido de protesto? Esta é uma das conclusões possíveis da votação de ontem, em que o promissor Livre ficou aquém da eleição e o PTP-MAS com escassos 20 mil votos.

(iii) Será possível o Bloco ter atraído votantes do PS através de uma postura marcadamente de esquerda, quando um discurso demasiadamente longe do centro é precisamente um dos factores apontados como causa da derrota socialista?

(iv) Terá o Bloco efectivamente conseguido diferenciar-se do PCP, partido cujo discurso por vezes parece quase mimetizar? Por que não foi o PCP o escolhido por quem rejeita a austeridade?

(v) Ou terá antes, como indica a análise possível dos números, parte significativa da votação de ontem provindo da própria coligação (ie, de quem em 2011 votou PSD ou CDS)? E o que significa isso em termos da base eleitoral dos partidos?


39 comentários

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De Vento a 05.10.2015 às 23:46

Excelente. E há ai expressões interrogativas que pretendem somente ser afirmativas. E eu concordo.
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De Carlos a 06.10.2015 às 11:34

Bom dia ;

O programa do BE assenta em meia dúzia de ideias mestras que começam na Nacionalização da economia, distribuição de subsídios, aumentos de salários e pensões, saúde gratuita, ensino gratuito , e muitos impostos sobre os bancos que quer nacionalizar, sobre as empresas (que são quem cria emprego) e sobre as grandes fortunas (que normalmente são quem cria as tais empresas que dão emprego às pessoas), Como se ser rico por si só, constitua um delito.Acham sinceramente que o país ia funcionar ? Já tivemos um bom exemplo na nossa história recente, lembram-se do PREC ? Lembram-se do que aconteceu ao tecido económico português ? Lembram-se das falências em massa, dos salários em atraso,do país em completo colapso ?? Acho que não se lembram ,ou muito possivelmente não têm idade para se lembrar.Se assistiram à curta entrevista na SIC conduzida por José Gomes Ferreira, viram que Catarina Martins quando confrontada com perguntas sérias, não conseguiu responder a nenhuma delas, limitando-se a enumerar as generalidades do costume que soam muito bem a quem pensa que com ela e mais uns outros que prometem distribuir à medida por toda a gente, é que vai ser bom.Tal como aconteceu a António Costa quando confrontado com perguntas sérias, Catarina Martins não ameaçou o jornalista, mas demonstrava um indisfarçável enfado.
Mistério mesmo , tem sido desde há um ano a esta parte ver diariamente a Catarina Martins em todos os telejornais a opinar livremente sobre todos os assuntos com a curiosidade de nunca lhe fazerem perguntas incómodas.
Mistério mesmo é promoverem significativamente um movimento político cujo programa destruiria o País em poucos meses.Mas isso digo eu, há obviamente quem pense o contrário.Deixo só um cenário hipotético de umas futuras eleições, PS coligado com BE ganham sem maioria, PSD+CDS não coligados perdem mas possuem a maioria dos deputados, ouviríamos Catarina Martins a dizer que esses dois partidos é que tinham legitimidade para governar ? Acho que não.
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De M.M. a 06.10.2015 às 13:07

Subscrevo inteiramente o seu comentário.

Continuo à espera que um Jornalista da nossa praça se dê ao trabalho de preparar convenientemente uma (séria) entrevista que leve a uma desejável clarificação por parte de Catarina Martins.

E diz muito bem, é exactamente assim.
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De Vento a 06.10.2015 às 21:52

Boa noite. Estou surpreendido que o meu comentário tenha suscitado tantas e diversas conclusões.

Sobre o primeiro parágrafo, que o delimito até à primeira interrogação (incluindo-a), devo dizer-lhe que não extraí do post de José Maria Gui Pimentel qualquer alusão que levasse a tais conclusões. A minha leitura centrou-se no carácter sociopolítico das eleições que vivemos.
Mas tenho algo a dizer sobre tal parágrafo:
Na realidade foi o ensino acessível associado a uma saúde disponível, o aumento de salários e pensões e melhor alimentação que permitiu transformar o rosto de Portugal nestes últimos quarenta anos.
Mais, as nacionalizações no sector bancário que então ocorreram foi o que permitiu dar corpo e músculo, através das fusões que se registaram, àquilo que depois se transformou num sector de referência. Sem isto o destino teria sido outro. E mesmo assim observamos o que observamos.

