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O fim da Turquia secular.

por Luís Menezes Leitão, em 13.07.20

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Por muito que os livros nos revelem a situação de um país, a melhor forma de o conhecer é visitando-o. As minhas impressões sobre a Turquia resultavam do livro de Samuel Huntington, O choque das civilizações, que curiosamente a qualificava como um Estado dilacerado em termos civilizacionais, uma vez que tinha destruído todo o conhecimento que possuía, quando Ataturk determinou o uso do alfabeto latino em vez do árabe, impedindo as novas gerações de ter acesso à cultura turca antiga. O autor referia que o grande movimento histórico do final do séc. XX era o ressurgimento islâmico, mas deixava a Turquia de fora, devido à sua laicidade.

Visitei a Turquia em 2014 e o meu conhecimento sobre o país alterou-se completamente. Explicam-me que a alteração do alfabeto era irrelevante, uma vez que no início do séc. XX quase toda a população era analfabeta e o alfabeto latino adequa-se muito melhor à língua turca, pelo que facilitou a alfabetização. E explicam-me também que Ataturk sabia perfeitamente que a população turca era maioritariamente islâmica, pelo que deixou três instituições para salvar a laicidade do Estado: as Universidades, os Tribunais e o Exército. Seriam essas instituições que, após a sua morte, manteriam a Turquia laica.

Quando se entra em Santa Sofia em Istambul, fica-se maravilhado com a cúpula e com a recuperação dos frescos bizantinos, escondidos durante tanto tempo. Aprendemos, aliás, que o Império Bizantino, sobre o qual nos falavam no liceu, nunca tinha existido, pois foi sempre designado por Império Romano até ao seu derrube por Mehmet II em 1453, um drama tão grande para o Ocidente que a data ficou a marcar o fim da Idade Média. Mas Santa Sofia sobreviveu, tendo sido convertida em Mesquita, até que Ataturk a laicizou, convertendo-a num museu.

Ataturk fez o mesmo a outras Santas Sofias na Turquia, designadamente em Trabzon, que tentei visitar. Totalmente impossível, uma vez que tinha voltado a ser convertida em Mesquita. Apenas podemos espreitar à porta, estando as paredes interiores completamente cobertas por panos brancos que não nos deixam ver as pinturas. Apenas de uma porta lateral é possível ter um vislumbre dos magníficos frescos que os panos brancos tapam. O guia compreende a nossa desilusão, mas diz-nos para nos prepararmos pois, cedo ou tarde, o mesmo iria acontecer à Santa Sofia de Istambul: "A população islâmica não permite que um edifício consagrado como mesquita deixe de ser uma mesquita. Foi assim em Trabzon e vai ser assim em Istambul. Vai ser muito mau para o nosso turismo, mas é um movimento imparável". Na altura pensei que não fazia sentido essa previsão, até porque em Istambul existe ao lado de Santa Sofia a magnífica Mesquita Azul, mas pelos vistos enganei-me.

Em qualquer caso, isto significa que Erdogan acabou por destruir a herança de Ataturk. Depois de dominar todas as instituições que este tinha deixado para conservar a laicidade do Estado, destrói agora o principal símbolo internacional dessa laicidade. Santa Sofia pode continuar a ter o aspecto imponente de fora, mas o deslumbre que tínhamos ao entrar nela está definitivamente perdido.


37 comentários

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De Luís Lavoura a 13.07.2020 às 11:10

Independentemente de simbolismos (Turquia secular versus Turquia religiosa, etc), eu não entendo porque é que um edifício que foi concebido para rezar não deverá continuar, precisamente, devotado a esse fim.
Se a Sagrada Sabedoria (que é o seu nome verdadeiro) foi concebida para se rezar, parece-me normal e adequado que continue a ser utilizada para isso. Desde, claro, que haja fiéis para isso.
Também há por aí muitas igrejas muito bonitas que não se pode visitar porque estão sempre fechadas. Templos religiosos não são supostos ser museus, mesmo que até sejam muito bonitos.
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De V. a 13.07.2020 às 16:49

O palácio do Rato também foi concebido como residência particular — agora é um centro de dia para criminosos. É assim a vida.
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De Anónimo a 13.07.2020 às 21:22

As igrejas que não se podem visitar, infelizmente, não o são por deliberação da religião católica, elas estão a ser vítimas da existência de alguém que se possível já as havia destruído.
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De Luís Lavoura a 14.07.2020 às 15:48

As igrejas estão em geral fechadas para evitar os roubos. Ou seja, as igrejas estão fechadas pela mesma razão pela qual a generalidade dos edifícios o está.
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De Anónimo a 13.07.2020 às 22:37

