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O discurso com que eu me sentiria representado

por Paulo Sousa, em 21.01.20

Há dias, a Dra Olga Silvestre, ilustre deputada do meu concelho, eleita pelo círculo eleitoral de Leiria nas listas do PSD, usou da palavra na Assembleia da República para reivindicar a requalificação e alargamento da Escola Secundária de Porto de Mós, que eu próprio frequentei.

Ao ouvi-la achei que alguns aspectos que contam ficaram por referir. Por isso, propus-me a reescrever o discurso com que eu me sentiria representado. Aqui vai:

- / - /- / - /- / -

Senhor Presidente,

Senhor Ministro,

Senhores Secretários de Estado,

A educação é um dos maiores pilares de uma sociedade desenvolvida.

Pretendia hoje aqui lembrar o Senhor Ministro que, no meu concelho, é urgente requalificar a Escola Secundária de Porto de Mós.

É uma escola com mais de 40 anos, com amianto nas coberturas e nos pilares, sem isolamento térmico ou acústico e é ladeada por muros de sustentação de terras em risco de ruir.

A intervenção é urgente.

Se vivêssemos num Portugal mais equilibrado esta seria a minha reivindicação de hoje.

Há, no entanto, uma outra questão que não posso deixar de a referir aqui.

Esta escola, além da requalificação, necessita agora também de ser ampliada pois a lotação actual ronda 130% da sua capacidade.

E não senhor Ministro, a população escolar do nosso concelho não aumentou nessa proporção.

O que explica este fenómeno foi o pogrom ideológico que o seu governo promoveu contra as escolas com contrato de associação.

A sete quilómetros de Porto de Mós, no Instituto Educativo do Juncal existem doze salas de aula vazias e em silêncio. Todas já pagas pelos impostos do portugueses.

Estão totalmente equipadas, com quadros e projectores, dentro de um edifício moderno e confortável, mas o seu governo, e os amigos do seu governo, decidiram transferir os alunos dali para a agora superlotada e cheia de amianto Escola Secundária de Porto de Mós.

Assim, além da mais que necessária qualificação, esta escola tem agora de ser também aumentada.

Os contribuintes portugueses vão ser mais uma vez chamados a pagar as novas salas porque a outras, que não são velhas, não servem os interesses de quem decide a Educação.

 

Vou terminar Senhor Presidente –

 

Senhor ministro,

Os fundos à disposição do estado, não são do governo, mas sim dos portugueses.

O lugar que hoje ocupa é seu mas é de turno.

No seu legado político ficará inscrita esta perseguição ideológica e os portugueses lembrar-se-ão de como o seus impostos foram desbaratados.

Termino com um pedido.

Apelo à sua noção de ética republicana para que não use esta minha intervenção como desculpa para continuar a adiar a requalificação e a remoção do amianto da Escola Secundária de Porto de Mós.

Disse.


6 comentários

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De Anónimo a 21.01.2020 às 23:22

De antologia

Vorph
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De Costa a 22.01.2020 às 10:21

Não são de facto do governo, esses fundos. Mas não são também dos portugueses, como bem se sabe. A verdade consagrada - pois que inflamadamente proclamada e nunca (que saiba) tal proclamação retirada - revela que esse dinheiro é do PS.

E os portugueses, não nos esqueçamos, seguem com fervor essa verdade, a aceitar o veredicto eleitoral como a devida manifestação da real vontade do soberano. Seguem-na reiteradamente, ainda que isso signifique pagar, reiteradamente também, as consequências daquilo que o PS faz com esses fundos públicos. Consequências, assim sendo, sem dúvida tomadas pelo soberano como afinal virtuosos efeitos colaterais (se de todo colaterais) da patriótica acção governativa do PS e que, por isso mesmo, muito naturalmente lhe cabe, ao soberano, suportar. A demonizar-se alguém por essas consequências, aliás, acabará por ser alguém que não o PS. Como o PS anos a fio e em incansável ladainha cuidará, aliás, de garantir.

Uma moderna escola vazia e outra envelhecida e superlotada a poucos quilómetros, são uma minudência que o traz (e muito bem) aqui. A um blogue. E talvez, na remota hipótese de tal suceder, uma mãe ou um pai em indignação perante microfone de breve e largamente ignorada, entre duas garfadas de uma refeição, reportagem televisiva.

Mas comoção popular verdadeira e de alguma dimensão, creio que só mesmo uma grave questão futebolística. Há prioridades, que diabo. As coisas são como são. É o soberano que as determina.

Costa
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De Paulo Sousa a 22.01.2020 às 15:19

Grande parte dos alunos agora enlatados, ou amiantados, na antiga escola vivem mais perto da escola nova do que daquela onde agora aguardam pela boa vontade do PS, tem razão, que é o dono do regime.
A imprensa também olha para onde lhe apontam, sem conseguir ou querer entender, que o interesse público precisa dela expedita e perspicaz.
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De jo a 22.01.2020 às 10:28

"No seu legado político ficará inscrita esta perseguição ideológica e os portugueses lembrar-se-ão de como o seus impostos foram desbaratados."

No caso dos contratos de associação foi um venha a mim. O dinheiro chegava para fazer escolas privadas enquanto se deixavam cair as públicas. Se tivessem cortado o dinheiro do contrato de associação mais cedo e o tivessem canalizado para a escola pública, a Sra. Diretora não teria hoje razões de queixa na sua escola. Andou-se a financiar doze salas fora da escola, ao mesmo tempo que se cortava o financiamento à escola pública, para que um colégio pudesse ter doze salas boas.

Claro que não deixa de ser uma pergunta pertinente perguntar ao Governo o que fez como o que poupou nos contratos de associação. Se calhar foi para diminuir o défice, porque todos sabemos: não há vida para além do défice.
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De Paulo Sousa a 22.01.2020 às 22:20

Estava a responder-lhe e acabei por fazer um outro texto sobre a escola da minha terra.
Obrigado pelo comentário.

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