Continuando, a riqueza nunca me indignou. Mas a pobreza sim. E o Prec indigna muitos, eu incluído, mas tinha de acontecer para poder ser evitado.
E não, não concordo que são as empresas e o dinheiro dos ricos que criam emprego. Quem cria emprego são os consumidores. Onde existem consumidores existem necessidades e os empreendedores aparecem.
Salvador Caetano e o Comendador Nabeiro não nasceram ricos, mas empreendedores. Sabendo que existia uma mercado de consumidores para desbravar. São só dois exemplos entre outros dos que do nada fizeram muito.

O tecido económico português renovou-se de um lado, com o surgimento de novos empreendedores vindos das colónias e da emigração retornada da Europa, mas manteve-se também na escala corporativista de Salazar até à crise de 2008, por outro lado.
O que eu vi, e ainda vejo, com algum desagrado são as estruturas do estado ainda mais corporativista que o regime Salazarista e rendida ao poder de uma economia que globalmente gera menos empregos que o tecido pequeno e médio e impede a explosão da criatividade.
Este aspecto atribuo-o também ao corporativismo existente numa Europa cujas grandes empresas económicas se fizeram e refizeram com os investimentos públicos (dos cidadãos), sem esquecer também o exemplo dos EUA.

Sobre Catarina Martins não me pronuncio. Nunca foi o meu alvo. E do BE só conto com a intervenção que exijo de todos os partidos e de mim mesmo enquanto cidadão. No que puder.

Não aponto cenários de coligação entre PS e BE. Nunca existirá sem que o mote seja o programa essencial do PS, e que a maioria dos cidadãos portugueses deseja. Desejando certamente, e também, uma profunda reforma em tudo isto de ser Europa.
A Europa é e sempre foi dos que até agora não tiveram voz para poder referendar certas medidas, pactos e decisões. E isto tem de ser revisto no futuro.
O inimigo do poder é o Conhecimento. E hoje não vivemos na Europa da idade das trevas. Trevas que desejam correr com uma cortina sobre tudo e todos.

Eu sou a favor da iniciativa privada, desta também que cada um de nós revela em posts e comentários.

Por último: Catarina e Jerónimo deram um tiro errado ao terem transformado Costa num adversário. Foi ele que libertou o país de uma ditadura parlamentar e de um PR que prevalecia sobre esta.
Costa bateu-se contra Passos, Portas, Jerónimo, Catarina e o PR. E venceu-os. Ganhou no parlamento e perdeu nas urnas. Mas a grande vitória nas urnas pertence a Catarina.
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De Carlos a 07.10.2015 às 09:20

Bom dia ;

Faltou acrescentar que o corpo e músculo terminaram com a falência do País,de milhares de empresas, grandes e pequenas que entretanto tinham sido nacionalizadas ou ocupadas pelas corporações sindicais.Faltou acrescentar que perante tal catástrofe o Dr. Mário Soares teve de recorrer ao FMI para salvar o país do colapso eminente.Faltou acrescentar as bandeiras negras da fome, os salários em atraso, a inflação galopante, a desvalorização do escudo e as taxas de juro superiores a 30%.

As empresas Portuguesas começaram agora a renovar-se, grande parte delas, pelo menos as de maior dimensão, viveram décadas encostadas aos Governos e a viverem artificialmente do dinheiro público, não só do Governo Central, mas em grande medida encostados nas autarquias.As consequências ficaram à vista de todos quando se acabou o dinheiro. Para haver consumo tem de haver empregos e empresas que empreguem.Critica-se o estado por ser corporativo e quando alguém pretende alterar o estado das coisas é criticado por querer desmantelar o estado e os serviços públicos.
Se há corporativismo em Portugal que prejudica o desenvolvimento do país é o aparelho judiciário , mas nesses ninguém pode tocar sem ser logo acusado de tudo e mais alguma coisa.Curiosamente devemos ser o único país do mundo onde não há juízes incompetentes e alguns corruptos.

António José Seguro ganhou as autárquicas e as europeias, António Costa não ganhou nada, perdeu as eleições.A grande vitória nas urnas é a de quem tem mais votos,sempre assim foi e sempre será. Se 39% não dão legitimidade para governar que dizer de quem tem 10% ou 33% ? Como é usual nas esquerdas, os que votam nos outros são seres inferiores de segunda classe, não merecem respeito.

