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O esquecimento do 'Expresso'

por Pedro Correia, em 27.10.18

Há dias escrevi aqui sobre as indignações selectivas, a propósito de política internacional. Pois nem de propósito: o editorial do Expresso de hoje - num estilo e com uma linguagem muito diferentes do habitual - constitui um exemplo vivo disto mesmo. 

«O Brasil somar-se-á à história sombria que, com matizes diferentes, está a ser construída nos últimos anos, com o endurecimento de regimes como o da Turquia e o das Filipinas, a eleição de populistas nos Estados Unidos, as subidas eleitorais de candidatos nacionalistas na Europa em países como França e Alemanha, o radicalismo na Polónia ou o antieuropeísmo em Itália.» Assim se pronuncia o preocupado e pomposo editorial sobre o que se vai passando por esse mundo fora.

Esquece o anónimo editorialista do Expresso o drama da Venezuela, que desde 2013, sob a gerência do populista ultranacionalista Nicolás Maduro, tem empurrado o país para a ruína económica, a tirania política, a violência impune e a asfixia das liberdades democráticas, condenando quase quatro milhões de compatriotas ao exílio noutras paragens - incluindo Portugal.

Faria bem o sobressaltado plumitivo em ler uma excelente reportagem de João Carvalho Pina, publicada esta semana na revista Sábado sob o título «Venezuela: a grande fuga». Em que se relata, a partir do local, como a vizinha Colômbia tem acolhido centenas de milhares de venezuelanos que ali acorrem em circunstâncias dramáticas.

Maduro, caudilho num Estado onde o salário mínimo paga apenas um rolo de papel higiénico e os preços subiram 223,1% só no mês de Agosto, embrulha as bravatas patrioteiras com retórica socialista e "anti-imperialista". Será isso que leva o conspícuo semanário a ser tão selectivo nas suas indignações?

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34 comentários

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De lucklucky a 27.10.2018 às 22:07

O Expresso é Jornalismo Marxista. Por isso "esquece".

Quando quase toda a Europa votar na "extrema direita" e nos "populistas" será exposta a extraordinária monocultura do jornalismo que já nem fala nem escreve para o "povo" mas sim apenas para a classe política que querem igual a eles.


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De V. a 28.10.2018 às 07:44

Esquece é uma gentileza. Na verdade, é uma aldrabice propositada.
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De lucklucky a 27.10.2018 às 22:28

Outro ponto que deve ser feito é o que chamo o paradoxo do jornalismo marxista , como só escrutinam e atacam a "extrema direita" e os "populistas" a população só se sente segura a votar neles porque são os únicos que terão o seu poder escrutinado e todas as leis que passam serão analisadas à lupa.

Enquanto por cá e na Europa os "democratas" e "sociais" e "humanistas" podem passar leis que limitam a liberdade de expressão, atacam os princípios da presunção de inocência que fizeram a civilização moderna e nem são notícia.

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De Pedro Correia a 28.10.2018 às 18:39

Você não é capaz de escrever duas frase seguidas sem usar o adjectivo marxista?
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De Hkt a 27.10.2018 às 23:16

Nos tempos da guerra fria dizia-se que tanto fazia um Pershing II, como um SS 20 no quintal... hoje, parece que alguns acreditam no "fogo amigo".
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De Pedro Correia a 28.10.2018 às 18:38

Nesses tempo havia deste lado quem gritasse "antes vermelhos que mortos". Com imensa vontade de que o totalitarismo soviético "abraçasse" a Europa Ocidental. Em nome da "paz".
Coisa patética, lembrada à distância de 35 anos.
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De jpt a 28.10.2018 às 07:59

A Venezuela não dá jeito nenhum. O seu grande paladino português (não, não falo de Sócrates) já resolveu, há um ano, a questão: "Maduro é um líder impreparado". A sociologia agora é isto ...
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De Pedro Correia a 28.10.2018 às 18:36

Não dá mesmo jeito nenhum. Permite cada espectáculo de contorcionismo...
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De Rão Arques a 28.10.2018 às 09:42