Se o Luís Lavoura tivesse lido, o que está em causa não é quem reza dentro de Santa Sofia, mas os magníficos mosaicos bizantinos que lá existem e que eu gostaria de um dia mostrar à minha neta. Ou pensa que os muçulmanos irão rezar numa sala encimada com a virgem Maria com o menino Jesus ao colo?
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De Luís Lavoura a 14.07.2020 às 15:53

Os mosaicos bizantinos continuarão lá, não serão destruídos. Poderão ser filmados e exibidos na internet, ou em livros de arte. Já montes de igrejas foram convertidas em mesquitas, na Turquia, e isso não acarretou a destruição de quaisquer obras de arte; as obras apenas foram ocultadas dos muçulmanos que rezam. Os turcos não são iconoclastas selvagens, que se vão por a destruir as obras de arte cristã.
É verdade que todos nós gostaríamos de ver muitas coisas, mas todos nós sabemos que não teremos oportunidade de ver a maior parte das coisas que gostaríamos de ver.
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De V. a 13.07.2020 às 11:23

Olha que novidade. Continuem a deixá-los entrar.
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De Anónimo a 13.07.2020 às 12:08

Não é o fim da Turquia secular.

É o nascimento da Turquia Imperial.

Se os jornais e jornalistas portugueses continuam a ser a mesma mediocridade ninguém noticiou que navios turcos iluminaram com radar director - em linguagem militar é uma ameaça - uma navio da marinha francesa que se deslocava para interceptar um cargueiro suspeito de armas para as forças na Libia apoiadas pela Turquia. A França retirou-se e a NATO ficou calada.

Erdogan já falou desde Jerusalém ao Sul de Espanha. Caso ainda não tenham entendido o Império Otomano está de volta.

lucklucky

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De Chuck Norris a 13.07.2020 às 13:07

Os europeus são uma anedota e não é de agora.
Somos mansos e queridinhos com toda a gente, recuamos a bem da imagem e dos direitos internacionais, mesmo quando os direitos dos europeus são colocados em causa.
Temos medo de tomar posições firmes e o resultado é que ninguém nos teme e ninguém nos leva a sério.
Os jihadistas formados e treinados nos países vizinhos, muitas vezes pelos próprios regimes, continuam a matar e a aterrorizar, mas os europeus não se atrevem a tomar posições de força, porque parece mal e não é politicamente correto.
Aquando dos atentados em França há 3 anos, as forças armadas deslocaram-se para a Síria, de modo a dar uma resposta aos crimes, para logo a seguir fugir a correr, porque a UE não achou bonito.
A NATO é uma anedota, pelo simples facto de ter na sua estrutura uma grande parte de países da UE. Uma das suas premissas é de que um ataque a um membro da NATO, é um atentado a todos os países da NATO. Mas depois vem a UE dizer que não pode. Existe um claro conflito de interesses e ideais entre as duas organizações, apesar de a UE não fazer nada para proteger a integridade dos estados membros.
Em Israel raramente se verificam atentados. Porquê? Porque as consequências seriam devastadoras. Ninguém se atreve.
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De Luís Lavoura a 13.07.2020 às 14:54

O navio da marinha francesa estava a violar um embargo ao fornecimento de armas aos rebeldes líbios decretado pelas Nações Unidas. Fez portanto muito bem o navio turco em, pelo menos, sinalizar a ilegalidade que o navio francês estava a cometer.
A França é a França, como toda a gente sabe, mas não pode continuar a fazer merda na Líbia impunemente.
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De Anónimo a 13.07.2020 às 20:56

"O navio da marinha francesa estava a violar um embargo ao fornecimento de armas aos rebeldes líbios decretado pelas Nações Unidas. Fez portanto muito bem o navio turco em, pelo menos, sinalizar a ilegalidade que o navio francês estava a cometer."


O cargueiro é que era suspeito de levar armas para a Líbia e os navios turcos impediram o navio francês de investigar isto quando ambos estavam numa missão da NATO para impedir as armas de chagar à Líbia.

Se você só lê o lixo do jornalismo português então provavelmente não sabe que a Turquia tem drones na Líbia e vário outro equipamento e tropas de apoio? Assim como os Russos e basicamente é essa a guerra. A Líbia via ser partida entre os Turcos e os Russos/UEA.

Obra da louca e incompetente Hillary Clinton+UE que muito pior que só a Líbia de uma penada destruíram qualquer hipótese de algum acordo nuclear e de armas de destruição em massa no futuro com qualquer outro país.
Kadaffi tinha feito uma acordo com a administração Bush.
Ao violar esse acordo sem motivo Hillary tornou o mundo muito mais perigoso. Nenhum ditador vai entrar num acordo do género.