Não há ditaduras parlamentares, há maiorias que sustentam um governo e será necessário alterar a constituição para que das eleições não possam sair maiorias.Já agora pergunto se a maioria parlamentar de José Sócrates também era uma ditadura ? E a possível maioria parlamentar PS+BE+PCP também o será ? Ou estas maiorias já são democráticas ?


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De Vento a 07.10.2015 às 11:49

Meu caro, não compreendeu o que eu escrevi. O tecido económico português RENOVOU-SE, também com os pequenos e médios empreendedores das colónias. O tecido económico do grande capital MELHOROU COM AS NACIONALIZAÇÕES, e NÃO OBSTANTE acabou por ser destruído por sua própria ganância. A GALP reforçou-se, a REN reforçou-se, os CTT reforçaram-se a EDP reforçou-se, a EPAL reforçou-se, a PT reforçou-se. São alguns exemplos entre outros.
O tecido económico do grande capital associado ao sistema corporativista de Salazar roubou o desenvolvimento a Portugal. Mesmo aquele desenvolvimento que podia ter vindo dos empresários das ex-colónias que para não poderem competir em Portugal viram o escudo nacional, que uns dividiram em colonial e nacional, valorizar-se face ao escudo dito colonial.
Portugal poderia ter sido transformado num jardim, e suas populações poderiam ter tido acesso a mais educação, mais saúde, melhor emprego, melhores empresários.
Esquece o meu caro o que poderia ter sido o desenvolvimento industrial e comercial português com a produção e indústria algodoeira que existia em Angola, mas também o café, mas também o girassol e óleo de girassol, mas também com o óleo de dendém, mas também com as enormes reservas de talco, o comércio e lapidação de diamantes e outras pedras preciosas e semipreciosas etc. etc. etc. Estou a referir áreas que poderiam ter sido implementadas quer sob o ponto de vista comercial quer sob o ponto de vista industrial na METRÓPOLE, independente da localização da produção.
Mas não, nada disto aconteceu porque para obter um escudo metropolitano era necessário pagar dois escudos coloniais, e a sustentação da moeda metropolitana era feita pela riqueza gerada em África (refiro-me à economia e não às matérias primas aí existentes).

O que aconteceu nesse período foi o inevitável. Qualquer transformação social transporta consigo coisas boas e más, mas também a capacidade de as ir corrigindo. O sistema empresarial português tem duas componentes a distinguir:
Numa parte é parasita e na outra componente não menos maioritária é oportunista, isto é, vive com as oportunidades que vão surgindo. Por isto mesmo o tecido empresarial pequeno e médio sofre uma elevada rotação de empresas que encerram e que abrem. O ciclo médio de vida é bastante baixo.

Dizem que o futuro são as TIC. Mas andam todos doidos quando afirmam isto. As TIC em Portugal, que possui técnicos de excelência e que dão cartas a nível mundial (quer ao nível da Inovação e de desenvolvimento de Software quer ao nível do Hardware), anda pelas horas da agonia.
Pretendo com isto dizer que o sector de ponta e das tecnologias padece dos mesmos problemas que as restantes economias e perdeu milhares de milhares de postos de trabalho. Sendo muito bom este sector que possui excelentes técnicos não tem capacidade, COM EXCEPÇÃO PARA SITUAÇÕES PONTUAIS, para se afirmar quer internamente quer externamente como área de PERFEITA RENOVAÇÃO DO TECIDO, ela mesma que foi a impulsionadora dessa tal renovação. Contraditório? Volte a analisar a afirmação.

No presente momento não existe qualquer tipo de RENOVAÇÃO EMPRESARIAL. Se entende que Tuc Tucs e Ubers e viagens Low Cost são fonte de renovação vou ali e venho.
A grande renovação que está a ser feita é no sector da Investigação na Saúde. É daqui que pode vir CORPO para uma NOVA INDÚSTRIA.

