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O equívoco Mário Machado

por João Pedro Pimenta, em 15.01.19

 

A famigerada entrevista de Mário Machado por Manuel Luís Goucha (isto dito assim seria digno de um jornal satírico), além de levantar celeuma pela qualidade do entrevistado, dividiu um pouco as hostes da micropolítica. Parece que pelo facto de alguma esquerda bramir contra a entrevista, alguma direita pespega com exemplos aparentemente equivalentes que tiveram honras de entrevistados ou até de colunistas, como Camilo Mortágua, Isabel do Carmo ou Otelo Saraiva de Carvalho. Nuno Melo, cabeça de lista pelo CDS às europeias, por exemplo, é um dos que caem nessa armadilha, mais digna de conversas de rede social. É que tirando talvez Otelo, pela sua ligação às tenebrosas FP-25, é difícil equiparar Machado a qualquer um dos outros, e muito menos a Mariana Mortágua, que surge à baila. O equivalente directo seriam as redes bombistas dos anos setenta, também com crimes nas mãos, como o da morte do Padre Max (já depois do 25 de Novembro), cujos autores nunca foram punidos nem sequer condenados. Um dos prováveis autores morais, aliás, teve um elogio póstumo do mesmo Nuno Melo, o que talvez ajude a explicar o esquecimento.

A ver se nos entendemos: Mário Machado não é um político, nem representante de um sector político, tirando uma dúzia de neonazis. É um delinquente e um psicopata, preso por associação a grupos de criminosos e assassinos, posse de arma, ameaças, etc. Ultimamente tem arquitectado planos para dirigir a Juve Leo, depois da bela operação criminosa que as cúpulas da claque sportinguista protagonizaram, e de uma facção de motards, Los Bandidos, não exactamente conhecidos por actos de beneficência. Talvez a indignação de alguma esquerda por lhe darem a palavra, desde que não lance mensagens de ódio, seja contraproducente e oportunista. Mas a defesa, ou pelo menos a ausência de crítica de alguma direita, fazendo equiparações abusivas, dá a impressão de que tolera Machado, ou que não se incomoda grandemente com ele, passando a ideia de que ele é o radical do "seu lado". Dar importância política a quem tem somente importância criminal, eis o profundo erro dos que recordam eventuais equivalências do outro espectro.

Mas há ainda outra aspecto esta história toda que me deixa espantado: é a pergunta "acha que faz falta um novo Salazar", e sobretudo que Mário Machado ache que sim, É que com o currículo de desordeiro que tem, o mais provável é que no tempo de Salazar ele fosse posto na masmorra ainda mais anos.

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65 comentários

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De Vorph Valknut a 15.01.2019 às 08:20

Boa reflexão.

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De Justiniano a 15.01.2019 às 09:38

Este texto demonstra, sobretudo, o equívoco de João Pedro Pimenta!!
Li o texto do Nuno Melo. Não li, ali, nenhuma absolvição ao Mário Machado.
Por outro lado, aqui, leio uma absolvição de Camilo Mortágua. Absolvição por um crime confesso, pelo qual foi condenado e do qual se orgulha, ainda hoje. Aliás, nenhum dos personagens apontados por Nuno Melo se arrependem do passado de delinquência, muito pelo contrário, vestem-no com orgulho e ostentam-no como uma medalha ao peito!!
A Mariana Mortágua vem à guisa, ali no texto do Melo, porque se confessou incomodada com a presença de um criminoso irremível no espaço mediático quando, por outro lado, "Os operacionais da organização terrorista FP25 assassinaram 17 inocentes, um dos quais criança, feriram muitos mais, assaltaram bancos e destruíram património valioso. No entanto, em 2017, o BE escolheu para candidato em eleições autárquicas no Barreiro, precisamente um dos fundadores das FP25. Nenhum problema."
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De Vorph Valknut a 15.01.2019 às 11:10

Meu caro, se Salazar tivesse sido assassinado , num dos atentados que lhe montaram, como deveríamos relembrar os seus autores? Assassinos, ou heróis?
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De Sarin a 15.01.2019 às 12:24

Não leu absolvição nem leu condenação. Mas leu, e até transcreveu, o ataque "aos outros", equiparando crimes por motivos políticos com crimes por motivos de ódio. Crimes hediondos, de morte. Com motivações distintas, o que não aligeira os crimes mas define os criminosos.

