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O factor grego

por Pedro Correia, em 28.07.15

rradical-leftist-syriza-party-alexis-tsipras[1].jp

 

A errática actuação do executivo de coligação em Atenas formado em Janeiro pelo Syriza e o Anel - partidos com a eurofobia como único traço identitário comum - começa a ter reflexos nas intenções de voto um pouco por toda a Europa. A experiência de poder da chamada esquerda radical, confrontada com a iniludível crueza dos factos, tem decepcionado uma fatia imensa de apoiantes que ainda há seis meses estavam convictos de que havia uma "verdadeira alternativa" ao Tratado Orçamental na eurozona. E nem preciso de evocar aqui as citações que venho enumerando na minha série Grécia Antiga para ilustrar esta diferença abissal entre os doces desejos e a amarga realidade. Basta recomendar a leitura atenta desta excelente reflexão de Jorge Bateira, insuspeito de simpatias pelo pensamento liberal ou conservador.

"Quando convocou o referendo, Tsipras tinha a obrigação de aceitar o repto da direita e dizer ao povo grego que a experiência de longos meses de negociações falhadas o obrigava a concluir que um “não” implicava a provável expulsão de facto do euro através do BCE. O que se seguiu foi penoso e humilhante. Uma pesada derrota para a esquerda que ainda acreditava na mudança da UE por dentro, uma derrota que terá repercussões negativas nos resultados eleitorais do Podemos em Espanha", escreveu aquele economista, na passada sexta-feira, no jornal i.

Tocou no ponto certo - como aliás ficou bem evidente logo dois dias depois, na sondagem divulgada este domingo no El País  sobre as intenções de voto dos espanhóis nas próximas legislativas. Os números demonstram uma queda abrupta do Podemos: dez pontos percentuais num semestre (28,2% em Janeiro, 18,1% em Julho) e mais de três pontos num só mês (em Junho tinham 21,5%).

 

Questões de âmbito interno ajudarão a explicar este recuo da esquerda radical espanhola, que há 14 meses irrompeu na cena política conquistando mais de um milhão de votos nas europeias. Com um líder telegénico, Pablo Iglesias, e um programa que mistura marxismo e populismo em doses bem estudadas, o Podemos prometeu "revolucionar" a política espanhola e pôr fim à "casta" dominada pelas duas maiores famílias ideológicas, a conservadora e a socialista. No início de 2015 chegou a liderar as intenções de voto.

A queda entretanto registada explica-se em grande parte pelo factor grego, que não deixará de ter também repercussões em Portugal. Nada mais natural, atendendo ao desvario estratégico do executivo de Atenas - que, sabe-se agora, chegou a ter preparado um  plano de abandono unilateral da eurozona que despenharia fatalmente a Grécia no caos financeiro.

Um plano que não avançou, por um lado, devido à escassez de reservas monetárias do país e, por outro, devido ao bom-senso revelado por Moscovo e Pequim: em ambas as capitais, Tsipras e o seu ex-protegido Yanis Varoufakis escutaram palavras cheias de realismo político. A Grécia falida não vale um conflito global com o Ocidente. Sobretudo agora, que a Rússia mergulha na recessão e a queda das bolsas chinesas começa a alarmar o planeta financeiro.

 

Entretanto já se anuncia um novo pacote de austeridade ainda antes de entrar em vigor o terceiro resgate de emergência à Grécia. Tornando ainda mais longínqua aquela demagógica proclamação de Tsipras na noite de 25 de Janeiro, enquanto celebrava a vitória eleitoral: "Vamos deixar a austeridade!"

Palavras prontamente desmentidas pelos factos.

Por tudo isto, o factor grego continuará a pesar na opinião europeia. E ajudará a determinar o desfecho das próximas contendas eleitorais no continente - queiram ou não queiram todos quantos ainda há pouco apontavam o Syriza como bóia salvadora.

Alguns já perceberam que andaram a aplaudir meros vendedores de ilusões. E talvez subscrevam agora o diagnóstico certeiro de Jorge Bateira: "A derrota do governo grego foi causada, em última instância, por uma cegueira ideológica que o impediu de perceber o significado do impasse em que caiu e de, a partir daí, mobilizar o povo grego para a aceitação das implicações últimas da recusa da austeridade."


48 comentários

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De lucklucky a 28.07.2015 às 15:12

"diagnóstico certeiro de Jorge Bateira: "A derrota do governo grego foi causada, em última instância, por uma cegueira ideológica que o impediu de perceber o significado do impasse em que caiu e de, a partir daí, mobilizar o povo grego para a aceitação das implicações últimas da recusa da austeridade."

Não há diagnóstico certeiro, uma nova moeda não implica o fim da austeridade, ainda menos da falsa austeridade que temos. Para isso o FMI não teria cá vindo com o Escudo duas vezes em 10 anos.

Uma nova moeda implica um enorme custo logístico que associado à desvalorização coloca a maior parte dos produtos do Séc XXI que os Gregos compram muito mais caros - são quase todos importados.

Como essa nova moeda ficaria nas mãos de "idiotas úteis" marxistas - nem sequer comunistas puros e duros -seria de esperar a loucura ao nível do nosso PREC e o caminho para uma Venezuela ou Argentina com assaltos a supermercados, um aumento exponencial do crime...
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De Pedro Correia a 28.07.2015 às 21:31

O pior cego (ideológico) é aquele que não quer ver.
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De materialético a 28.07.2015 às 15:21

As implicações da recusa da austeridade serão ainda mais austeridade,é o milagre da dialéctica.
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De Pedro Correia a 28.07.2015 às 21:29

Fruto do materialismo histriónico.
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De William Wallace a 28.07.2015 às 16:04

O Pedro Correia (e outros fora daqui) bateu-se incansavelmente aqui durante longos 6 meses pela derrota de uma possível alternativa que ao que parece mais não era que social-democracia.

