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O "exclusivo" de Marcelo na SIC

por Pedro Correia, em 15.10.19

vip-pt-42415-noticia-marcelo-rebelo-de-sousa-o-out

 

Marcelo Rebelo de Sousa revelou à SIC uma das cachas políticas do ano: vai submeter-se a um cataterismo, para avaliar eventuais danos cardíacos e deste exame clínico dependerá uma decisão sua sobre a recandidatura à Presidência da República.

Acontece que a entrevista em que o Chefe do Estado fez esta e outras revelações não foi conduzida por um jornalista, munido do respectivo título profissional, mas pelo director-geral de entretenimento da estação outrora sediada em Carnaxide. O que constitui mais um significativo sinal da desvalorização do papel social dos jornalistas e da sua progressiva irrelevância no circuitos comunicacionais contemporâneos.

Que a SIC, onde trabalham dezenas de jornalistas qualificados e prestigiados, tenha prescindido deles para a obtenção desta informação em exclusivo e que o próprio Presidente da República elegesse como emissário desta novidade alguém ligado à área do entretenimento diz muito sobre a degradação de um ofício hoje invadido a todo o momento por gente que não se inibe de divulgar matéria supostamente noticiosa sem sujeitar o que supõe saber ao crivo do contraditório nem cumprir outras normas deontológicas que só vinculam os portadores da carteira profissional de jornalista.

 

Não passa praticamente um dia sem que, neste ou noutros canais, escutemos comentadores da política ou do desporto difundirem em antena "notícias exclusivas" que muitas vezes são meros rumores, à revelia das respectivas direcções de informação. O caso mais flagrante acontece na área do futebol - a tal ponto que me questiono se continuam a existir jornalistas habilitados a pronunciar-se na área do desporto em qualquer destes canais. Mesmo que a resposta seja afirmativa, o facto é que qualquer deles pouco mais servirá do que para estender um microfone, muitas vezes em "conferências de imprensa" onde não se escuta uma verdadeira pergunta digna desse nome.

Tudo isto deveria preocupar a estrutura dirigente dos jornalistas - se ela existisse. Acontece que esta é a única actividade abrangida por um código deontológico que não está organizada enquanto ordem profissional. Condenados à proletarização, sem condições mínimas para exercer o trabalho, desconsiderados pelas empresas onde prestam serviço e ultrapassados a todo o momento por qualquer "comentador residente" em estúdio, os jornalistas figuram hoje no posto mais baixo da cadeia informativa.

Problema exclusivo deles? Não: é um problema dos cidadãos que tantas vezes preferem ser "informados" pelo que "se vai dizendo" nas redes sociais e elegem as televisões que mais transformam notícias em "entretenimento".

Um problema do País, portanto.


41 comentários

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De jpt a 15.10.2019 às 10:42

Não deixas de ter razão no teu olhar corporativo (não o digo como desvalorizador) mas o que me parece ainda mais relevante é que isto demonstra que o PR - que tem uma longuíssima experiência na comunicação social, como se sabe, o que implica estar totalmente ciente do significado desta sua opção - entende a sua comunicação com o país como algo inserido no "entretenimento". Julgo que nada melhor do que este episódio para o qual alertas sumariza Sousa como presidente.
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De Pedro Correia a 15.10.2019 às 10:53

Marcelo - que teve carteira jornalística e chegou a dirigir dois jornais - é, de algum modo, o precursor do jornalismo que temos. O jornalismo dos "cenários", dos rumores promovidos a notícia, da militância política cruzada com o entretenimento.
Mas nunca como agora se prestou tanto culto à irrelevância e se desistiu à partida de estabelecer fronteiras entre factos e boatos. O outro, no filme, mandava imprimir a lenda. Agora, fantasia ou calúnia perpetuada "nas redes" logo se transfigura em verdade universal.
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De Robinson Kanes a 15.10.2019 às 11:27

Marcelo Rebelo de Sousa é um "entertainer"... No entanto, e respondendo também ao Pedro, neste caso em particular não foi por acaso, como nada o é quando se trata de Marcelo. Marcelo sabe que a história do cateterismo terá mais impacte no registo de um programa destes. Já não é a primeira vez que algo deste género - sabe bem a que público quer chegar.

Em relação ao falar de tudo e de nada independentemente de se ter habilitações para tal, é já uma constante, sobretudo quando se diz falar ou transmitir com absoluta certeza. Também aí, Marcelo é/foi exímio. Nunca tivemos um PR que passou um mandato a enviar indirectas e a lamentar-se disto e daquilo para ser novamente candidato: incêndios, agora a saúde, em tempos a política e até a religião com as jornadas da juventude - no fundo, e com muita culpa para o jornalismo, um mandato em campanha.

