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O eucalipto e a luta de classes

por Pedro Correia, em 22.07.17

eucaliptos[1].jpg

 

A história dos eucaliptos, no discurso geringoncês, substituiu o tradicional paleio da "luta de classes" com essas árvores a representarem a "classe opressora" e as putativas espécies autóctones a figurarem como "classe oprimida", ressaltando-se a necessidade de plantar uma floresta "patriótica e de esquerda" que expulse e puna a espécie invasora.

Vai daí, ensaia-se o assalto ao palácio de Inverno em plena canícula, com aquelas árvores folhosas a fazerem o papel do czar derrubado pelo proletariado em luta. São árvores colonialistas e capitalistas: além de serem originárias da Austrália, servem fundamentalmente para produzir pasta de celulose, utilizada no fabrico de papel: é um grande negócio para a indústria do sector, aliás elogiadíssima por Sua Excelência o primeiro-ministro.

«Tal como está previsto desde 2015, na estratégia florestal nacional, a área prevista para a plantação de eucaliptos permitirá responder àquilo que é a procura crescente por parte da indústria, permitindo aumentar a produção de pasta e de papel» , declarou há seis meses António Costa. Não há seis anos, notem, mas apenas há seis meses.

O eucalipto alimenta o segundo maior circuito exportador português, que tem como destinatários 118 países - motivo acrescido para ser combatido e dar espaço a árvores proletárias, portuguesas de gema. Árvores como o carvalho, que produz a deliciosa bolota - produto comestível e talvez (quem sabe?) de elevado valor nutritivo também para o sector exportador nacional.

 

É curioso verificar como estas coisas mudam. No século XIX, quando começaram a ser plantados os primeiros eucaliptos em Portugal, dizia-se que eram árvores quase milagrosas. Como em 1920 anotava Jaime de Magalhães Lima, botânico e pioneiro do  vegetarianismo em Portugal, era vista como uma espécie que «crescia rapidamente, multiplicaria milagrosamente a riqueza florestal em proporções descomunais, povoava os desertos, sofria toda a inclemência da atmosfera e do solo, purificava os lugares insalubres, livrava das febres paludosas, dava madeira excelente para todos os fins, rebelde à podridão, e destilava óleos, essências e medicamentos preciosos».

há cem anos, segundo o mesmo especialista, «a cultura do eucalipto» se havia tornado «corrente» em Portugal: «Hoje, o eucalipto vende-se nas feiras à dúzia e ao cento como as couves, enterra-se depois pelo meio dos matos em covachos abertos a esmo, e nesta barbárie, com estes cuidados elementares por demais resumidos, vinga, se o terreno lhe agrada e a humidade atmosférica o favorece».

Nos dias que correm, noutras paragens, não falta quem elogie o eucalipto por ser um instrumento activo de combate ao efeito de estufa devido à sua capacidade de reter dióxido de carbono: cada árvore "sequestra" 20 quilos anuais de CO2 e um hectare de eucaliptal jovem retém cerca de 35 toneladas de gás carbono por ano. O que talvez devesse reponderar algumas posições de ambientalistas, mais vermelhos que verdes, que o encaram como sinistro símbolo da exploração florestal.

 

Alguns alimentam até a fábula que os incêndios em Portugal só ocorrem onde existem eucaliptos.

O problema, como acontece com muitas fábulas, é a sua falta de adequação à realidade.

Há uma semana houve um grande incêndio em Moura, no Alentejo, numa zona onde não há eucaliptos e o sobreiro é a árvore largamente dominante.

Logo a seguir, o brutal incêndio de Alijó, em Trás-os-Montes, confirmou como o fogo arde também de forma devastadora onde não há eucaliptos.

«Desta vez, o Governo não vai poder desvalorizar o incêndio de Alijó com a mesma negligência com que menorizou o assalto em Tancos. O pinhal que este fim-de-semana foi destruído no planalto do meu concelho era feito de árvores antigas, grandes, de enorme valor económico e ecológico. Era o pulmão verde da região, onde passei muitas tardes de Outono a apanhar cogumelos silvestres caminhando sobre uma manta húmida e fofa de musgos, onde as giestas e os tojos tinham por vezes dificuldade em sobreviver na penumbra permanente das copas frondosas», escreveu Manuel Carvalho no PúblicoUm artigo que devia ser lido por todos quantos, confortavelmente instalados em Lisboa, pretendem "reorganizar" a floresta portuguesa a partir de preconceitos ideológicos e lugares-comuns. E que, com toda a coerência de que um lisboeta é capaz nesta matéria, olham para as árvores apenas como espécies decorativas, destinadas a "embelezar a paisagem", dissociando-as por completo do seu potencial económico e do seu valor comercial como fonte de receitas e de emprego em regiões pobres e deprimidas do País.