Sobre o aparelho de justiça: esse corporativismo beneficia todos aqueles que possuem dinheiro e que o podem usar como um jardim de infância onde através de manobras dilatórias podem, por exemplo (entre muitos outros), levar a que um trabalhador possa vir a aceitar de uma qualquer entidade patronal desonesta (e há muitas transversalmente) um misera indemnização que contraria os pressupostos legais. A justiça é cara e qualquer um que seja filho da puta e queira jogar com o dinheiro que possui sabe que pode fazer isto e muito mais para levar quem não a pode pagar a sujeitar-se a suas normas.
Por isto mesmo vivemos num país em desordem, onde impera a arbitrariedade.
Sobre a ditadura parlamentar, os ditadores sempre se escudaram em maiorias que os apoiavam.
Não sei se as esquerdas consideram os outros seres inferiores, mas parecem ser quando olhando para essa tal alternância numérica persistem em manter-se na sua linha.
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De Carlos a 07.10.2015 às 13:53

Boa tarde ;

Essas empresas de que fala, de facto reforçaram-se , detinham o monopólio, não havia concorrência,era como serem o único padeiro da cidade.
Ainda assim, e salvo raras excepções contribuíram foi para reforçar a dívida e os favores.
África , foi o triunfo do PCP , não tendo conseguido impor o partido único em Portugal , conseguiram-no nas ex-colónias com a tragédia humana que todos conhecemos e da qual , passados 40 anos , esses países ainda padecem.
Se estiver atento às exportações Portuguesas não encontra lá os Tuc, a Uber nem as viagens low cost , e se tiver alguma preocupação em aprofundar o conhecimento sobre o que Portugal produz e exporta , garanto-lhe que vai ficar surpreendido.
Não concordo consigo quando diz que impera a desordem e a arbitrariedade no País, por experiência própria conheço alguns Países nessa condição e seguramente Portugal não é um deles.
Também não vejo os ditadores, vejo é alguns a quererem transformar o resultado das eleições naquilo que não foi.
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De Vento a 07.10.2015 às 16:50

E agora continuam com o monopólio, só que nas mãos de privados. E o estado perde receitas ao permitir sua alienação. Não percebo que tantas companhias na mesma situação pertençam ao estado em toda a Europa e não se possa admitir tal pertença em Portugal. Sei que se refere à TAP. Pois..
Esquece algo importantíssimo: essas empresas foram edificadas como dinheiro dos cidadãos e não foram fruto do investimento dos privados. Os ricos não investiram, compraram.
A gestão privada não se revela em nada melhor do que foi anteriormente. Estão lá na sua maioria as mesmas pessoas que pertenceram a órgãos governativos. Bons num sítio e maus noutros, a gerir? Bem...

Sobre África, deixe-me contar-lhe a história e não as estorietas (e eu sei que é verdade. Vá lendo as legendas):
https://www.youtube.com/watch?v=hwJ6qrLd8B8

E sim, esses países ainda hoje padecem por vários interesses.

Sobre as exportações, recomendo-lhe a leitura dos meus comentários e dos anexos - links - em meus comentários, aqui:

http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/diabos-um-optimista-ate-poderia-comecar-7760641#comentarios

A indústria que menos se fala e que exporta quase tanto num mês como a indústria do calçado em um ano é a da metalomecânica, e mesmo assim está a atravessar um período difícil.

Se quiser colocar perguntas sobre dados económicos, estou ao seu dispor.

Há sim uma desordem e arbitrariedade, e esta ocorre onde há poder e pouca justiça.
Se é como diz no último parágrafo, qual o motivo do PR não ter convocado todos os partidos para os ouvir sobre a possibilidade da formação/viabilização de um governo?
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De Carlos a 08.10.2015 às 14:22

Bom dia ;


Pode adicionar estas estorietas ao seu conhecimento sobre a descolonização(http://digitarq.dgarq.gov.pt/details?id=4502544) e há relatos na primeira pessoa (http://retornadosdafrica.blogspot.com/2011/11/ficheiros-secretos-da-descolonizacao-de.html).

O PR não é obrigado a ouvir os partidos, não violou a lei nem a constituição, decidiu nomear o líder da formação política que ganhou as eleições a tentar formar Governo , não é assim que deve ser ? Devia incumbir quem ? O que ficou em segundo ou em terceiro ? O PCP e BE disseram na noite das eleições que vão inviabilizar o governo de quem as ganhou. O PS não se sabe bem,na noite das eleições viabilizava , na segunda feira já era não, hoje é talvez, amanhã logo se verá.
O PR por cortesia institucional devia ter ouvido toda a gente primeiro ? Embora nada o obrigue a tal , talvez o devesse ter feito mas não considero isso relevante para a actual situação política.
Por isso Passos Coelho que forme governo, se o derrubarem na assembleia o futúro presidente que decida o que quer fazer. Não acredito que Cavaco Silva dê posse a um governo frentista, nem Mário Soares o fez quando derrubaram o primeiro governo de Cavaco Silva e lhe propuseram a formação de um governo de PS+PRD+PCP.
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De Vento a 08.10.2015 às 21:19

