Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




O estado da arte

por Luís Naves, em 29.09.18

Discute-se muito se os penduricalhos de Mapplethorpe são arte ou censura, mas podíamos talvez discutir o estado da arte, os teatros vazios e os teatros fechados, as livrarias a abarrotarem de subprodutos, a indigência do cinema, as instituições subfinanciadas, a falência imparável dos jornais. Devíamos questionar o estado da arte, se temos uma literatura exportável, se as bibliotecas renovam as colecções, se os museus estão seguros, se os artistas nacionais trabalham de borla, se o ensino artístico melhorou ou se é melhor que os talentos procurem outros países. Podíamos discutir isto, mas mergulhámos numa espécie de sonambulismo, a debater os méritos da fotografia americana, tema que teria inegável interesse, se os bárbaros não estivessem já instalados deste lado da muralha.

Autoria e outros dados (tags, etc)


12 comentários

Sem imagem de perfil

De Janita a 29.09.2018 às 11:46

Assino por baixo!!
Sem imagem de perfil

De Pedro a 29.09.2018 às 12:16

Alguém me explica como fotografias de felatios e cunilingus podem ser arte?

Para desfrutar da arte é necessário cultivar o gosto pelo ócio. E nesta era do Trabalho sacramentado o ócio e a arte são olhados com desconfiança. Afinal isso serve para quê?

Sem imagem de perfil

De Joana Melo a 29.09.2018 às 16:39

"Alguém me explica como fotografias de felatios e cunilingus podem ser arte? " É difícil explicar. Mas vejamos. Se forem fotografias de outras zonas do corpo humano poderão ser arte? Se sim, por que razão as partes genitais têm de ser excluídas? Se a resposta é não, talvez eu possa concluir que nenhuma zona do corpo humano pode ser fotografada (e pintada?) como arte.
Faz-me lembrar uma visita do Presidente do Irão à Itália em que as estátuas nuas tiveram de ser cobertas com lençóis. Haverá partes do corpo humano (e dos animais?) que devem ser ignoradas na arte? E na Ciência? Pode a medicina dissecar? Pode a medicina, ou um seu praticante, olhar ou tocar os genitais? Que diferencia os genitais (e o que com eles se pode fazer) das outras partes do corpo? Haverá mais partes que devem ser ignoradas?
Sem imagem de perfil

De Pedro a 29.09.2018 às 17:39

Joana, claro que o nú pode ser arte. Contudo quando olho Mapplethorpe apenas vejo um porno-disfarce , parecendo-me ser o artista não guiado pela liberdade criativa, mas sim pela vingança criativa. Arte de adolescência. Arte para se provar algo. Arte que tenta despoletar reacção no observador e por isso mesmo uma Arte Antiga
Sem imagem de perfil

De kika a 29.09.2018 às 23:26

Itália não foi o único país que teve essa brilhante ideia.
A desculpa que não é recomendado para crianças é uma
desculpa esfarrapada. Tal como na literatura e no cinema
existem obras que não são para crianças e sempre assim
foi e espero que assim continue a ser .
Se esta exposição neste momento não é para crianças...
esperem pela próxima.
E que tal o teatro de marionetas, o jardim botânico, lavá-los ao campo
observar os animais no seu habitat natural, praia , piscina e etc .
Tanta moral é um pesadelo. ( desconheço por completo o autor e a obra
exposta ) .
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 29.09.2018 às 12:39

Subscrevo
António Cabral
Sem imagem de perfil

De V. a 29.09.2018 às 12:47

Exactamente — para não dizer que o proselitismo artístico de Mapplethorpe também é perfeitamente irrelevante para a Fotografia.

Acontece que as artes estão muito muito reféns do seu tempo (o tempo dos estúpidos que não percebem que não é necessário haver fotografia gay ou literatura homossexual e que isso é proselitismo e destrói o objecto artístico), mas também o estão as literaturas ou por exemplo o Teatro, há muito tempo colonizado pelos Blocos. Agora é o cinema e são as "séries" que se limita a re-escrever clássicos com as quotas todas certinhas e onde o chefe da polícia é sempre preto e a única mulher capaz de ter um filho no ventre livre dos vírus dos mortos-vivos também é preta. Ah, já me esquecia — a filha do herói, que é o detective louro (curiosamente o único que trabalha, mas é alcoólico e tem umas seringas na mesinha de cabeceira), também anda normalmente embrulhada com um preto. A família ocidental está sempre em crise — os casamentos dos wasp são sempre uma fachada (mesmo apesar de agora ser sempre o marido a lavar a louça) e as mulheres no fundo queriam ser todas fufas e não dar à raça branca os frutos da procriação para ver se os males do mundo e o capitalismo desaparecem. Importa viver num mundo como previu Steve Jobs mas sem os Steve Jobs que o construíram.

O argumento e a psicologia dos personagens de 99% dos filmes e séries resume-se a isto — passam todos no Netflix e daqui a uns anos têm uma estreia absoluta na SIC. Aquilo também é para ver no telemóvel, portanto é capaz de servir, não sei.