O discurso anti-eucalipto tem servido para os cabeçalhos da imprensa e a mais desenfreada demagogia política em voga neste Verão. Mas nenhuma verdadeira reforma da floresta pode ser feita assim em Portugal.

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68 comentários

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De rão arques a 22.07.2017 às 10:11

"Um artigo que devia ser lido por todos quantos, confortavelmente instalados em Lisboa, pretendem "reorganizar" a floresta portuguesa a partir de preconceitos ideológicos e lugares-comuns."
E depressa, antes que Costa depois de mandar calar, se lembre de decretar o que se pode ler.
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De Pedro Correia a 22.07.2017 às 10:28

A inacreditável "lei da rolha" foi a cereja a coroar um enorme bolo de disparates cometidos pelo Governo neste último mês. Alguns desses disparates ficar-lhe-ão associados para sempre.

Tive desta vez a satisfação de ver o Sindicato dos Jornalistas pronunciar-se com a necessária firmeza sobre o tema:
http://www.jornalistas.eu/?n=9872
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De rão arques a 22.07.2017 às 12:07

Obrigado pela pista.
Em tom adequadamente polido o sindicato deixou oportuno grito de revolta. Um direito à indignação apropriado para alastrar.
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De Pedro Correia a 22.07.2017 às 14:58

Ainda bem. Registo com agrado essa posição.
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De Costa a 22.07.2017 às 16:34

Pergunto-me (e respondo-me) se o tom será de facto "adequadamente polido" ou antes verdadeiramente temeroso, até venerador; de quem teme cometer uma ousadia sobre cuja legitimidade é o primeiro a duvidar, antecipando consequências de poderes intocáveis.

O prejuízo da comunicação social local e regional, argumento invocado, é evidente. E pragmática e objectivamente deplorável. Mas parece um apalpar de terreno, um testar de limites de quem tenta perceber até onde vai a primavera (ou o inverno) de um qualquer regime autoritário.

É que há antes e depois disso a descarada violação de um princípio constitucionalmente consagrado. E que, independentemente disso, deveria estar solidamente integrado na consciência de cada um. Desde logo, atenta a sua retórica passada, a daqueles que impuseram esta vergonhosa lei da rolha.

O comunicado valerá como um sinal. Esperava-se, na falta de coisas inconfessáveis, mais firme, vindo de quem vem.

Costa
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De Pedro Correia a 22.07.2017 às 18:09

Quando estamos convictos da razão não temos de nos pôr aos gritos. Pelo contrário, quem berra geralmente nunca tem razão (ou, se a tem, perde-a nesse momento).
Pode-se perfeitamente ser polido sem que isso signifique, de modo algum, ser "temeroso ou venerador".
O problema, com o Sindicato dos Jornalistas, é a omissão de alguns temas - um dos quais assinalei aqui recentemente:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/venezuela-repressao-e-silencio-9384727
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De rão arques a 22.07.2017 às 18:37

"adequadamente polido" se entendido como "sinal" de entrada,
"temeroso" ou conveniente, o desenvolvimento da cena irá esclarecer,
"mais firme", aguarde-se se esta aparente brandura apenas significa para já reserva de munições.
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De Pedro Correia a 23.07.2017 às 19:33

Não faltam aí outras "leis da rolha" que exigem combate firme em nome da liberdade de expressão, pedra angular da democracia.
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De Anónimo a 22.07.2017 às 10:29

"A história dos eucaliptos, no discurso geringoncês, substituiu o tradicional paleio da "luta de classes" com essas árvores a representarem a "classe opressora" e as putativas espécies autóctones a figurarem como "classe oprimida"," É preciso ter imaginação. Mas tem a sua piada.
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De Pedro Correia a 22.07.2017 às 10:51

É preciso ter imaginação para adivinhar a sua identidade. Como consegue manter-se embuçado com tanto calor?
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De Hernani Da Silva Gomes a 23.07.2017 às 14:15

A pergunta em Portugal será mais do género quanto dióxido de carbono produz um hectare de eucalipto ardido?
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De Pedro Correia a 23.07.2017 às 19:35

Uma pergunta que devia ser feita aos incendiários que têm andado a pegar fogo às nossas florestas. A todas menos à de Pedrógão, que segundo o responsável máximo da PJ pegou fogo devido a um raio que rachou uma só árvore durante uma trovoada seca.
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De Maria Dulce Fernandes a 22.07.2017 às 11:23

Excelente texto, Pedro. Toda a gente devia de ler este texto e seguir os links.

