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O futuro é um lugar imprevisível

por José António Abreu, em 09.11.16

donald-trump-flag.jpg

 

1.

Será interessante ver se Donald Trump - claramente alguém que não se preocupa com o detalhe ou com a coerência - irá aplicar muitas das medidas que defendeu. Sendo certo que o Partido Republicano controlará Câmara dos Representantes e Senado, muitos dos seus elementos discordam de Trump; porém, o poder tende a atenuar divergências. E os eleitores estão à espera de mudança - em parte, a que Obama prometeu e não concretizou.

 

2.

Se Hillary Clinton perdeu, Obama é o outro grande derrotado da noite. A eleição de Trump permite verificar quão insatisfeitos estão os norte-americanos com a sua presidência. Tivesse Obama conseguido os resultados que muitos por cá - e por lá - lhe atribuem, Clinton teria vencido. Pessoas satisfeitas não querem mudança - ainda por cima, com elevadíssimo grau de risco.

 

3.

Algumas medidas parecem certas. Por exemplo, o fim do Obamacare e o adiamento de qualquer medida para controlar a venda e posse de armas. Do ponto de vista de um europeu, são questões irrelevantes, exclusivamente de política interna. Há, no entanto, três temas com alcance global: o eventual proteccionismo económico, a política externa e a política monetária. Em nenhum deles o comportamento de Trump pode ser dado como adquirido.

 

4.

No campo da Economia, depois de tudo o que disse e das expectativas que criou, Trump está forçado a fazer algo. O TTIP já morrera durante a presidência Obama, mas veremos o que sucede com o NAFTA, que muitos congressistas republicanos têm apoiado, e em que bases se estabelecerá a relação com a China. Seja como for, o comércio global irá quase certamente ressentir-se. Quem hoje celebra, poderá rapidamente constatar que fechar fronteiras não significa mais riqueza - especialmente no caso de países pequenos como Portugal, que apenas poderão crescer captando recursos no exterior.

 

5.

Vladimir Putin foi o outro grande vencedor do dia. Uns Estados Unidos focados na política interna e desinteressados da NATO abrem-lhe as portas para todos os impulsos. Resta saber em que moldes Trump procurará cumprir a promessa de acabar com o Daesh. E se, mais cedo ou mais tarde, como sucedeu a George W. Bush, não acabará arrastado para conflitos que deseja evitar. Para Israel (mas também para a Palestina), os riscos acabam de aumentar exponencialmente.

 

6.

Para o bem e para o mal, a acção dos Bancos Centrais tem sido decisiva no equilíbrio do castelo de cartas em que a Economia se transformou. Irá Trump permitir uma correcção dos mercados, que terá sempre reflexos violentos na vida diária das pessoas? Parece-me improvável. Trump anunciou investimento público; necessita de uma Economia capaz de lhe fornecer o dinheiro necessário (ainda que artificialmente). E mais: Trump é um especulador e um milionário; fará tudo para evitar prejuízos.

Evidentemente, os desejos dele podem mostrar-se irrelevantes. Ninguém segura um castelo de cartas depois de ele estar em queda.

 

7.

Nos países mais prósperos, onde as últimas décadas criaram a ilusão de que era possível manter os níveis de enriquecimento e protecção social sempre a subir, as pessoas andam insatisfeitas. É compreensível. Menos compreensível é que exprimam a insatisfação de forma irracional, votando para acabar com algo em vez de para construir uma alternativa coerente. Inevitavelmente, uma alternativa surgirá; contudo, numa época em que globalmente se vive muito melhor do que em qualquer outra na História, ela pode revelar-se bastante pior do que a situação de partida. Será então demasiado tarde para lamentos. Isto aplica-se à eleição de Trump, mas também à vitória do «sim» no referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, à vitória do Syriza na Grécia, à quase-eleição de Norbert Hofer na Áustria (no dia 4 de Dezembro ver-se-á se o «quase» está a mais), à eventual vitória de Marine LePen em França, aos resultados do Podemos em Espanha ou do AfD na Alemanha, etc., etc., etc.. Quando se unem todos os pontos, a imagem final é assustadora. Mas é o que é, e não vale a pena cair em lamentos. Ou talvez apenas para constatar que a expressão «que possas viver em tempos interessantes» terá resultado da adulteração de uma mensagem defendendo exactamente o contrário.

 

(Foto recolhida na net; não consegui determinar o autor.)