Sem imagem de perfil

De António a 29.09.2018 às 13:19

O que tem a falência dos jornais a ver com arte? Jornais são arte?
Acerca dos teatros vazios tenho uma teoria - encenem peças que as pessoas queiram ver sem saírem do teatro com vontade de se suicidarem. Quando o hábito de ir ao teatro estiver popularizado coloquem então peças que desafiem. A começar pelo telhado têm a casa vazia.
Sem imagem de perfil

De António a 29.09.2018 às 13:47

Há um artista português que me confunde - o grande Leonel Moura, que recentemente deu show na Fundação Soares dos Santos, e autor do lema A Esquerda Não Tem Que Ser Pobre.
Leonel Moura inventou um robôs que pintam, diz ele que com Inteligência Artificial. São umas coisinhas com rodinhas que se passeiam pela tela despejando tinta e mais ou menos conseguindo não esbarrar muito uns nos outros e não cairem da tela.
Sabendo que o estado da arte no que à Inteligência Artificial diz respeito ainda implica armazéns repletos de torres de processamento, e reclamando o grande Leonel Moura que as suas caixinhas de sapatos pintoras são Inteligência Artificial, claramente o homem devia estar na IBM - ou parar de dizer asneiras.
Mas num mundo onde uma selfie dum macaco levantou a magna questão sobre a quem pertenciam os direitos de autor da foto, com muitos a dizerem que eram do macaco, o grande Leonel Moura não devia perder os direitos das obras para as suas caixinhas de sapatos pintoras?
Se ele mesmo se gaba de não ser o autor, porque recebe os proventos?
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 29.09.2018 às 18:31

Da discussão sobre a arte do cara**** e da con** pendurados em ganchos.... o que mais me impressionou, foi ouvir o director do Museu de Arte Antiga:dizer-

..." Serralves, é patrocinado por mecenas e pela contribuição do Estado.... (de Martelo &Kosta,SA) ...que o contempla com mais dinheiro que distribui por todos os museus juntos"

amendes
Sem imagem de perfil

De Vento a 30.09.2018 às 12:12

Vou por outro caminho.
O problema da cultura, melhor, do(a)s culto(a)s que hoje em dia veraneiam por estas artérias tem algo interessante que importa descobrir:
Inculturados que são, pois recebem a cultura dos grupos dominantes a que agora chamam de conservadores - importa referir que o pobre, o rico, o miserável, o vagabundo etc e tal possuem um denominador comum que leva o nome de conservadorismo -, pretendem somente chamar a atenção de um grupo ou grupos para se sentirem estáveis.

Para que assim aconteça, a estratégia usada ao longo da história por este tipo de fenómenos, demonstrada pelos mais diversos fenómenos, tem sido não a arte e a cultura mas a arte e a cultura de chocar. E isto bastou para que se sentissem artistas e cultores. Neste sentido a classe política, para se mostrar não-conservadora, porque conservadora é, em particular a ala dos ditos radicais coitadinhos e também daquela outra que para fazer de conta que não vai a reboque a esta acaba por se atrelar, gosta de abrir janelas para mostrar que a casa está a arejada. Todavia as janelas têm sido abertas em períodos invernosos, e todos nós sabemos que não se aguenta o ambiente por muito tempo nesta estação.

Tudo isto para resumir que a história também demonstrou que a grande maioria desses fenómenos acabou por transformar seus interventores em um outro tipo de cultores: os derrotados da vida. E isto acontece no momento em que não se pode regressar ao passado, mas também já não se tem ideias para avançar. Fica a memória.

Sobre o penduricalho, vou fazer um testamento doando o meu à arte, para ser usado nas orelhas ou como piercing onde desejarem, podendo estampá-lo em T-shirts. Assim mostrarei que continuarei a ser alguém que conserva. Os direitos de autor do produto recaiam sobre os meus ancestrais.

Do livro do Eclesiastes ou Coélet 2, 1-16 - vide o mesmo capítulo de 1 a 25 para compreender o sentido do autor:

"Eu disse comigo mesmo:
Vamos, tentemos a alegria e gozemos o prazer. «Mas isso é também vaidade».
Do riso eu disse: loucura! e da alegria: para que serve?
Resolvi entregar a minha carne ao vinho, enquanto o meu espírito se aplicaria ainda à sabedoria; procurar a loucura até que eu visse o que é bom para os filhos dos homens fazerem durante toda a sua vida debaixo dos céus.
(...)
Tudo os que os meus olhos desejaram, não lhes recusei, não privei o meu coração de nenhuma alegria...
Mas, quando me pus a considerar todas as obras das minhas mãos e o trabalho ao qual me tinha entregado para fazê-las, eis:
tudo é vaidade e vento que passa; não há nada de proveitoso debaixo do sol...
Tanto morre o sábio como morre o louco!"
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 30.09.2018 às 14:02

Hahaha!

Hilariante, uma data de socialistas que querem todos iguais a falarem de arte.

Nem percebem a contradição.

Se estão tão preocupados com o estado da arte podem começar por destruir a Escola Publica e o programa de educação único.


Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D