Fez o seu papel, denegriu até onde pode qualquer argumentação utilizada pelo lado moderado, o lado que pensa que o seu 1º ministro de uma "nação" a mendigar na beira da estrada deveria ter pelo menos ficado calado, não achincalhar um pobre diabo (Grécia) como a Pátria (Portugal) que governa.
Infelizmente o bom aluno que entrava mudo e sa ia calado da sala após apresentar sofríveis resultados e que só passava na avaliação porque o seu caso ia sempre a conselho de turma e beneficiava de uma benevolência que agora não quis dar, não porque quisesse, nunca o poderia ter feito porque se encontra na mesma situação mas em vez disso armou-se em galo cantador e prestou-se a colagens tristes que desprestigiam Portugal enquanto Nação que já algumas vezes beneficiou da ajuda de outros tal como também já ajudou.

É mais que óbvio que a CAPITULAÇÃO Grega terá impactos muito negativos em todos os Países Periféricos da Europa (não só UE), Portugal e os Portugueses ficaram muito mal no enredo porque interesses que não os da PÁTRIA foram novamente privilegiados.

A Factura de tal comportamento vem já a seguir !

Quanto ao Pedro Correia e os demais decerto o futuro poderá ser mais alegre, limpo, mais branco e sobretudo mais feliz pois o seu altruísmo em prol do seu próximo será valorizado e sobretudo compreendido.
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De lucklucky a 28.07.2015 às 19:28

Sim como se um país com dívida estável e défice zero fosse mau...

No fundo é o texto de um socialista ingrato. Que tal devolver os subsídios Alemães desde a entrada na CEE?
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De E a Alemanha devolve o quê? a 29.07.2015 às 00:00

A troco de a Alemanha devolver o que ganhou desde aí.
Como se a Alemanha não tivesse sido até hoje quem mais beneficiou com o euro.
Como se a Alemanha não se estivesse a financiar a juros negativos.
Como se a riqueza não estivesse a ser transferida dos países periféricos para os do Centro, especialmente a Alemanha.
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E se a Alemanha devolvesse tudo o que recebeu depois de 1945, como prémio pela brilhante obra de destruição da Europa?
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Há tolos, como o senhor, capazes das tolices que só um cerebrozito tomado por fanatismo ideológico consegue produzir.
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De Costa a 29.07.2015 às 09:44

Já seria talvez tempo de deixar de invocar esse argumento do dinheiro que a Alemanha recebeu após 1945. Fazê-lo é comparar o incomparável; é sugerir (sugerir, apenas?) que os alemães são por definição nazis e lhes cabe geração após geração e até ao fim dos tempos pagar por isso; é ser-se ou extraordinariamente ignorante - e a ignorância tende de facto a ser fonte das mais sólidas certezas - ou tomado de uma má-fé extrema ao querer assimilar o incomparável no grau de destruição num e noutro países e as circunstâncias de política internacional de um e outro momentos.

Uma coisa foi a clara destruição física da Alemanha, estado em que estava em 1945 em resultado de uma guerra terrível (e não é preciso recordar que desencadeada pela actuação do regime que a governou) e o interesse legítimo do campo ocidental em fazer prosperar a parte do território alemão que ocupava, à luz do resultante confronto latente entre os blocos vencedores.

Outra coisa foi o descalabro de economia grega, dolosamente conseguido pelos gregos - pois que o foi pelos seus próprios governantes, democraticamente eleitos (e suponho que largamente impunes, por conta desse possante escudo chamado "responsabilidade eleitoral") - em tempo de paz, em tempo de longa e próspera paz na Europa. Mas descalabro da economia, ainda assim, e não a redução à ruína absolutamente inoperante de um país.

Uma coisa é sair - e sair derrotado - de uma guerra mundial sobre cuja devastação julgo que seria ocioso procurar por aqui elaborar (e não foi, como é de uso dizer-se, pela "linda cor dos olhos" dos alemães que eles foram auxiliados como foram; antes por interesses que muito os ultrapassaram). Outra é manobrar deliberadamente mal e numa visão eleitoralista, nepotista e de permanente curto prazo, falseando pressupostos e deixando uma economia à mercê de um período de recessão mais forte.

É absolutamente legítimo invocar o terrível drama, real ou potencial, de tantos e tantos gregos (e será aflitivamente simples, creio, fazê-lo: bastará recorrer ao que por cá todos conhecemos, seja pela comunicação social ou pela sorte que vimos tombar sobre amigos ou familiares, ou sobre nós próprios, e multiplicar isso por generoso factor); é absolutamente legítimo questionar o método da austeridade a todo o custo, cegamente aplicada, como solução (e o seu cortejo de pobreza incessante, castigando - é um facto - essencialmente inocentes); é absolutamente legítimo invocar os perigos da humilhação reiterada, deliberada ou como consequência (e recordar com erudita cópia de detalhes, a propósito disso, a Alemanha pós-armistício a pagar e pagar sem fim às potências vencedoras, fazendo caindo Weimar, e até voltar a sentar-se, personificada num ditador louco, naquela específica carruagem de comboio, naquele mesmo lugar, agora como vencedora sedenta de vingança).