EXPRESSAMENTE TURVO
Ser geringonça é uma arte.
Conseguem parir um ministro Azeredo que não sabe ler, nem escrever, nem ouvir, nem contar.
Tão surdo que não ouviu o telefonema de Joana Marques Vidal tocar?
Ao leme um parteiro Costa criador que ainda assim continua a defender a sua deformada criação.
Com tanta água no bico conseguirão dar despacho de fecho a tão densa bateria de torneiras a pingar?
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De Pedro Correia a 28.10.2018 às 18:35

Esse é outro tema, muito diferente deste que trago aqui.
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De Rão Arques a 28.10.2018 às 09:59

Sobre o falado telefonema da ex-PGR. o nosso Presidente Marcelo instado a pronunciar-se declarou que não recebeu esse telefonema nem telefonou. Custa alguma coisa fazer a mesma pergunta a Azeredo e a Costa?
Também nisto segredo de justiça, blá, blá, blá?
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De Pedro Correia a 28.10.2018 às 18:34

Que tem isso a ver com a Venezuela? Não percebi.
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De Pedro a 28.10.2018 às 10:06

No marxista Expresso :

https://expresso.sapo.pt/opiniao/opiniao_henrique_monteiro/2018-08-24-Onde-estao-os-amigos-da-Venezuela-#gs.jgI3cfA

Passam às centenas de milhar as fronteiras. Fogem! Da fome, da miséria, da opressão, dos maus tratos, do medo! São crianças, mulheres e homens de um país outrora próspero. De um país que tantos elogiaram por ser um exemplo, sem que hoje tenham uma simples palavra de desculpa, sem um arremedo de vergonha por, com a sua ideologia cega, o seu desejo de lucro fácil ou ambos, terem igualmente contribuído, por pouco que fosse, para a tragédia.

Quem não gosta que leia o Diabo ou o diabo a quatro, que é o Observador.

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De Pedro Correia a 28.10.2018 às 18:33

Vê-se bem que Monteiro já não é editorialista do Expresso.
Seria curioso, aliás, saber quem foi o autor deste editorial tão diferente dos restantes.
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De Pedro a 28.10.2018 às 21:32

Vê-se bem que tem a liberdade de escrever no Expresso o que bem entende
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De Pedro Correia a 28.10.2018 às 23:26

Tem essa liberdade dentro do espaço de opinião que lhe é concedido. Era o que faltava se não tivesse.
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De Pedro a 28.10.2018 às 13:16

Meu caro, a pertinência do editorial relaciona-se com o surgimento de regimes /movimentos autoritários, iliberais, soberanistas, nacionalistas e xenófobos por todo o mundo . O perigo vermelho está morto e enterrado pela história excepto nalguns redutos insignificantes, em termos geopolíticos e económicos. Veja na Europa o declínio do socialismo e comunismo. Acha que é daqui que provém a ameaça à democracia e projeto europeu?

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De Pedro Correia a 28.10.2018 às 18:32

"O perigo vermelho está morto e enterrado."
Pergunte isso aos cubanos. Ou aos chineses, que vegetam nas masmorras da ditadura - o caso do Nobel Liu Xiaobo é tristemente emblemático.
https://www.nobelprize.org/prizes/peace/2010/xiaobo/facts/
Ou aos venezuelanos, já agora.

(A propósito: por que raio a Venezuela há-de ser excluída dos regimes autoritários, iliberais, soberanistas, nacionalistas e xenófobos?)
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De Pedro a 28.10.2018 às 20:19

Da mensagem política de Maduro faz parte a xenofobia? O racismo? O Boliverianismo é nacionalista? Pensava que era pan-sul-americano.
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De Pedro Correia a 28.10.2018 às 20:58

Xenofobia, sim. Maduro faz discurso permanente contra os Estados vizinhos - sobretudo Colômbia - e outros, designadamente EUA. O "estrangeiro" como objecto do ódio político plasmado em sucessivas declarações tonitruantes. Isso é xenofobia, não é?
Hipernacionalismo "bolivariano" é parte integrante da cartilha chavista. Nada tem de "pan-sul-americano". Aliás a Venezuela está totalmente isolada no plano continental: só Cuba e a Nicarágua (duas outras ditaduras) ainda lhe prestam apoio.
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De Pedro a 28.10.2018 às 21:38

Meu caro, o Bolivarianismo, como bem sabe, opunha-se à exploração do rico continente sul americano pelas potências ocidentais colonizadoras. Não é uma ideologia nacionalista, como aquela proposta por Orban, Le Pen….Maduro é um ditador, e como todos os ditadores a única ideologia que tem é manter o Poder. Não é capitalista, nem comunista. É um soba, o chefe da aldeia





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De Pedro Correia a 28.10.2018 às 23:27

O "bolivarismo" é uma treta. Apenas outro nome para o ultranacionalismo extremista e xenófobo, servindo-se do nome de Simón Bolívar.
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De Pedro a 28.10.2018 às 20:38

A China é comunista? Cuba?!! É de Cuba que virá a Revolução Internacional?