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De Pedro Correia a 22.07.2017 às 11:30

Obrigado, Dulce. Tenho sempre o cuidado de deixar ligações para outros textos. De modo a que os leitores possam aprofundar leituras. E para me demarcar do "achismo", tão próprio das conversas de café e tão corrente entre os tudólogos televisivos. Que "acham" tudo sem descobrir nada.
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De Flor a 22.07.2017 às 12:44

partilho da opinião da querida Dulce.
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De Pedro Correia a 22.07.2017 às 15:03

Agradeço-lhe também, Flor.
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De Anónimo a 22.07.2017 às 14:01

Sim, sim, a luta de classes entre eucaliptos e pinheiros é excelente ideia. Toda a gente deveria ler pois é extremamente divertido. Mas ainda há aspectos da teoria a desenvolver.
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De Pedro Correia a 22.07.2017 às 15:02

Nada como um anónimo para "desenvolver teorias". Quem diz um, diz dois ou três.
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De V. a 23.07.2017 às 19:18

Vêm todos dos gabinetes de imprensa dos partidos. O Louro ainda andará por lá?
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De Maria Dulce Fernandes a 22.07.2017 às 16:13

Falou o Dr. dos títalos. Lê-se o título e o resto em transversal , dá-se uns papos , remata-se em suspense... maravilha !!
Gosto muito dos seus comentários profundos e inteligentes. Obrigada.
Ah... estou a ironizar da sua ironia já anteriormente ironizada. BFS.
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De rão arques a 22.07.2017 às 11:58

Tem a sua piada quando a piada fixa e persistente a martelo é António Costa. Dada a embalagem da carroça não me admirava nada que ainda se saísse com esta:
"Tancos: placa “Cuidado com o Cão” estava ilegível".
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De Pedro Correia a 22.07.2017 às 15:01

Tancos nunca existiu.
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De amendes a 22.07.2017 às 12:03

O azar do eucalipto é não ser originário da Venezuela , primo em primeiro grau do cubano!

Quando é que a geringonça medica, proíbe a venda das pastilhas "Eucaliptol"?
...

Eu aplaudo a sugestão dos Verdes: "Cruzamento genético do eucalipto com o pinheiro manso" ( Pinheiroptol)"
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De Pedro Correia a 22.07.2017 às 15:01

Os Verdes andam preocupados em defender não as sardinhas mas os tubarões.
Literalmente:
http://osverdesacores.blogspot.pt/2009/11/pesca-devastadora-e-insustentavel.html
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De Tiro ao Alvo a 22.07.2017 às 12:10

Também não entendo esta sanha da esquerda contra os eucaliptos, não extensível aos pinheiros (que ardem com mais facilidade) ou às mimosas, uma autêntica praga.
Essa gente desconhece que os eucaliptos não obedecem às leis dos governos, que apenas se regem pelas leis da natureza. Pensam que, depois de um incêndio, em proibindo, por lei, a plantação de eucaliptos, estes vão diminuir, mas estão enganados: vão é multiplicar-se aos milhares e milhares. O fogo é a melhor forma de, naturalmente, regenerar uma floresta de eucaliptos ou pinheiros.
E saiba que também gostei do artigo do Manuel Carvalho- uma autêntica pedrada no charco.
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De Pedro Correia a 22.07.2017 às 14:57

Muito bom, o artigo do Manuel Carvalho. Corajoso, desassombrado, esclarecido.
Outro texto muito bom é este, do Francisco José Viegas, no 'Correio da Manhã':
http://www.cmjornal.pt/opiniao/colunistas/francisco-jose-viegas/detalhe/20170720_0015_blog?ref=francisco-jose-viegas_outros
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De Anónimo a 23.07.2017 às 15:24

http://quercus.pt/loja/pt/t-shirts/45-t-shirt-instinto-maternal-crianca-12-anos.html
A Quercus também é de esquerda? Querer combater as causas dos incêndios florestais é ser de esquerda?
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De Pedro Correia a 23.07.2017 às 19:39

Lá vem outro maníaco dos rótulos, que nunca olha para cima nem para baixo. Só para a esquerda e para a direita.
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De maria a 22.07.2017 às 12:38

Há uns bons anos que manifesto que os fogos não deveriam ser fonte de noticiários e imagens nas TVs de manhã à noite e durante a sua vigência. Está provado que alguns se excitam com as labaredas. Até houve bombeiros que ateavam e depois apagavam.
Senão aplicarem esta receita os fogos não diminuem a não ser após tudo ardido.
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De Pedro Correia a 22.07.2017 às 14:55