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23 comentários

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De JSC a 09.11.2016 às 12:54

Excelente comentário até ao ponto 7. Primeiro as pessoas votaram Bernie Sanders (não tenho qualquer dúvida que ganharia a geral), mas o sistema (Hillary compreende melhor o mundo do que os EUA~por isso perdeu) não deixou.

Quando países como a Grécia fazem o que a União Europeia e não se vê melhorias as pessoas tentam agitar o barco e o Syriza era a forma de o fazer. No geral estas "revoluções" acontecem, porque as pessoas não se sentem ouvidas pelos aparelhos/sistema... Felizmente, hoje em dia, estas "revoluções" são feitas por meios democráticos, caso não o fosse seriam feitas mais tarde por meios não democráticos.

A actual influência dos partidos da (extrema?) direita na Europa, deve-se simplesmente ao facto de como por exemplo da Hungria o referendo votou que era contra os imigrantes, no entanto o parlamento foi contra, ou seja os deputados não olham pelo que as pessoas que os elegeram querem, regessem pelo que eles e outros interesses querem.

Para concluir, o "povo" não está sempre certo, mas nunca se deve ir contra a sua vontade de forma tão aberta e explicita, neste momento vê-se quase uma guerra elites vs povo.
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De José António Abreu a 09.11.2016 às 13:52

Vê-se, de facto. Mas desejar o impossível não o concretiza. Em grande medida, a acção de Obama foi a inversa da que a UE seguiu (quantitative easing desde o início, reforço do papel do Estado, preocupação reduzida com o controlo das contas públicas) e, no entanto, os norte-americanos acabam de se mostrar altamente insatisfeitos. Em 2008, com medo de uma nova Grande Depressão, muitos quiseram lutar contra a crise através da dívida. O crescimento não apareceu, a Economia tornou-se cada vez mais um castelo de cartas e a insatisfação foi crescendo, apesar de todos os estímulos - quando o pior nem sequer chegou. Resta dar os parabéns aos keynesianos.
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De lucklucky a 09.11.2016 às 12:56

"Vladimir Putin foi o outro grande vencedor do dia."

Assim se vê como os resultados da manipulação mediática funcionam:

Já se esqueceu disto?
Obama para Medvedev: After my election I have more flexibility

Já se esqueceu do reset button da incompetente Hillary?
https://en.wikipedia.org/wiki/Russian_reset

Durante Obama, Putin foi o Vencedor durante 8 anos.
Não só Putin: Erdogan e uma data de gente pouco recomendável teve caminho livre.

Fazer discursos, colocar linhas vermelhas e não cumpri-las, não fazer nada equivale a deixar o caminho Livre.

Bom o ponto 6.
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De José António Abreu a 09.11.2016 às 13:39

E onde é que eu escrevi que Obama foi um grande obstáculo às ambições de Putin? Acho é que, se Trump fizer o que prometeu, ficará ainda mais à vontade - e muito mais do que estaria com Hillary na presidência.
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De lucklucky a 09.11.2016 às 23:20

O que é que Trump prometeu ?

Se a Europa não investir na defesa, é só olhar para o estado em que está p. ex. exército Alemão. Como Holanda e a Bélgica nem armas têm para defender os próprios países, ou como é uma polémica da compra de submarinos só a mais importante arma naval num país com uma das maiores ZEE na Europa, ou porque a França já nem produz armas de defesa individual para o seu exército e tem de compra-las ao exterior.
Porque é que os EUA é que têm de vir tapar os buracos de uma Europa que odeia a NATO mas quando os EUA votam um ainda assim moderado desprezo aqui del rei?
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De M. S. a 09.11.2016 às 13:26

Senhor JAA:
Disse: «Obama é o outro grande derrotado da noite. A eleição de Trump permite verificar quão insatisfeitos estão os norte-americanos com a sua presidência. Tivesse Obama conseguido os resultados que muitos por cá - e por lá - lhe atribuem, Clinton teria vencido.»
Esta sua constatação aplica-se também ao nosso anterior Governo (Passos/Portas)?
Pela sua reacção contra o actual, parece que não.
Só se aplica aos adversários/inimigos, não é?.
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De José António Abreu a 09.11.2016 às 13:37

Quer mesmo comparar a gestão de um país pequeno sob assistência externa à da maior economia do mundo, com a moeda-referência, empresas flexíveis e competitivas, auto-suficiência energética (um processo iniciado por Bush e completado por Obama) e excelência no campo da investigação tecnológica? Ainda por cima quando a PàF até ganhou, com sensivelmente a mesma percentagem do Syriza ou do PS em 2009?
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De M. S. a 09.11.2016 às 20:03