É até legítimo - porque esse direito é um pilar da nossa sociedade - aplaudir entusiasticamente um novo grupo de governantes que perante um país falido e um povo desesperado, desejoso de ouvir ser possível outra coisa que não a realidade, promete o absurdo, renega em seis meses tudo o que prometeu, ziguezagueia entre o alinhamento com os seus credores e declarações delirantes ao estilo do vigente socialismo sul-americano, afunda ainda mais o país, leva-o a ter que aceitar ainda mais duras condições e até parece que tinha um plano secreto de subversão das próprias estruturas do estado, culminando - decerto para êxtase das vanguardas da nossa esquerda - na prisão do primeiro responsável do banco central grego.

Mas um módico de seriedade mandaria que se deixasse de invocar, nesta questão, o auxílio à Alemanha após 1945 (que, ainda por cima e ao contrário de outros estados e dos auxílios a eles prestado, terá feito bem diligente uso dele)

Costa.

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De Tanto palavreado para quê? a 29.07.2015 às 12:47

Senhor Costa:
Com tanto palavreado esqueceu-se de comentar as minhas primeiras 4 frases: o essencial do meu comentário.
Se reparou, a referência à II GG foi circunstancial, por isso a pus entre 2 linhas.
Foi só para lembrar os esquecidos que, perante situações difíceis, há que criar condições para que os países sobrevivam e paguem o que for possível pagar, independentemente de terem de fazer os sacrifícios necessários a tal.
Sobre a estratégia suicidária e provocadora do Syriza, não deixa de ser estranha a admiração escandalizada de certas virgens pudicas em relação ao Plano Varufakis de saída do euro e haja naturalidade em relação ao Plano Schäuble de expulsão da Grécia do euro.
Já sei, é a Alemanha que paga, logo, dita as regras, pois, paga com o dinheiro que sacou primeiro às periferias, por via de uma economia que funciona com uma moeda disfuncional para uns e altamente funcional para ela, daí que o seu PNB tenha vindo a suplantar o seu PIB nos últimos anos: isto é, entram mais recursos dos países da periferia que o que saem da Alemanha para esses países.
Quanto a isto: SILÊNCIO absoluto, não convém, borra a narrativa dominante.
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P. S. Sabe que na década de 90 a Polónia reivindicou um perdão de dívida de 80%. Foi-lhe concedido 50%. Porquê? Porque interessava económica e estrategicamente à Alemanha. Alguém se escandalizou com isso? Parece que não.
E lá não houve deboche na governação como na Grécia nem Syrizas.

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De Costa a 29.07.2015 às 14:24

Caro sr . sra ?) De Tanto palavreado para quê? (ou deverei dirigir-me a si como E a Alemanha devolve o quê?),

Não esqueci, não. Creia. Apenas não considerei - não considero - haver quanto a isso algo a comentar. Não no estrito âmbito desta troca de comentários, pelo menos. Não me parece que essas suas linhas iniciais levem a mudar uma linha do que acima escrevi. Se não se importa, é meu direito pensar assim. Admito todavia que lhe custe. É a vida.

Já essa sua alusão "circunstancial" - circunstancial ou não, ficou feita e as tais duas linhas se algo fazem é conceder-lhe destaque - encerra em si, pelo menos potencialmente, todo um programa, como por estes dias se diz

Saberá perdoar, rogo-lhe, mas - que se há-de fazer? - são duas características minhas, a seu ver sem dúvida graves defeitos: 1- o poder de síntese não será o meu forte - e deve vir daí "o tanto palavreado para quê" (mas eu explico: para tentar apresentar e fundamentar o que penso; sem dúvida uma inaceitável presunção a seus olhos, embora me pareça que V. faça por aqui o mesmo); 2- tenho o perigosíssimo hábito de pensar pela minha cabecita, fraca que seja, sem me alinhar servilmente por esta ou aquela linha, ideológica ou outra.

De modo que comento aqui o que quero, apenas o que quero e nos termos em que quero, sem outra minha limitação apriorística além da elementar boa-educação. Cabe aos responsáveis pelo blogue, no âmbito do seu poder de moderação, que todos implicitamente aceitamos ao andar por aqui, publicar ou não o que eu comente. E outra limitação não me passa pela cabeça que me seja imposta, aqui no D. O.

O que, admito das duas palavras, muito lhe desagradará.

Costa

Ps.: quanto a Polónia, claro que o interesse da Alemanha pesou (e você acredita piamente em puras solidariedades e apoios desinteressados na política internacional, é isso?). Como também deve ter pesado e muito isso que você escreve depois: "E lá não houve deboche na governação como na Grécia nem Syrizas ". Q.E.D.

Costa
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De William Wallace a 29.07.2015 às 00:20

Luck vá chamar xuxalista ao 44 !

Recuso totalmente esse rótulo, aliás nem sei para que me dou ao trabalho de lhe responder, tudo o que não esteja dentro do que você defende (que nem você sabe o que é) é por si considerado de socialista.

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De lucklucky a 29.07.2015 às 03:58

:) Eu considero todos os que defendem mais de 1/5 de riqueza nas mãos do Estado Socialistas. Logo é natural que considere maior parte das pessoas e partidos socialista. Incluindo a senhora Merkel.
Mas há 40 seria considerado um quase social democrata.

De qualquer modo...quando o chamei de socialista até estava a ser benevolente, pois ainda há alguns socialistas que sabem fazer contas.


No entanto como era esperado não respondeu à questão. Não consegue pois não?
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De jo a 29.07.2015 às 12:44

lukyluke
O sr. considera socialista tudo o que o incomoda. Assim por definição o socialismo é mau.