É tema polémico. Sou em princípio favorável à auto-regulação dos órgãos de informação para a limitação de imagens mais perturbantes de fogos, mediante um pacto em que todos participem. Para não estimular actos semelhantes, através dos comprovados mecanismos de mimetismo e emulação estudados por quem sabe. Tal como não são noticiados suicídios de pessoas que se atiram para linhas de comboios ou da ponte 25 de Abril (o que, infelizmente, acontece com alguma frequência).
Sou no entanto totalmente contrário à imposição de leis da rolha ou medidas administrativas nesse sentido - desde logo por violarem a Constituição da República.
Em todo o caso, uma tragédia como a de Pedrógão jamais poderia ter passado ao lado das notícias - houvesse o pacto auto-regulador que houvesse.
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De am a 22.07.2017 às 15:02

Maria tem razão:

Nada de mostrar fogos nas TVS... listas e de espera e erros médicos nos hospitais; greves e apupos a governantes; violência doméstica ( incita os criminosos); explosão de caixas multibanco ( ensina o mau uso do gás), roubo de armas militares ( aumenta o potencial terrorista); a Casa dos Segredos ( publicita a pornografia)...

Só deviam dar as Marias e Maneis de braço dado a passearem felizes à beira-mar e os filhos de alugados do CR//...Cristina em cuecas na Ilha do Sal..etc etc etc. Lei da Rolha ( atras e à frente)

Boas férias D. Maria
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De Manuel a 22.07.2017 às 14:00

Pedro, acho que vai pegar fogo a sério, mas não é nos eucaliptos.
Imagine e descreva a sua visão de lume caso descobrissem que o número oficial de vítimas mortais num incêndio não é 64 ou 65, mas sim um a rondar as 100.
Deverá ser uma grande fogueira.
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De Pedro Correia a 22.07.2017 às 14:51

O 'Expresso' hoje rompe o cerco do silêncio. O primeiro jornal a fazê-lo, 35 dias depois da tragédia.
Dá nomes e identidades a todas as vítimas. Que serão afinal 65, não 64. O jornal fundamenta esta informação, naturalmente.
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De Manuel a 22.07.2017 às 15:03

Sim, estou a par.
No Observador há uma notícia a dar conta dessa.
Na caixa de comentários dessa notícia, anda uma pessoa que parece estar investigando o número de vítimas mortais e já tem uma lista com cerca de 90 nomes confirmados.
(A lista está publicada na página de Facebook dessa pessoa - nas suas fotos)
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De Pedro Correia a 22.07.2017 às 15:05

Isto não vai lá com "facebooks". Envolve investigação rigorosa, fundamentada e sujeita a contraditório.
Como o 'Expresso' muito bem fez. Só o 'Expresso', por mais que outros tentem colar-se.
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De Pedro Correia a 23.07.2017 às 19:41

Tem de ser tudo muito bem conferido. Não pode é continuar o silêncio em torno da identidade das vítimas. Elas têm o direito de ter nome, de não serem apenas um número ou um dado estatístico.
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De Manuel a 23.07.2017 às 21:42

Dizem que a lista de nomes está em segredo de Justiça.
As pessoas morreram naqueles dias foram sepultadas. Imagino que suas lápides estejam em branco a aguardar o levantamento desse segredo...
Nas caixas de comentários das notícias tem surgido muitas pessoas com relatos distintos e plausíveis, apontando para um número a rondar a casa da centena.
Deixo aqui relato que está mesma linha de muitos outros e que foi publicado no dia 4 do corrente mês.
https://bilbiamtengarsada.com/pedrogao-grande-afinal-90-mortes-nao-64/
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De Pedro Correia a 23.07.2017 às 22:33

Não basta esgrimir números. É preciso falar em nomes.
As vítimas de Pedrógão eram pessoas concretas, de carne e osso, com identidade.
Não eram dados estatísticos.
É fundamental pôr fim à lei da rolha também neste domínio. Foi o que o semanário 'Expresso' - e muito bem - fez na edição deste sábado, torneando o boicote oficial.
Portugal tem de saber quem e como morreu naquele fatídico 17 de Junho. Não pode haver "segredo de justiça" em torno desta informação fundamental.
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De De PI/isa/Zeus/e Heterónimos a 22.07.2017 às 14:06

É completamente inútil esta discussão entre os defensores do Eucalipto, do Pinheiro, do Sobreiro ou a árvore preferida de cada "radical florestal" porque, Estão Todos Errados quando pensam em Monoculturas.