Sr. JAA:
Para si, Obama foi um perdedor também.
Portanto, só pode ter sido um mau (talvez péssimo) presidente.
Logo, deixou o país pior do que o encontrou.
Sim, porque aquilo era um miminho saído das mãos do Bush.
Sectarismo, porque cegas?
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De José António Abreu a 09.11.2016 às 20:34

Hã? Foram os americanos que acabaram de votar, não eu. Os mesmos que, depois de Bush, elegeram Obama em vez de outro republicano. Sectarismo, porque cegas, indeed?
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De José António Abreu a 09.11.2016 às 20:36

Ou, mais correctamente: Sectarismo, porque cegas?, indeed.
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De M. S. a 09.11.2016 às 20:49

Sr. JAA:
Foram os Americanos que votaram mas foi o senhor que tirou a ilação.
Como só tira ilações num sentido, justifica-se, por isso, que o acuse de sectarismo.
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De José António Abreu a 09.11.2016 às 22:39

Sr. M. S.:
Fico satisfeito por poder tirar a ilação de que, não o parecendo, você tira ilações em vários sentidos.
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De Vento a 09.11.2016 às 15:18

No pasa nada, JAA.

A eleição de Trump denota algo muito simples:

1 - Trump, que é inteligente, soube apoderar-se dos princípios de mudança contidos na proposta de Sanders e resumiu sua proposta de maneira simples e perceptível:
- I´m not Washington (anti-establishment, tal como Sanders),
- Make America Great Again,
- Jobs,
- Trade,
- Tax cuts,
- Regularei o sistema financeiro e dividirei a Banca em Banca Comercial e de Investimento,
e
- Vou dar um pontapé no ISIS.

2 - Aproveitou a revolta dos descontentes que votariam Sanders e nunca Clinton e foi buscar os seus votos um pouco por todo o país. Aliás, o voto esperançoso dos analistas nos denominados swing-states (Florida,Carolina do Norte, Ohio, Georgia...) que seriam favoráveis, segundo eles, a Clinton caíram nas mãos de Trump. Ele mesmo disse antecipadamente que ganharia na Florida e no OHIO (algo inimaginável, e todos disseram que ele estava louco).
A Florida, em termos de votantes, reparte-se da seguinte forma: cerca 4 milhões e oitocentos mil para democratas, 4 milhões e duzentos mil para republicanos e cerca de 3 milhões e trezentos mil independentes. E ele conquistou a Florida precisamente com os descontentes apoiantes de Sanders, que nunca votariam Clinton, e com os independentes.
Ganhando posteriormente a Pennsylvania (onde adquiriu 20 electoral votes) e o Wisconsin (totalizando neste momento 276 dos 270 votos que necessitaria para ser Presidente) selou a vitória que estava garantida.

3 - Assim foi como refiro no ponto anterior que dos analistas e repórteres que acompanhei, tais como Marina Portnaya, Larry King e Ameera Amid, Anya Parampil, Simone del Rosario, Brígida Santos, Ruth Connig, Ernie White, Hagar Cherali, Ed Schultz, Lindsay France e tantos outros, surgiu o maior desapontamento que alguma vez podia ter ocorrido na América.

4 - Trump fez história na América e da América história novamente. Sanders e os democratas poderiam hoje estar a festejar a sua eleição para a presidência não tivesse sido a arrogância do establishment democrata e outros também vindos do Bilderberg (onde se inclui a main stream midia) que o encostaram por pensarem que o assunto era para candidatos profissionais. Lixaram-se e conseguiram levar muitos apoiantes de Sanders a votar Trump.

5 - o TTIP não pode dissociar-se do TPP, ver aqui: https://www.eff.org/issues/tpp, que muitas contestações populares suscitou e que tem vindo a ser abafado quer nas informações quer nos debates (não) promovidos pela dita main stream midia.
A América estava refém do two party system. E Sanders quis acabar com isto. Como retiraram-lhe esta possibilidade ofereceram a vitória a outro não profissional da política que afirmava que dos americanos só pretendia o voto.

6 - A arrogância do sistema e dos democratas foi bem visível quando o director de campanha de Clinton, ainda antes de conhecidos os votos do Wisconsin, apareceu a dizer aos apoiantes de Clinton algo assim: "Vão para casa que Hillary necessita descansar. Ela falará depois." Esta falta de respeito pelos apoiantes que se encontravam na sua sede de candidatura em NY revela a espécie de presunção que nela reside, pensando ser uma espécie de rainha americana.

