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O esplêndido suicídio

por Luís Naves, em 10.11.15

Muitas pessoas inteligentes cometem erros catastróficos depois de arranjarem argumentos muito inteligentes para justificar as suas opções erradas. Com a consciência a sussurrar falta de convicção, defendem aos gritos as más escolhas que fizeram e prosseguem para o desastre, incapazes de se libertar da argumentação.

A histeria retórica de numerosos defensores da solução de governo das três esquerdas é um indício do mau caminho em que o país se está a meter. Os radicais querem a exclusão da direita do poder a todo o custo, acabar com as chamadas ‘políticas de austeridade’ e anular as reformas estruturais feitas. Não faz mal que se ignorem o voto popular e as consequências financeiras, o que interessa é garantir que triunfa a história da carochinha, rejeitada pelo eleitorado, segundo a qual todos os males recentes se devem a políticas de direita irracionais que visam eliminar o estado social. Para os que, apoiando, deixam o corpinho de fora, nunca estivemos em pré-falência e sob resgate. E, no exterior, não há credores, só há especuladores.

A fé no futuro governo do derrotado António Costa baseia-se no mito de que é possível fazer diferente do que fez o governo da coligação. No entanto, se cumprirem o Tratado Orçamental, os novos senhores do país vão desiludir aqueles que agora cantam hossanas à mudança ou vão atraiçoar os acordos que fizeram. Quanto tempo concedem os partidos da extrema-esquerda a mais do mesmo? Por outro lado, se o governo do PS não cumprir os compromissos europeus, isto dura pouco tempo, como já se adivinha nos primeiros sinais de nervosismo dos investidores. Nesse segundo cenário, teremos a fase de vitimização, depois o pânico.

O facto é que, a partir de hoje, tudo muda para o Partido Socialista e a direita poderá ocupar definitivamente o espaço eleitoral do centro, mas no imediato estamos no período dos cínicos e dos idealistas, da presunção e da água-benta. Para o choque com a realidade, conta-se com boa dose de propaganda, mas a aventura envolve riscos tremendos e depara-se com uma Europa com outros problemas mais sérios, pouco disposta a entrar em nova crise existencial. Ao fim de seis meses, será evidente que a frente das esquerdas assenta em fanfarronice e pequena intriga: o PS entrou em delírio e lança-se, aos gritos, num esplêndido suicídio.

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