Veja-se este espectáculo:
https://www.youtube.com/watch?v=mlz3-OzcExI

Lembrem-me o que se dizia e diz das mulheres na política?

lucklucky
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De JPT a 13.07.2020 às 17:51

O lucklucky, tal como o autor do post, julgam que ainda devem ser os "Déspotas Esclarecidos", as "Elites Estrangeiradas" e as "Grandes Potências" a ditar o que um estado soberano, com 80 milhões de habitantes e a 19.ª economia do mundo deve fazer com as suas mesquitas e a sua diplomacia. Por muito que nos desagrade, a revogação, por esmagadora vontade popular, de uma decisão imposta por um tirano intolerante (ver Lausanne 1923) chama-se democracia.
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De Francisco Almeida a 13.07.2020 às 20:39

Se por tirano intolerante se refera a Mustafa Kemal (Atatürk) devia ser obrigado a escrever 100 páginas de uma qualquer biografia dele e em seguida, passar o resto do ano no canta da sala com umas orelhas de democrata americano
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De JPT a 14.07.2020 às 10:38

Mustafa Kemal foi o Pai da Turquia moderna e há que respeitá-lo por isso. Foi uma obra monumental, em circunstâncias duríssimas e, por isso, mais do que se justifica que a efígie dele esteja escarrapachada em todo o lado, do Evros aos Eufrates. Mas a nação turca moderna foi, como poderá informar-se sem ter de ler 100 páginas, constituída com base na supressão violenta das outras nacionalidades que partilhavam o território da Anatólia, começando pelo arménios (antes do tempo de Kemal), seguindo-se os gregos (da Jónia, Capadócia e Ponto, acabando-se o serviço com os de Istambul, estes já depois de Kemal), e prosseguindo, até aos nossos dias, com os curdos. Como se não bastasse esta evidência de intolerância nacionalista (aliás, assumida com orgulho), o laicismo militante é mais um caso de intolerância, e melhor do que a história turca, evidencia-o a nossa (chega ler 10 páginas sobre a Primeira República). Quanto a ser um tirano, que pretendia impor a sua vontade (e impôs) a toda uma Nação e moldar, com mão de ferro, uma sociedade, é difícil encontrar exemplo mais óbvio e assumido do que Atatürk.
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De Anónimo a 14.07.2020 às 23:28

Qualquer construtor de nações teve de suprimir ou neutralizar o poder dos que não queriam a nova nação. Mesmo os que apenas asseguraram a sobrevivência das suas nações podem ser objecto de críticas duríssimas maxime Winston Churchill, a hipérbole da democracia.
Se eu quiser apenas demolir, posso acusar D. Afonso Henriques de ter perpetuado uma fronteira no rio Minho, que deveria ter sido um factor de união e nunca da separação do mesmo povo.

Os arménios foram, como reconheceu, perseguidos antes de Atatürk e as suas provações têm semelhanças com as dos judeus. Eram geralmente mais ricos do que a generalidade das populações e preocupavam-se mais com os seus negócios do que com a política e a segurança. Queriam de facto que o governo turco os deixasse em paz mas pouco fizeram para isso. Também não ajudou que os mais ricos deixassem a Arménia para viver em Istambul, no lado aristocrático do Bósforo e que os filhos frequentassem colégios estrangeiros. É acessível a biografia de Calouste Gulbenkian que mostra bem que os grandes negócios dos arménios eram normalmente com companhias estrangeiras em detrimento dos interesses turcos e apoiados pela corrupção dos agentes governamentais turcos, no caso de Gulbenkian, do próprio ministro das Finanças.
Mas as violências populares sobre os arménios foram sempre instigadas e organizadas nas mesquitas, podendo assim dizer-se que a política de Atatürk de reduzir e limitar o poder secular islâmico, terá indirectamente beneficiado a segurança dos arménios. Sem ele teria sido pior.

Os curdos são outra história. Pessoalmente e passe a lamechice, o meu coração sangrou quando soube que Trump tinha mandado retirar as tropas americanas no norte da Síria, deixando os curdos expostos. Aos curdos, faltou ao longo dos séculos um D. Afonso Henriques ou um Atatürk. Se o tivessem tido, hoje o Curdistão seria um país e os mapas da Turquia, Irão, Síria e Iraque seriam diferentes.

Essa do laicismo militante tem algo de contraditório, quando muito ateísmo militante. A primeira República não foi laica, militante ou não, foi ferozmente anti-católica. A Carbonária mais tarde alargada a quartéis e sindicatos foi uma organização terrorista cuja violência não nascia de explosões acidentais mas era estratégica e visava a neutralização dos inimigos não se detendo no assassínio. Houve violência na Turquia de Atatürk mas, diferentemente dos portugueses nunca ninguém disse que os turcos tinham brandos costumes. E não foi uma violência sistemática nem pode, tanto quanto julgo saber, ser assacada a instigação directa de Atatürk.