Sobre os crimes por motivos políticos, há a tendência generalizada para esquecer que estes foram perpetrados também pelo EPL, que apenas não foram julgados graças a um vergonhoso acordo patrocinado por altas patentes. Como diz Nuno Melo, "em Portugal ser de extrema-esquerda é outra loiça".
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De Sarin a 15.01.2019 às 13:06

ELP, não EPL...
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De João Pedro Pimenta a 15.01.2019 às 12:53

Então diga-me porque é que condenaram Mortágua? Por crimes de sangue e de ódio, como Machado? Tirando as FP-25, repito que nenhum deles é comparável a Machado. Nunca vi Isabel do Carmo, por exemplo, confessar crimes de sangue nem a justificar quaisquer uns. Serão comparáveis à rede bombista, como disse no post, onde também não se viram grandes arrependimentos.
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De Justiniano a 15.01.2019 às 15:03

Meu caro, eu não vou estar aqui a discutir crimes, intensidade da ilicitude e graus de culpa, se estiver interessado leia os respectivos acórdãos de condenação. Lembre-se que na co-autoria a ilicitude comunica a todos os agentes (O que vale para o Machado vale para o Mortágua), logo, evidentemente que sim, foi condenado por crime de sangue, também (e animado por um monumental ódio a Portugal, tal como o Machado que, todavia, terá a desculpa, segundo diz, amar um Portugal que não conheceu)!!
Repito, não li, no texto do Nuno Melo, qualquer justificação ou remissão de Mário Machado, pelo contrário! Por outro lado, neste seu texto, leio algum enternecimento e enlevo heróico com as realizações do Mortágua e da Isabel do Carmo

"Nunca vi Isabel do Carmo, por exemplo, confessar crimes de sangue nem a justificar quaisquer uns." Vcmcê lê pouco, ou é muito novo! Leia, informe-se!
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De João Pedro Pimenta a 15.01.2019 às 20:47

Mas qual co-autoria? Mortágua é culpado de roubo, furto, sequestro de veículos, etc, não de assassínios. E só uma leitura deturpada e abusiva do post é que lhe permite falar no "meu" enlevo pelas acções dos citados. Faço uma comparação com a rede bombista, e falei no Nuno Melo exactamente porque ele louvou o cónego com o seu apelido. Quanto à Isabel do Carmo, e já que o Justiniano está tão bem informado, diga-me lá quais os crimes de sangue em que ela está envolvida e onde é que ela andou permanentemente, e durante anos a fio, a ameaçar tudo e todos como o Machado, Se acha que é comparável talvez perceba porque é que vem com essa acusação ridícula de eu estar a contemporizar com as brigadas de extrema-esquerda-
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De Justiniano a 15.01.2019 às 22:46

O caro Pimenta para além de equivocado tem a bússola descalibrada. Então o Cónego Melo tem sangue nas mãos pelas bombas do ELP que nunca reivindicou, nem indicio algum lhe foi apontado, mas o Camilo não é tocado pelo homicideo do santa Maria de que se reivindica com orgulho co autor!! A Isabel justifica todos os crimes que praticou e a violencia empregue, que diz legítima. (Mas nem isso o Pimenta lhe faz a justiça de lhe reconhecer. A Isabel nao gosta que lhe retirem esses méritos). Louva-se na sorte, como confessa, não ter morto ninguém com as suas Bombitas!! Crime de sangue é uma classificação pouco rigorosa. Olhe que nem o Machado foi condenado por crime de sangue!!
Boa sorte!
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De Justiniano a 15.01.2019 às 15:28

