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O "direito" a prejudicar outros

por Pedro Correia, em 29.04.19

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Cenas destas ocorrem todos os dias, em milhares de passeios deste nosso país, onde basta um veículo assim estacionado para criar sérios problema de locomoção a qualquer pessoa que se desloque a pé. Basta pensar em cegos, velhos com bengala, jovens de muletas, gente que transporte malas, alguém que se mova em cadeira de rodas ou empurre um carrinho de bebé.

Vivemos numa época em que a todo o instante há quem reivindique direitos sem jamais mencionar a incómoda palavra dever - que todo o direito implica, pois são duas faces da mesma moeda. Alguns dos que mais clamam por direitos são os primeiros a mandarem às urtigas o mais elementar civismo. Ignorando que nenhum direito é absoluto, desde logo quando corre o risco de colidir com o exercício de direitos alheios.

O indivíduo que estacionou assim o carro em zona proibida é daqueles que têm uma concepção absoluta dos seus direitos. Talvez repita até à exaustão nas redes sociais palavras pomposas, como solidariedade e justiça. Aposto que será dos primeiros a exigir aos outros - incluindo entidades públicas - aquilo que ostensivamente não pratica. É o que mais há por aí. Alguns até se atrevem a dar lições de rigor moral e ética comportamental a quem vão encontrando pelo caminho.


5 comentários

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De Cristina Torrão a 29.04.2019 às 17:40

Caro Pedro, concordo em absoluto com o teor do seu texto, mas permita-me discordar que direitos e deveres sejam as duas faces da mesma moeda. Pelo menos, não em todos os casos. No momento em que um bebé nasce, ele tem direitos (assim eu vejo a coisa). Mas deveres? Primeiro, tem de ganhar a consciência do que são deveres. Não digo que se tenha de esperar pela sua maioridade, mas demora alguns anos, durante os quais a criança tem direitos, sem ter deveres.
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De Carlos Gonçalves a 29.04.2019 às 19:21

Na verdade, nem bebés nem crianças constituem direitos. São os adultos quem tem deveres para com eles.
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De Carlos Gonçalves a 30.04.2019 às 01:05

Num quase divertido livrinho de um tal Paul Tabori, a "História Natural da Estupidez", há todo um capítulo dedicado ao seu muito frequente mal entendido. Chama-se o tal capítulo "A lei é Asnática" e é ilustrado com a reprodução de processos em que bestas de vários tamanhos são julgadas e frequentemente condenadas por alegadamente (como agora se diz) escoicearem aquilo que se julgavam ser direitos de alguns bípedes.
Não, não é semântica. É mesmo estupidez.
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De Vorph Valknut a 30.04.2019 às 10:02

"processos em que bestas de vários tamanhos são julgadas e frequentemente condenadas por alegadamente (como agora se diz) escoicearem aquilo que se julgavam ser direitos de alguns bípedes".

Não me parece que seja correcta essa análise. Na Idade Média processaram-se animais quadrupedes (ex:porcos) que "atacaram" pessoas porque se julgava que aqueles tinham "vontade" própria, ou seja intenção.


https://en.m.wikipedia.org/wiki/Animal_trial

Mas está a comparar uma criança com um porco?

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