Um tirano que queria impôr a sua vontade a um país. Mas que vontade era essa?
Uma sociedade ocidentalizada, um ensino laico com conselhos científicos nas universidades, eleições com mais de um partido!
Atatürk é o único estadista que conheço que, tendo prestígio para encenar um golpe de Estado, saíu do exército, abandonando um importante comando militar para criar um partido político que depois o levaria à presidência. É dos muito poucos que autorizou um partido de oposição e que o deixou governar quando ganhou as eleições. Partiu da Idade Média e enformou um país que não era a Suiça mas era melhor do que a Hungria, isto em 25 anos, tempo de uma geração. Concerteza que não era a Madre Teresa de Calcutá mas tirano com mão de ferro é mais do que um exagero, é injusto.
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De JPT a 15.07.2020 às 10:07

Curioso como concordamos em quase tudo menos do que respeita à qualificação de Mustafa Kemal. Os tiranos são tiranos, ainda que o apreço por eles varie. Por exemplo, um, espectacularmente corrupto, têm uma estátua na principal rotunda de Lisboa, outro, nem um museuzeco em Santa Comba pode ter. Mas não é por a gente gostar da obra de um e não gostar da obra do outro que ambos deixam de ser tiranos - ou autocratas, ou ditadores benevolentes, ou déspotas esclarecidos (tomato, tomatoe). Erdogan, até pode querer sê-lo, mas, como provam a colossal derrota eleitoral que sofreu nas últimas eleições locais, não é. Mustafa Kemal, que só largou o poder quando morreu, foi-o. A obra dele, como tudo o que é político, pode-se debater, pôr em causa e reapreciar, desde logo a visão de que tudo o que era europeu era bom e tudo o que era "asiático" era mau, que se impunha no auge do imperialismo, mas, agora, nem tanto.
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De Francisco Almeida a 16.07.2020 às 18:11

A nossa discordância não está apenas na qualificação de Kemal. De facto, está no uso que dá à palavra tirano.
Se fôr ao Google e introduzir "tirano" obtém os três sentidos para a palavra: usurpador, injusto e cruel, que se coloca acima da lei e da justiça.
Justiça, justo e injusto são conceitos dirigidos a uma pessoa singular - justiça colectiva, justiça social, etc., são simplificações ou erros - pelo que têm uma certa carga subjectiva. Por isso fiquemo-nos com a crueldade, a usurpação e a lei.

Não me parece que crueldade seja adequado a Atatürk, a Salazar ou a Pombal mas, a ser, será apenas ao último.

Quer Atatürk quer Salazar ascenderam ao poder por meios legítimos; um foi eleito, outro recebeu o poder de um Exército que o conquistara. A Politologia reconhece que a soberania pode ser e é muitas vezes "de facto" e a sua legitimidade ganha-se e perde-se pelo seu exercício e pela adesão ou rejeição posterior. De maneira mais clara, o 28 de Maio teve em si a mesmíssima legitimidade que o 5 de Outubro e Salazar recebeu o poder, não o usurpou.
Também Pombal recebeu o poder do soberano mas aí com um senão, pois hoje sabe-se que a carta de D. João da Cunha que o recomenda ao rei, é apócrifa. Nesse aspecto, é semelhante o caso de D. Pedro do Brasil, pois D. João VI foi assassinado e o documento que nomeia D. Pedro e e a Junta Governativa, uma grosseira falsificação. De facto o caso de D. Pedro será pior pois só conquista o poder com exércitos estrangeiros combatendo contra portugueses.

Não sei tanto da vida política da Turquia que me permita garantir que Atatürk nunca atropelou a lei mas sei o suficiente para dizer que não o fazia frequentemente pois não me lembro de ver citado caso concreto. Já Salazar cumpria rigorosamente as leis e, mesmo mais, respeitava as competências. Ministros que decidiram contra o seu parecer - no ordenamento do Estado Novo, o presidente do Conselho de Ministros podia decidir as políticas mas não podia dar ordens directas aos ministros e secretários de Estado - podem ter sido depois substituídos mas nenhum foi desautorizado.
Já Pombal foi claramente despótico além de, como disse, corrupto.

Assim, pelo sentido geralmente atribuído à palavra tirano, dos três em causa, só Pombal preenche os requisitos.