Fundamentalmente o caro J. P. Pimenta imputa ao Nuno Melo um exercício que apenas se revela do seu juízo! Fundamentalmente, os seus criminosos são melhores que os outros!!
Faça bom proveito.
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De João Pedro Pimenta a 16.01.2019 às 00:14

Mas o meu amigo anda a gozar ou tem assim tantas dificuldades de interpretação? É preciso muita paciência para responder ao que já está no post: eu equiparo os movimentos armados de extrema esquerda, sim, à rede bombista, e considero o Mário Machado um caso à parte, diferente dos demais excepto talvez das FP-25. Isto é que achar que há "criminosos melhores"? Pelo amor da Santa…Mortágua esteve envolvido num golpe político durante uma ditadura durante o qual resultou um morto. Não houve propriamente premeditação, e é bastante diferente da morte de um indivíduo por...ser negro. Para além disso, Machado passa a vida envolvido em gangs, com armas, ameaçando diversas pessoas de morte, incluindo magistrados, etc. Vai comparar isso com Isabel do Carmo?
E quanto ao cónego Melo, só mesmo por ingenuidade ou ignorância é que se negam as relações dele com a rede bombista, e já agora, esclareço-o que conheço bem o advogado dos familiares do Padre Max, morto à bomba bem depois do 25 de Novembro, assim como familiares meus, insuspeitos de esquerdismo, conheceram o próprio padre por serem conterrâneos por razões profissionais. A este antigo elemento do cabido da Sé de Braga é que Nuno Melo prestou homenagem aquando da sua morte, em pleno parlamento. Por isso, escusava de ter escolhido os tais alvos à esquerda quando ele próprio já caiu nesse erro. Entendido?
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De Sarin a 15.01.2019 às 10:42

Parece ser cada vez mais difícil fazer críticas objectivas sem cair na comparação com "o outro lado". O que demonstra a cada vez maior pobreza argumentativa que viceja até entre os que, por inerência da vocação, deviam cuidar melhor discurso.

Nunca percebi o protagonismo que se dá a criminosos cujos únicos feitos são os crimes. Deve ser uma outra virtude associada ao enaltecimento pessoal, olhai como somos bons ao pé de tais exemplares. É, o populismo passa por afagar egos.
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De João Pedro Pimenta a 15.01.2019 às 12:55

Até porque esse protagonismo ajuda a passar a ideia de que cada facção tem os "seus" criminosos. Lembra um bocado a equação dos Estados Unidos e os seus "bastards".
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De Sarin a 15.01.2019 às 13:04

Concordo. Uma legitimação do crime desde que pelos motivos certos, ie, que sejam do agrado dos legitimadores... uma brisa fresca nos valores maleáveis, portanto.

É engraçado, pois no postal do seu co-bloguista Diogo Noivo abordámos exactamente essa maleabilidade, mas entre cidadão e adepto de futebol. O problema não estará no modelo de cidadania na política ou no futebol, mas nas pessoas. Nitidamente, nas pessoas e na sua formação.
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De João Pedro Pimenta a 16.01.2019 às 00:15

É bem sabido que em questões políticas, o factor clubista ou tribalista, outra maneira de dizer a mesma coisa, aparece com grande grau de probabilidade.
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De Sarin a 16.01.2019 às 00:17

Questão de formação cívica, João Pedro. "Mera" questão de formação cívica.
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De Makiavel a 15.01.2019 às 12:37

Texto interessante, embora labore recorrentemente em equívocos.

Realço o maior de todos, nesta citação:
"É que com o currículo de desordeiro que tem, o mais provável é que no tempo de Salazar ele fosse posto na masmorra ainda mais anos."

No tempo de Salazar, Mário Machado seria de uma qualquer brigada operacional da pide.

