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O figurão

por Pedro Correia, em 15.05.19

berardo.jpg

Anda agora muita gente indignada com as baboseiras de Berardo, que vai gozando à brava com o pagode - desde os tribunos de São Bento aos meretíssimos dos tribunais, passando pela banca que lhe foi prestando vassalagem sem cuidar da idoneidade financeira do figurão.

Mas convém avivar memórias: quando o indivíduo foi duas vezes condecorado por diferentes Presidentes da República ninguém soltou sequer uma palavra de perplexidade - começando por alguns patrões da imprensa, que andavam com ele ao colo. Quando perseguiu jornalistas que ousavam enfrentá-lo com histórias incómodas (e um deles chegou a ser destituído das relevantes funções que desempenhava num importante periódico português devido às pressões exercidas pela criatura junto da estrutura accionista), nem o mais remoto brado de indignação se ergueu. Quando fez um acordo leonino com o Estado para exposição pública dos quadros que acumulara, não faltaram basbaques em fila a elogiar-lhe o "gosto artístico". Quando se vangloriava de vinhateiro, logo surgia gente de cálice em riste a brindar com moscatel, entre mil hossanas em letra impressa ao putativo "mérito empresarial" do cavalheiro.

Tantos anos depois, ei-lo enfim sujeito às indignações da turba. Chegam tarde. E, em certos casos, tresandam a hipocrisia.

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42 comentários

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De Vorph Valknut a 15.05.2019 às 13:42

Já agora aposto o meu rim esquerdo que Berardo nada fez de ilegal e vai sair-se com a sua. Mais uma "PPP" daquelas que a malta já está habituada.
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De Zeca a 15.05.2019 às 14:10

"que Berardo nada fez de ilegal e vai sair-se com a sua"
A coisa é muito difícil de entender para quem não tenha conhecimentos especiais. Do que ouvi na TV a juristas e outros, começo a estar convencido de que é como diz: ele não fez nada de ilegal.
E até me parece que quem fez o que não devia foram os que aprovaram os empréstimos de que ele beneficiou. Mas destes não se fala. Não terão eles responsabilidades? Ficam impunes?
Quanto às condecorações, discordo de que se retire uma condecoração que num momento datado foi considerada merecida. Discordo de que se tente alterar o passado. Além de que dois presidentes que o condecoraram não podia adivinhar o que ele iria fazer no futuro.
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De Luís Lavoura a 15.05.2019 às 16:38

Aquilo que Berardo fez é aquilo que milhares de empresários portugueses, grandes e pequenos, a todos os níveis, fazem: ficou com dívidas que não pode pagar, transferiu todos os seus bens para outro sítio qualquer, e a Justiça assim não lhe pode arrestar nada.
Não sei se é legal se é ilegal, mas sei, sem sombra de dúvida, que é uma prática correntíssima em Portugal. Por exemplo, contrai-se dívidas em nome de uma empresa, depois transfere-se todos os bens dessa empresa para uma nova empresa que se dedica a exatamente a mesma atividade que a anterior (e tem os mesmos donos), depois não se paga a dívida e, quando o tribunal vai a ver, conclui que a empresa que a contraiu não a pode pagar porque nada tem em seu nome. O banco fica a arder e o empresário continua a sua vida como se nada fosse.
Conheço (de ouvir falar) montes de casos destes. É a coisa mais corrente que há em Portugal.
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De Vorph Valknut a 15.05.2019 às 19:30

"Não sei se é legal se é ilegal, mas sei, sem sombra de dúvida, que é uma prática correntíssima em Portugal."

Diria mais. Portugal e arredores...veja-se o Donaldo Trampas

https://eu.usatoday.com/story/news/politics/elections/2016/06/01/donald-trump-lawsuits-legal-battles/84995854/

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