É interessante a pergunta porque é que um tem a maior estátua de Lisboa e outro não pode ter um museu em Santa Comba. Há várias respostas mas a mais eficaz encontra-se seguindo o conselho que todos ouvimos nas séries policiais: "follow the money". Se não sabe, a recolha de fundos para a estátua do Marquês foi promovida e organizada pela Maçonaria. E agora Salgado já não é o dono disto tudo mas os aventais continuam a ser quem manda nisto tudo.


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De JPT a 17.07.2020 às 16:47

Concedo. Aceito substituir "tirano" por "ditador". Quanto ao mais, assino por baixo (tirando essa tese de D. João VI ter sido assassinado, cujos fundamentos desconheço).
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De Francisco Almeida a 17.07.2020 às 21:14

De forma alguma desejo que permaneça no desconhecimento.

F.E. Rodrigues Ferreira
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Eduardo_Rodrigues_Ferreira
fez a investigação entre 1997 e 2000 o que foi noticiado em alguma imprensa.
Em 2002 duas revistas portuguesas, repescaram o que fôra publicado como se de novidade se tratasse (típico da imprensa que ainda hoje temos).
Em 2008 a Câmara Municipal de Lisboa publicou um livro de F.E. Rodrigues Ferreira "Causas de Morte de D. João VI."
As conclusões de Rodrigues Ferreira, então doutorando em Arqueologia Forense, foram escrutinadas pelos seus pares e corroboradas usando diferente método o que foi publicamente apresentado ainda em 2002:
M.L. Carvalho, C. Casaca, A.S. Cunha, J.P. Marques e M.I. Marques, “O rei D. João VI foi envenenado? Detecção de arsénio nos restos mortais com técnicas de raios-x”, Poster apresentado na 13ª Conferência Nacional de Física, Évora, 6 a 10 de Setembro de 2002.
"Abstract
Arsenic and other heavy metal concentrations in post mortem soft tissues from a Portuguese King of the nineteenth century were studied by energy-dispersive x-ray fluorescence analysis. This work is an attempt to clarify the strange death of the King, through the analysis of his post mortem soft tissue remains, which were kept inside a Chinese porcelain container since his death in 1826. The container was put in a wooden coffin and buried underground in a chapel of the St Vicente de Fora Monastery in Lisbon. Quantitative elemental analysis of the remains showed very high concentrations of arsenic and lead, which on average correspond to a few hundred times the mean normal values for contemporary human soft tissues. Increased levels of Cu were found, and also small enrichments for Fe and Zn, probably due to either enrichment during the 175 years or contamination by direct intake from the container, or both. The results obtained are consistent with acute arsenic poisoning, reinforcing the conclusions from the medical anatomical–pathological report, based on the analysis of the fragments by scanning electron microscopy. Copyright © 2002 John Wiley & Sons, Ltd."

Permita-me o desabafo de que acho extraordinário que, cerca de 18 anos depois, nada tenha sido alterado em manuais escolares e que o assunto permaneça ignorado pela grande maioria dos portugueses.
Revolta-me profundamente que continuem ignoradas as causas próximas de uma guerra civil de seis anos, que foi um dos mais tristes e negativos períodos da história nacional e incipientemente, da história europeia.
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De JPT a 20.07.2020 às 11:20

Agradeço muito a informação. É, de facto, chocante que tal descoberta não tenha sido destacada e passado a fazer parte do "canon" histórico. Tentei localizar o livro que refere, mas não consta do catálogo da biblioteca municipal, nem dos alfarrabistas que estão online. Enfim, há que procurar mais!
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De Francisco Almeida a 21.07.2020 às 14:39

Aí não posso ajudar. No final de 2011, início de 2012 mantive uma polémica sobre a questão da sucessão de D. João VI e já nessa altura não encontrei o livro na Biblioteca Municipal.
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De Anónimo a 13.07.2020 às 21:03

Primeiro a Democracia pode ser Totalitária. No caso é Autoritária. Basta ver a violência dos dos Islamistas de Erdogan e a perseguição legal e extra legal.

Segundo alguém pôs em causa a legitimidade da Turquia decidir o que bem entender até destruir a Igreja/Mesquita/Museu?

Estranho que você se diz democrata mas não quer críticas à Turquia.


lucklucky
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De JPT a 14.07.2020 às 10:20

Não tenho nada contra críticas a Turquia (actual e passada). O que não falta é matéria. E o que não falta a Erdogan são tiques e práticas autocráticas (incluindo na estupidez arrogante de mandar repetir eleições ,para perdê-las por muito mais). Mas enquanto os eleitores turcos, na sua maioria, os tolerarem, há que respeitar a sua vontade. Eles bem sabem o que tinham antes. Eles têm a justa medida do progresso da Turquia naquilo que lhes importa - e que sim, também inclui a restituição simbólica do mais importante templo do país. Tenho de facto, tudo, contra falsificações da história, como converter Mustafa Kemal num democrata tolerante (nada de estranho num povo que qualifica de "patriotas" Gomes Freire e D. Pedro, Imperador do Brasil). E tenho tudo contra aqueles que só são democratas até lhes desagradar o resultado das eleições. Como aqueles que choram pelas vítimas do General Pinochet (ou desenterram o Generalíssimo Franco) e vendem armas ao General Sisi.
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De Anónimo a 15.07.2020 às 03:36

"Não tenho nada contra críticas à Turquia (actual e passada)."