Não faça confusão!
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De João Pedro Pimenta a 15.01.2019 às 12:57

Não faço, não. Se os tipos do Nacional Sindicalismo foram dentro, Mário Machado não havia de ir? Até para Pide era demasiado violento.
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De Makiavel a 15.01.2019 às 14:09

Não caia em comparações anacrónicas. Diga isso de “demasiado violento para a pide” a uma vítima dessa polícia política. Ou a um familiar dos diversos que foram assassinados.
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De João Pedro Pimenta a 16.01.2019 às 00:17

Não nego a violência da Pide, mas ainda assim, equiparar o Machado com um deles? Em casos pontuais sim. Mas acho que nem eles ameaçavam magistrados. E mesmo que a tónica do "Portugal multiracial" estivesse mais no papel que na realidade, não andavam a matar negros só por causa da cor da pele.
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De Makiavel a 16.01.2019 às 08:23

A comparação é mais que pertinente. O homem não foi condenado por ter torturado uma pessoa? De a ter sequestrado? A diferença está no respaldo que o estado dava.
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De Alberto Afonso a 15.01.2019 às 22:34

Tal violento como um rosa casaco???
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De Sarin a 15.01.2019 às 13:13

Mário Machado é apenas um criminoso violento e arruaceiro que questiona o poder por ódio - que lhe sobra para distribuir por outros temas.
No tempo de Salazar, podendo embora dar largas ao ódio, não se contentaria com seguir ordens e rapidamente estaria a braços com o aparelho. Seria um criminoso em qualquer regime.
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De Makiavel a 15.01.2019 às 14:05

Discordo em absoluto. Mário Machado não é apenas um criminoso. É um criminoso condenado por crimes com motivação política. Não é um criminoso de delito comum.
No tempo de Salazar, estaria às ordens do director-geral da PIDE.
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De Sarin a 15.01.2019 às 14:49

O ódio serve políticas, não é política por si mesmo. Mário Machado é criminoso por ódio e ânsia de poder, projecto político nenhum.
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De Makiavel a 15.01.2019 às 21:21

O que diz é daquelas afirmações que não adianta nem atrasa para o assunto.
O homem foi condenado por envolvimento num crime com motivações racistas que levou à morte de um cidadão. Não foi um assalto. Não foi uma rixa comum. Foi deliberado e tinha como objectivo um africano, por ele ser africano.
Haja pachorra para tanta tergiversação.
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De Sarin a 16.01.2019 às 00:01

Portanto, racismo é uma questão política e não uma questão de ódio social.

E quando ataca homossexuais, é uma questão política.
E quando se alia aos Los Bandidos ou tenta a liderança da Juve Leo, é uma questão política.
Roubo, sequestro, coacção, tudo motivações políticas.

Já agora o homem não foi condenado por um crime, foi condenado por vários em cúmulo jurídico, incluindo ameaças a uma procuradora da República. Em nome de um projecto político, certamente.
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De Makiavel a 16.01.2019 às 08:19

Todos essas acções que apontam pertencem a um modus operandi de um projecto político.
Considerar os crimes em causa como sendo de delito comum, esvaziando-lhe a carga política a eles inerentes é de uma miopia para cima de oito dioptrias.
Acho que o Machado ficaria muito desiludido com esse esvaziamento de significado em que ele tanto se empenhou.
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De João Pedro Pimenta a 15.01.2019 às 20:48

Por acaso também é um criminoso de delito comum, sim. Quem está a fazer confusão é o Makiavel, dando-lhe um significado político que ele não tem.
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De Makiavel a 15.01.2019 às 21:16

Não tem significado político?
Condenado por um crime de ódio racial não tem significado político?
Defender ideias neo-nazis e ter comportamentos violentos de acordo com essas ideias não tem significado político?
Estou saindo daqui...
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De João Pedro Pimenta a 16.01.2019 às 00:19

Esteja à vontade. Só que Machado acabou atrás das grades também por razões apolíticas.
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De Makiavel a 16.01.2019 às 08:14

Diga-me algo que eu não saiba.
Já agora, conhece alguém em Portugal, depois do 25 de Abril, que tenho ido preso por razões políticas?
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De João Pedro Pimenta a 16.01.2019 às 17:08

Sim, os muitos que foram parar a Caxias em pleno PREC sem acusação ou culpa formada. O pai do actual presidente da CM do Porto, por exemplo.
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De Vorph Valknut a 15.01.2019 às 23:15

Mas desde quando é que Salazar foi de extrema direita?