No entanto, a culpa também é dos cidadãos que dão mais valor à palavra de "entertainers"; "influencers" ou até "Very Idiot People" ao invés de valorizar os profissionais da área.

Tudo isto também não iliba a tentação jornalística que cada vez menos procura transmitir, optando pela parcialidade.

Problema complexo, Pedro...
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De Pedro Correia a 15.10.2019 às 14:03

Problema complexo, sim. Mas que seria menos grave, na óptica dos jornalistas, se estivessem organizados em ordem profissional - única entidade que devia ser autorizada a regular o acesso à profissão, emitir títulos profissionais e decretar sanções por incumprimento das normas deontológicas.
Na ausência disto, é o salve-se quem puder. Qualquer tipo com um "telefone esperto" se intitula hoje "jornalista". E as pessoas acorrem às redes, para verem vídeos fajutos e textos analfabetos, convencidas de que ficam "informadas".
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De Anónimo a 16.10.2019 às 14:50

Daniel Oliveira é o "condutor" do programa Alta Definição, que semanalmente assina na SIC. Assim, nessa qualidade, entrevistou Marcelo Rebelo de Sousa, que na oportunidade, facultou uma "caixa jornalística", nada mais que isso, estou certo?
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De Pedro Correia a 16.10.2019 às 15:09

Muito mais que isso.
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De Anónimo a 15.10.2019 às 10:53

Este moço, pode ser um bom profissional, como se tem apreciado, a fazer e a deixar brilhar ou outros, a deixá-los exporem-se... tem características de poeta ou escritor romancista e com uma certa psicologia... , mas jornalista não será , pois nota-se-lhe pulso trémulo.
Anda tudo fora dos rodízios - não há elementos adequados aos lugares que ocupam.
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De Pedro Correia a 15.10.2019 às 14:06

Começa a andar tudo trocado. Os jornalistas... "entretêm" e os 'entertainers'... "informam".
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De Anónimo a 16.10.2019 às 16:17

Amigo, por favor não me ponha fora dos rodízios. Adoro a picanha e tudo quanto é servido nos rodízios. Admito, porém, que o Marcelo não goste do rodízio. Ele é mais lancheira e marmita. São gostos.
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De Carlos Faria a 15.10.2019 às 11:18

Não sei se Marcelo deve ou não começar a exigir cartas profissionais quando dá entrevista a um OCS, agora basta ler jornais e ver noticiários nas TV para perceber que quem não se dá ao respeito dificilmente pode exigir consideração.
Jornalistas que dirigem informação ou comentam cheios de agenda ideológica e sem bagagem cultural adequada e a usar a carta profissional como justificativa de rigor para disfarçar a falta de isenção pululam tanto na classe que dentro de pouco tempo se os escassos que respeitam a deontologia não puserem cobro a isto, para procurarmos boa informação temos mesmo de fugir dos que exibem a carteira de jornalista.
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De Pedro Correia a 15.10.2019 às 17:59

Se os jornalistas desaparecessem do mapa e da noite para a manhã a "informação" passasse a ser produzida por não-importa-quem, ficaríamos todos bem pior.
Bem sei que nestes tempos pós-modernos se convencionou passar atestados de aptidão a toda a gente para fazer seja o que for. Lamento, mas esta fantasia não tem a menor correspondência com a verdade. Não é jornalista quem quer, mas quem sabe.
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De Anónimo a 15.10.2019 às 12:29

" à revelia das respectivas direcções de informação."

À revelia?

O jornalismo existe para passar uma mensagem política não existe para informar. E a culpa é principalmente do jornalistas que escolheram a profissão para mudar o mundo e não para fazerem a sua suposta profissão. Também das escolas de jornalismo que os formata para serem todos iguais.
Como são cada vez mais iguais não podem ter sensibilidade para toda a vida que existe no planeta.

Quais os jornalistas que conhecem engenharia?

Da queda do Muro de Berlim à queda do Comunismo Soviético passando ao crescimento do Terrorismo Islâmico, do suposto fim do petróleo ás supostas "alterações climáticas", das crescentes dívidas e das bolhas de crédito os jornalistas falharam em tudo.
Tudo isto aconteceu de surpresa, ou não aconteceu distante de como os jornalistas nos disseram que aconteceria

A degradação da profissão deve-se ao falhanço generalisado para prever o que vem aí- que é suposto ser uma das vantagens de se ter informação e assim ter vontade comprar jornais.
E falham porque a profissão de jornalista afunilou ainda mais para começar politicamente , depois cada vez menos conhecimento técnico, científico.