"há que respeitar a sua vontade."

Tradução por favor.


Já foi bom dar armas a Estaline?

lucklucky
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De JPT a 15.07.2020 às 09:49

1. Não ponho em causa o que os turcos façam com as suas mesquitas (algo que a Santa Sofia é desde o Século XV), como espero que não nos venham pedir para musealizar a Sé de Lisboa se lá encontrarem um mihrab e um minbar (que hão-de lá estar, suponho) - conto que não se destrua património cultural, o que não irá suceder (até porque rende muito dinheiro); 2. "If Hitler invaded hell I would make at least a favourable reference to the devil in the House of Commons."
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De Vento a 13.07.2020 às 12:54

Se algo nos revela a história é o facto de que na história nada é definitivo. Se é verdade, e é, que arte também é liturgia não menos verdadeiro é que a palavra Sofia nos remete para o significado de Sabedoria. Portanto, é a Sabedoria que santifica. No cristianismo o óleo da verdadeira Unção leva por nome Espírito Santo. O Espírito Santo nunca fala sobre Ele mesmo e nunca aponta para Si, mas para Aqueles que nós cristãos designamos por Pai e por Filho, Filho do Pai.
O Pai, como verdadeira e imutável Sabedoria, em Seu Filho, o Cristo, vem transferir o templo material edificado pelas mãos do Homem para o Corpo que é templo único, último e definitivo de Sua acção Redentora. Corpo este destruído na Cruz e levantado do túmulo por esse mesmo Espírito que desde logo se transforma em sinal de morada em todos os homens, cujo sinal nos é dado pelo rasgar do véu no Santo dos Santos do templo material de Jerusalém no momento da morte do Ungido. Deus deixou de habitar nos templos de pedra para se transferir para o mais intimo no intimo de cada pessoa.

Vem esta introdução a propósito da transformação da Igreja de Sofia Santa em mesquita para homens, e continuar esta reflexão que presumo ser civilizacional.

Coincidente ou não, depende do olhar de cada um, esta pandemia ocorre em plena época Pascal. Pessoalmente entendo que esta foi a verdadeira celebração Pascal, pois nos relatos bíblicos da passagem do mar para a terra da liberdade o mundo de então foi fustigado por inúmeras pragas, desde o carbúnculo até a invasão dos gafanhotos e o não menos esquecido e possível acontecimento de um maremoto com erupção vulcânica que terá contribuído para o fluxo e refluxo do dito mar, ou de juncos ou vermelho, pois a acção das cinzas sobre as águas poderia intoxicá-las e levar também à alteração da cor e à morte dos peixes, que ocorreu, ajudando com sua deterioração à propagação de outras doenças levadas por moscas e insectos.
Também foi verdadeira na medida em que se nessa primeira Páscoa (Passagem) já se encontrava prefigurado no cordeiro imolado, cujo sangue ungiu portas e aduelas para proteger das pragas os que se entendiam eleitos, o sangue do Cordeiro que mais tarde viria a ser sacrificado e exposto na Cruz, fora de muros de Jerusalém cidade, como proscrito e numa verdadeira alusão ao significado esquecido de cidadania.

É o acontecimento na Cruz que nos revela a Sua transferência do templo material para o templo físico e espiritual do Homem.

Se algo também nos confirmou esta pandemia foi na realidade que os cultuadores, guardadores e administradores dos templos continuam órfãos em contraponto aos verdadeiros filhos que no Filho de Deus cultuam em Espírito e Verdade a Sabedoria Divina.
No caso dos cristãos, e em particular dos cristãos nas diversas igrejas portuguesas, reféns que se encontram do culto do templo e dos donos dos sacramentos que nem sempre cultuam o Verdadeiro Sacramento - "pois quero a Sabedoria divina e não os sacrifícios, e o Conhecimento de Deus e não os holocaustos" -, talvez esta mudança na Turquia da igreja para mesquita seja sinal providencial para que Sofia (Sabedoria) se transfira para o coração de cada um.
No livro antigo, Prov. 2,1-9, fica claro o significado de "temor de Deus". Temor de Deus significa vigiar; e vigiar significa buscar aquilo que se deve e ainda não tem: Sabedoria. Para A ou O encontrar é necessário inclinar-lhe o coração, não como deuses mas como humanos.
Portanto, que os templos fiquem para quem neles quer morar e habitar.
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De Anónimo a 13.07.2020 às 13:37

https://www.elmundo.es/internacional/2020/07/13/5f0bf62921efa087648b46ed.html

"Erdogan destaca la vuelta de Santa Sofía como mezquita como el primer paso de un "renacimiento" islámico que debe llegar hasta Al Andalus."