Boa noite,

os anexos que me apresenta sobre Angola e a descolonização não contrariam o que eu anexei, e que referi também saber que é verdade. E sei porque sei. Como também sei que posteriormente se alimentou uma guerra, com a intervenção no terreno por parte da África do Sul, para se concluir como foi concluída.
Da mesma forma, também sei as negociatas em torno dos dinheiros e bens que quem lá vivia não podia transferir mas que a banca em nada ficou a perder (já existe um trabalho de investigação a este respeito:https://www.youtube.com/watch?v=pWDXgy7NI5Y) .
A história está a ser escrita, e as estorietas também existem. Resumir a história da descolonização às estorietas sobre partidos de esquerda pseudo-vencedores é esquecer as pressões ocidentais no período de Salazar e Caetano.
Como também é esquecer o desejo independentista marcado pelas populações aí residentes, incluindo os ditos colonos.
A queda do Congo Belga, e em particular os eventos de Leopoldoville, determinaram o futuro independentista em África. E o futuro revelou que quer Ian Smith quer Pik Botha inicialmente estavam errados.
http://www.dailymaverick.co.za/article/2011-09-02-roelof-pik-botha-the-ultimate-survivor#.VhbF5jZdEdU

http://www.britannica.com/biography/Ian-Smith

Uma das vozes lúcidas em Portugal sobre a questão africana surge precisamente pela boca do professor Adriano Moreira, que compreende que essa identidade portuguesa do Minho a Timor é balela propagandista.
Portanto, não se arranjem bodes expiatórios numa questão que possui uma outra envolvência.
Oportunismos existiram de ambas as partes.

O PR é obrigado a ser coerente com suas declarações:
http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=4814236

P.S. Quanto ao companheiro que se junta mais abaixo a armar em chico-esperto não acrescenta nada a estes nossos diálogos e não há resposta a dar a tolinhos.
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De Carlos a 08.10.2015 às 23:38

Boa noite ,

Sim, a África do Sul invadiu Angola, depois de Angola ter proclamado apoio à Swapo e estar cheia de cubanos, russos , checos e por aí fora.
Não estou a defender as colónias nem as políticas inerentes do estado novo em relação a essa ou outra matéria.Houve um contexto histórico, económico e social para a nossa presença no Mundo e obviamente com o passar dos séculos e o evoluir das sociedades essa presença tornou-se injustificada e sem sentido.
Da mesma forma não encontro desculpas ou justificações para o que foi feito à população que aí habitava por parte dos mesmos Portugueses que no dia 24 de Abril com eles partilhavam o mesmo presente.Convém também não esquecer que foram milhares os Africanos que rumaram a Portugal após as independências,fizeram-no para salvar a vida como hoje fazem os Sírios.
O que podia ter sido a alvorada de Nações a caminho do desenvolvimento acelerado tornou-se em campos de morte devido à cegueira ideológica de quem tomou conta do seu destino.A inventona que acabou com Spínola em Espanha está directamente relacionada com o que se veio a passar nas ex-colónias, mas este não era o assunto do mistério das eleições.

Não estou a ver onde está a falta de coerência ,Cavaco Silva limitou-se a dizer, esta noite, que "não são admissíveis soluções governativas construídas à margem do Parlamento, dos resultados eleitorais e das forças partidárias".
Acho que não há dúvidas sobre quem ganhou as eleições.
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De Vento a 09.10.2015 às 10:54

Bom dia,

A África do Sul já se encontrava em Angola antes mesmo da independência de Angola. Mas o problema não está neste facto. A intervenção de Santos e Castro e da África do Sul foi tão legítima quanto a Cubana. Qualquer destas forças era apoiada por potências antagónicas.
E eu nunca me debrucei sobre a bondade do que foi feito não só para os que aí habitavam como também para os que eram autóctones: negros, brancos e mestiços.
O que pretendi dizer foi que as estorietas sobre as "culpas" tem causas bem mais remotas e que é necessário escrever a história como ela é e foi.
Parece que esquece que o único sítio onde Humberto Delgado venceu, sem qualquer hipótese de batota, foi em Angola. E também esquece quando Deslandes abala o regime com o golpe que pretendia dar a partir de Luanda e em Angola.

O mistério das eleições foi exactamente aquele que o levou a ver tantas e diversas conclusões num simples comentário meu.