Hoje preferem falar se ter vagina ou pilinha é mulher ou homem, se as casas de banho devem ser "inclusivas" num neo-Marxismo que tem interesse em expandir as classes "exploradas" em vez de falarem de medicina, avanços e recuos, materiais e técnicas de construção com impacto no nosso futuro, industria naval, aeronautica ou simplesmente contas como a questão: se o Governo Costa tivesse mantido os cortes de Passos nos salários e pensões e tivesse reduzido a dívida quanto desta teria sido reduzida? Qual o nosso atraso qualitativo para a Ásia agora que muitos produtos tecnológicos aparecem primeiro no Oriente e só depois chegam à Europa?

lucklucky
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De Pedro Correia a 15.10.2019 às 17:56

Você continua a recorrer a chavões o tempo todo. E parece ainda ancorado no século XX
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De Anónimo a 15.10.2019 às 18:16

Viva a ignorância da História.
Só o facto de existirem tão poucos artigos sobre a Guerra Fria ou sobre o antes da 2 Guerra Mundial já explica muito sobre o que são os jornais e jornalistas hoje.

lucklucky
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De Pedro Correia a 15.10.2019 às 18:23

Presunção de culpa dos jornalistas: isso já é paleio de risco rachado. Vocês merecem viver numa sociedade sem jornalismo e as regras técnicas e deontológicas que lhe são inerentes, só com boatos e rumores sem fundamento e uma cascata interminável de calúnias a coberto do que aparecer "nas redes'.
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De Anónimo a 17.10.2019 às 12:19

Presunção?

Por exemplo o Comunismo só pode existir este tempo todo com a ajuda inestimável do Jornalismo. É só a ideologia que mais matou inclusive outros Comunistas por causa da sua estrutura de poder primitiva sem contra poderes.

Por isso quando o Comunismo Soviético caiu foi uma surpresa. Onde estavam os jornalistas?
Nunca vi um jornalista a perguntar a um Comunista porque é que não cria uma comuna. Isso explica muito da profissão.

Hoje em Portugal os jornalistas estão entre os responsáveis por terem destruído a democracia ao permitirem a violência de política de Esquerda. Veja lá se consegue que um Governo eleito de direita com um programa de direita realize a sua política.
No dia seguinte terá violência nas ruas porque a cultura do "Activismo" já está estabelecida. Linguagem criada pelo jornalismo.

lucklucky
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De marina malheiro a 16.10.2019 às 00:42

Sou uma leitora bastante crítica do mundo que me rodeia. Steinbeck, Hemingway foram escritores e jornalistas. Em minha casa houve sempre jornais e livros. Apesar de não adorar totalmente o estilo de Daniel Oliveira, considerei excelente a entrevista. O que guardei da mesma não foi o cateterismo do Presidente mas sim o facto deste ser voluntário em hospitais, mesmo sendo Presidente. Este dado foi revelado agora. Nunca vi o seu antecessor fazer isso uma única vez. Aproveite e destaque a excelente reportagem da SIC sobre a investigação arqueológica em Lisboa.
Melhores cumprimentos,
MM
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De Pedro Correia a 16.10.2019 às 07:11

Não vi essa reportagem. Acredito que seja excelente e justifique elogio. O que só reforça o que anotei aqui: o jornalismo digno desse nome deve ser valorizado, incentivado e defendido. Infelizmente não é isso que temos visto nos últimos anos. E são as próprias empresas de comunicação social a desvaloriza-lo de várias formas. O que está agora a dar são "publirreportagens" e exercícios de relações públicas travestidos de jornalismo.
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De Anónimo a 16.10.2019 às 02:49

Boa noite , o problema não está nos jornalistas ou no jornalismo , o problema hoje é auto—censura que vigora na sociedade , todos temos de comer .

Luis Almeida
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De Pedro Correia a 16.10.2019 às 07:12

A autocensura é um dos principais problemas, sim. Não faltam exemplos disso em todas as redacções.
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De Lobos disfarçados de cordeiros a 16.10.2019 às 19:06

Grandes frases suas:
"A autocensura é um dos principais problemas, sim. Não faltam exemplos disso em todas as redacções".

É bom ver que mais alguém "põem o dedo na ferida". Às 7h da manhã estava mesmo com as ideias frescas!