7 - Trump derrotou a mídia americana e o establishment. Sanders tê-lo-ia feito de igual forma.
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De José António Abreu a 09.11.2016 às 16:12

Eu sei que você preferia Sanders. Economicamente, seria o pior de dois mundos: um defensor de um Estado gigante (em parte, Trump também é) que asfixiaria a iniciativa privada em impostos, tornando a produção nacional ainda mais cara, o que levaria ao fecho de fronteiras e a um isolamento que reduziria a competitividade, etc. É verdade que os EUA têm dimensão, e moeda, e flexibilidade, e capacidade de inovação, para suportar muita coisa - mas há-de existir um limite.
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De Vento a 09.11.2016 às 16:48

O estado já é gigante. Pois tem sido ele, o Estado, a financiar as loucuras da banca e os devaneios de Bush no médio oriente.
A minha preferência por Sanders sempre foi notória, mas não só pelas propostas exequíveis de Sanders, que seriam seguidas por qualquer outro Presidente, como também por saber que democratas antes de Obama e republicanos tinham conduzido o povo americano para a mais gigantesca farsa conhecida.

Se reparou Trump não só venceu a mídia e o estabslishment como venceu o próprio partido.
Putin à cerca de 30 minutos fez o seu discurso para a América. Se reparou também, ele tem suspensos os ataques na Síria.
Se Trump tiver juízo, como tem na realidade, vai ter de mudar a política na região e concentrar-se, com os Russos, em degolar o ISIS.
Registe, meu caro, as palavras de um ser divino, como você mesmo, e bem, afirmou em tempos: a partir de agora a Rússia não dará mais oportunidades e não esperará por outras eleições na América. Eles avançarão com ou sem a América, e se necessário contra a América. E estão com a força moral do seu lado.
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De Vento a 09.11.2016 às 16:53

Por favor, corrijo o à por há.
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De José António Abreu a 09.11.2016 às 17:22

Eles avançarão com ou sem a América, e se necessário contra a América. E estão com a força moral do seu lado.

Sim. Não (ainda que os interesses possam coincidir).
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De Luís Lavoura a 09.11.2016 às 15:43

Em relação ao ponto 2, convem notar que, ao que parece, Clinton teve mais votos do que Trump. Ou seja, sendo certo que Clinton foi derrotada (devido ao peculiar sistema eleitoral norte-americano), não é evidente que o povo norte-americano tenha votado claramente a favor de Trump, bem pelo contrário - ele votou maioritariamente a favor de Clinton. Não me parece portanto legítimo afirmar-se que os norte-americanos estejam muito insatisfeitos.
Há que não desconsiderar o sistema eleitoral nas análises políticas. Há que não confundir a maioria do Colégio Eleitoral com a maioria dos votantes.
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De José António Abreu a 09.11.2016 às 16:05

Os Estados Unidos são uma federação de Estados; as regras estão bem definidas. De qualquer modo, uma diferença de 0,2% (até ver) quando estamos perante um candidato tão inconsistente e polémico como Trump dificilmente anula a leitura de que os norte-americanos estão insatisfeitos com as políticas dos últimos anos. Se Obama tivesse gerado a "mudança" que prometera, Clinton teria ganho por vários pontos. Aliás, o exagero das promessas de Obama, e a sua visão quase messiânica, terão provavelmente prejudicado Hillary.
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De O Gajo das Riscas a 09.11.2016 às 16:07

Vale uma aposta que Trump não irá aplicar metade das medidas que prometeu em campanha?
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De José António Abreu a 09.11.2016 às 16:15

Eh, acha que sou maluco para fazer apostas baseadas na palavra de um homem como Trump? Aliás, faça-me um favor e releia a primeira frase do meu texto. :)
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De simplesmente avô a 09.11.2016 às 17:11



Incertezas sobre incertezas...
O decurso do tempo dirá...
De nada vale, porém, "chorar sobre o leite derramado"...
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De José António Abreu a 09.11.2016 às 17:30

De acordo. Por isso mal referi Hillary, Sanders ou as polémicas dos últimos meses. Mas seguir em frente não deve equivaler a esquecer; recordar é a melhor forma de aprender e de diminuir a probabilidade de continuar a derramá-lo. E, infelizmente, a memória anda muito por baixo nestes dias.

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