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De João Pedro Pimenta a 16.01.2019 às 00:44

Até podia ser, mas da extrema-direita reacionária, mais próxima do tradicionalismo. Mário Machado é da extrema-direita revolucionária e totalitária.
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De Vorph Valknut a 16.01.2019 às 08:40

Para mim, um ditador conservador católico. O excerto, abaixo, de um discurso de Salazar, tem incomodado os que por cá se assumem salazaristas e adeptos da suástica - um paradoxo ideológico. A ideologia de Machado é a violência. Tirada esta fica sem pensamento

"Portugal não se fez ou unificou nos tempos modernos nem tomou a sua forma com o ideal pagão e anti-humano de deificar uma raça ou um império".



POLÍTICA ULTRAMARINA (02)

(O espírito da Revolução» — Discurso na visita oficial ao Porto, em 28 de Abril — «Discursos», Vol. I, págs. 324-326) – 1934; António Oliveira Salazar.
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De Anónimo a 15.01.2019 às 14:21

Parece ser cada vez mais difícil fazer críticas objectivas sem cair na comparação com "o outro lado", diz o SARIN.
Eu vou mais longe. Não fosse o Goucha uma valente merda, como efectivamente é, o grunho do fascista não andava a dar entrevistas nas televisões. O mal começa em quem contrata estes infelizes, como a merda do Goucha, para fazer programas.
Viva a branca de neve e os sete anões.
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De Pedro a 15.01.2019 às 14:41

Concordo. Mas vou até forçar um bocado mais a discussão. Coloca no mesmo nível ético o Otelo e o Mário Machado? Note que não estou a falar no plano legal (a discussão seria demasiado pobre), mas sim o plano ético. Sim, eu sei que a questão é incómoda, daí o seu "talvez" no post.
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De João Pedro Pimenta a 16.01.2019 às 00:22

Diria que o Otelo do tempo das FP podia ser colocado no mesmo plano. Agora é apenas um tonto bígamo ainda como pretensões heróicas, mas não esqueçamos que esteve envolvido numa organização sinistra que andou a matar ao tiro e à bomba em plena democracia e que até realizava "execuções" num país que há mais de cem anos tinha abolido a pena de morte.
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De Anónimo a 16.01.2019 às 07:47

Já que falou do tal "otelo" (com "o" propositadamente) permita-me o seguinte!
Por enquanto (vamos ver é até quando) "muito se fala do assalto a Tancos"!
No verão de 1975, "desapareceram" milhares de G-3!
Não sei precisar a data mas foi antes do 25 de Novembro (data em que nos foi, de facto, devolvida a Liberdade!)
Em finais do mesmo ano (ou princípios de 1976) o "general" que tentou ser o Fidel Castro de Portugal disse que as G-3 "estavam em boas mãos", mas não se sabe "que mãos eram"!
As FP-25, cometeram os CRIMES que cometeram ... MUITOS!
Pergunto:
Com que "armas" e mais ... onde e como, puderam adquirir (e usar) explosivos?
Claro que Mário Machado É um "marginal"!
NÃO lhe reconheço o direito a se "autoproclamar" ... um "perseguido político"!
CRIMINOSO DE DELITO COMUM! PONTO FINAL!
TAL COMO oTELO!
Esquerda? Direita?
Onde está a "diferença" (na prática) entre os seus "actores"?
ORGULHO-ME DE TER ESTADO "NO RADAR DA PIDE"!
Só ainda espero ver a DEMOCRACIA ... IMPLANTADA EM PORTUGAL!
Só uma nota (final)!
NÃO VI EM DIRETO A ENTREVISTA!
Quando soube, vi (e ouvi) através da "net"!
GOUCHA E SIMILARES (homens e mulheres)?
VÃO BARDAMERDA (e não sou Sportinguista, nem Portista, nem Benfiquista)!
"Até que a voz me doa" ... vou LUTAR pela DEMOCRACIA!
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De Pedro a 16.01.2019 às 11:43