Quanto à História, não serve como argumento, só serve como aprendizagem para se fazer sempre melhor mas, como estamos entregues a ignorantes com Poder (aqui, é para ser politicamente correcta) porque, se há 6 meses alguém dizia o contrário, desconfio que será mais o que escrevi no fim deste comentário: http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/sintomas-9418823
ora, com esse Poder e "respectivos interesses", é óbvio que comandam "O discurso anti-eucalipto que tem servido para os cabeçalhos da imprensa" e, em vez de debates inteligentes sobre as mais recentes metodologias e o que, de melhor, se pode fazer, temos uma espécie de insanidade com discursos... afogueados que prevalecem, sobre Tudo e, como sempre, ganhará quem berre mais alto ou tenha e use a Força do Poder e, acabamos, sempre, por nunca ter uma Solução Boa, ficamos nas más ou nas menos más que, vigorarão até à próxima crise ou até os próximos "iluminados" ocuparem as cadeiras do Poder.

Quanto à deliciosa bolota, pode crer que até é mal empregada para dar aos porcos, se não conhece a farinha de bolota, nem o pão de bolota, nem imagina o preço por um saquinho Bio e se pensa que a de trigo faz melhor à saúde, cada um que se preocupe com a sua própria saúde. Nem é uma novidade: "Farinha Bolota Terrius - Farinha de Bolota Galardoada como um dos Produtos Inovação da Maior Feira Alimentar Mundial Sial Paris 2014"
Na verdade, a maioria desconhece que há simples ervas que tentam erradicar como sendo daninhas mas têm grandes propriedades medicinais mas, aqui já estou a "digressionar"(desviar+divagar).

Quanto à imagem de "luta de classes", a minha é um bocadinho diferente, parece mais que estou num infantário onde, entre a miudagem que luta pelo mesmo brinquedo, cada um usa o que mais lhe convém, o grito, o choro, o bater para ir treinando "a lei do mais forte", enquanto o espertalhaço vai distribuindo uns beliscões à socapa. Parece a insanidade instalada mas, estes, ainda têm a desculpa da idade

Como no início disse que estão todos errados e, apesar de ser um assunto onde tenho gasto muitas horas, também não serei a pessoa mais qualificada para dar lições de Permacultura, nem sequer tenho espaço para Os Doze Princípios de Planejamento Permacultural que foram desenvolvidos ao longo de mais de duas décadas e publicados em 2002 por David Holmgren através do livro “Permacultura: princípios e caminhos além da sustentabilidade”.

"Os primeiros seis princípios consideram os Sistemas de Produção sob uma perspectiva de baixo para cima, dos elementos, organismos e pessoas.
Os outros seis enfatizam a perspectiva de cima para baixo dos padrões e relações que tendem a emergir por meio da auto-organização e coevolução dos ecossistemas."
Deixo apenas um:
"Use e valorize a diversidade – O planeta que habitamos é composto por uma imensa variedade de espécies animais e vegetais, culturas, solos, que formam diversos biomas e paisagens. Já se Conhecem as Consequências das Monoculturas induzidas pelos seres humanos, incluindo a nível da saúde – em decorrência da baixa variabilidade de nutrientes na dieta alimentar até ao alto nível de agrotóxicos."

A Permacultura sugere que as respostas sejam procuradas a partir da Observação de Eventos e dos Factores que se Interconectam no Desenvolvimento de um Fenômeno.

Os princípios de planejamento devem ser baseados na Observação da Ecologia LOCAL, de Forma Sustentável de Interação, Produção e da Vida das Populações Tradicionais, Sempre Trabalhando a Favor da Natureza e nunca contra ela.

Os Princípios Éticos:
-Cuidar da terra
-Cuidar das pessoas
-Compartilhar excedentes

Nem um Poder Centralizado pode saber o que é melhor à distância, nem localmente está garantida a melhor solução porque, nunca pode faltar o uso do conhecimento e, uma coisa é certa, os erros pagam-se caro mas é a Lei Natural Universal das Causas/Consequências e quando os políticos (seja a nível Central ou Local) pensam que lhes basta legislar para Domar a Natureza, trabalhando contra ela... mostram que continuam a não aprender nada ou a servir "outros interesses".
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De Pedro Correia a 22.07.2017 às 14:49

Não me parece que haja um problema de monocultura em Portugal. Eucaliptos, pinheiros bravos e sobreiros ocupam percentagens idênticas de mancha florestal.
O carvalho, de facto, não ultrapassa 1%. Motivo? Acredito que a bolota seja saborosa e alimentícia, mas creio não haver mercado mundial (nem sequer nacional) para sustentar plantações extensivas de carvalhos. E eu até sou favorável aos carvalhos - desde logo por ser do Sporting.
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De PI/isa/Zeus/e Heterónimos a 22.07.2017 às 16:42

Monocultura em Permacultura não significa "plantações extensivas", é plantar uma só espécie na mesma área. É necessária Diversidade no mesmo Local e, nem sei se se lembra da altura que queriam uma limpeza que até os fetos queriam arrancar. Equilíbrio e observação, ao misturar várias "camadas", desde plantas rasteiras, arbustos e árvores, tenta-se que essa mistura consiga combater o problema identificado. Neste caso, se tiver no solo plantas que combatam ou sejam resistentes, ao fogo, não transformamos um pinhal numa tocha. Mas para entender, a melhor informação só se encontra em inglês e se lhe disser que terrenos desérticos se podem transformar em oásis só com o trabalho inicial porque, depois, o Sistema funciona, naturalmente e, sozinho sem ou com muito pouca intervenção humana, estamos a falar de algo completamente diferente do tradicional.