Quanto ao PR, se ele tinha todas as situações estudadas, porque não chamou os partidos? Se a situação é a configuração do parlamento, de que espera para diligenciar tal escuta aos partidos?
Não sejamos ingénuos.
Meu caro, fico por aqui. É necessário dar folga também ao José Maria.
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De Carlos a 09.10.2015 às 12:31

Mais um pouco chegamos à 1ª guerra mundial e à invasão Alemã do sul de Angola.Não sou ingénuo, ingénuo será quem acredita que o PS vai governar o país coligado com o PCP e o Bloco.

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De Manuel a 08.10.2015 às 11:55

Caro Carlos,

já percebeu que não adianta enumerar factos e articular argumentos. As convicções políticas e religiosas não se baseiam na racionalidade. O seu interlocutor não alterará uma vírgula ao que pensava, pensa e pensará. Não importa a realidade, apenas a interpretação. Vai ser bonito de ver se alguns dos ainda muitos que votam PS se revoltarão com aquilo que A Costa está a fazer com o voto deles. Na próxima, talvez votem desde logo PCP. Ao menos, votam no original.

Escrevo este comentário para si, que o merece. Se for publicado, muito bem. Se não for, muito bem na mesma. A realidade é esta e não outra qualquer...
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De da Maia a 06.10.2015 às 00:02

Pois.
Já ter havido 38% dos votantes em políticos que mentiram com todos os dentes, que roubaram nos impostos com todas as mãos, que sucessivamente aumentaram a dívida e a despesa do estado, que venderam os últimos anéis do estado, etc., etc.
Ou ter havido 32% dos votantes que acharam bem confiar na cara de um vice da velha governação do TGV, do aeroporto da Ota-Alcochete, da terceira auto-estrada Lisboa-Porto, dos desvarios nas rendas energéticas, das PPPs com o BES, etc, etc.

Já os votos desses 70% fazem todo o sentido!
Sem dúvida, o que é estranho é ter havido quase 30% que ainda não perceberam a doutrina.
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De V. a 06.10.2015 às 00:19

10% dos votos expressos (que corresponde a aprox. 5% reais de eleitores) e no entanto querem saltar para o poder para impôr um programa político que foi derrotado nas eleições. Toda a gente fala na vitória do Bloco. Mas qual vitória? Tiveram 10%. Perderam. SE saltarem para o poder é uma fraude política e os Portugueses que ainda têm algum carácter (serão 68% ou 36%?) revoltar-se-ão.
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De William Wallace a 06.10.2015 às 05:23

Sempre pensei (como muitos) que o BE fosse desintegrar-se de vez, enganei-me redondamente.
Creio que para isso não ter acontecido muito contribuiu a campanha que realizou, apresentando um programa sólido (tão sólido como o do PCP), uma postura de critica incisiva e uma nada subtil campanha dos apoiantes da coligação que cedo perceberam que uma boa forma de tirar votos ao PS era valorizar o BE .
Muitos votos do PS e da coligação foram para o BE porque as pessoas perceberam que dar carta branca ao arco da governação só lhes traz dissabores e não querendo prescindir de votar optaram pelo BE pois associam o PCP a algo ultrapassado na forma e método, mesmo ressalvando que foi o PCP que mais conseguiu dinamizar os protestos / manifestações que se fizerem em Portugal nos últimos 4 anos.
Veremos se BE saberá capitalizar este balão de oxigénio entendendo que muitos dos seus votos provêm de pessoas com convicções alinhadas ao centro (sociais democratas) que viram no BE um dos últimos protectores da social democracia em Portugal como bem disse Catarina Martins num debate televisivo com Passos Coelho.
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De Makiavel a 06.10.2015 às 10:24

Subscrevo.
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De Luís Lavoura a 06.10.2015 às 11:05

o PCP a algo ultrapassado na forma e método

Em contraste com o BE que, ao fazer uma campanha na qual todo o protagonismo foi assumido por mulheres, inovou completamente na forma. O que certamente terá atraído muitíssimos eleitores.
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De José Maria Gui Pimentel a 06.10.2015 às 13:57

Faz sentido o que diz. Mas por que não beneficiou isso o PC? E se não beneficiou porque o Bloco é mais dinâmico, por que só agora se fez esse dinamismo sentir?
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De Luís Lavoura a 06.10.2015 às 17:15

