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O fim do sonho em seis segundos

por Pedro Correia, em 22.11.18

 

Cinquenta e cinco anos depois, o mistério permanece. Quem foi o cérebro do assassínio de John Fitzgerald Kennedy? O 35º presidente dos Estados Unidos terá sido vítima de um psicopata de 24 anos, munido de uma espingarda de 12 dólares que o alvejou com três tiros certeiros ao fim da manhã de 22 de Novembro de 1963 em Dallas, pondo fim em seis fatídicos segundos ao sonho americano?

Poucos acreditam hoje nesta versão do atirador solitário, tanto mais que o suposto homicida, Lee Harvey Oswald, viria por sua vez a ser assassinado, dois dias após a morte de Kennedy, na própria sede da polícia de Dallas por um indivíduo ligado à Mafia, chamado Jack Ruby.

A verdade é que nasceu aí a chamada “maldição Kennedy”, que viria a fazer outras vítimas. Três delas mulheres de algum modo ligadas ao jovem presidente que permaneceu apenas 1037 dias na Casa Branca.

 

 

A primeira foi amante de Kennedy entre 1961 e 1963. Chamava-se Mary Pinchot Meyer: era uma das mulheres mais deslumbrantes de Washington naquela época. Segundo os registos da Casa Branca, entrou 13 vezes no edifício naqueles dois anos –  a última visita ao presidente ocorreu escassos dias ante do crime de Dallas. O seu fim foi igualmente trágico: em Outubro de 1964, quando passeava junto a um canal em Georgetown, foi alvejada com dois tiros – um na cabeça, outro no coração. O assassino nunca foi capturado.

Outra tragédia envolveu uma jornalista da estação televisiva ABC, que gozou de uma fugaz celebridade. Lisa Howard tinha 37 anos em 1963, quando funcionou como intermediária entre Kennedy e Fidel Castro. Deslocou-se várias vezes a Havana, nesse ano, e tornou-se íntima dos dois dirigentes, formalmente inimigos. A morte de Kennedy inviabilizou a aproximação a Cuba. Lisa não tardou a ser despedida da ABC. A 4 de Julho de 1965, ingeriu uma dose fatal de barbitúricos.

Outra celebridade televisiva da época era Dorothy Kilgallen, única jornalista que conseguiu entrevistar Jack Ruby na prisão e se preparava para contar a história dele num livro. Também ela apareceu morta, no seu apartamento, a 8 de Novembro de 1965. Os capítulos do manuscrito sobre Ruby nunca foram encontrados.

 

Uma das mortes mais misteriosas de pessoas ligadas a John Kennedy ocorreu escassos dez dias após o assassínio do presidente. A 2 de Dezembro de 1963, Grant Stockdale, grande amigo de Kennedy, caiu de uma janela do seu gabinete, situado no 13º andar de um prédio de escritorios em Miami. Não deixou bilhete de suicídio.

Stockdale, corretor da Bolsa e antigo embaixador norte-americano na Irlanda, andaria com problemas financeiros e a notícia do assassínio de Kennedy ter-lhe-á agravado uma depressão. Mas não faltou quem especulasse que alguém o empurrara da janela para calar segredos ligados ao trágico fim do presidente. Meses antes, quando velejavam em Palm Beach, Kennedy perguntara-lhe: “Achas que vou ser assassinado?” A pergunta – premonitória – ficou a pairar para sempre na memória perturbada de Grant Stockdale.

“Teria Oswald agido sozinho?”, questionava a capa da Life, na edição de 25 de Novembro de 1966. Poucos acreditam hoje nisso. E a maldição Kennedy permanece.