Também por definição os bicos-de-papagaio são socialistas.
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De William Wallace a 29.07.2015 às 13:43

Quer-me parecer que pela sua lógica até o Dr. Salazar era socialista !

Quanto á devolução dos subsídios da UE, este resgate + juros do mesmo correspondem grosso modo ao que recebemos por isso as contas serão saldadas quando o mesmo for pago, o que duvido muito que aconteça sem no entretanto contrairmos ainda mais divida como aliás os números mostram já descontando o resgate e a reformulação do perímetro de despesas do Estado.

Eu pensava (sinceramente) que este resgate era para nos ajudar mas afinal ainda estamos pior e só não vê isso quem não quer, além de nos terem retirado alguns dos últimos meios que restavam ao Estado para pagar dividas ou actuar na economia não permitindo actuação de cartel em sectores estratégicos, etc.

P.S. - Você de certeza é daqueles que prefere que o seu filho ande numa escola "privada" subsidiada pelo orçamento do estado, ora eu tenho uma visão completamente distinta que é, se é pago / subsidiado pelo Estado é do Estado e tem de estar ao serviço do Estado que é a sociedade, todos nós.

Os "lucros" não podem ser privados e os prejuízos socializados, é devido a isso que a "crise" ainda não desapareceu nem desaparecerá, ela veio para ficar até alguém dizer basta mas no entretanto é o melhor meio para tornar reféns Nações sem ser pela força das armas.

Cumps
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De lucklucky a 29.07.2015 às 18:11

Quer-me parecer que pela sua lógica até o Dr. Salazar era socialista !

O Salazar era Socialista na política e nos costumes e na sua não aceitação do mercado/industria livre.
Não era Socialista na parte dos impostos - que eram baixos - na dívida e comparativamente na mais diversa regulação que hoje temos, mas esta ultima parte era mais por o Estado(e a tecnologia) na altura de Salazar ainda não estar tanto desenvolvido como hoje com inúmeras burocracias.
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@ De William Wallace

P.S. - Você de certeza é daqueles que prefere que o seu filho ande numa escola "privada" subsidiada pelo orçamento do estado, ora eu tenho uma visão completamente distinta que é, se é pago / subsidiado pelo Estado é do Estado e tem de estar ao serviço do Estado que é a sociedade, todos nós."

Fantástico. Então aí já quer as "dívidas" pagas e as continhas certas pior que um suposto verdadeiro "alemão" puritano das finanças.

Mas ao contrário já não respeita quem contribui para esse "seu" dinheiro do Estado não é? Esses já não têm direito a ser exigentes para onde vai o seu dinheiro.

Para si , aqueles que você despreza - como eu - mas que contribuem para o seu Estado devido a violência que você diz que o Estado deve poder usar para a obter já não têm direitos nenhuns sobre onde o seu dinheiro deve ser gasto.

O Dinheiro é do Estado, é seu mesmo que tenha sido obtido por violência do Estado sobre de pessoas que não querem por as suas crianças no Estado.

Se quer aparentar um pouco de justiça só tem uma coisa a fazer: Faça uma comuna com aquele que pensam como você. Contribua para o estado nas coisas que você concorda e eu faço o mesmo.
Aí eu respeito-o e você respeita-me.

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De William Wallace a 29.07.2015 às 23:50

O Estado somos todos Nós e não deve estar refém de interesses particulares como acontece há dezenas de anos.

Se não consegue perceber isto, não sei como hei-de explicar-lhe.

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De T a 28.07.2015 às 20:20

"Infelizmente o bom aluno que entrava mudo e sa ia calado da sala após apresentar sofríveis resultados e que só passava na avaliação porque o seu caso ia sempre a conselho de turma e beneficiava de uma benevolência que agora não quis dar, não porque quisesse, nunca o poderia ter feito porque se encontra na mesma situação mas em vez disso armou-se em galo cantador e prestou-se a colagens tristes que desprestigiam Portugal enquanto Nação que já algumas vezes beneficiou da ajuda de outros tal como também já ajudou."

Só uma mente muito distorcida é que pode achar que tudo o que o Governo português fez desprestigiou Portugal. Só em Portugal é que o bom aluno é visto como mau da fita (explica muita coisa também). Isto em comparação com o que a Grécia fez nos últimos anos, a atitude dos gregos perante os problemas, acusando tudo o que podiam sem nunca se dar conta que grande parte do problema é seu e culpa sua, e em especial o triste espectáculo que este governo grego fez e continua a fazer.

Achar que o nosso é um mau exemplo e o outro é que é bom é muito sintomático de um certo Portugal, pouco patriota, pouco sério, pouco responsável, pouco dado a cumprir, muito dado ao espectáculo, muita parra pouca uva.

É alias para isso que pagamos os ordenados de toda uma oposição que está confortavelmente nesse sector, diz mal de tudo, colhe os piores exemplos e recusa-se a aceitar a realidade interna, externa e governar com cabeça. Isso dá muito trabalho, essa coisa da realidade, vamos é dizer umas balelas e levar a votos um programa baseado em ideologias fracassadas. A desculpa é sempre a mesma se não resultarem, a culpa é dos outros.
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De William Wallace a 29.07.2015 às 00:34

Tudo o que o Governo de Portugal fez nesta situação desprestigiou e muito a Nação Portuguesa, disso ninguém tenha dúvidas.

Foi o que quis realçar, no fundo é a típica mentalidade tuga impregnada no povo desde a 1ª república de invejar o que o vizinho pobre tem ou possa vir a ter em vez de almejar sair da sarjeta pelos seus meios e elevar-se entre os demais.