À boa maneira Palestiniana dizem uma coisa em Árabe/Turco(?) outra em Inglês.
Parece que só quando lhes toca ser o próprio país jornalistas se interessam.

lucklucky


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De Anónimo a 13.07.2020 às 17:53

A arte, como a luz, não é para ser escondida. E isto devia valer sob qualquer governo. Que os princípios da arte atravessam os da política, mas os políticos passam e a arte fica. E ser vista é o seu fim.
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De Luís Lavoura a 14.07.2020 às 15:57

A maior parte das obras de arte são propriedade privada e, sim, só é visível para o seu proprietário.
Eu no meu gabinete tenho algumas obras de arte (de artistas de qualidade terciária, claro), e, sim, elas só são visíveis por mim, ou pelas poucas outras pessoas autorizadas a entrar no meu gabinete.
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De Anónimo a 13.07.2020 às 20:18

E avancarem militarmente... No Iraque, Líbia... Deve estar a implodir mais um conflito com os arménios... É inacreditável que a Nato permita a expansão Islamica... Portugal, praticamente, sozinho, conseguiu para a expansão islâmica no planeta Terra... depois integrou a Nato e.... Nunca o Islão teve tanto poder após a queda do Império Católico de Portugal!!!
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De Francisco Almeida a 13.07.2020 às 21:27

Foi o mesmo Mehmet II quem se tornou senhor de Trabzon (mais conhecida por Trebizond(e) possivelmente por influência da então dominante cultura francesa) quando David, o último imperador, a ele se rendeu. Nessa época a população de Trabzon era constituída por cristãos, muçulmanos e arménios (em sobreposição) mas os cristãos eram 85% e as ligações à Europa eram fortíssimas com destaque para as repúblicas de Veneza e Génova.
Quando Atatürk iniciou a sua carreira política, abandonando o comando militar que detinha para formar um partido político, a Turquia era governada por um poder dualista, o califa e o sultão que Atatürk neutralizou, primeiro o religioso, depois o imperial para fundar a república. Ao contrário dos ditadores mais comuns, foi sempre alargando as liberdades mantendo o poder autoritário apenas nas áreas essenciais ao seu desejo de ocidentalizar a Turquia (o mais expressivo exemplo eram as escolas, totalmente dominadas pelo ensino exclusivamente religioso que Atatürk foi substituindo pelo ensino laico à medida que conseguiu formar professores).
Neste quadro, a questão das igrejas em Trabzon e de Santa Sofia, não era apenas manter o espaço religioso pois, no quadro geral de aproximação ao Ocidente e existindo população cristã que desejava recuperar algumas dessas antigas igrejas cristãs, a acção de Atatürk não pode ser reduzida ao contexto espaço religioso versus espaço laico mas tem que ser apreciada num quadro de modernização rápida de um país que tinha uma organização política medieval para um país moderno e isto num quadro de relativa moderação, sem eliminação violenta de minorias nem favorecimento excessivo de outras. Não é por acaso nem me parece errado que a Wikipedia lhe chame ditador benevolente.
A Turquia resistiu tenazmente ao expansionismo soviético quer pela constante pressão numa enorme fronteira quer pela permanente tentativa de subversão interna. Foi membro fundador da NATO e tem as maiores forças armadas da organização depois das americanas mas ultimamente já adquiriu as últimas baterias de mísseis à Rússia.
Para mim, o drama não é o abandono do laicismo pelo regresso ao Islão mas o abandono da Europa, como meta e como parceiro, por um rumo oriental que levará mais tarde ou mais cedo a um confronto directo com o Irão ou - Deus nos livre! - um entendimento com este último para uma direcção conjunta do mundo Islâmico.
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De Anónimo a 14.07.2020 às 11:13

"Para mim, o drama não é o abandono do laicismo pelo regresso ao Islão mas o abandono da Europa, como meta e como parceiro, por um rumo oriental que levará mais tarde ou mais cedo a um confronto directo com o Irão ou - Deus nos livre! - um entendimento com este último para uma direcção conjunta do mundo Islâmico."