Apesar de ser proibida por lei a (auto)censura existe e o 25 de Abril já foi à 45 anos! Temos direito a sermos informados acerca do que é importante. E as Reguladores evitam tocar nisso, começam por dizer que está fora do seu âmbito de actuação. Mas após insistência...

Eu fiz uma investigação importante e publiquei o resultado no meu blogue, mas infelizmente alguns olham para aquilo como "um burro a olhar para um palácio".

Triste país da diversão onde muitos preferem o que é insignificante, divertido ou que acontece lá longe, quando temos problemas aqui bem perto.
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De Anónimo a 16.10.2019 às 08:48

…. se fosse só um exclusivo de Marcelo…!
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De Pedro Correia a 16.10.2019 às 12:02

Não é exclusivo de Marcelo - nem eu afirmei tal coisa.
Exclusiva foi a informação que Marcelo deu ao director-geral de entretenimento da SIC.
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De Nuno Rocha a 16.10.2019 às 11:55

Se a classe jornalística é desvalorizada é também por culpa própria, vou dar um exemplo: quando permitem que as novelas ou programas de entretenimento sejam parte dos noticiários das tvs como podem ser respeitados? Não devia o director de informação ou em ultimo caso a redacção tomar uma atitude? Quando vejo a rubrica de humor de Ricardo Araújo Pereira estar integrada no jornal da noite da TVI pergunto se faz sentido e se os jornalistas não deviam tomar uma posição? Se bem me lembro tudo começou com o "Big Brother" a merecer transmissões em directo a abrir o jornal da noite, audiências é quem mais ordena.
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De Pedro Correia a 16.10.2019 às 12:01

Tudo isso que aponta tem a ver com o que escrevi.
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De Anónimo a 16.10.2019 às 13:54

Boa tarde,
"Acontece que a entrevista em que o Chefe do Estado fez esta e outras revelações não foi conduzida por um jornalista, munido do respectivo título profissional, mas pelo director-geral de entretenimento da estação outrora sediada em Carnaxide."
Acho que você é um ressabiado.
Não é preciso ter título profissional para se ser profissional.
Tantos passaram pela SIC com título e não fizeram o que o Sr. Daniel Oliveira fez.
Tem razão, doutores há muitos, senhores há poucos e ele é um deles.
Construiu e continua a construir uma carreira a pulso e com muita dignidade brio profissional.
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De Pedro Correia a 16.10.2019 às 13:59

Lamento duas coisas
1. Que venha aqui chamar-me "ressabiado" sem ter a dignidade de se identificar.
2. Que não tenha sabido ler o que escrevi.
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De Makiavel a 16.10.2019 às 14:16

Culpar o “jornalista” pelo facto de Marcelo ter dado essa cacha não é um pouco de exagero? O que propõe? Que não haja esse tipo de programas cor-de-rosa? Que personalidades da vida política não vão a esses programas? Que fiquem limitador ao que dizem?
O jornalismo em Portugal vai muito mal mas não me parece que seja por casos como este. Já agendas políticas encapotadas, enviesamento dos artigos, tabloidização ou pura e simplesmente mentiras, isso sim são problemas reais do actual jornalismo em Portugal.
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De Pedro Correia a 16.10.2019 às 14:31

Foquei este caso, emblemático, a título de exemplo.
Creio ter sido bem claro: grande parte das "notícias", designadamente nas televisões, são hoje veiculadas por gente que não está habilitada a fazê-lo por qualquer título profissional. São meros comentadores, palpiteiros, simples curiosos com acesso a antena.
Alguns dão-se ao luxo de estar em estúdio a olhar para o telemóvel e papagueiam aquilo que estão a receber por mensagem naquele instante. Sem verificar factos, sem estabelecer contraditório.
Não admira: não são jornalistas. Mas agem como se o fossem. Com o silêncio cúmplice e a conivência de muitos responsáveis editoriais.
Ninguém equipara um enfermeiro a um médico nem um empreiteiro a um arquitecto. Lamentavelmente qualquer um hoje em dia se equipara a jornalista. E não há discurso crítico sobre isto: quase todos parecem achar bem.
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De Makiavel a 16.10.2019 às 16:37

A aceleração da comunicação tem destas coisas. Hoje em dia, toda a gente é jornalista, ou fotógrafo, ou designer gráfico. E quanto à medicina, é ver os qualquercoisopatas que por aí pululam.

Quando o jornal de maior tiragem é o caneiro da manha, não nada de bom a esperar...

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