A ponderação aconselharia sempre uma atitude muito low profile sem procurar ficar em bicos de pés numa situação em que teríamos eventualmente algo a ganhar num futuro próximo, no fundo era actuar como tinha sido até agora (até 2015) entrar mudos nas reuniões do conselho e sair calados, mais fácil era dificil.

O T nem se apercebe ou já não se lembra que este governo nem um ano lectivo consegue começar, ou que teve o sistema de Justiça parado 2 meses, se você se orgulha disso então deve mesmo andar a precisar de óculos e aparelho auditivo.

Quando Sócrates saiu nunca pensei que seria possível descer mais baixo, mas afinal foi possível.



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De cristof a 28.07.2015 às 16:36

Sempre achei que o governo de Atenas, só mostrava uma incompetência e irresponsabilidade tenebrosa; bem lia as opiniões de todos, a tentar vislumbrar aqueles indícios de "mudança" que nunca vi; encerrei a curiosidade quando aqueles incompetentes, deixaram fechar os bancos.
Agora que vejo as acusações de planos para uma moeda própria, não entendo porque , para além da acusação de inconseguimento ( incompetência em versão AR), se ataca tantos os Varofakis; afinal sempre eram menos irresponsáveis do que julguei: tinham um plano B; como é norma na esquerda de quermesse, tem boas ideias só que os genes não os deixam ser eficientes.
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De lucklucky a 28.07.2015 às 19:24

Se chamas "plano B" a criar uma moeda por 5 gatos pingados - um deles dedicado ao hacking -para uns milhões de pessoas...
Se fosse para o jogo de monopólio da escola ainda se compreendia...
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De Há coisas que não podemos... a 28.07.2015 às 19:13

Um plano de abandono unilateral que passava, como o ex-ministro contou e está disponível na net para ser escutado, sem possibilidade de desmentido, por autorizar um amigo a fazer uma cópia clandestina, para um computador seu, de todos os dados fiscais de cidadãos e empresas gregas, que seria a base para criar um sistema financeiro paralelo capaz de fazer a Grécia voltar ao dracma “num piscar de olhos”, é uma coisa que as isabéis moreiras que por aí há acharão extremamente sexy...
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De Pedro Correia a 28.07.2015 às 21:27

O Big Brother é sexy, porra!
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De isa a 28.07.2015 às 20:43

O comentário que deixei no poste - O cavalo de Tróia do euro - do Luís Menezes Leitão em 27.07.15 - serviria para deixar aqui, como, por lá, disse, o que se passou na Grécia só nos mostrou que já nem sequer estamos "entre a espada e a parede" será mais... "Grab by the balls"
Claro que qualquer país pode sair mas, teria de estar mentalizado para passar ainda pior do que com as medidas de austeridade, ora não estou a ver o povo grego (nem o povo português) querer passar a viver com quase nada, numa economia de sobrevivência, onde quase tudo passaria a, simplesmente, não haver ou com um tipo de inflação galopante ou seja, até poder estar numa fila para comprar bens essenciais, chegar a nossa vez e já estar esgotado. Imagino, na melhor das hipóteses, senhas de racionamento, ou seja, tudo o que já muitos viveram e outros vivem em países com conflitos ou guerras, mas não vejo os actuais povos europeus com "cabedal" para suportar uma crise dessas.
Ora, qualquer governante na Grécia, sabe perfeitamente que se isso acontecesse, os gregos entrariam num grau de violência incontrolável, até o dinheiro do turismo desapareceria com os turistas, porque todas as teorias são muito bonitas, mas passado um certo limite em que não haveria dinheiro para pagar nada, nem reformas pequenas ou qualquer ordenado aos funcionários públicos, passando do pouco ao nada, aí o diabo ficaria mesmo à solta e como nem Rússia, nem China, nem ninguém quer mais complicações do que aquelas que já tem, obviamente, que só um psicopata arriscaria sair de uma situação péssima para uma incontrolável.
Os ricos já levaram quase tudo para os paraísos fiscais e, países em crise, ficariam com o resto da população mergulhada no caos.
De qualquer modo, é só preciso ter calma, porque isto na União Europeia, tudo pode acontecer e, quem sabe, ainda podem acabar por sair todos e aí, pode ser muito mau mas, de certeza, que não será pior do que sair sozinho. O que devíamos estar preocupados era tentar, pelo menos, estar preparados para um plano B, mas isso seria certamente... demasiada areia para as... "camionetazinhas" dos nossos políticos
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De Pedro Correia a 28.07.2015 às 22:36

Em seis meses o fantástico duo Tsipras/Varoufakis conseguiu:
- Rasgar todas as promessas eleitorais - começando pela denúncia unilateral da dívida, a expulsão da tróica e o fim da austeridade;
- Ver evaporados do sistema financeiro grego mais de 40 mil milhões de euros (o equivalente a quase 1/4 do PIB do país);
- Destruir as expectativas de crescimento económico, avaliadas no início do ano em 2,5% para 2015 pela Comissão Europeia, que agora já prevê uma recessão de 4%;
- Isolar a Grécia no Conselho Europeu e no Eurogrupo;
- Hostilizar a Alemanha, que nos últimos 35 anos foi a principal contribuinte líquida para a Grécia em fundos estruturais e nos pacotes financeiros de emergência;
- Infernizar a vida quotidiana dos gregos ao impor o fecho do bancos e decretar o controlo de capitais;
- Levar negas sucessivas de russos e chineses, que têm os seus próprios problemas financeiros e não pretendem de forma alguma alterar o equilíbrio geopolítico de uma região onde já se registam problemas tão graves.
- Dividir por completo as suas próprias fileiras, ao ponto de já se falar na fragmentação do Syriza em vários partidos.

