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O disparate.

por Luís Menezes Leitão, em 07.10.15

Há muito que acho que Cavaco Silva perdeu completamente o sentido de avaliação política e deveria rapidamente ir-se embora. Em 2013 arrastou penosamente uma crise política por mais de um mês, com os juros a dispararem, depois de Passos Coelho a ter resolvido em dois dias. Tudo isto para tentar puxar o PS para o governo, o que qualquer analista político lhe explicaria ser completamente impossível. Mas Cavaco há muito que sonha em tutelar um governo de bloco central, o que daria ao Presidente uma maior intervenção política.

 

Ontem assistimos a uma manipulação política de primeira ordem, ainda que absolutamente infantil. Primeiro aparecem assessores de Cavaco a publicar na imprensa um artigo, referindo que na Europa há governos de coligação com três ou até com seis partidos, e apelando a uma solução estável de governo. À noite Cavaco, sem esperar pela tradicional ronda aos partidos, comunica que Passos Coelho foi encarregado de obter esse acordo, julga-se que com o PS, já que o PAN manifestamente não serviria para grande coisa, e os outros dois partidos não preenchem os requisitos de estar com a NATO e com a Zona Euro. É óbvio que este acordo seria uma patetice gigantesca, pois a primeira coisa que o PS exigiria para ir para o governo era correr com metade dos boys que a coligação já pôs no aparelho de Estado, para os substituir pelos seus próprios, única maneira de Costa conseguir salvar a pele. Estranhamente, os partidos da coligação alinharam com Cavaco, declarando-se disponíveis para construir consensos. Eu, no lugar deles, teria apelado antes publicamente a Cavaco para que tivesse juízo. É evidente que esta brincadeira vai atrasar consideravelmente a formação do novo governo, com sérios prejuízos para a elaboração do orçamento de Estado.

 

Cavaco deveria ter-se limitado a fazer a habitual audição aos partidos e depois convidado Passos Coelho para formar governo. Logo se veria então se o governo era ou não rejeitado pelo Parlamento, sendo que, se o PS o fizesse, assumiria as responsabilidades. Com isto Cavaco lançou uma tábua de salvação a António Costa, que a agarrou com as duas mãos. Libertou-se imediatamente de Sampaio da Nóvoa, que só existe publicamente por sua causa, e transformou o PS, de partido alternativa em partido charneira, capaz de formar governo com qualquer dos partidos parlamentares, dependendo de quem lhe faça a melhor oferta. Com isto, o país vai mergulhar num enorme sarilho e a culpa é toda de Cavaco. Confesso que já começo a estar farto dos disparates do Presidente. Quando em Março Cavaco for embora, já vai tarde.


17 comentários

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De William Wallace a 07.10.2015 às 14:46

Mais uma palhaçada de um regime politico (de poder) á beira da desagregação.

O Paf venceu as eleições, tem legitimidade para formar governo e por o seu programa em prática e cabe aos outros assumirem as suas opções.

O PR ignorou o voto dos Portugueses e pretende dar uma força ao PS que ele não tem (nem terá).

Obviamente o PS como diz e bem agarrou essa oportunidade com as duas mãos podendo esconder a sua verdadeira face dos seus eleitores através de uma alternativa de "diálogo" camuflando uma vez mais os seus propósitos (a busca do poder pelo poder).

Cada vez mais se torna para mim claro que estava certo ao advogar o voto no Paf em vez de no PS para quem estivesse indeciso entre os dois.


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