Sim, claro, claro, eu dou de barato isso tudo. A minha questão não é essa… vou reformular, porque não me fiz entender. Os juízos éticos e morais que fazemos das pessoas não são assim tão simples, resultam antes de um juízo complexo sobre circunstâncias pessoais, históricas, etc. Eu, pessoalmente, perante duas determinadas personalidades históricas que, praticaram, direta ou indiretamente, atos violentos, posso sentir repulsa por uma e achar a outra recomendável, ou até ficar-lhe grato. Em suma, no caso, causa-me repulsa o Mário Machado, mas não me causa repulsa o Otelo, pelo contrário. O que acha?
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De João Pedro Pimenta a 16.01.2019 às 17:43

Por muito que se queria ser coerente, há muitos factores que o impedem. Só se fôssemos totalmente racionais - ou seja, máquinas - é que poderíamos ser absolutamente coerentes. São as circunstâncias de que o Pedro fala que permitem ter uma visão diferente de indivíduos que cometeram actos de gravidade equivalente. Como aqueles desconhecidos que vemos nas redes sociais a quem achamos umas bestas, mas se virmos as mesmas coisas ditas por um amigo tendemos a desculpar (também já me aconteceu o mesmo em infracções de trânsito).
Neste caso, o Otelo de há uns anos (década de 80) não estaria longe de Mário Machado. Actualmente acho-o inofensivo, embora com opiniões absolutamente patéticas.
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De Pedro a 16.01.2019 às 23:13

Certo, João Pedro, já vi que quer manter uma análise clínica do assunto. Eu sei inclusive que há pessoas que se apaixonam por assassinos, doces mulheres que casam com serial killers na prisão, etc. Isso é psicologia básica. Mas se reparar eu não estava a falar nada disso. Eu falava de ética, moral, politica, as circunstâncias de um homem na sua totalidade, aquilo que a história julga, digamos assim, e aquilo que nós podemos desde logo ajuizar, quando falamos em caráter, honradez, etc. Julgo que não tenho de lhe explicar nada disso, porque é até intuitivo, passa pela experiência de vida. E estou muito longe de colocar o Otelo ao mesmo nível do Mário Machado, antes ou agora. Nem acredito que alguém o faça de forma sincera. Até pela simples razão de que não há duas pessoas iguais.
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De João Gil a 15.01.2019 às 14:53

O episódio não tem nada a ver com política, nem com esquerda VS direita, nem com a pergunta feita ou a resposta obtida, nem com Mário Machado ou o que pensa ou deixa de pensar. É simplesmente um momento de uma guerra comercial entre estações de televisão que lutam pelas audiências e que usam todos os meios ao alcance para se superiorizarem à concorrência. Mas claro o português pacóvio depois vai atrás da inflamação política da treta, encenada por todos os intervenientes para distrair a populaça, com assuntos que estão a léguas do tema principal. O telefonema de MRS para a jovem Cristina que se passou da TVI para a SIC e depois para o coitado do Roberto Leal são outro tanto da mesma coisa. Entretenimento para a populaça se distrair do essencial. Migalhas de pão e muito circo, com animais daqueles que falam e tudo..paupérrimo.
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De Sarin a 15.01.2019 às 15:58

O problema é que tudo nesta matéria é política sem o ser efectivamente, e talvez olvide ou desconheça que o populismo anda de mãos dadas com as televisões.
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De João Gil a 15.01.2019 às 18:26

Olvido e desconheço. Não sei bem o que essa história do populismo tem a ver com o caso, mas enfim, o termo popularizou-se e serve para tudo. Gostar de batatas também é populismo porque as batatas são um bom alimento e o português gosta e diz que gosta.
Mario Machado é um caso de polícia e não de política. O resto é apenas circo. Mário Machado até tem um partido. Não consta que seja popular e colha votos nos eleitores portugueses. Circo é como a água benta, cada um toma a que quer..
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De Sarin a 15.01.2019 às 21:04

O facto de o termo se ter popularizado não significa que seja mal aplicado, ou pelo menos que seja mal aplicado por todos os que o usam.
Sobre batatas, na Infopédia encontra a diferença entre populismo e popular.