 

Texto reeditado

 

 

Imagens:

1. John Kennedy  

2. Mary Pinchot Meyer

3. Grant Stockdale com Kennedy

4. Lisa Howard com Fidel Castro

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18 comentários

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De Bea a 22.11.2018 às 06:14

Não era apenas o sonho americano; nele, ia também o sonho de todos nós. Há pessoas como Kennedy, invulgares, capazes de corporizar os sonhos de meio mundo. E eu diria que o meio mundo as deseja com veemência. Risco que os falsos profetas confirmam, mobilizando forças opostas, castigadoras e que supostamente darão aos mais espoliados o que lhes falta.
Pergunto-me como seria o mundo se Kennedy não tivesse sido assassinado.
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De Luís Lavoura a 22.11.2018 às 10:27

ia também o sonho de todos nós

Como bem cantava António Variações, e tens na tua voz a voz de todos nós!
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De Pedro Correia a 22.11.2018 às 11:31

Variações cantou a Kennedy?
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De Anónimo a 22.11.2018 às 15:51

O Pedro não se lembra?
Fez um dueto com a Marilyn num Happy Birthday do Mister President.
Que seria de nós sem o Lavoura para nos refrescar a memória...
Maria
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De Pedro Correia a 22.11.2018 às 17:07

Exactamente, Maria. Nessa altura ele era conhecido pelo nome artístico Tony Variations.
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De Bea a 22.11.2018 às 21:15

:)
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De Pedro Correia a 22.11.2018 às 13:17

Paradoxalmente, creio que Kennedy consegue ser uma figura mais inspiradora por ter sido brutalmente assassinado do que seria caso tivesse cumprido o mandato que não chegou a concluir e reeleito para um mandato seguinte, com fim em Janeiro de 1969.
A História, muitas vezes, é assim: escreve direito por linhas tortas.
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De Bea a 22.11.2018 às 21:21

Bem verdade. Isabel Allende conta num dos seus livros que uma vidente lhe disse que a filha seria mundialmente conhecida. E foi. É. Mas por ter morrido bem jovem, com uma doença de nome porfíria e a mãe a ter imortalizado na obra que lhe dedicou, "Paula". Há coisas a que só o tempo dá verdade; e outras a que nem ele, permanece oculta.
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De Pedro Correia a 22.11.2018 às 21:39

Na verdade assim é, Bea. Os desígnios do destino são insondáveis.
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De Pedro Vorph a 22.11.2018 às 09:25

Excelente, Pedro!
Será que umm dia saberemos?

Recomendo o soberbo filme JFK, de Oliver Stone, e o livro Cross Fire de Jim Mars.

Outra adenda. Muitos dos implicados eram para além de homens da noite, donos de casas de alterne, em Nova Orleães, colaboradores da CIA, anti-castristas ferrenhos, e homossexuais (Clay LaVerne Shaw,David William Ferrie)
"conhecidos" de J. Edgar Hoover. Aliás o irmão e o presidente queriam destituir Hoover do FBI, pelas suas práticas "pidescas".
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De Pedro Correia a 22.11.2018 às 13:11

Gosto muito de 'JFK': belíssima ficção, no tempo em que Stone fazia bons filmes.
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De Pedro Vorph a 22.11.2018 às 13:54

Uma ficção nada comparável à da "bala mágica" da comissão Warren!
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De Pedro Correia a 22.11.2018 às 17:08

Não menospreze os dotes do ficcionista Stone, capaz de ter imputado ao vice-presidente Johnson a autoria moral do assassínio de Kennedy.
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De Luís Lavoura a 22.11.2018 às 10:01

amante de Kennedy entre 1961 e 1963. Chamava-se Mary Pinchot Meyer: era uma das mulheres mais deslumbrantes de Washington naquela época. Segundo os registos da Casa Branca, entrou 13 vezes no edifício naqueles dois anos – a última visita ao presidente ocorreu escassos dias ante do crime de Dallas

Quer dizer que Clinton não foi o primeiro presidente a dar pinocadas na Sala Oval... Há mais vestidos manchados de esperma...
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De Pedro Correia a 22.11.2018 às 13:15

Direito de pernada. Próprio de uma república com influências monárquicas.
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De Luís Lavoura a 22.11.2018 às 13:52

uma república com influências monárquicas

... que os EUA, de forma muito evidente, são.
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De Pedro Correia a 22.11.2018 às 17:08

In God they trust.
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De Luís Lavoura a 22.11.2018 às 17:13

... all others pay cash.

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