Maduro critica o sistema capitalista, e persegue/encarcera os políticos que se lhe opõem, ou ameaçam o seu poder. É um ditador clássico, como Salazar, que faz do "comunismo" uma muleta, uma justificação ideológica para conservar o poder. Orban, Le Pen, Bolsonaro desprezam grupos étnicos e sociais, colando-lhes metaforicamente o rótulo de sub-humanidade….os pobres da favelas são parasitas...os muçulmanos são terroristas….etc
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De Pedro Correia a 28.10.2018 às 21:02

A China não é comunista?
Então o Partido Comunista Chinês - partido único no país, no poder ininterruptamente desde 1949 - é o quê? Social-democrata? Democrata-cristão?
E a Constituição chinesa, de assumida matriz marxista-leninista, que propõe o "Partido" como vanguarda da sociedade e do Estado, é o quê? Social-liberal? Conservadora? Fascista?
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De jo a 28.10.2018 às 18:25

O regime da Venezuela não é flor que se cheire. Mas é de referência obrigatória porquê?
Não estão citados outros regimes autoritários e populistas, mas só nota a falta da Venezuela.
Se alguém fizesse um editorial sobre Maduro acha que era criticável ou injusto se não citasse Bolsonaro?

A nossa direita tem um novo mantra "lembra-te da Venezuela" (antes era a Coreia do Norte, mas Kim Jong Un já foi à bênção) mesmo que haja notícias sobre a Venezuela todos os dias, não chega. Se um programa de culinária não falar das prateleiras vazias da Venezuela, é um programa de culinária marxista.
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De Pedro Correia a 28.10.2018 às 18:29

Lá apareceu o colaboracionista do Maduro a picar o ponto, com paninhos quentes.
Chegou tarde, mas ainda a tempo.
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De jo a 28.10.2018 às 22:01

Atacar quem escreve é sempre mais fácil do que refutar o que se escreve.

"Delenda Venezuela"

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De Sarin a 28.10.2018 às 23:40

Pensava que essa era eu!
Mas também não escrevi sobre as Honduras em lado nenhum, e embora tenha escrito muitos comentários em blogues e jornais, postais sobre ou mencionando a Turquia, a Arábia Saudita ou a Hungria... zero, sendo que sobre Bolsonaro limitei-me a publicar um postal com uma frase-resumo lida aqui no DO e duas músicas, "Cálice" e "Pantanal". Suponho que tenho o melhor dos dois mundos, sou colaboracionista à Esquerda e à Direita. Se aprender a rezar em iídiche e a usar niqab estou safa!


Seriamente, Pedro, não considero esses seus argumentos dignos dos debates que me habituei a ler e a ter consigo, e não voltarei a brincar com tal lapso. Entretanto, sobre a crítica aos críticos já falei noutro postal, pouco há a acrescentar neste.
Sobre a Venezuela: vou voltar a comentar neste postal, mas separadamente porque assunto distinto deste comentário e não quero que, como no anterior postal, perca a mensagem.
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De Hkt a 28.10.2018 às 23:43

E convém não esquecer que os supermercados se esvaziaram na medida exacta em que as prisões venezuelanas se encheram. A este propósito não posso deixar de referir esta entrevista no El Mundo:
https://www.elmundo.es/internacional/2018/10/28/5bd493da268e3eac7f8b45e2.html
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De Pedro Correia a 28.10.2018 às 23:54

Isso mesmo: os supermercados na Venezuela foram-se esvaziando à medida que as prisões se enchiam com presos políticos. Há centenas deles encarcerados, quase todos sem acusação deduzida.
Isto enquanto os homicidas andam à solta mais que nunca. Caracas é a capital do mundo com maior índice de crimes violentos por habitante.

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