Consta que Mário Machado tem um partido com poucos votos. Constava o mesmo sobre a ex-FN agora RN, sobre o Vox, sobre o PSL, sobre o Liga.
Consta que o auto-intitulado repórter que se lembrou de Mário Machado é simpatizante do tal partido que este terá.
Só para constar.


O tema não é político porque Mário Machado tem um partido mas não tem um projecto político. Tem apenas a ambição.
Mas é uma questão política porque é um ultrage à Democracia considerar que um criminoso violento e reincidente que atenta permanentemente contra a liberdade dos outros usando de violência física e verbal tem o mesmo direito de expressão que tem qualquer outro cidadão.
É uma questão política porque ignorar as vontades extremadas e os apelos emocionais, considerando-os "não tema", apenas faz com que a surpresa seja maior quando tudo o que "consta" se avoluma e explode em evidência.
É, finalmente, uma questão política porque tudo o que ecoa faz, mal ou bem, parte da sociedade que temos, e desdenhar tais ecos apenas aliena da realidade aqueles que os lamentam.
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De João Pedro Pimenta a 16.01.2019 às 00:30

Não acredito minimamente que ele tenha sucesso na política. É um tipo que provoca temor e nenhum respeito, não é minimamente popular, e em Portugal os tipos demasiado extremistas não colhem simpatia. Acho que nem o PNR terá qualquer sucesso. Se abrir uma vaga para um lugar elegível na direita radical (ou populista, ou simplesmente oportunista), será ocupado por um André Ventura ou coisa parecida.
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De Sarin a 16.01.2019 às 00:39

Não tenho receio de M. M., João Pedro. Mas das ondas de choque dos discursos que se ouvem em volta e do qual tenta fazer eco. Repare que, ao chamar a si um Salazar, está na verdade a apelar a muitos saudosistas. Machado nunca será político, mas neste especial momento político, e graças à osmose, amacia o caminho para os que virão.

Daí eu dizer que é uma questão política sem a ser.
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De João Gil a 16.01.2019 às 08:00

Ha uma maioria absoluta na AR e um aliado na PR que são de esquerda, e que andam sempre a badalar sobre estes temas. Podem legislar a abolição dos direitos cívicos do Mario Machado e proibir por lei que se expresse e criminalizar quem lhe de palco. A preocupação com o populismo é retórica pura. Ou então o PR em vez de ligar para a Cristina Ferreira teria ligado para o Goucha a desancar na TVI pela iniciativa e a confrontar Mário Machado, Portugal e os Portugueses, ao vivo e em directo. Quer maior evidência de populismo do que esse? Conversa fiada para entreter pacóvios.
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De Sarin a 17.01.2019 às 06:12

"Podem proibir"? Proibir é mais fácil do que debater esclarecer desmontar, sem dúvida. Será mesmo uma solução eficaz no médio prazo para tudo o que seja incómodo ou dissonante.
Mas dispenso, sou uma descrente das virtudes da proibição no que à liberdade de expressão respeita.