E, aqui entre nós que ninguém nos ouve, o eucalipto tem muito que se lhe diga e, a única coisa que se poderá plantar por baixo deles serão cogumelos. Temos espécies que poderiam dar um rendimento muito superior porque, várias espécies na mesma área de terreno, podem render muito mais que o modo tradicional, só não seria à minoria que se aproveita deles, mas as populações locais sairiam beneficiadas. Porque isso de dizer que o eucalipto enriquece o país, é uma falácia, sejamos honestos, enriquece alguns e engorda de impostos o Estado, já de si gordo e esbanjador.
Dizer isto não adianta, será "atirar mais lenha para a fogueira" da discussão, interessa seguir uma linha racional e isso, tem de ser feito em cada local.
Se um proprietário tiver mais lucro de outra maneira, com igual ou menor trabalho, com menos riscos, um problema acabará naturalmente, sem ser preciso coação legal.

As soluções são muito variadas e adaptadas a cada local porque na Permacultura também se pode ter a colaboração de animais e são tantas as soluções que poderíamos ficar semanas a falar deste assunto por isso, cada caso é um caso que tem de ser estudado individualmente, onde tudo conta desde a água, qualidade do solo, clima ou micro clima, o interesse específico de cada proprietário...

Precisamos de cursos que não sejam só para emoldurar diplomas ou fingir que se ensina alguma coisa que, nos tempos que correm, nem vão servir para coisa nenhuma. Conheço jovens com Diplomas a servir em restaurantes e nas caixas de supermercado, um autêntico desperdício de recursos e um continuar a enganar os jovens que, julgam que a Realidade se compadece com "sonhos" e, os maiores culpados são os políticos que, como não gostam de perder votos, seguem sempre o caminho mais fácil. Não chegámos aqui, com várias visitas do FMI, nem a uma Dívida (actualizada) de 138,19% por mero acaso.

E como há quem goste
"Only two things are infinite, the universe and human stupidity, and I'm not sure about the former" - Albert Einstein
(Apenas duas coisas são infinitas, o universo e a estupidez humana, e não tenho a certeza sobre a primeira)
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De jo a 22.07.2017 às 17:33

Existem problemas para lá da rentabilidade económica imediata.

E os problemas criados pelo eucalipto não se limitam aos fogos, há diminuição de recursos aquíferos, perda de biodiversidade, etc.

Basicamente está a dizer que ter umas dezenas de pessoas queimadas todos os anos num interior deserto é um bom preço a pagar por uma floresta produtiva.

Monocultura é a cultura da mesma espécie em exclusivo no mesmo local. Dizer que não há monocultura de eucalipto numa região porque noutra há monocultura de pinheiro é um bocadinho abstruso.

Pôr um problema destes em termos de esquerda-direita como já se fez com o aquecimento global, mais do que estúpido é criminoso, porque desvia a atenção dos verdadeiros problemas e porque lança uma anátema sobre qualquer estudo independente que se faça.
A partir de agora se proibir o eucalipto é de esquerda, se permitir o eucalipto é de direita. é difícil ver uma abordagem mais estúpida para um problema.
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De Pedro Correia a 22.07.2017 às 18:04

Falar em "monocultura do eucalipto" quando apenas 23% da floresta nacional é composta de eucaliptos é um bocadinho abstruso.

Atribuir-me palavras que não usei ("esquerda-direita", terminologia que quase utilizo só por imperativos de citação alheia) é um bocadinho... imbecil.

Ignorar a recente declaração do primeiro-ministro (de "esquerda") António Costa em defesa do reforço da produção de pasta de papel, e portanto da plantação de eucaliptos, é um bocadinho... manipulador.

Ignorar o texto do Manuel Carvalho, que descreve a paisagem botânica da zona de Alijó, onde esta semana arderam cinco mil hectares de zona florestal agrícola sem eucaliptos, é um bocadinho... desonesto.