Convenhamos que é obra. Em apenas seis meses.
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De T a 29.07.2015 às 10:02

O mais curioso é que os gregos ainda não perceberam que a austeridade é/foi uma forma de os seus governantes fugirem à seringa das reformas - não seriam aceites, nunca mais seriam eleitos. Alias, reformas essas que visam a corrigir a anarquia fiscal que por lá se instalou há muitos décadas. Apesar de em Portugal muita gente achar que não se fizeram reformas, basta pensar no que éramos em 85 e o que somos agora, pois no caso da Grécia as mudanças deles foram muito poucas em relação a outros países e isso agora nota-se e muito.

Na questão das reformas o exemplo por cá é sintomático. O sentimento tipo rego alias está bem presente, tanto nas bandeirinhas, como naquela barreira que se ergue sempre que se tenta reformar. O paciente, greco-portugues quer sempre um tratamento sem dor, uma reforma que não lhe toque, uma espécie de milagre, "fecho os olhos e quando acordar já está tudo composto, ok?"
Depois esperam milagres e fazem comparações com países do norte, países que sempre se reformaram e fizeram o seu trabalho de casa.

Falta-nos visão estratégica e implicações, missão a longo prazo, espírito reformista, espírito de sociedade. Enfim...
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De Pedro Correia a 29.07.2015 às 12:39

As "reformas", na Grécia, nunca passaram do papel.
Basta salientar que não têm uma máquina tributária minimamente operativa (e daí cerca de dois terços dos gregos fugirem impunemente às obrigações fiscais), não têm um organismo oficial que produza estatísticas independentes e credíveis, não têm sequer um registo predial digno desse nome (grande parte da propriedade fundiária grega tem donos "incertos" ou anónimos).
Pergunto: como é que um país europeu, no século XXI, pode funcionar assim?
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De Manuel a 28.07.2015 às 23:51

É sabido que o PASOK herdou um "buracão" equivalente ao que o nosso actual governo herdou em 2011. Buraco deixado pelo ND (Nova Democracia) entre 2004 e 2009.
É sabido que o PASOK da linha dos Papaandreou subiu e andou no poder à pala da retórica anti-ocidente (se o neto não o fez, fez o pai ou o avô e o povo não é ingénuo, sabe/sabia o que representava eleger um Papaandreou.
Falando em "avô", não esquecer que antes de primeiro ministro ele era arcebispo cristão ortodoxo...
Bastantes evidencias de ligação à Rússia?
Qual a alternativa anti-austeridade/ocidente que foi surgindo após a queda do PASOK? Syriza. O Syriza nasce da vontade do povo grego. É radical porque a maioria do povo grego está radical. Já vem mostrando o seu desejo, em crescente, desde pelo menos 2009.
Agora parece-me que está surgindo um movimento externo à Grécia com o intuito de derrubar o Syriza. Eu acho que conseguem, mas por meios que podem criar ainda mais problemas.
Extrapolando um bocado: correm o risco de lançar o país num estado de sitio capaz de escalar e chegar ao Chipre. Quando chegar ao Chipre temos a Turquia a entrar em defesa dos seus e depois será quase certo entrar a Rússia em apoio aos gregos.
E assim fica feita a formula precisa para introduzir a NATO em defesa de um aliado seu: Turquia.
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De Pedro Correia a 29.07.2015 às 00:48

Nem turcos nem russos se envolverão na crise grega, Manuel. A Turquia tem problemas de sobra, às portas do seu território. Com o pseudo-estado islâmico e a rebelião curda, além de enfrentar o Irão - inimigo tradicional. A Rússia está cheia de problemas internos, mergulhada numa grave recessão e tem a frente ucraniana para lhe suscitar suficientes dores de cabeça.
Atenas terá mesmo de se virar para a UE - como aliás tem feito desde 1981. É de lá que vem a solução. Tudo o resto só ampliaria o problema. Não por acaso a grande maioria dos gregos tem mantido uma firme posição pró-euro: quase ninguém por lá quer o regresso ao dracma, excepto os neonazis e os comunistas da linha mais ortodoxa.
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De Manuel a 29.07.2015 às 01:05

Assim, fica parecendo que a maioria dos gregos que elegeu o Syriza, quer austeridade e apenas enganou-se no votar, pois o Syriza só prometia o fim da austeridade - o fim da austeridade imposta pela EU e companhia.
Não estou vendo o povo grego a aceitar uma queda do Syriza sem que manifestem sua frustração e até a direcionem a um bode expiatório. No Chipre podem encontrar um mesmo a jeito. É só atravessar a “linha verde”.
A Rússia pode ter menos problemas do que julgamos. A aliança com a China parece estar a compensar os desequilíbrios que as sanções do ocidente criam.
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De Pedro Correia a 29.07.2015 às 12:42

O Syriza está já em processo de implosão, pouco mais de seis meses após assumir o poder. Só não vê quem não quer.
É fácil mitificar o partido X ou o partido Y quando se encontram na oposição e se limitam a funcionar como válvulas de protesto. A prova do algodão ocorre quando esses partidos assumem responsabilidades governativas. Isso tem vindo a acontecer na Grécia.
É um contexto que explica - e esse é o objectivo do meu texto - o recuo das intenções de voto na esquerda radical em Espanha. O Podemos, repito, perdeu dez pontos percentuais desde Janeiro e três pontos desde Junho.
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De Manuel a 29.07.2015 às 17:46