O PCP fez uma campanha normal, como de costume. Portanto, não foi beneficiado, nem prejudicado.
O Bloco foi beneficiado porque inovou na forma da campanha - ao colocar mulheres em vez de homens como protagonistas - e também porque moderou a sua mensagem. Assumiu que está disposto a ir para o governo, ao contrário da sua postura no passado.
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De Ali Kath a 06.10.2015 às 08:26

a 'estucada' foi no regime
com políticos presos
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De Luís Lavoura a 06.10.2015 às 09:20

Em minha opinião - e conforme escrevi no meu blogue - a vitória do Bloco não se fica a dever propriamente às causas políticas que defendeu, mas sim à forma como as defendeu: com mulheres.
Ou seja, o que importou não foi o conteúdo, foi a forma.
Eu fui a um comício do Bloco e, com estupefação, vi o seguinte: falou primeiro um homem, que basicamente se limitou a apresentar os oradores seguintes, e esses oradores eram... quatro mulheres.
Ou seja, mulheres assumiram todo o protagonismo na campanha do Bloco. E isso foi uma pedrada no charco da política portuguesa, que atraiu muitos eleitores (de ambos os sexos, calculo eu).
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De l.rodrigues a 06.10.2015 às 11:03

E não estamos a falar de mulheres só por serem mulheres. Mariana Mortágua teve uma grande e positiva projecção mediática, dando uma imagem de competência e trabalho, na comissão do BES. E Catarina Martins teve o desempenho que lhe deu continuidade nos debates pré-campanha.

Além disso, qualquer pessoa que tenha uma boa noção da natureza desta crise, quer das suas raízes quer do desacerto das respostas que lhe têm sido dadas, dentro e fora de portugal, reconhece o mérito da posição do Bloco. (E até do PCP mas este gera mais anticorpos.)
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De Luís Lavoura a 06.10.2015 às 12:28

Certamente, não estou a falar de mulheres só por serem mulheres. São mulheres competentes. Indubitavelmente.
Mas em política não interessa apenas a competência nem as posições assumidas. A forma, as pessoas, o seu caráter e a sua aparência - e o facto de serem mulheres ou homens - também tem muita importância.
E o que importa também não é apenas serem mulheres competentes. É serem as primeiras e únicas mulheres até agora a assumir o protagonismo num partido. É uma novidade na política portuguesa, e os eleitores gostaram dessa novidade. Eu diria mesmo: eles estavam ansiosos por essa inovação.
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De José Maria Gui Pimentel a 06.10.2015 às 14:01

É um factor extra que faz sentido, Luís, mas se falássemos dele em antecipação da campanha não o podíamos julgar até negativo, num país habituado a líderes homens? Reforço, não digo que não faça sentido, mas é difícil qualificar a causalidade como inegável.

Um pormenor curioso desta história é que o BE cavalgou nas sondagens a um ritmo impressionantemente rápido: só nas últimas duas/três semanas (ie, só durante a campanha de facto).
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De Luís Lavoura a 06.10.2015 às 17:13

É um facto aquilo que diz: a aposta do Bloco, ao fazer uma campanha protagonizada por mulheres, foi arriscada /isto é, poderia ter tido efeitos negativos).
Mas, já se sabe: quanto maior é o risco, maior é o potencial ganho. Foi uma aposta ganha. Esta inovação na imagem, na forma, teve um retorno altamente positivo.
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De T a 06.10.2015 às 10:40

Julgava que era desta que o BE desaparecia, foi uma pena, era um favor que faziam ao país.

É uma pena que graças a BE's e PCP's, o país e os partidos da governação estão no estado em que estão. Quando não há uma alternativa credível a preguiça impera e o "mínimo" necessário, apaziguador e coerente com uma política Europeia e de Euro, chega. A malta não dá o suficiente para eles lá chegarem, mas até lá já secaram a concorrência e fizeram o favor a quem está habituado a regularmente chegar ao poder. Não exige grande esforço, diga-se.

Os BE's e PCP's da vida, com uma mensagem fácil do dedo apontado a todos, anos luz longe da realidade e um tipo de retórica de promoção da ignorância face aos assuntos que discutem, misturam, acusam e propagam, não ajudam a mais do que a baixar o debate ao nível do estudante de 17 anos naquela fase pré anti-sistema, que vive obcecado com o Wikileaks, o fantasma das torres gémeas e da propaganda da RT ou Sputnik.