Você não pode esperar que a Turquia siga a Europa o que implica respeito e admiração quando a cultura de desconstrução Marxista que domina no Ocidente implica o ódio e a falta de crença na própria civilização.

lucklucky
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De Anónimo a 14.07.2020 às 22:14

A questão é que a Turquia não queria apenas seguir a Europa, queria ser integrada na Europa. Isso foi-lhe prometido por mais do que uma vez mas sempre adiado a pretextos diversos designadamente por aspectos menos democráticos que obstariam à imediata admissão. Mas a verdade é que no alargamento admitiram-se países com fragilidades democráticas e na actualidade, Polónia e Hungria estão pior do que estava a Turquia antes de Erdogan e mesmo no início do governo deste.
A (minha) verdade é que há afinidades históricas entre a Turquia e a Alemanha o que levaria muitos turcos a escolherem a Alemanha como destino migratório e a Alemanha tem uma forte componente xenófoba em relação aos turcos e por isso, com o auxílio também da França, sempre conseguiu evitar a admissão turca.
Acontece que a Turquia, pela sua história recente, tem uma absoluta necessidade de fortalecer a sua identidade e, tendo-lhe sido negada a integração europeia, vai voltar-se para o mundo islâmico, levando com ela as maiores forças armadas da NATO depois das norte-americanas.
Não creio que possa correr bem nem para o Médio-oriente nem para a Europa.
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De João Pedro Pimenta a 15.07.2020 às 03:17

Influência francesa? À época, a influência seria mais da parte de Veneza e sobretudo Génova, referidas no sue comentário, dada a sua expansão para aqueles lados.

Acredito muito pouco numa aliança Turquia-Irão. Sempre foram adversários ferozes, são culturas distintas e rivais, até pelo confronto sunismo-xiismo e competirão sempre pela supremacia regional. Mais depressa vejo a Turquia aliada da Arábia Saudita e dos EAU, e mesmo assim com reticências, porque os turcos sempre trilharam um caminho próprio.
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De Anónimo a 15.07.2020 às 13:07

Desculpe mas expliquei mal por não querer alongar-me. A influência francesa não era a dessa época mas a dominante em Portugal em livros de história por que nos chegou o conhecimento.

Não creio que se trate apenas de uma supremacia regional mas de algo de muito maior que é a direcção política do mundo islâmico. É o desígnio das actuais autoridades iranianas e os políticos ocidentais erram clamorosamente quando reduzem a um conflito entre as autoridades religiosas extremistas e o governo moderado pois ambos querem exactamente o mesmo apenas divergindo nas tácticas. Resumindo: o Islão já foi chefiado por árabes e por turcos, agora é a vez dos persas.
Por isso me arripiei com Obama e Hillary a fomentar as primaveras árabes pois se os 100 milhões de egipcios viesse a alinhar com os cerca de 80 milhões de iranianos a demografia seria decisiva, os restantes países caíriam como castelos de cartas e a Europa ficaria cercada não apenas por um mundo de pobreza mas por um mundo de hostilidade. Talvez a Arábia Saudita com cerca de 35 milhões pudesse resistir mas isso só seria possível com ainda mais apoio dos EUA - que Obama reduziu - mas então ficaria isolada no mundo islâmico.

Tem razão na irredutibilidade entre sunitas e chiitas mas isso não me tranquiliza completamente. Como já foi aqui observado, mais do que o fim do laicismo, há sinais de retorno ao império e o choque com o desígnio do Irão é imediato. Ora suponho que os dirigentes de ambos os países percebam as consequências de um conflito armado e o tentem evitar procurando competir no alargamento das esferas de influência por outros meios que serão a tentativa de subversão dos regimes moderados e mais ou menos pró-ocidentais do norte de África e sobretudo a campanha contra Israel, único ponto de possível união de todo o Islão.
Acontece que o império Turco tem um historial de pragmatismo (bem demonstrado quer pelo regime de propriedade da terra, quer pela maneira como contornou a "sharia" atribuindo os mesmos direitos judiciais e hereditários à mulher enquanto pela sharia aquela só valia metade do homem) e não me parece impossível que esse pragmatismo possa levar a negociar objectivos políticos comuns apesar do conflito religioso. Sobretudo se houver um mediador
poderoso, credível e interessado como já é a Rússia de Putin, cuja inteligência e voluntarismo em termos comparativos, deixa as lideranças ocidentais na sarjeta.
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De xico a 13.07.2020 às 22:45

Destruir os mosaicos bizantinos de Santa Sofia, ou mesmo tapa los está ao nível da destruição dos budas de Bamyan. É isto que está em causa.
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De sampy a 13.07.2020 às 23:28

Hoje Hagia Sophia, amanhã Al-Aqsa.

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