Um dia destes você ainda descobre que nenhuma força humana é capaz de dominar toda a humanidade. Nem as regras, nem a justiça, nem todas as forças humanamente concebidas serão capazes de controlar e dominar a ira e a revolta dos Homens que sentirem-se verdadeiramente ameaçados.
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De Pedro Correia a 29.07.2015 às 17:49

Pensamento pouco original, Manuel. Já houve um austríaco com bigodinho ridículo que escreveu coisas dessas num livrinho saído a meio da década de 20 na Alemanha.
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De Manuel a 29.07.2015 às 18:29

Nunca li, nem tenho vontade de ler esses ensinamentos. E fico por aqui, senão ainda acabo julgado como membro do Syrisa. Força nisso.
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De Pedro Correia a 30.07.2015 às 00:12

Se você fosse grego e tivesse votado no Syriza já estaria certamente muito decepcionado, Manuel. Porque nem uma das promessas eleitorais do Syriza foram cumpridas. Pelo contrário, nada do que está a ser aplicado na Grécia constava do cardápio das promessas do engenheiro Tsipras.
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De Manuel a 30.07.2015 às 13:50

Mas não sou, nem sou nazi, ou neonazi. Sou Português e sou a favor de medidas de direita e de esquerda. Geralmente sou a favor de oscilações brandas e equilibradas no Estado. Gosto pouco de embarcar em ilusões e desconfio muito de subidas rápidas, pois anteveem sempre descidas ainda maiores.
Quanto aos gregos e ao Syrisa, acho que o povo grego vê o que está acontecendo com as promessas eleitorais do Syrisa responsablisando imposições externas à Grécia pela destruição dessas promessas e com isso a destruição das suas esperanças(com isto não estou defendendo os gregos, estou apenas transmitindo o que eu acho que estão sentindo). Creio que sentem que são as imposições que os condenam e não o que os conduziu a elas. Os condenam a uma pena que nem eles nem o Syrisa acham justa por isso não a querem cumprir. Alimentam a ideia que foram vítimas de uma fraude, de uma mentira muito maior que qualquer outra que possam apontar ao Syrisa e por isso perdoam as mentiras do Syrisa porque encontram uma justificação para essas mentiras na sucessão dos acontecimentos e nas palavras de Tripsas. O Tripsas está com eles, mantem uma certa moderação, mas está com eles.
Que será da Grécia se os credores permitirem que o Tripsas diga em voz bem alta o mesmo que a maioria do povo grego acredita? Que diga que estão condenados, que diga que a Democracia grega não vale nada, que diga que a Soberania grega está perdida nas letras pequenas dos contratos e nos juros dos mercados e que agora os seus donos são os credores?
Esperemos que ele nunca diga estas coisas, mas imagine o que acontecerá na Grécia e ao dinheiro dos credores se ele o disser?
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De Pedro Correia a 30.07.2015 às 20:52

Hoje ouvi Tsipras. Não a falar contra os credores mas contra a ala ultra-esquerdista do Syriza, ameaçando convocar eleições antecipadas para expurgá-los das listas eleitorais.
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De Manuel a 30.07.2015 às 21:20

A priori isso só dá mais consistência à minha tese, pois desconfio da ideia recente que aponta o Tripsas e o Varoufakis como pessoas mal intencionadas ou com segundas intenções. Ao querer afastar os ultras do poder, interpreto como sendo uma tentativa de segurar a estabilidade que ainda vai conseguindo manter. Claro que sempre podemos dizer que ele quer eleições porque sabe que a única maneira que tem para fugir pela porta da frente.
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De Pedro Correia a 30.07.2015 às 22:42

A Grécia continua à beira do abismo. Hoje o FMI admitiu que não irá participar no terceiro resgate grego. Isto poderá dissuadir os alemães de participarem também. Como os russos já bateram com a porta na cara ao Governo Tsipras, e os chineses já fizeram o mesmo, resta ver quem poderá pagar as contas gregas se este terceiro resgate abortar.
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De Manuel a 30.07.2015 às 23:28

Se a UE tivesse uma só cadeira na assembleia da NATO isto era capaz de funcionar, assim como está, isto (UE) vai ser sempre difícil de manter de pé. A ultima da senhora Lagard, a que depois de Tripsas foi a primeira a defender uma restruturação profunda da divida grega e agora que a ameaça de saída da Grécia começa a cair para o lado de não acontecer nos próximos meses, recua dizendo que sem provas e garantias por parte dos gregos o FMI não participara com mais dinheiro até novas ordens. Vamos ver se recuam os restantes, mas para já soa-me mais a “puxar o tapete debaixo dos pés” da UE e a: o “chefão” americano não perdoa um cêntimo do dinheiro que de lá tem para receber. Acima disto tudo só consigo encaixar as peças usando a fórmula: EUA controlam e usam a EU como querem e bem entendem - mas para satisfazer as suas vontades e não as dessa coisa que chamamos de União Europeia.
Kissinger: "if i want to call europe who do i call?"
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De Pedro Correia a 01.08.2015 às 00:01

Os americanos falam muito mas não colocam um dólar na Grécia. Nem têm um cêntimo de dívida exposta à de Atenas.
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De Manuel a 01.08.2015 às 02:39