O que faltava em Portugal era um(uns?) partido que soubesse dar troco sem pôr em causa o que consideramos essencial para a manutenção de Portugal na sociedade ocidental, minimamente próspera e sem aventuras socialistas. Era um partido que obrigasse a que tanto PS/PSD/CDS, saíssem da sua área de conforto da "governabilidade" e discutissem alternativas dentro do viável, que deixassem o soundbite e fosse às questões essenciais sem ter o rabo preso em ideologias do bolor com provas dadas no ataque ao cidadão e às suas liberdades individuais.

Faltava discutir sem medo o papel do Estado, do país na UE, das suas relações exteriores, da sua defesa, do papel que tem na economia (e secalhar não devia)...
Mas é sobretudo o factor "não radical" nem de colagem a uma ala que tornam tantos partidos por essa europa fora interessantes de serem votados, de sem medo verem a sua votação transformada em alternativas de governação, em coligação ou em acordos parlamentares... aqui a preguiça impera, a preguiça que ajuda o trabalho de quem diz mal, e de quem vive à sombra do medo de quem o faz.

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De Pedro Gaspar a 06.10.2015 às 11:21

Eu penso que a resposta para todas as interrogações que faz é muito simples. É que a esquerda, centro, extrema-esquerda, direita-centro, etc, já não contam para nada, e em grande parte não existem na proporção de clivagem que lhe aplicam os teóricos comentadores contemporâneos. São balelas utilizadas para arremessar uns aos outros e para amedontrar os votantes - "O Sr. tem um programa de extrema esquerda e isso é muito perigoso para o país". Hoje em dia, olham-se para as pessoas, e (ainda pouco) para as ideias. As ideologias acabaram. O facto de o PCP não ganhar mais votantes não tem a ver com a sua matriz marxista ou com o facto de comerem criancinhas ao pequeno almoço. Tem apenas a ver com a cassete riscada que não acrescenta nada de novo nem soluções ao país. O BE consegue comunicar com as pessoas. No fundo, conseguem ser pessoas.
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De José Maria Gui Pimentel a 06.10.2015 às 14:02

Consegue comunicar desde quando? É que não era essa a imagem durante os últimos 5 anos.
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De Eduardo a 06.10.2015 às 11:34

Atenção ao seguinte;
O BE não teve assim uma vitória tão estrondosa como muitos populares dizem.
O BE não foi buscar votos a nenhum dos outros partidos como diz a noticia do "Correio da Manhã" de hoje, que deveras uma triste notícia porque revela o medíocre jornalismo que se faz nos dias de hoje.
O BE apenas conseguiu que o seu eleitorado fosse às urnas para votar, mas não o conseguiu na sua totalidade.
E isto porque,
O BE é um partido que tem vindo a crescer em número de votos ao longo dos anos, ora vejamos os votos para as eleições legislativas:

BE 2015 = 549 153 (Catarina Martins)
BE 2011 = 288 923 (Francisco Louçã)
BE 2009 = 557 306 (Francisco Louçã)
BE 2005 = 364 971 (Francisco Louçã)
BE 2002 = 149 966 (Francisco Louçã)
BE 1999 = 132 333 (Francisco Louçã)

Como se pode observar, faltaram ainda cerca de 8 000 votos para chegar ao seu melhor resultado de 2009 com Francisco Louçã.

Logo,

Não houve vitória uma vez que não superou a melhor marca de 2009.

Em termos de eleições o que interessa é o número de votos.

As percentagens não valem nada.

É obvio que para a comunicação social e para o "show off" o que importa são as percentagens e como já se viu apenas revelam os valores das eleições anteriores e não a história das eleições.

Se apenas verificarmos as eleições de 2011 com cerca de 290 mil votos e 2015 com cerca de 550 mil votos é claramente uma grande vitória porque quase dobraram os votos, mas se colocarmos as eleições de 2009, esse entendimento cai por terra uma vez que as ultimas foram superiores em cerca de 8 mil votos, ou seja, Francisco Louçã conseguiu ser superior à Catarina Martins na cativação de eleitorado
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De Tiro ao Alvo a 06.10.2015 às 14:04

Tem razão, é preciso distanciamento para entender o que se passou, como aqui se pode ver:
http://www.pedro-magalhaes.org/wp-content/uploads/BE.jpg
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De V. a 06.10.2015 às 11:40

Mas qual vitória do Bloco? Obtiveram 10% dos votos. Ficaram em 3º lugar.

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