Que os seus argumentos lhe sejam emprestados ou sejam retórica pura, é consigo; os meus são meus e não são retórica.
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De João Gil a 18.01.2019 às 14:35

Não se ofenda. Eu também acho perigoso o programa do Goucha como os similares das outras estações. Não por ter lá levado o Mário Machado mas pela paragem que provoca no cérebro de quem consegue a proeza física de assistir a tais programas. São perigosos por isso, porque o conteúdo é básico, nem sequer estimulam o cérebro.. É difícil conceber que quem esteja lá em casa a passar as calças a ferro ou a cozinhar a sopa ou a limpar a casa de banho consiga apreender noções políticas com semelhantes programas. Entre o entretenimento proporcionado pelo Mário Machado, pela viúva Rosa, pelas partenaires dos cantores pimba de perna ao léu não existe em tais programas a diferença que se imagina e muito menos o contributo que tantos fantasiaram a propósito no incremento do populismo...mas enfim cada um vê deus ou o diabo no sítio onde julga ou lhe disseram que podem encontrar-se um ou o outro.
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De Sarin a 20.01.2019 às 02:17

Não me ofendo facilmente.
Não é a paragem cerebral que tais programas provocam que me preocupa; qualquer cérebro paralisa se consumir muita televisão.
Preocupa-me seriamente a relativização que os programas imprimem aos temas, a banalização do choque, a habituação à desculpa ou à justificação de qualquer coisa, incluindo os crimes violentos. É esta a questão que, não sendo politica, o é: quando surgir uma vedeta com discurso que apele à emoção, a emoção já está condicionada, tal como o cérebro.

E há muita gente com muita atenção a tais programas. Que os consomem e depois deles fazem tema de conversa - às refeições, nos cafés, nos consultórios, nas filas dos supermercados. E até nos escritórios que visitam, acredite!

As pernas ao léu são decorativas, mários machados não.
Pode achar que qualquer um deles tem o mesmo efeito. Discordo. E como ambos apresentámos argumentos em defesa das respectivas opiniões, pouco ou nada adiantaremos mais sobre o tema - mas mantê-lo-emos no ar, obrigando o João Pedro a moderar comentários num postal com quase uma semana e sobre um tema ainda mais velho.

Teremos outras oportunidades para debate, suponho, por isso despeço-me por aqui.
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De João Pedro Pimenta a 16.01.2019 às 00:25

Ao menos fiquei a saber que o Roberto Leal voltou à ribalta. Não sabia nada dele desde que ganhou aquele engraçadíssimo reality-show fictício "o último a sair". De resto, a sua ideia resume o post: Mário Machado é um caso de polícia, não de política.
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De Anónimo a 15.01.2019 às 17:37

Tanta gente preocupada, e bem, com as vitimas do fascismo e do nazismo. Seria bom que estendessem essa preocupação ás vitimas do social-fascismo comunista que são incomensuravelmente muito maiores.
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De João Pedro Pimenta a 16.01.2019 às 00:31

Como se uma coisa não pudesse implicar a outra. Mas achei graça a esse termo tão MRPP. Estou a ver que Arnaldo Matos está mesmo a passar a sua mensagem.
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De Anónimo a 16.01.2019 às 10:41

Um dos grandes problemas do pensamento português é a rotulagem. Quem pensa de determinada maneira é isto ou aquilo. Quem é esse Arnaldo Matos? o que é isso de MRPP?
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De João Pedro Pimenta a 16.01.2019 às 17:10

É aquele senhor de farto bigode que regressou recentemente do mundo dos esquecidos e que popularizou a expressão "sociais-fascistas" para designar o PCP.
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De Guglielmo J Marconi a 15.01.2019 às 19:18

Sim senhor. Bem exposto.
...
Agora vou ler os comentários.
(Mentira... Vou juntar-me à família e jantar).
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De João Pedro Pimenta a 16.01.2019 às 00:32

Acho muito bem. Família, gastronomia e convívio são bem mais importantes e pelo menos fica-se com a certeza de que não se perde tempo.
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De Anónimo a 15.01.2019 às 19:39

Camilo Mortágua é um herói nacional. Só os saudosistas do antigo regime é que o criticam.
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De João Pedro Pimenta a 16.01.2019 às 00:33

Ainda se fosse o Palma Inácio...Agora o Mortágua, que andou no LUAR 2-0 já depois do 25 de Abril? Livra...

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