Insinuar que sou insensível ao chamado "aquecimento global" quando entre as ligações que invoco menciono uma fonte credível que garante ser o eucalipto um agente muito activo no combate ao efeito de estufa é um bocadinho... estúpido.

Chamar "criminoso" ao meu texto apenas porque lança pistas para o debate público no meu blogue na sequência da tragédia de Pedrógão é um bocadinho... anónimo. Ou «jo», o que vem a dar no mesmo.
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De Anónimo a 22.07.2017 às 20:23

Não interessa 23% ou 50% é, simplesmente, pôr uma Única Espécie a ocupar o mesmo espaço. E, isto depois de explicar o que é Permacultura, será que lê os comentários ou passa só a vista por cima, para não correr o risco de mudar de opinião?
Como dizia um professor universitário, dos antigos, mudar de opinião não dói e só não muda de opinião quem nunca teve nenhuma. Algo que acontece naturalmente, à medida que adquirimos mais conhecimentos, por isso aquele ditado "Saber é Poder", só assim, se vai conseguindo que não nos "emprenhem pelos ouvidos".
Quanto ao aquecimento global e efeito de estufa, esses fazem parte daquilo que nos andam a "emprenhar pelos ouvidos" e é, precisamente, por isto que o conhecimento ajuda a "separar o trigo do joio".

Agora vou irritar os "grávidos pelos ouvidos": Não há aquecimento global, pelo contrário, o Sol está a entrar em valor mínimo, razão pela qual os vulcões estão a entrar em actividade e outros a ficar com potencial para entrar em erupção (apesar de não estarem activos há milhares de anos) e, ainda, a actividade sísmica estar a aumentar.
Como há vulcões no fundo dos oceanos não será de estranhar as consequências na flora e fauna marinhas mas, como cada um tem o Livre Arbítrio de acreditar em quem quiser, sem investigar por conta própria, não bastando ler artigos de ciência "politizada". A ciência passou a certezas absolutas desde que a política Mundial passou a subsidiar os estudos que lhes convém.
Naturalmente que as consequências não são boas para o nosso lado mas, fazerem-nos sentir culpados, será a maneira perfeita para aceitarmos tudo o que nos quiserem impôr. A chamada psicologia aplicada às massas que colaboram para a sua falta de Poder.
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De jo a 22.07.2017 às 23:48

"A história dos eucaliptos, no discurso geringoncês, substituiu o tradicional paleio da "luta de classes" com essas árvores a representarem a "classe opressora" e as putativas espécies autóctones a figurarem como "classe oprimida", ressaltando-se a necessidade de plantar uma floresta "patriótica e de esquerda" que expulse e puna a espécie invasora."

Se isto não é puxar a discussão do eucalipto para uma discussão esquerda-direita (ou PàF-Geringonça, se preferir), vou ali plantar um eucalipto e já venho.

A minha referência ao aquecimento global era apenas para termo de comparação. Aconteceu com esta matéria exatamente o mesmo discurso que está a tomar com o eucalipto.

A declaração de António Costa (que é advogado que eu saiba, não sivicultor) foi feita antes dos incêndios. Ou acusa o sujeito de não reagir às catástrofes ou o acusa de mudar de idéias com as catástrofes. Tem de parar de disparar sobre tudo o que move ou fica com um discurso incoerente.

"Ignorar o texto do Manuel Carvalho, que descreve a paisagem botânica da zona de Alijó, onde esta semana arderam cinco mil hectares de zona florestal agrícola sem eucaliptos, é um bocadinho... desonesto."
Diz-me que como a mata de Alijó ardeu o eucalipto passou a ser uma espécie boa. Olhe que nem os problemas da plantação de eucalipto se esgotam com os fogos, nem estes passaram a ser incombustíveis porque Alijó ardeu.

O anterior governo liberalizou a plantação de eucaliptos para pequenas propriedades, acha mesmo que essas propriedades terão uma gestão profissional se forem plantadas?

Envie-me uma cópia do seu cartão de cidadão num mail que eu envio-lhe uma cópia do meu se o anonimato lhe faz tanta impressão.
Ainda me há-de explicar para que precisa de saber o meu nome completo e afiliação, a menos que precise de se me dirigir por outros meios do que através do blogue, e nesse caso gostaria de saber para quê.
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De Pedro Correia a 23.07.2017 às 00:10

Mas que baralhação vai nessa cabeça. Deve ser do excesso de eucaliptos...

1. «António Costa é advogado.» E pensava eu que ele era primeiro-ministro. E secretário-geral do PS. E que antes de ser primeiro-ministro foi presidente da Câmara de Lisboa. E que antes foi deputado. E foi ministro. E um largo etc político, sempre político.

