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O futuro da Universidade (1)

por João André, em 20.04.15

Na edição de 28 de Março da Economist surgiu um interessante trabalho sobre a presente situação das universidades (em geral, pelo mundo). Resumidamente, estes são os principais pontos do trabalho:

 

  • O modelo americano de universidades que são também centros de pesquisa foi o mais bem sucedido até hoje para criar conhecimento e atrair estudantes, mas dá sinais de se estar a esgotar.
  • O modelo americano é contudo aquele que tem sido seguido como modelo para a maioria das universidades do mundo inteiro.
  • Os rankings são uma excelente forma de avaliar a excelência das universidades como centros de pesquisa mas falham quando se tenta avaliar a qualidade do ensino.
  • Possuir um diploma ainda é – em geral – garantia de melhores salários ao longo da vida profissional (cerca de 15% por ano).
  • Tal melhoria de salário leva a uma enorme corrida aos lugares nas universidades, as quais – se privadas – fazem subir as propinas dos alunos (só nos últimos 5 anos terão subido mais de 50%).
  • A excelência das melhores universidades no modelo americano leva a uma enorme concorrência no acesso às mesmas. Sendo que as melhores universidades têm a ganhar em ser exclusivas, isso leva a que mantenham os custos muito altos (ou os aumentem) e não abram mais vagas.
  • Tal selectividade das melhores universidades é vista como a principal razão para as empresas procurarem diplomados das mesmas, i.e., as empresas procuram os alunos que foram pré-seleccionados pelas grandes universidades e não se focam naquilo que os alunos aprenderam.
  • Os pontos acima levam a que as universidades se foquem na investigação e desinvistam no ensino, uma vez que aquela leva a melhorias no ranking e este os influencie menos. Isto reflecte-se também nas atitudes dos professores, que darão prioridade às suas investigações.
  • O actual sistema – associado ao aumento de custos com saúde e reformas que advêm do envelhecimento da população – levarão a que o ensino universitário se torne cada vez mais caro. Cabe aos governos encontrar formas de democratizar novamente o acesso à universidade num mundo onde é cada vez mais necessário formar pessoal qualificado.
  • A revolução digital ainda não se estendeu à universidade e ainda não deu os frutos esperados. Três razões são identificadas: conservadorismo das universidades e professores; as universidades temem perder essa imagem de exclusividade se democratizarem os seus cursos e mantêm os custos dos e-cursos elevados; este tipo de e-ensino é mais simples de oferecer a adultos como forma de fornecer qualificações extra (funciona perfeitamente em modo pós-laboral).

 

Penso que os pontos acima resumem (bastante) o essencial do trabalho. Espero não ter cometido erros nem esquecido nada (se o fiz, peço já desculpa). Há obviamente várias explicações, especialmente na forma como os diversos pontos se influenciam mutuamente. Num próximo post deixo a minha própria reflexão sobre o trabalho e sobre o futuro da Universidade.

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