Sim, realmente estava a ignorar o facto de já terem recebido tudo no passado dia 20. O que não ignorei foi o facto de influenciarem publicamente as negociações com manifestações de intenções de solidariedade para com Grécia, para depois de receberem o seu dinheiro todo, baterem com a porta. Parece-me que não batem com ela apenas na cara dos gregos, como também na cara do BCE e da UE, pelo menos no que a este assunto diz respeito.
Agora estão mais interessados em enfiar dinheiro na Ucrânia. E os ucranianos querem é isso, antes pagar os juros do armamento americano do que ter de pagar os milhares de Milhões que devem em gás à Rússia. De gás que pelo qual a Ucrânia já recebeu e continua a receber muitos milhares de Milhões da UE. Depois admirem-se se um dia destes o Putin mandar destruir aquilo tudo e depois nem gás nem armas… Mas como isto é outro assunto, despeço-me daqui. Até mais.
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De Pedro Correia a 06.08.2015 às 12:39

Até à próxima polémica (civilizada, como é de regra entre nós).
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De Anónimo a 29.07.2015 às 01:48

Eles não venderam ilusões, eles quiseram fazer aquilo que um dia terá de ser feito. A Grécia vai viver eternamente de empréstimos, resgates? Até quando? Até um dia, alguém acordar, muito mal disposto, com o mundo e aí, vai ser o descalabro. A história narra-nos isso constantemente, mas nós esquecemo-nos rapidamente. Ninguém que seja humano pode estar de acordo com o que se está a fazer ao povo grego. Eles não estoiraram com nada. Quem estoirou, quem não soube governar, quem fez trafulhice que pague pelos erros que cometeu, mas esses, nunca pagam, estão sempre imunes a tudo e a todos. É por isto que devemos lutar? É isto que devemos ensinar aos homens de amanhã? Se é isso, devemos preparar-nos para o pior...
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De Pedro Correia a 29.07.2015 às 12:48

Quer maior vendedor de ilusões do que o ex-ministro "sexy porra" Varoufakis? Um indivíduo que fingia dialogar com os parceiros do Conselho Europeu enquanto se deslocava três vezes a Moscovo procurando sinal verde de Putin para pôr a Grécia na órbita financeira (e política) da Rússia.
Um indivíduo que dizia defender o euro, correspondendo à opinião largamente maioritária da população grega, enquanto accionava mecanismos destinados ao regresso ao dracma que passariam pelo confisco das reservas financeiras do país, a destruição das mais elementares garantias de sigilo fiscal dos cidadãos e até a detenção do governador do banco emissor da Grécia.
Um indivíduo que, mal foi confrontado com dificuldades políticas mais notórias, saiu de cena e foi de férias para uma ilha idílica faltando a uma votação crucial no Parlamento. Depois, já de regresso, votou "não" ao memorando financeiro numa sessão e acabou por votar "sim" noutra sessão.
Um verdadeiro troca-tintas. Espanta como é que ainda alguns por cá o apontem como modelo seja do que for.
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De Anónimo a 29.07.2015 às 13:57

Repito, eles não venderam ilusões, eles quiseram fazer o que um dia terá de ser feito. Só posso afirmar que esse senhor fez tudo isso, quando forem confirmados todos esses dados, até lá, uns dizem que sim, ele diz que não e até prova em contrário, resta ao tribunal apurar os factos. No meio de tanta insensatez, com a Grécia, como disse em cima, um dia, muitos acordarão extremamente mal dispostos e aí, já não há UE, BCE, zona euro nem Eurogrupo, aí, é o salve-se quem puder. Isto é simples e escusa-nos a textos longos porque é bem visível que há responsáveis, por toda esta desgraça que continuam imunes e que ninguém os acusa de nada, mas em contrapartida, acusam o povo grego e este governo que não têm culpa dos erros daqueles em quem confiaram, mas que os ludibriaram. Todos os que agora exigem o impossível, porque as dívidas pagam-se com dinheiro e como não o há, empanturram-nos com empréstimos consecutivos, aumentando a mesma, esquecem-se que ao longo dos tempos, alinharam com os prevaricadores porque nunca se preocuparam, se algum dia, os gregos teriam meios de pagar a dívida que acumulava. Está nas nossas mãos dizer não, a tudo que seja sacrificar os povos que são sempre os mártires da ganância dos poderosos.
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De Pedro Correia a 29.07.2015 às 14:49

«Um dia, muitos acordarão extremamente mal dispostos e aí, já não há UE, BCE, zona euro nem Eurogrupo, aí, é o salve-se quem puder.»
Esta conversa vaga e nebulosa, ao jeito do profeta-sapateiro Bandarra, quer dizer o quê? Faz lembrar a conversa daqueles que andam há sessenta anos a garantir que vem aí a III Guerra Mundial. Ou que a Terra será invadida por extraterrestres. Ou que um asteróide vai chocar um dia com o nosso planeta, desintegrando-o.
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De Anónimo a 29.07.2015 às 17:12

Não tem nada de vago nem de nebuloso, é muito séria e clara e é pena que não queiramos ver mais além. Extraterrestres! Não acredito. Nos asteróides já pode dar que pensar. Sabe perfeitamente o que quero dizer e a história tem-nos ensinado que tudo o que escrevi em cima é real, mas nem precisamos da história, pois basta-nos pensar um pouquinho para vermos que isto assim não pode continuar, é impossível!... O tempo passa rápido e se não se resolverem os problemas a pensar no bem da sociedade, mas em vez disso, resolverem os problemas, tendo como alvo, a degradação da mesma, não espere nada de bom porque engana-se. Veremos quem vai ter razão. Se este blog, ainda existir, depois discutiremos quem teve ou não razão.
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De Pedro Correia a 29.07.2015 às 17:21

Se um asteróide nos cair em cima será difícil discutir. Direi mesmo mais: será difícil respirar.

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