2. «AC falou antes dos incêndios.» Por essa lógica, o PM será, então, como o Groucho Marx: adequa os princípios às circunstâncias. Creio que não será assim.

3. Chama «mata de Alijó» aos cinco mil hectares ardidos. Não faz a menor ideia do que seja uma mata. Ali arderam muitas matas.

4. Mais um chavão: «O anterior governo liberalizou a plantação de eucaliptos.» Só falta culpar o anterior governo pela tragédia de Pedrógão...
Com este governo vi muita propaganda. Por exemplo, em Janeiro de 2016, com parangonas: «Governo trava expansão da área do eucalipto.»
http://expresso.sapo.pt/economia/2016-01-24-Governo-trava-expansao-da-area-de-eucalipto
Em ano e meio, no entanto, manteve-se intacto o ordenamento jurídico anterior. Foi preciso acontecer Pedrógão para se legislar à pressa, e de forma incompleta, sobre a floresta. E resta ver quais serão os resultados.

5. Registo um progresso: desta vez não me acusa de produzir textos «criminosos». Vá lá, vá lá...
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De jo a 23.07.2017 às 00:33

1 - Não conheço ninguém que tenha formação académica como primeiro ministro ou presidente de Câmara, mas se me diz que há não duvido de si.

2 - Ter princípios e mantê-los é uma coisa muito bonita, mas mais uma vez confunde eucaliptos com ideologia. É a primeira vez que vejo a definição de homem de princios passar pelo eucalipto.

3 - Não precebo como é que o fogo em Alijó torna os eucaliptos incombustíveis, pelos vistos é uma questão de tamanho.

4- Não é um chavão e não há nenhum governo inocente nos últimos anos sobre este assunto, presente governo incluído. O último pelo menos tirou as gravatas para travar o aquecimento global.

5 - Criminoso é uma forma de expressão, não está no código penal pelo menos, mas utilizar tragédias como arma de arremesso político faz-me muita impressão. E resulta numa discussão completamente estragada.

Já agora se têm de utilizar eucaliptos, paciência, mas, das duas uma, ou se sabe que houve uma deiberada oultação de número de mortos (teria de ser em número substancial para fazer sentido), ou esta coisa dos 65 mortos versus 64 mortos é muito feia.

Vai mandar a cópia do cc ou não?

Quando souber quem eu sou o que vai fazer com a informação?
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De Pedro Correia a 23.07.2017 às 00:41

"Criminoso" não está no código penal? Pergunte ao "advogado" António Costa: ele dir-lhe-á que está.
Você, que continua a não dizer quem é nem o que faz na vida, aparenta pelo menos ser advogado do António Costa.
É capaz de lhe ser útil. Com tanta trapalhada em tão pouco tempo, as coisas não andam a correr nada bem ao primeiro-ministro.
Mas para ser um advogado eficaz tem de esforçar-se mais. Debitar só meia dúzia de chavões não basta.
Entretanto, mantenha-se à sombra: pelo menos não se arrisca a um escaldão nestes dias de tanto sol.
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De Tiro ao Alvo a 23.07.2017 às 08:15

Pedro, não dê corda ao JO. Não passa de um provocador, a soldo de quem não se sabe. E ignorante, a falar frequentemente do que nada sabe. Repare que considerou a profissão de advogado como sendo formação académica.
E grosseiro: entra em casa alheia e não se coíbe de, sem razão, insultar o dono.
Ignore-se o homem (ou mulher), pois.
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De Pedro Correia a 23.07.2017 às 19:44

"Advogado" ser grau académico deve ser um novo marco das "novas oportunidades".
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De am a 22.07.2017 às 15:40

Srª D. De e PI/SA, etc

Permita-me a pergunta: A Canábis é uma planta combustível na mata como é no cachimbo?

Obrigado

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De Srª D. De e PI/SA, etc a 22.07.2017 às 18:22

am

Quando puser o cachimbo de lado, leia com mais atenção e, se tiver dúvidas como o Pedro Correia, tentei explicar melhor no meu 2º Comentário porque, com esse tipo de pergunta "tão clara e inteligente", só pode estar a fumar, sofre de Analfabetismo funcional ou segue a "onda" da maioria, resolver problemas pela via da violência (verbal, física ou legislativa) e, há mais vias apesar de, diariamente, nos fazerem a lavagem cerebral nesse sentido.
Se não quiser ler tudo, pelo menos, umas linhas:

"...Dizer isto não adianta, será "atirar mais lenha para a fogueira" da discussão, interessa seguir uma linha racional e isso, tem de ser feito em cada local.
Se um proprietário tiver mais lucro de outra maneira, com igual ou menor trabalho, com menos riscos, um problema acabará naturalmente, sem ser preciso coação legal."

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